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Na Mira do Crime

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  • Criação: Tiago Santiago
  • Duração: 45 minutos
  • Período de exibição: 12-01-2015 a 16-01-2015
  • Nº de episódios: 5

Exibida pelo canal pago FX a série Na Mira do Crime é protagonista pelo jornalista Márcio Valle (Rodrigo Veronese),que apresenta o programa policial Na Mira do Crime. Após ter divulgado informações do responsável por um assalto e ter ajudado na sua prisão, os outros integrantes da quadrilha decidem se vingar do jornalista e sequestram sua filha Bianca (Gabi Lopes). Com sua filha em coma, Márcio (Rodrigo Veronese) decide largar tudo e se tornar um justiceiro fora da lei.

O elenco conta com nomes como:Rodrigo Veronese, Renata Dominguez, Carlo Briani, Juan Alba, Gabi Lopes, Jacqueline Sato, Rafael Dib, Rogério Britto, Beto Schultz, Fábio Blanchini, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A série se passa na sua maior parte dentro de um estúdio em que é gravado o programa policial Na Mira do Crime, onde o apresentador Márcio Valle (Rodrigo Veronese) faz suas denúncias e divulga notícias sobre crimes ocorridos. A ambientação contribui para a verossimilhança, já que mostra todos os elementos presentes em um programa do gênero policial, como coberturas ao vivo, entrevistas com as vítimas e a postura do apresentador.

mira2mira3Os figurinos presente na série ajudam na construção dos personagens e reforlam suas características centrais. A caracterização de Márcio Valle (Rodrigo Veronese), por exemplo, é composta de roupas sociais, como terno e gravata por se tratar de um apresentador de programa policial. Já bandidos apresentados na série utilizam roupas simples, como regatas, bermudas e chinelos retratando sua posição de sujeitos marginalizados.

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A trilha sonora de Na Mira do Crime só está presente em momentos de ação da trama como, por exemplo,nas sequências de perseguição. Asmusicas eram instrumentais e ajudavam na construção das cenas.

A fotografia da série é norteada porcores escuras,tais como tons de preto e cinza. Apesar de não possuir influência direta nos desdobramentos narrativos, o indicadortraz um aspecto de seriedade para a trama policial, reforçando a proposta do universo ficcional criado pelo FX.

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A série apresenta outras cronologias através do uso de flashbacks. Porém,é importante ressaltar que as analepses exploradas de forma pontual durante a narrativa. Desta forma, a edição se caracteriza como não linear.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

Na Mira do Crime apresenta intertextualidades em sua narrativa, isto é, os personagens fazem referência a contextos externos ao universo ficcional. No terceiro episódio, por exemplo, no momento em que Márcio Valle (Rodrigo Veronese) dá explicações ao delegado sobre sua localização no horário do assassinato de Marola (João Paulo Bineman) o jornalista alega que foi ao cinema assistir ao filme A Grande Beleza, dizendo ainda que o longa foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ao longo dos episódios formam observadas várias setas chamativas. Como, por exemplo, as legendas inseridas para indicar a passagem de tempo na trama, que são reafirmadas pela cena seguinte em que Pajé (Carlo Briani) se dirige a Márcio (Rodrigo Veronese) comentando que já se passaram alguns meses desde que ele decidiu se afastar do trabalho. O recurso também foi usado nas cenas em que Márcio (Rodrigo Veronese) comunica-se mentalmente com sua filha que está em coma. Para diminuir o esforço analítico necessário para o entendimento da história a sequência apresenta alterações em sua fotografia, ressaltando que os acontecimento são fruto da imaginação do protagonista. Portanto, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado na trama de Na Mira do Crime.

A série apresenta algumas reviravoltas no decorrer da narrativa.  A principal ocorre quando Márcio (Rodrigo Veronese) decide fazer justiça com as próprias mãos, após se sentir culpado pelo atentado a sua filha. Entretanto, apesar de possuir desdobramentos importantes, Na Mira do Crime não apresentou o indicador efeito especial narrativo, pois nenhuma reviravolta foi tão significativa a ponto de fazer o telespectador reconsiderar toda a narrativa até então.

O indicador recursos de storytelling está presente na trama Na Mira do Crime. A série faz o uso de flashbacks em momentos pontuais da história. Como, por exemplo, quandoMárcio (Rodrigo Veronese) relembra o atentado de Marola (João Paulo Bineman) contra sua filha. Para indicar ao telespectador que se trata de um flashback, foram utilizadas setas chamativas. As cenas apresentam como cortes rápidos entre os planos.

Apesar de não ter sequências fantasiosas ao longo de seus episódios, em algumas cenas Márcio (Rodrigo Veronese) se comunicava “mentalmente” com sua filha que estavaem coma. Inicialmente.Entretanto a sequência apresenta mudanças na fotografia, nesse sentido o cartaz narrativo é disposto convenientemente para ajudar o telespectador a compreende que tudo não se passa de um devaneio do protagonista.

A ação transmídia adotada pela série contribuiu para a familiarização dos telespectadores com o universo ficcional da atração do FX. Em parceria com a Record, e emissora paga produziu o longa metragem Na Mira do Crime exibido em outubro de 2014 no canal Fox. O filme, de uma hora e meia de duração, é um prelúdio para a série que viria a ser lançada em janeiro de 2015.

A trama aborda os dois primeiros episódios da trama, terminando com a parte em que Márcio Valle (Rodrigo Veronese) decide fazer justiça pela sua filha. Nesse contexto, a estratégia transmídia elaborada para atrair o interesse do público, centra-se em um arco narrativo do programa, expandindo o universo ficcional de Na Mira do Crime. O público, neste caso, é estimulado a relacionar o conteúdo do filme com a série, já que ambas abordam a mesma temática. Além disso, o público da trama televisiva tem acesso ao desdobramento do arco narrativo apresentado no longa, trazendo mais profundidade para a história. Portanto,o indicador transmídia literacy foi identificado em Na Mira do Crime, pois as ações estimulam a interconexão entre diferentes contextos narrativos e a percepção critica do público.

Por Mariana Meyer

Dupla Identidade

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  • Roteiro: Gloria Perez
  • Direção: Mauro Mendonça Filho e René Sampaio
  • Direção de núcleo: Mauro Mendonça Filho
  • Período de exibição: 19/09/2014 – 19/12/2014
  • Horário: 23h30
  • Número de episódios: 13

Dupla Identidade é uma série policial escrita por Glória Perez com direção de Mauro Mendonça Filho para o horário das 23h30 da Rede Globo. Exibida pelo canal aberto entre 19 de setembro e 19 de dezembro de 2014, a trama busca abordar o universo dos serial killer (assassino em série, em português). Este tipo de criminoso comete crimes com certa frequência e segue um modus operandi, muitas vezes deixando sua assinatura.

No caso de Dupla Identidade, acompanhamos Edu (Bruno Gagliasso), que é, aparentemente, um bom rapaz. Formado advogado, estudante de psicologia, voluntário em um grupo de atenção à vida e funcionário do senador Oto (Aderbal Freire-Filho), porém, sua face oculta é um assassino em série de mulheres. A onda de morte de mulheres assombra a cidade e uma equipe de força-tarefa é designada para trabalhar com o delegado Dias (Marcello Novaes) na resolução do caso que, pelas características, cogitam ser um assassino em série. A psicóloga forense Vera (Luana Piovani) então é convocada por conta de sua experiência no FBI e vasta literatura publicada sobre o tema. Enquanto desenrola-se a investigação, Ray (Débora Falabella), uma produtora de moda com transtorno de bordeline se apaixona pelo criminoso trazendo riscos para si e sua filha, ainda pequena.

O elenco da produção conta ainda com Marisa Orth, Bernardo Mendes, Mariana Nunes, Bárbara Paz, Luana Tanaka, Maria Eduarda Militante, Paulo Tiefenthaler, Felipe Hintze e Thiare Maia. Em 2017, os episódios da série foram condensados em formato de telefilme para a plataforma de vídeos sob demanda GloboPlay, do Grupo Globo.

