Aline

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  • Baseado em: Aline (Adão Iturrusgarai)
  • Roteiro: Mauro Wilson com colaboração de Mauro Wilson, Cláudio Lisboa, Péricles Barros, Tatiane Bernardi, Manuela Dias, Zé Dassilva e Gabriela Amaral.
  • Elenco: Maria Flor; Pedro Neschling; Bernardo Marinho
  • Período de exibição: 01/10/2009 a 03/03/2011
  • Horário: 23h
  • Nº de episódios: 13
  • Diretores: Maurício Farias; Mauro Farias

Inspirada nos quadrinhos de Adão Iturrusgarai a série Aline conta a história das descobertas e percalços de uma jovem paulistana. Como nas tiras do cartunista, a protagonista (Maria Flor) tem dois namorados, Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling), com os quais divide um apartamento no centro da cidade de São Paulo. Aline (Maria Flor) só quer curtir a vida com os dois, mesmo com alguns empecilhos, como a Dona Rosa (Camila Amado), síndica do prédio onde os três moram e seu filho, Wallace (Fernando Caruso), que é obcecado pela jovem. A personagem (Maria Flor) trabalha na loja de discos de Pipo (Gilberto Gawronski). A trama também apresenta os pais de Aline (Maria Flor) Estevan e Dolores, interpretados por Daniel Dantas e Malu Galli.

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Apesar de ter como base o universo criado por Adão Iturrusgarai, na adaptação televisiva, a história virou uma comédia romântica, cujo ponto de partida era o ousado amor de uma mulher por dois homens. A abordagem apresentava um humor mais ‘delicado’ do que nas tiras, embora Aline dividisse a cama com os dois namorados, não havia cenas de nudez e sexo, que estão muito presentes nos quadrinhos estrelados pela personagem. A protagonista também era tão libertina quanto nas tiras, na série televisiva Aline (Maria Flor) aparece, no máximo, de calcinha e sutiã.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Logo nos primeiros episódios da série é possível observar que a personalidade forte e moderna de Aline (Maria Flor) estabelece um diálogo com a cidade de São Paulo. O ritmo agitado da fala da personagem acompanha o caos da metrópole. Para reforçar essa correlação entre a personalidade da protagonista e a atmosfera da capital, muitas cenas da trama foram gravadas em lugares emblemáticos de São Paulo. Como, por exemplo, o parque do Ibirapuera; a rua Augusta, o elevado Costa e Silva (Minhocão), os bairros de Vila Madalena, Liberdade e Lapa, entre outros. A loja de disco onde Aline (Maria Flor) trabalha também se passa em um ponto popular da cidade, a Galeria do Rock, no Centro.

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A cidade de São Paulo inspirou a estética da série televisiva, segundo o produtor de arte Guga Feijó os grafismos e gravuras espalhados pelas ruas da capital serviram de base para o desenvolvimento do figurino e dos cenários.

No indicador caracterização dos personagens podemos destacar a constante referência de Aline (Maria Flor) ao rock e às pin ups. Mesmo sendo inspirada na obra de Adão Iturrusgarai a protagonista apresenta algumas diferenças em relação à personagem dos quadrinhos. O cabelo preto e a mistura de peças modernas com roupas de brechós se distanciam da figura criada por Iturrusgarai com cabelo rosa e pouca roupa. Entretanto, a emblemática saia minissaia de caveira foi incorporada a personagem de Maria Flor na TV. A atriz também fez duas falsas tatuagens, um coração espetado por várias flechas no braço esquerdo e um gatinho no peito do pé direito.

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De modo geral o figurino de Aline reforça a estética da série e contribui para a construção da trama. Isto é, em momento algum o objetivo da caracterização é reproduzir de modo fiel os elementos dos quadrinhos, mas integrar o mesmo universo ficcional. Já os figurinos de Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling), Pipo (Gilberto Gawronski) e Wallace (Fernando Caruso), por exemplo, são compostos por peças que ajudam, diretamente, na construção dos perfis dos personagens. Ou seja, apresentam poucas referências externas e elementos elaborados.