Para a análise do Plano da Expressão, observamos os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Dupla Identidade é ambientada no Rio de Janeiro e isto fica claro desde o sotaque carregado dos personagens ao grande número de sequências externas da série gravadas em bairros conhecidos da cidade como Copacabana, Santa Teresa, Barra da Tijuca, Centro e Grajaú. Segundo o site Memória Globo, o cenário da Superintendência de Polícia foi construído em um prédio da Barra da Tijuca em três andares que comportaram sala de inteligência, salas com equipamentos técnicos de pesquisa e segurança, sala de interrogatório, laboratório de perícia, stand de tiros, sala do delegado e uma copa para café dos policiais. A escolha de filmagem de boa parte da série em externas noturnas e a construção de cenários que reproduzem fielmente um centro de investigações imprimem verossimilhança à narrativa e a composição do clima de mistério exigido pelo gênero.

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A caracterização dos personagens busca exacerbar aspectos emocionais dos personagens, como o vilão-protagonista, Edu. Narcisista e vaidoso, o personagem está sempre bem-vestido com roupas de grife, chiques e alinhadas. Também percebemos que o seu figurino se adapta conforme sua necessidade de conseguir algo, característica da psicopatia: uma das vítimas é abordada por ele trajando camiseta florida e boné.

dp3Ray, sua namorada, apesar de trabalhar com moda não se apresenta como uma fashionista. Suas roupas simples e em tons pastéis demonstram sua fragilidade emocional. Ao contrário da firmeza e sobriedade que Vera, a psicóloga forense, traduz com suas camisas de seda, blazers e calças. Por fim, os personagens do núcleo político, Oto e Sílvia, estão sempre alinhados com ternos e roupas sofisticadas, prontos para qualquer ocasião.

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A trilha sonora da série é composta por músicas instrumentais e heavy metal compostas por Iuri Cunha e Andreas Kisser. Todas tocadas pela banda Sepultura. Tais canções são reproduzidas em momentos específicos da série colaborando com a criação do clima macabro e de loucura que o criminoso Edu sente em suas ações que culminam na morte obtusa das vítimas.

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A atmosfera de tensão e mistério permeia todas as cenas de Dupla Identidade. Numa fotografia descolorida, soturna, percebemos uma luz escura que esconde o rosto das personagens. As nuances e a frieza com que são cometidos os crimes ficam aparentes assim como a melancolia de Ray e a imersão da Superintendência da Polícia no caso. Neste caso, a escolha da fotografia reforça o universo narrativo proposto pela série. Foi também a primeira produção seriada da Rede Globo a ser captada com tecnologia 4K.

A edição da série seguia apenas uma linearidade e buscava mostrar a vida de Edu e os avanços da investigação dos crimes de forma paralela. Foram usados também recursos visuais como legendas para diálogos em outras línguas e a inserção, entre a recapitulação da história e o início do episódio inédito, uma citação de algum serial killer. Por exemplo, no primeiro episódio temos a frase “Nós serial killers, somos seus filhos, nós somos seus maridos, nós estamos em toda a parte” de Ted Bundy, famoso assassino dos Estados Unidos que cometeu seus crimes entre os anos 60 e 70. Tal recurso serve para contextualizar a temática e instigar seus telespectadores a se aprofundarem conhecendo casos reais.

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No Plano do Conteúdo, destacamos os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

O primeiro indicador, a intertextualidade, está presente no uso de citações de serial killers famosos em no início de cada episódio inédito, como citado anteriormente, fazendo uma ligação entre o universo da série e casos reais. Também podemos perceber este indicador quanto ao comportamento de Edu ao posicionar suas vítimas em posições similares a quadros impressionistas.

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Tratando de um gênero ainda pouco explorado no Brasil, a série é carregada de setas chamativas tanto nas falas da psicóloga forense Vera quanto nos flashbacks transmitidos ao longo da atração, conforme podemos conferir na crítica de Fernando Oliveira do portal R7, não satisfazendo assim o indicador de escassez.

“[...] A julgar pelo primeiro episódio, “Dupla Identidade” peca por certo didatismo nos diálogos. Tudo é explicadinho, racionalizado, para não sobrar dúvidas no espectador. Talvez seja costume vindo das muitas novelas que a autora escreveu, mas num gênero como seriado, a pressuposição às vezes funciona melhor.” (OLIVEIRA, 2014, Online)

Também não explorado pela trama são os efeitos especiais narrativos. A história transcorre em uma linearidade de acontecimentos e em nenhum momento o telespectador é obrigado a reconsiderar o que já lhe foi transmitido.

Os recursos de storytelling não são contemplados. Existem sequências fantasiosas onde Edu demonstra seu desejo de matar, vislumbrando a vítima amordaçada e presa em cima de uma banheira onde o mesmo se banha de forma calma contudo existem setas chamativas, como efeitos visuais de transição que demarcam claramente a fantasia do personagem. Os flashbacks na trama que são usados para relembrar os crimes e o andamento da investigação até o momento, de forma didática a minimizar o esforço analítico do telespectador em compreender a razão das atitudes policiais.

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Por fim, Dupla Identidade foi consta por várias estratégias transmídia. Por parte da emissora, encontramos no site oficial da atração no Gshow, portal de entretenimento do Grupo Globo, a seção “Extras” que concentraram as ações da que expandem e aprofunda no universo ficcional.

Na área de Extras, antes da estreia da série na TV, foi possível acessar um infográfico com os perfis dos personagens. O recurso ajudava o público a se familiarizar com a narrativa. Ao longo da exibição, também foram liberadas entrevistas com o criador da abertura, detalhando o processo de criação e finalização da vinheta. Outro conteúdo presente nesta seção são Fotos de Bastidores como, por exemplo, a da cena final onde Edu é executado. Incitando a participação do telespectador interagente, três enquetes foram realizadas pedindo a opinião do público sobre o primeiro episódio, quais comportamentos de um serial killer lhe pareciam mais perturbador e se um serial killer seria capaz de amar.

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Contudo, destacamos como principal estratégia da emissora a criação do webdocumentário Dupla.Identidade.DOC. Em sete episódios de, em média, cinco minutos foram apresentadas entrevistas com a autora Gloria Perez, o diretor Mauro Mendonça, o ator Bruno Gagliasso e também a criminóloga e escritora Ilana Casoy, a psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa, o pesquisador de neurociência do IDOR  Dr. Ricardo de Oliveira, e a perita do Instituto de Criminalística Rosângela Monteiro.

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A construção do webdocumentário buscava traçar um perfil de assassinos em série, relacionando as falas dos entrevistados a casos famosos e a cenas da própria série. Nesse âmbito, podemos identificar, diferente das outras ações realizadas pela emissora, o indicador transmidia literacy, já que o telespectador ao consumir esse conteúdo em outra plataforma expande sua compreensão sobre as temáticas abordadas na série realizando correlações entre o perfil do protagonista Edu com as características citadas pelos entrevistados na atração.

Uma ação transmídia não-oficial, porém relacionada ao cânone foi realizada pela autora Glória Perez em seu site De tudo um pouco. A autora criou a seção Dupla Identidade no mesmo e passou a disponibilizar sua pesquisa para construção da série, postando os casos em que se inspirou na criação dos personagens e conflitos além de informações sobre o transtorno de bordeline vivido pela personagem Ray.

sqlNeste sentido, as ações transmídia de Dupla Identidade propiciam uma visão ampliada e crítica do conceito de serial killer, das práticas de investigação e dos temas abordados pela série em geral e do processo criativo da autora. Concluímos assim que tanto o webdocumentário quanto o site mantido pela autora são exemplos de transmidia literacy porque proporcionam aos telespectador novas possibilidades interpretativas. Isto é, as ações estimulam o público a correlacionar as informações díspares com a série de TV.

Por Léo Lima

Amorteamo

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  • Criação: Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno
  • Roteiro: Claudia Gomes, Julia Spadaccini e Newton Moreno
  • Redação Final: Cláudio Paiva
  • Direção: Flávia Lacerda e Isabella Teixeira
  • Direção-geral: Flavia Lacerda
  • Período de exibição:08/05/2015 – 05/06/2015
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 5

Amorteamo é dirigida por Flávia Lacerda e Isabella Teixeira e gira em torno das relações amorosas envolvidas pela morte. Arlinda (Letícia Sabatella) é casada com Aragão (Jackson Antunes), mas se apaixona por Chico (Daniel de Oliveira), que se torna seu amante. Um dia, Aragão flagra o casal na cama e atira no seu rival, matando-o. O fruto dessa relação proibida é Gabriel (Johnny Massaro) que é apaixonado desde a infância por Lena (Arianne Botelho). Quando mais velho, por conta da saúde de sua mãe, Gabriel (Johnny Massaro) é obrigado a se casar com Malvina (Marina Ruy Barbosa). Porém, ele foge e abandona a noiva no altar por descobrir que Lena (Arianne Botelho) não era sua irmã, como disse seu pai, e então o jovem decide ficar com a amada. Desolada, Malvina (Marina Ruy Barbosa) comete suicídio, mas por algum motivo sobrenatural, ela volta do mundo dos mortos como uma noiva-cadáver, disposta a ficar ao lado de seu amado.

O elenco conta com nomes como Johnny Massaro, Marina Ruy Barbosa, Arianne Botelho, Daniel de Oliveira, Letícia Sabatella, Jackson Antunes, Tonico Pereira, César Cardadeiro, Bruno Garcia, Guta Stresser, Maria Luísa Mendonça, Aramis Trindade, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Todos os cenários explorados na série foram construídos na cidade cenográfica da Rede Globo, o Projac. A ambientação trouxe verossimilhança para a série, contribuindo assim para a imersão do telespectador na trama. A fim de representar a época em que se passa a trama, ambientada no Recife do início do século XX, os espaços presentes na atração presentam uma estética envelhecida e a arquitetura que remete a época retratada. Amorteamo tem como principal ambiente o cemitério, o espaço palco das reviravoltas presentes na trama. O cenário tinha o céu formado por um painel de 360 graus pintado à mão em tons de preto, cinza e branco. Além disso, o espaço, de 1000 m², possuía 15 esculturas em isopor, árvores cenográficas, areia lavada misturada com pó xadrez.

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A caracterização ressaltava a origem social dos personagens. Por exemplo, quando financeiramente abastada, Arlinda (Leticia Sabatella) usava peças de veludo. Já Cândida (Guta Stresser), representante da classe média que trabalhava em um bar, usou tecidos rústicos. E Dora (Maria Luisa Mendonça), dona do bordel da cidade, vestia trajes inspirados no século XVIII, como espartilhos. Outro papel do figurino foi o de representar a passagem do tempo de 18 anos na trama. Arlinda (Leticia Sabatella) começou a série usando peças em tons de bege e, posteriormente, adotou roupas mais escuras. Com Aragão (Jackson Antunes) aconteceu o oposto, suas roupas ficaram desgastadas e envelhecidas representando o seu estado, já decadente. Com a função de marcar outra fase da Malvina (Marina Ruy Barbosa) como noiva cadáver, o figurino também foi fundamental. A personagem aparece com o vestido sujo, maquiagem borrada e dentes e unhas pintados com efeito de descascado e sujeira.

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Desenvolvida por João Falcão e Juliano Holanda a trilha sonora de Amorteamo foi composta somente por artistas pernambucanos, entre eles Juliano Holanda e Laila Garin. As músicas tocadas na série possuíam função narrativa, uma vez que a letra dialogava com a situação do plot em que a canção se fazia presente. Por exemplo, a música Já era tarde de Juliano Holanda, cuja a letra dizia: Quando eu cheguei já era tarde eu sei / Pra te encontrar, pra te dizer o que você queria ouvir / Quando eu cheguei o sol não tava mais / Nem por aqui nem por nós dois. A canção foi executada no momento em que Gabriel (Johnny Massaro) vai se desculpar com Malvina (Marina Ruy Barbosa), porém nesse instante a personagem já se encontrava morta.

A fotografia de Amorteamo era bem demarcada a partir do uso de tons escuros, trazendo um clima fúnebre e sombrio para a trama. Outro recurso utilizado foi jogos de luz e sombra nas cenas. Em cenários internos a iluminação era à luz de velas, proporcionando um ambiente intimista e contribuindo para a imersão do telespectador, uma vez que traz verossimilhança com a época retratada. Apesar da fotografia ser elaborada, ela não possui nenhum tipo de influência ditera narrativa na trama, o recurso apenas reforça o universo ficcional.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

A série não apresenta referências externas ao universo ficcional. Portanto, o indicador intertextualidade não foi observado na narrativa.

Amorteamo apresenta setas chamativas em momentos pontuais, como, por exemplo no terceiro episódio quando a morte de Malvina (Marina Ruy Barbosa) é repetida diversas vezes, quando cada personagem da série recebe a notícia. Porém, em cenas como a volta de Chico (Daniel de Oliveira) como morto-vivo, não houve um indicio que pudesse reapresentar o personagem para o público. Levando em conta que Chico (Daniel de Oliveira) não esteve na trama nos dois episódios anteriores, a seta seria utilizada para situar o telespectador, no entanto, optou-se por não utilizar o recurso. Além disso, considerando a exibição semanal, o que demandaria um esforço maior em retomar os acontecimentos anteriores para situar o público na trama, a atração estimula a cognição do telespectador, uma vez que não explora de recursos como recapitular o episódio anterior ou usar muitas setas chamativas. Neste sentido, o indicador escassez de setas chamativas foi observado em Amorteamo.

Os efeitos especiais narrativos, não foram explorados em Amorteamo. A principal reviravolta acontece quando os mortos saem de seus túmulos para resolverem situações anteriores ao momento da morte e começam a criar conflitos com os outros personagens. Apesar de provocar a surpresa e curiosidade no telespectador, este acontecimento não é significativo a ponto de fazer o público reconsiderar toda a trama até este momento.

Os recursos de storytelling também não integraram o desenvolvimento dos arcos narrativos deAmorteamo. A série não apresenta flashbacks, sequências fantasiosas ou múltiplas perspectivas.

Amorteamo apresentou duas estratégias transmídia. A websérie Causos do Zé Coveiro expandiu a narrativa central por meio de um personagem secundário na série da TV. O spin off, disponível no portal Gshow apresentou, em quatro websódios de aproximadamente 3 minutos. A história gira em torno de quatro defuntos enterrados no cemitério da trama de Amorteamo, sendo o último deles a história de amor do próprio Zé Coveiro. A websérie dialoga com Amorteamo, uma vez que também se passa no mesmo universo ficcional da série. Além disso, Causos do Zé Coveiro traz aprofundamento para o personagem que não foi muito explorado em Amorteamo, apesar da sua grande relevância na série.

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Outra proposta transmídia foi a criação de um novo desfecho para a trama de Amorteamo, durante a exibição doscapítulos finais da série na TV. A proposta possuía o seguinte enunciado:“Não é o fim! Participe e crie novos desfechos para a trama de ‘Amorteamo’. Promovida pelo Portal GShow, a ação permitia que o telespectador pudesse escrever como seria o seu desfecho da série através da criação de novos finais para os personagens da série.

Neste contexto o indicador transmedia literacy foi observado em ambas as estratégias adotadas. Em Causos do Zé Coveiro, o telespectador é estimulado a realizar correlações entre a websérie e a série principal, o que exige um entendimento crítico do público de forma a associar ambas as narrativas a um mesmo universo.

Na ação do portal Gshow: “Não é o fim! Participe e crie novos desfechos para a trama de ‘Amorteamo’”, podemos traçar uma comparação com as fan fictions, já que a estratégia oferece margem para a livre criação do telespectador a partir da trama original. Sendo assim, o indicador transmidia literacy se fez presente na ação ao exigir esforço cognitivo do telespectador e ao mesmo tempo estimular a leitura crítica e criativa da série.

Por Mariana Meyer

Aline

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  • Baseado em: Aline (Adão Iturrusgarai)
  • Roteiro: Mauro Wilson com colaboração de Mauro Wilson, Cláudio Lisboa, Péricles Barros, Tatiane Bernardi, Manuela Dias, Zé Dassilva e Gabriela Amaral.
  • Elenco: Maria Flor; Pedro Neschling; Bernardo Marinho
  • Período de exibição: 01/10/2009 a 03/03/2011
  • Horário: 23h
  • Nº de episódios: 13
  • Diretores: Maurício Farias; Mauro Farias

Inspirada nos quadrinhos de Adão Iturrusgarai a série Aline conta a história das descobertas e percalços de uma jovem paulistana. Como nas tiras do cartunista, a protagonista (Maria Flor) tem dois namorados, Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling), com os quais divide um apartamento no centro da cidade de São Paulo. Aline (Maria Flor) só quer curtir a vida com os dois, mesmo com alguns empecilhos, como a Dona Rosa (Camila Amado), síndica do prédio onde os três moram e seu filho, Wallace (Fernando Caruso), que é obcecado pela jovem. A personagem (Maria Flor) trabalha na loja de discos de Pipo (Gilberto Gawronski). A trama também apresenta os pais de Aline (Maria Flor) Estevan e Dolores, interpretados por Daniel Dantas e Malu Galli.