Com a direção musical de Branco Mello (Titãs) e Emerson Villani, a trilha sonora de Aline é norteada por uma variedade de estilos musicais. As sequências da série são embaladas pelo rock da década de 1970, MBP, ópera e música eletrônica.

O último episódios da segunda temporada, intitulado O Musical, exibido em março de 2011, os personagens Wallace (Fernando Caruso), Kelly (Bianca Comparato), Yuri (Isio Ghelman), Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling) e Aline (Maria Flor) interpretaram músicas como Olhar 43, do RPM, De Repente, Califórnia, de Lulu Santos, Inútil, do Ultraje a Rigor e São Paulo, São Paulo, do grupo Premeditando o Breque (Premê). Nesse sentido, a música tem um papel fundamental na trama contribuindo para os desdobramentos dos arcos narrativos.

A fotografia da série Aline segue, em sua grande parte, o estilo naturalista. A variação de iluminação e uso de filtros acontece em momentos pontuais na trama. Como, por exemplo, durante as sequências me que a protagonista cria situações fantasiosas em sua cabeça e nas analepses. Desta forma, a alteração na fotografia também é usada como sete chamativa, como iremos discutir mais adiante.

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Os episódios de Aline são estruturados a partir de uma edição não-linear. Isto é, as temporalidades exploradas pelos roteiristas variam entre o passado e presente, além das sequências fantasiosas imaginadas por Aline (Maria Flor). No primeiro episódio da série, por exemplo, intitulado Diário de Aline, vemos Estevan (Daniel Dantas) e Dolores (Malu Galli) durante a gestação da protagonista e, posteriormente, a personagem já adulta.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Os episódios de Aline são permeados por referências externas ao universo ficcional. A intertextualidade abrange os quadrinhos de Adão Iturrusgarai e elementos da cultura pop. Como discutimos anteriormente, apesar reproduzir integralmente a história da HQ na televisão, as sequências da série estabelecem um paralelo com a trama de Iturrusgarai, seja através do figurino e/ou do cenário a atração mantém a estética dos quadrinhos, exploram cores vivas e fortes.

Ao longo dos episódios também é possível observar várias intextualidades como, por exemplo, a cena final que integra o especial de fim de ano que deu origem a série. Gravada no terraço do edifício Planalto, no Centro de São Paulo, a cena Aline (Maria Flor), Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling) fazem coreografia mesma coreografia dos personagens do filme Bande à Part (1964), de Jean-Luc Godard. Filmes como Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Godard, Jules e Jim (1962), de François Truffaut e Os Sonhadores (2003), de Bernardo Bertolucci, também são referenciados na trama televisiva.

Apesar de ter uma narrativa ágil e com muitas intervenções gráficas, os plots e sub plots são construídos a partir de várias setas chamativas. O recurso é usado de maneira pontual nos diálogos dos personagens – na contextualização dos desdobramentos dos episódios – e nas mudanças na fotografia. As variações na iluminação das cenas indica que a sequência em questão é uma analepse. Ou seja, a mudança de temporalidade é sinalizada ao telespectador através de filtros mais escuros, inserção de elementos gráficos, etc. Dessa forma, esses cartazes narrativos ajudam o público a compreender a trama.

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O indicador efeitos especiais narrativos não está presente em Aline, apesar da história ser composta por clímax e reviravoltas, em nenhum momento o telespectador é obrigado e reconsiderar tudo o que viu até então.

Já os recursos de storytelling integram vários episódios da série, em muitos momentos os desdobramentos narrativos são conduzidos a partir de flashbacks e sequências fantasiosas. Porém, é importante ressaltar que todos os recursos são didaticamente sinalizados para o telespectador.

Durante a exibição de Aline a Rede Globo lançou um site com informações gerais sobre a trama e um jogo. Intitulado ‘Equilibre Aline’ o game em flash mostrava a protagonista da série em uma gangorra entre Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling).

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O objetivo era não deixa Aline pender um lado, no final o público podia compartilhar sua pontuação nas redes sociais. Entretanto, apesar de expandir o universo ficcional o jogo não estimulava diretamente a produção e a multilateralidade do telespectador interagente. Nesse sentido, o indicador transmedia literacy não foi observado na estratégia da Globo.

Por Daiana Sigiliano

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