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Apesar de ter como base o universo criado por Adão Iturrusgarai, na adaptação televisiva, a história virou uma comédia romântica, cujo ponto de partida era o ousado amor de uma mulher por dois homens. A abordagem apresentava um humor mais ‘delicado’ do que nas tiras, embora Aline dividisse a cama com os dois namorados, não havia cenas de nudez e sexo, que estão muito presentes nos quadrinhos estrelados pela personagem. A protagonista também era tão libertina quanto nas tiras, na série televisiva Aline (Maria Flor) aparece, no máximo, de calcinha e sutiã.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Logo nos primeiros episódios da série é possível observar que a personalidade forte e moderna de Aline (Maria Flor) estabelece um diálogo com a cidade de São Paulo. O ritmo agitado da fala da personagem acompanha o caos da metrópole. Para reforçar essa correlação entre a personalidade da protagonista e a atmosfera da capital, muitas cenas da trama foram gravadas em lugares emblemáticos de São Paulo. Como, por exemplo, o parque do Ibirapuera; a rua Augusta, o elevado Costa e Silva (Minhocão), os bairros de Vila Madalena, Liberdade e Lapa, entre outros. A loja de disco onde Aline (Maria Flor) trabalha também se passa em um ponto popular da cidade, a Galeria do Rock, no Centro.

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A cidade de São Paulo inspirou a estética da série televisiva, segundo o produtor de arte Guga Feijó os grafismos e gravuras espalhados pelas ruas da capital serviram de base para o desenvolvimento do figurino e dos cenários.

No indicador caracterização dos personagens podemos destacar a constante referência de Aline (Maria Flor) ao rock e às pin ups. Mesmo sendo inspirada na obra de Adão Iturrusgarai a protagonista apresenta algumas diferenças em relação à personagem dos quadrinhos. O cabelo preto e a mistura de peças modernas com roupas de brechós se distanciam da figura criada por Iturrusgarai com cabelo rosa e pouca roupa. Entretanto, a emblemática saia minissaia de caveira foi incorporada a personagem de Maria Flor na TV. A atriz também fez duas falsas tatuagens, um coração espetado por várias flechas no braço esquerdo e um gatinho no peito do pé direito.

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De modo geral o figurino de Aline reforça a estética da série e contribui para a construção da trama. Isto é, em momento algum o objetivo da caracterização é reproduzir de modo fiel os elementos dos quadrinhos, mas integrar o mesmo universo ficcional. Já os figurinos de Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling), Pipo (Gilberto Gawronski) e Wallace (Fernando Caruso), por exemplo, são compostos por peças que ajudam, diretamente, na construção dos perfis dos personagens. Ou seja, apresentam poucas referências externas e elementos elaborados.

Com a direção musical de Branco Mello (Titãs) e Emerson Villani, a trilha sonora de Aline é norteada por uma variedade de estilos musicais. As sequências da série são embaladas pelo rock da década de 1970, MBP, ópera e música eletrônica.

O último episódios da segunda temporada, intitulado O Musical, exibido em março de 2011, os personagens Wallace (Fernando Caruso), Kelly (Bianca Comparato), Yuri (Isio Ghelman), Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling) e Aline (Maria Flor) interpretaram músicas como Olhar 43, do RPM, De Repente, Califórnia, de Lulu Santos, Inútil, do Ultraje a Rigor e São Paulo, São Paulo, do grupo Premeditando o Breque (Premê). Nesse sentido, a música tem um papel fundamental na trama contribuindo para os desdobramentos dos arcos narrativos.

A fotografia da série Aline segue, em sua grande parte, o estilo naturalista. A variação de iluminação e uso de filtros acontece em momentos pontuais na trama. Como, por exemplo, durante as sequências me que a protagonista cria situações fantasiosas em sua cabeça e nas analepses. Desta forma, a alteração na fotografia também é usada como sete chamativa, como iremos discutir mais adiante.

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Os episódios de Aline são estruturados a partir de uma edição não-linear. Isto é, as temporalidades exploradas pelos roteiristas variam entre o passado e presente, além das sequências fantasiosas imaginadas por Aline (Maria Flor). No primeiro episódio da série, por exemplo, intitulado Diário de Aline, vemos Estevan (Daniel Dantas) e Dolores (Malu Galli) durante a gestação da protagonista e, posteriormente, a personagem já adulta.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Os episódios de Aline são permeados por referências externas ao universo ficcional. A intertextualidade abrange os quadrinhos de Adão Iturrusgarai e elementos da cultura pop. Como discutimos anteriormente, apesar reproduzir integralmente a história da HQ na televisão, as sequências da série estabelecem um paralelo com a trama de Iturrusgarai, seja através do figurino e/ou do cenário a atração mantém a estética dos quadrinhos, exploram cores vivas e fortes.

Ao longo dos episódios também é possível observar várias intextualidades como, por exemplo, a cena final que integra o especial de fim de ano que deu origem a série. Gravada no terraço do edifício Planalto, no Centro de São Paulo, a cena Aline (Maria Flor), Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling) fazem coreografia mesma coreografia dos personagens do filme Bande à Part (1964), de Jean-Luc Godard. Filmes como Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Godard, Jules e Jim (1962), de François Truffaut e Os Sonhadores (2003), de Bernardo Bertolucci, também são referenciados na trama televisiva.

Apesar de ter uma narrativa ágil e com muitas intervenções gráficas, os plots e sub plots são construídos a partir de várias setas chamativas. O recurso é usado de maneira pontual nos diálogos dos personagens – na contextualização dos desdobramentos dos episódios – e nas mudanças na fotografia. As variações na iluminação das cenas indica que a sequência em questão é uma analepse. Ou seja, a mudança de temporalidade é sinalizada ao telespectador através de filtros mais escuros, inserção de elementos gráficos, etc. Dessa forma, esses cartazes narrativos ajudam o público a compreender a trama.

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O indicador efeitos especiais narrativos não está presente em Aline, apesar da história ser composta por clímax e reviravoltas, em nenhum momento o telespectador é obrigado e reconsiderar tudo o que viu até então.

Já os recursos de storytelling integram vários episódios da série, em muitos momentos os desdobramentos narrativos são conduzidos a partir de flashbacks e sequências fantasiosas. Porém, é importante ressaltar que todos os recursos são didaticamente sinalizados para o telespectador.

Durante a exibição de Aline a Rede Globo lançou um site com informações gerais sobre a trama e um jogo. Intitulado ‘Equilibre Aline’ o game em flash mostrava a protagonista da série em uma gangorra entre Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling).

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O objetivo era não deixa Aline pender um lado, no final o público podia compartilhar sua pontuação nas redes sociais. Entretanto, apesar de expandir o universo ficcional o jogo não estimulava diretamente a produção e a multilateralidade do telespectador interagente. Nesse sentido, o indicador transmedia literacy não foi observado na estratégia da Globo.

Por Daiana Sigiliano

A Teia

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  • Série escrita por: Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani
  • Direção: Pedro Vasconcelos
  • Direção-geral e de núcleo: Rogério Gomes ‘Papinha’
  • Período de exibição:28/01/2014 – 01/04/2014
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 10

A Teia foi uma série exibida pela Rede Globo entre janeiro e abril de 2014. Baseada em casos do arquivo pessoal do delegado aposentado da Polícia Federal, Antonio Celso dos Santos, a produção contou com nomes como João Miguel (Jorge Macedo), Paulo Vilhena (Marco Aurélio Baroni), Andreia Horta (Celeste) e Júlio Andrade (Charles).

A história acompanha o delegado Macedo (João Miguel), que tenta desvendar um roubo de 60kg de ouro no aeroporto de Brasília. O personagem reúne pistas que levam à quadrilha do criminoso Baroni (Paulo Vilhena), a qual é, aos poucos, desmantelada pelo delegado.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Em relação à ambientação, a maior parte da série se passa entre as cidades de Brasília e Curitiba, com muitas cenas externas, as quais não foram gravadas em estúdio. O fato de utilizarem cenários reais contribui para a verossimilhança da trama, assim como a caracterização dos personagens, que se faz de acordo com o estilo e a ocupação de cada um. O bandido Baroni (Paulo Vilhena), por exemplo, usa muitas roupas escuras.

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A trilha sonora é um elemento de destaque, uma vez que as músicas utilizadas, em grande parte não-instrumentais, são marcantes. A música tema da série é “Come as you are”, do Nirvana, e tocada, principalmente, em momentos tensos, como o roubo do avião, dando um tom de rebeldia e agitação às cenas. Charles (Júlio Andrade), por exemplo, tem uma relação especial com o rock, sendo que várias cenas do personagem são marcadas por trilhas diegéticas, ou seja, aquelas que fazem parte do universo dos personagens.

A fotografia segue um estilo naturalista, o que reforça a verossimilhança da trama. Entretanto, as cenas externas noturnas são marcadas, muitas vezes, por tons quentes, o que destaca o cenário, que é real, e não reproduzido em estúdio.

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A edição, por sua vez, segue, majoritariamente, o padrão linear. Contudo, no início de cada episódio é mostrado um acontecimento do passado que ajuda na compreensão da narrativa presente, além da utilização de flashbacks funcionais em alguns pontos da trama.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy. A intertextualidade está presente nas diversas menções a locais reais, como Brasília, Curitiba, Paraguai e Chapada dos Guimarães, nos quais se passam parte da trama. A utilização de tais locais como pano de fundo da narrativa aproxima a trama da realidade, fazendo-a parecer passível de acontecer realmente.

Durante o desenvolvimento da narrativa foi observada a presença de algumas setas chamativas, que facilitam a compreensão do telespectador. No início de cada episódio, quando eram mostrados acontecimentos passados, havia a indicação de temporalidade, que deixava claro que o que era mostrado não se passava no presente. Alguns flashbacks se apresentavam em preto e branco, o que também ajuda o público a diferenciar a temporalidade. Além disso, quando no oitavo episódio o delegado Macedo (João Miguel) desvenda a maior parte da “teia” que envolvia o assalto ao aeroporto e o bando de Baroni (Paulo Vilhena), ele explica didaticamente o que descobriu aos seus companheiros da polícia, o que também esclarece o espectador. Portanto, o indicador escassez de setas chamativas não se faz um elemento de destaque na análise da série.

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Em relação aos efeitos especiais narrativos, há clímax e reviravoltas durante os episódios, o que faz a trama se desenvolver. Entretanto, em nenhum momento o espectador tem que reconsiderar tudo o que viu até então ou há mudança no estilo narrativo do programa.

Já quanto aos recursos de storytelling, há alterações cronológicas durante os episódios, os quais sempre começam com algo que aconteceu no passado e que ajuda a compreender a trama do presente. Há também a presença de flashbacks, como quando alguém está reconstituindo uma história ao delegado Macedo (João Miguel) ou quando o próprio delegado está reconstituindo uma história. Porém, todos esses elementos são norteados por setas chamativas dispostas estrategicamente para reduzir o esforço analítico do telespectador.

Em relação ao indicador transmedia literacy, a ação transmídia feita pela Rede Globo foi a “Teia Virtual”, disponibilizada através do portal GShow. A “Teia Virtual” é um espaço interativo que simula a teia montada pelo delegado Macedo (João Miguel) com as pistas encontradas durante os episódios. Desse modo, o telespectador interagente pode tentar desvendar o caso juntamente com o delegado.

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Contudo, tudo o que é mostrado na “Teia Virtual” já foi exibido nos episódios da série, ou seja, o público não encontra nenhuma pista nova ou conteúdo novo que transcenda a narrativa. Portanto, não é exigida a participação ativa do telespectador interagente, uma vez que não é necessário completar a mensagem da “Teia Virtual”, tudo é dado pronto. Sendo assim, o indicador transmedia literacy não foi observado nas ações transmídia de A Teia.

 Por Júlia Garcia

1 contra todos

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  • Criação:  Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein.
  • Direção: Breno Silveira
  • Período de exibição: 20/06/2016 – atualmente
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 16

Exibida pelo canal pago Fox, a série 1 Contra Todos foi produzida pela FIC e pela Conspiração Filmes. A primeira temporada, objeto desta análise, foi veiculada em 2016 e apresentou oito episódios. A produção conta com nomes como Júlio Andrade (Doutor/Cadu), Júlia Ianina (Malu), Roney Vilela (Santa Rosa), Silvio Guindane (Mãe) e Thogun Teixeira (China), entre outros.

O enredo, baseado em uma história real, narra à história de Cadu (Júlio Andrade), um advogado preso injustamente por tráfico de drogas. O advogado é confundido com um famoso traficante, o Doutor (Roberto Birindelli), e, para sobreviver na cadeia, tem que se passar pelo criminoso, o qual é respeitado pelos presos. Malu (Júlia Ianina), esposa de Cadu (Júlio Andrade), passa a cuidar dos filhos com a ajuda do seu pai, JP (Xando Graça).

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história se passa na cidade de Taubaté, em São Paulo, variando entre sequências externas, a cadeia e a casa de Cadu (Júlio Andrade). Todos os ambientes são retratados de forma realista, o que contribui para a verossimilhança da trama. O presídio, por exemplo, mostra a precariedade das condições em que os detentos vivem, situação enfrentada em inúmeras penitenciárias brasileiras.

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Da mesma forma que a ambientação, a caracterização dos personagens também contribui para a verossimilhança da série e reforça o universo ficcional. Cadu (Júlio Andrade), antes de ir para cadeia, se vestia de modo formal, o que condizia com a condição de advogado. Porém, ao ser preso o personagem passa a usar roupas simples e padronizadas, como os outros presos. Quando se estabelece na prisão como o Doutor, ele muda novamente seu estilo. Malu (Júlia Ianina) também muda a forma de se vestir ao se passar por “mulher de traficante”, tentando enganar o policial federal Jonas (Caio Junqueira). Nesse sentido, o indicador acompanha, diretamente, os desdobramentos da história.

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A principal música da trilha sonora é cantada por Criolo e compõe a abertura da série. “Não existe amor em SP” dialoga com o enredo à medida que contrasta o ético Cadu (Júlio Andrade) com o Doutor (Júlio Andrade) em que ele se transforma após ser preso, demonstrando o descontentamento do personagem com a desvalorização da honestidade no país. O trecho “A ganância vibra/ A vaidade excita” faz alusão a mudança de personalidade do advogado depois de adquirir poder dentro do presídio. Ao mesmo tempo, trechos como “Os bares estão cheios de almas tão vazias” dialogam com a solidão e a tensão que o personagem vivencia durante a série.

A fotografia segue um padrão naturalista que se adequa à proposta da série de apresentar um enredo verossimilhante. As cenas internas da cadeia, por exemplo, são marcadas por sombras e penumbras e retratam de maneira realista esse tipo de ambiente. Ao mesmo tempo, se relacionam com a melancolia e a situação degradante de um presídio.

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A edição segue um padrão majoritariamente linear. Por vezes, são inseridas indicações de tempo que esclarecem o período em que Cadu (Júlio Andrade) está na cadeia.

Print 9No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy. A intertextualidade pode ser observada em menções a lugares reais, como Santa Cruz de laSierra e Bolívia, e na própria ambientação da série, que se passa na cidade de Taubaté. O episódio da chacina de Carandiru, por exemplo, também é citado, o que estreita os laços entre ficção e realidade.

Em relação à escassez de setas chamativas, observou-se que a série faz usos pontuais do recurso, o que induz o telespectador a relembrar certos acontecimentos e facilita o entendimento da trama. Um exemplo é o flashbacks no terceiro episódio, intitulado “Caminho do Crime”, quando Cadu (Júlio Andrade) irá enfrentar Magrão (Júlio Machado). Os flashbacks trazem cenas de episódios anteriores que mostram as primeiras explicações que os presos deram a Cadu (Júlio Andrade) sobre quem era Magrão (Júlio Machado), enfatizando que ele era um homem perigoso e violento. Tais flashbacks ainda eram acompanhados de mudanças na fotografia, deixando clara a mudança de temporalidade. Entretanto, tal tipo de recurso não foi usado com grande frequência, permitindo que, em certos momentos, o telespectador complete por ele mesmo o sentido da narrativa.

Os efeitos especiais narrativos, referentes aos clímax e reviravoltas, foram observados ao longo dos episódios, mas se apresentaram apenas como recurso de desenvolvimento da trama. Dessa forma, o telespectador não é levado a reconsiderar tudo o que viu até então e não há mudanças no formato narrativo do programa.

Os recursos de storytelling, por sua vez, não foram observados com frequência. Em alguns episódios há alteração da cronologia, uma vez que a série se inicia com uma cena que, cronologicamente, está no futuro, ainda irá acontecer de acordo com o desenvolvimento do episódio. Há também, por vezes, a inserção de alguns flashbacks, como citado anteriormente, mas acompanhados de setas chamativas que facilitam a compreensão do público.

Em relação à transmedia literacy, o canal Fox, que veiculou a série, divulgava através de suas redes sociais e propagandas televisivas o chamado “código de cadeia”. Essa ação transmídia consistia em revelar, a cada estreia de episódio, uma hashtag diferente, através da qual o público poderia debater sobre a série e enviar perguntas e comentários ao elenco, que sempre estava ao vivo nas redes sociais durante as exibições. Desse modo, além de estimular que o público acompanhasse as redes sociais da emissora e repercutisse sobre a série, a Fox permitia que o telespectador interagente ampliasse a experiência televisiva e participasse ativamente, de modo a transcender a narrativa e encorajar a discussão. Nesse sentido, o indicador está presente no estimulo a produção criativa do público através do compartilhamento de conteúdos na segunda tela.

Por Júlia Garcia

9mm São Paulo

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  • Direção: Michael Ruman
  • Período de exibição:10/06/2008 – 26-07-2011
  • Duração: 50 minutos
  • Nº de episódios: 20 episódios

Dirigida por Michael Ruman, a série 9mm: São Paulo mostra o cotidiano de cinco policiais integrantes do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa da Polícia Civil), localizado na cidade de São Paulo. O enredo aborda questões como a influência da vida pessoal dos policiais no combate ao crime, o desvio de conduta e de caráter dos profissionais, bem como as dificuldades de trabalhar em uma das maiores cidades do mundo. A trama também explorar os dramas pessoais dos personagens como, por exemplo, Luiza (Clarissa Kiste) que desconta no trabalho os problemas com sua filha, e acaba complicando sua relação com Dani. 3P (Nicolas Trevijano), é o mais jovem da equipe e, por isso, acaba agindo sempre por impulso e causando problemas. Já Tavares (Marcos Cesana) possui forte personalidade e é orgulhoso. Horácio (Norival Rizzo), por ser o mais velho da equipe, acaba tendo seus métodos questionados pelos colegas além de também possuir problemas pessoais com sua esposa e seu filho usuário de drogas. Eduardo (Luciano Quirino), ocupa o posto de delegado por conta de seu sogro deputado e para evitar má impressão ele procura fazer seu trabalho da melhor forma.

O elenco conta com Norival Rizzo, Luciano Quirino, Clarissa Kiste, Marcos Cesana e Nicolas Trevijano nos papéis principais.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A delegacia é um dos cenários principais de 9mm: São Paulo. O ambiente é de onde partem as pesquisas e investigações. A série contou também com gravações em vários lugares de São Paulo como, por exemplo, as favelas do Moinho, de Paraisópolis e do Real Parque, a Estação da Luz e o Bairro de Santa Efigênia. Desta forma, a ambientação contribui para a verossimilhança da série, uma vez que retrata lugares típicos de São Paulo e representa o dia-a-dia de policias nas ruas e dentro da delegacia.

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A série tem como arco narrativo central a vida profissional dos protagonistas, assim a caracterização do elenco é um reflexo direto de suas profissões, neste caso, a de policiais. O figurino era composto de roupas sociais, algumas vezes adicionada de colete a prova de bala quando os personagens saiam às ruas para alguma operação.

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A trilha sonora de 9mm: São Paulo é composta por músicas instrumentais e se faz presente apenas em cenas de maior ação como, por exemplo, em momentos de perseguição.

A fotografia da série é marcada principalmente pelo uso de tons escuros e acinzentados. Apesar de estar presente, ela não possui nenhuma função narrativa na série, o indicador apenas reforça o gênero policial explorada na atração.

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A série se passa apenas no tempo presente e não possui mais de uma temporalidade. Portanto sua edição se caracteriza como linear, não explorando flashback, flashforward, etc.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

A série apresentou intertextualidade no episódio “Nós é polícia” da primeira temporada. Neste capítulo, o delegado Eduardo (Luciano Quirino) recebe a notícia que terá apenas 24 horas para solucionar cada caso novo em sua delegacia. A partir disso o delegado Ricardo Pompeu (Douglas Simon) chama Eduardo (Luciano Quirino) de Jack Bauer em tom de ironia, se referindo ao seriado estadunidense 24 horas,protagonizada pelo ator Kiefer Sutherland. Nesse sentido, a série do canal Fox traça um paralelo com o tempo que Eduardo (Luciano Quirino) teria para resolver seus casos.

A trama de 9mm: São Paulo é norteada por setas chamativas, por se tratar de uma série de investigação o recurso é constantemente usado para facilitar o entendimento do telespectador. Como, por exemplo, no episódio “Eu não vivo disso” Eduardo (Luciano Quirino) recebe os arquivos de Tenente Emílio e o seu conteúdo é apresentado ao telespectador. Algumas cenas depois, o conteúdo dos arquivos é reforçado no momento em que Eduardo (Luciano Quirino) o descreve para o promotor Caio Graco (Alvaro Franco). Dessa forma, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série.

9mm: São Paulo explora vários clímax em sua narrativa, dessa forma grande parte dos episódios apresenta mais de uma reviravolta. Como, por exemplo, no episódio”Limpeza” em que Tavares (Marcos Cesana) volta ao DHPP, Eduardo (Luciano Quirino) finalmente decide realizar uma visita ao seu pai e um inocente é dado como culpado pelo delegado Ricardo Pompeu (Douglas Simon).Apesar de possuir reviravoltas, a série não apresenta efeitos especiais narrativos, nesse sentido o uso do recurso não é significativo a ponto de fazer com que o espectador reconsidere tudo o que viu até então.

A série apresenta analepses como recursos de storytelling. No episódio “Eu não vivo disso” há uso de flashback quando Eduardo (Luciano Quirino) relembra o assassinato do Tenente Emílio enquanto estuda o caso com o promotor Caio Graco (Alvaro Franco). Outro exemplo é no episódio “Garoto problema” em que 3P (Nicolas Trevijano) relembra a conversa que teve com Felipe na noite de seu assassinato enquanto estava sendo interrogado sobre sua localização no momento da morte de Felipe. Os flashbacks não são acompanhados de indícios estéticos como mudança na fotografia ou mesmo modificações na narrativa.

A série apresentou duas estratégias transmídia, ambas promovidas para o seu lançamento. A primeira promovida pelo canal Fox, consistia em algemar 200 pessoas em postes, ponto de ônibus e placas de trânsito no centro de São Paulo, o que despertou a curiosidade das pessoas que passavam no local e da imprensa.

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A segunda foi realizada no momento em que a série retorna com novos episódios. Promovida pela agência Santa Clara Nitro, a ação tinha como intenção enfatizar o conceito de “A vida por um fio” apresentado pela série. Para isso, um equilibrista atravessou os 125 metros do Vale do Anhangabaú em uma bicicleta a 120 metros de altura. A ação, conseguiu mobilizar uma multidão e passar o conceito do programa de forma literal: a vida por um fio.

As ações dialogam com o conceito de “A vida por um fio”, amplamente abordado na série. Na primeira, o conceito foi abordado de forma mais simples com o intuito de chamar a atenção do público. Considerando que a ação foi realizada antes da série ir ao ar, as algemas e a camisa da série estimulam o telespectador a deduzir a temática policial da série.

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Na segunda estratégia, já no retorno da série, o conceito é expresso de forma literal com um ciclista andando em uma corda suspensa a 120 metros de altura. Ambas as ações apresentam o conceito da série, porém não trazem nenhum tipo de aprofundamento ou exploram algum aspecto novo da trama. Consequentemente, o telespectador não é incentivado a realizar correlações ou mesmo ter uma visão mais densa da série. Desta forma, o indicador transmedia literacy não foi identificado em nenhuma das ações de 9mm: São Paulo.

 Por Daiana Sigiliano

Alice

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  • Criador: Karim Aïnouz
  • Diretores: Karim Aïnouz e Sérgio Machado
  • Roteiristas: Sérgio Machado e Antônia Pellegrino
  • Elenco: Andréia Horta, Vinicíus Zinn, Regina Braga, Daniela Piepszyk, Carla Ribas, Marat Descartes, Denise Weinberg,Olga Machado, Walderez de Barros, entre outros.
  • Período de exibição: 21/09/2008 a 14/12/2008 – 26/11/2010 e 03/12/2010 (telefilmes)
  • Nº de episódios: 13 + 2 telefilmes

Produzida pela HBO Brasil a série Alice foi exibida entre 21 de setembro e 14 de dezembro de 2008. Posteriormente, a trama ganhou, em 2010, dois telefilmes com 90 minutos de duração. Protagonizada por Andréia Horta a atração retrata os encontros e desencontros de Alice na cidade de São Paulo. A personagem levava uma vida pacata na cidade de Palmas, no Tocantins, mas sua vida muda quando ela recebe a notícia da morte de seu pai. O que era para ser uma viagem de dias para cuidar do inventário dos bens deixado pelo pai se transforma em uma mudança permanente para São Paulo.

Como iremos detalhar ao longo desta análise, o lançamento da série envolveu ações de engajamento até então inéditas no âmbito das narrativas ficcionais seriadas da TV paga brasileira. Para aproximar a protagonista Alice (Andréia Horta) do público, a emissora criou vários perfis em redes sociais. As postagens relatavam os contratempos da personagem na grande metrópole e aprofundavam o universo ficcional.

Alice foi a terceira produção original da HBO Brasil, após Mandrake (2005-2007) e Filhos do Carnaval (2006). Nesse sentido, a trama apresenta uma estética característica das atrações do canal. Com a direção de Karim Aïnouz e Sérgio Machado as sequências criam uma atmosfera única em que a trilha sonora, a fotografia e a atuação do elenco convergem para a criação do universo imersivo de Alice.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A ambientação de Alice contribui não só para a verossimilhança da série, já que o principal plot é a adaptação da protagonista na metrópole, mas como elemento narrativo. Isto é, muitos sub plots são desencadeados a partir do lugar onde se passa a trama. Como, por exemplo, no episódio Pela Toca do Coelho, exibido no dia 21 de setembro de 2008, a protagonista só conhece DJ (Peter Ketnath) e, consequentemente trai o noivo Henrique Teles (Marat Descartes), porque fica perdida na cidade. Nesse contexto, vários conflitos na história acontecem por conta o lugar onde Alice (Andréia Horta) está.

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A série é composta por diversas sequência externas em pontos turísticos e lugares conhecidos de São Paulo como, por exemplo, o bairro da Liberdade, a Avenida Paulista e o Edifício Copan. O mesmo pode ser observado nas cenas se que passam em Palmas, no Tocantins.  Locais como a Praça dos Girassóis e o Jalapão também integram a atração.

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Outro ponto importante na análise da ambientação de Alice é contraponto entre as cidades de Palmas e São Paulo e como esse aspecto se reflete nos perfis dos personagens. Ou seja, as características dos personagens vão ao encontro a atmosfera dos lugares. Dani (Luka Omoto) e Marcela (Gabrielle Lopez), por exemplo, refletem de maneira nítida a vida noturna e a diversidade da capital paulista. Em contrapartida Glícia (Walderez de Barros) e Henrique Teles (Marat Descartes) dialogam com a introspecção de Palmas.

alice4A caracterização dos personagens de Alice reforçam o desenvolvimento dos arcos narrativos de série.  Nesse sentido, o modo de se vestir dos personagens dialoga diretamente com suas características centrais. Se estabelecermos um paralelo entre os pares românticos da protagonista este aspecto fica claro. Enquanto as roupas usadas por Henrique Teles (Marat Descartes) são simples, com combinações monocromáticas, o figurino de Nicholas Araújo (Vinicíus Zinn) é mais ousado, misturando ternos de alta costura com camisas básicas.

Na trama, Henrique (Marat Descartes) representa a antiga e, pacata, vida de Alice (Andréia Horta) em Palmas. Onde todos se conheciam e tinham uma rotina bastante monótona. Já Nicholas (Vinicíus Zinn) representa o novo na história, o personagem está sempre nas melhores baladas da metrópole, conhece muita gente e não tem medo de se arriscar em novos projetos.

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A transição de Alice (Andréia Horta), que deixa Palmas e vai para São Paulo, também fica clara em sua caracterização. Além das mudanças na personalidade da personagem, que ganha mais auto estima e confiança, as roupas usadas por ela externalizam esse processo de amadurecimento. Nas primeiras sequências de série vemos a protagonista usando roupas básicas em tons claros, porém com o passar dos episódios Alice (Andréia Horta) muda o seu visual. As roupas, em que maioria na cor preta, apresentam muitos brilhos e decotes. Dessa forma, o indicador ajuda nos desdobramentos dos arcos narrativos ao acompanhar o perfil dos personagens.

A trilha sonora de Alice é composta por várias músicas de novos artistas brasileiros como, por exemplo, Instituto e Irina Gatsalova, Estela Cassilatti, Boss In Drama, 3 na massa, Curumin,entre outros. As canções reforçam os plots e sub plots da trama e também refletem a atmosfera criada por Karim Aïnouz. Desde a harmonia das baladas eletrônicas até as letras das musicas românticas dialogam com a trajetória da protagonista e a megalomania da metrópole.

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As sequências externas de Alice apresentam, em sua grande maioria, uma fotografia naturalista. Porém, as cenas em que a protagonista vai para a noite de São Paulo são pautadas por filtros que realçam o contraste dos elementos cênicos. O recurso também estabelece um diálogo com a abertura da série, que explora vários planos da capital paulistas com o efeito light painting.

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Composta por uma edição não linear, ou seja, que apresenta analepses, a série da HBO Brasil usa o indicador para ampliar o universo ficcional da protagonista. Nesse sentido, os flashbacks ajudam o telespectador a conhecer melhor a vida de Alice (Andréia Horta) e como esses acontecimentos contribuíram para a formação de sua personalidade e para as situações abordadas na atração.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

Os episódios de Alice são permeados por referências externas ao universo ficcional da série. Durante as sequências da trama é possível identificar citações a livros, filmes e artistas contemporâneos. Porém, a intertextualidade mais presente na série é a obra de Lewis Carroll, o livro Alice no País das Maravilhas. As correlações entre a conhecida história infantil e a série da HBO são claras e abarcam o nome do programa, os desdobramentos narrativos, os figurinos e até os títulos dos episódios.

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Logo na sequência inicial da atração, na abertura, vemos a imbricação entre a Alice do País das Maravilhas e a Alice (Andréia Horta) de São Paulo. As imagens da metrópole paulistana são espelhadas, a protagonista aparece brincando com um coelho e as transições são marcadas por cartas de baralho. Nos episódios podemos identificar que assim como a protagonista de Lewis Carroll, a Alice (Andréia Horta) de Karim Aïnouz também está perdida em um mundo desconhecido que será fundamental para seu amadurecimento pessoal. Os elementos cênicos do programa reforçam a alusão feita pelos roteiristas como, por exemplo, na festa do primeiro episódio da série que toda a decoração é composta por coelhos. A correlação das obras também pode ser observada nos títulos de alguns episódios que apresentam referências a aspectos centrais da história de Carroll tais como, Pela Toca do Coelho, O Lado Escuro do Espelho e Wonderland.

As setas chamadas são usadas em vários pontos da trama, o recurso ajuda o telespectador a compreender as angustias e a trajetória da protagonista. Nesse sentido, durante os episódios Alice narra, em off, a sua percepção dos acontecimentos, deixando claro para o público o que está se passando naquele momento. Outro cartaz narrativo usado na atração são os resumos da história de vida da personagem, ao longo dos episódios é possível acompanhar, através de flashbacks, situações importantes que contribuíram, mesmo que indiretamente, para a construção da personalidade de Alice. Dessa forma, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado.

Apesar de ser composta por reviravoltas e clímax, a trama de Alice não obriga o telespectador a reconsiderar tudo o que lhe foi apresentado até então. Em outras palavras, episódios como, por exemplo, Pela Toca do Coelho e O Lado Escuro do Espelho apresentam mudanças consideráveis no roteiro quando a protagonista passa por transformações tais como ficar em São Paulo e terminar com Henrique (Marat Descartes), mas nenhum desses acontecimentos ressignifica o universo ficcional da série, por tanto o indicador efeitos especiais narrativos não foi observado.

Como ressaltamos anteriormente, a trama de Alice apresenta vários flashbacks. O recurso é usado para aprofundar a história da protagonista, fazendo com que o telespectador conheça pontos importantes da trajetória da personagem. No primeiro episódio da temporada, por exemplo, é possível observar momentos da infância de Alice (Andréia Horta), o suicídio de Ciro, como Alice (Andréia Horta) e Henrique (Marat Descartes) se conheceram, etc. Nesse sentido, o indicador recurso de storytelling contribui na densidade da história, explorando vários desdobramentos importantes na vida de Alice (Andréia Horta).

Seguindo o modelo de ações transmídia de outras tramas da HBO, as estratégias de engajamento de Alice são consideradas um marco no estudo do fenômeno no Brasil. Apesar de serem comuns para atrações internacionais da HBO, poucas produções nacionais tiveram seu universo ficcional expandido em múltiplas plataformas. Ao longo da primeira temporada foram desenvolvidas sete ações transmídia. Hospedado dentro da página do canal HBO, o site oficial de Alice reunia a maioria das estratégias da série. Através do menu da página era possível acessar os perfis fictícios da personagem nas redes sociais, fazer o cadastro do e-mail e/ou do telefone celular para receber informações da trama, além de conhecer outros desdobramentos da história, como iremos detalhar mais adiante.

alice9Para divulgar a série, a HBO deixou pen drives em várias festas de São Paulo. O dispositivo continha informações sobre a trama de Karim Aïnouz, tais como: clipes, fotos e wallpapers. Além de apresentar a atração ao público, o lugar onde os pen drives foram deixados dialogava diretamente com a proposta da série e o novo estilo de vida de Alice (Andréia Horta).

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Disponibilizadas em um blog e na plataforma LiveSpace, as publicações de Alice (Andréia Horta) relatavam a vida da protagonista antes de sua viagem para São Paulo, mostrada no primeiro episódio da série. Nesse sentido, o conteúdo representava o início da trajetória da personagem. Durante a exibição da trama, as plataformas eram atualizadas três vezes por semana com postagens que contribuíam para a expansão da narrativa. Ao acessar os conteúdos o público podia conhecer as percepções de Alice (Andréia Horta) sobre os acontecimentos que foram mostrados no episódio.

Com o objetivo de aproximar os telespectadores da protagonista da série da HBO, foi criado um bot no extinto MSN (originalmente The Microsoft Network). O robô respondia aos comandos pré programados que eram gerados a partir de palavras chave. Ao adicionar a personagem no MSN o telespectador poderia conhecer melhor o passado de Alice (Andréia Horta), suas expectativas para sua nova carreira profissional em São Paulo, entre outros conteúdos extras.

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Outra forma familiarizar o público com os personagens e trazer verossimilhança para a trama foi a criação de perfis da extinta rede social Orkut. Além de interagir com Alice (Andréia Horta), Teobaldo (Juliano Cazarre), Marcela (Gabrielle Lopez) e Nicholas (Vinícus Zinn) o telespectador ainda podia acompanhar as mensagens trocadas entre os personagens. O conteúdo reforçava e ampliava o universo ficcional da atração HBO. O mesmo aconteceu no Facebook, porém na rede social apenas a protagonista tinha um perfil. A página reunia relatos, fotos, vídeos, indicação de músicas e passeios em São Paulo. Os telespectadores também podiam fazer perguntas à protagonista.

As músicas que compunham a trilha sonora de Alice foram disponibilizadas pela HBO no Blip.fm. Ao acessar o perfil da série, também era possível escutar as playlists que Alice (Andréia Horta) criava para as suas festas.

alice12Após a exibição da temporada no canal pago HBO, a protagonista manteve seu perfil no Twitter ativo, inicialmente as postagens na rede social iam ao encontro dos conteúdos disponibilizados no Facebook. Porém, com o término da trama, o perfil deu continuidade ao universo ficcional. Os tuítes ressaltam o cotidiano e as angustias da protagonista.

Em 2010, a HBO lançou dois telefilmes de Alice intitulados O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida e A Última Noite, respectivamente. Os episódios mostravam os novos desafios da vida de Alice (Andréia Horta), após a sua mudança definitiva para São Paulo. Entretanto, apesar integrarem o universo ficcional da série, os telefilmes podiam ser assistidos de forma isolada. Isto é, para compreender a trama não era necessário que o público tivesse assistido a primeira temporada.

As ações transmídia de Alice contribuem diretamente para o aprofundamento do universo ficcional da série. Ao acompanhar as estratégias o público conhecia novas perspectivas da história. Cada desdobramento da atração apresentava uma linguagem e um propósito diferente, nesse sentido o telespectador interagente tinha que interconectar as distintas estratégias. Dessa forma, o indicador transmedia literacy foi identificado atração da HBO, pois as ações estimulam o público a fazer uma leitura multilateral. Seja na interação com o bot, nas postagens nas mídias sociais ou nos conteúdos complementares os telespectadores tinham que interpretar variados contextos midiáticos e correlacionados a narrativa televisiva.

Por Mariana Meyer

Zé do Caixão

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  • Roteiro: André Barcinski, Ricardo Grynszpan, Vítor Mafra
  • Elenco: Matheus Nachtergaele, Maria Helena Chira, Bruno Autran, Anamaria Barreto, Walter Breda, Felipe Solari
  • Período de exibição: 13/11/2015 a 18/12/2015
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 6

Zé do Caixão foi uma produção do canal pago Space que retratou a vida do cineasta José Mojica Marins, mais conhecido por criar e interpretar o personagem Zé do Caixão. A série acompanha, sem compromisso documental, alguns anos da vida de Mojica e a produção de alguns de seus filmes, bem como a criação do icônico personagem. O elenco é composto por Matheus Nachtergaele (Mojica/Zé do Caixão), Maria Helena Chira (Dirce), Bruno Autran (Chico), Anamaria Barreto (Dona Carmen) entre outros.

A trama segue o formato episódico, ou seja, a maioria dos arcos narrativos tem início e fim no mesmo episódio. Cada capítulo mostra a produção de um filme de Mojica e, entre cada um, às vezes se passam anos. Tal escolha de formato permite, portanto, que o telespectador entenda a maior parte da trama sem precisar acompanhar todos os episódios.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história tem início em São Paulo na década de 60 e tanto a ambientação quanto o figurino são montados de acordo com a época. Nesse sentido, o indicador não só interfere no desdobramento da trama como também contribuiu para a imersão do público.

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Um fator importante é a caracterização do personagem Zé do Caixão (Matheus Nachtergaele), que segue fielmente a estética do personagem original, interpretado pelo próprio Mojica. Isso se faz importante não apenas para a verossimilhança e aproximação com a história real, mas para o envolvimento do público com a trama.

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A trilha sonora é predominantemente instrumental e composta, principalmente, por músicas de suspense e terror, que ambientam os filmes rodados por Mojica (Matheus Nachtergaele) como Zé do Caixão. Entretanto, outros momentos fazem uso da trilha sonora para dar o tom da cena, como aqueles divididos por Mojica (Matheus Nachtergaele) e Dirce (Maria Helena Chira), nos quais, por vezes, há músicas românticas.

A fotografia, por sua vez, é composta, na maioria das vezes, por muitas sombras, contrastes e cores escuras, o que se adequa à figura do Zé do Caixão. Além disso, quando há cenas dos filmes que estão sendo rodados nos episódios, a imagem fica em preto e branco para simular o aspecto do filme real.

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Já a edição segue o padrão linear e não apresenta alterações cronológicas, deixando a narrativa clara ao telespectador, que não se confunde nas temporalidades exploradas na trama.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. Em relação à intertextualidade, a trama faz referência a lugares e pessoas reais, como São Paulo e Glauber Rocha, que tem a famosa frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” citada em um dos episódios da série. Isso contribui na ambientação da produção e na verossimilhança da trama, uma vez que traz elementos da realidade a uma série que trata de um personagem que realmente existiu – o cineasta Mojica(Matheus Nachtergaele).

Em relação à escassez de setas chamativas, foram observados alguns elementos que facilitam a compreensão do telespectador a cerca do que está ocorrendo na trama. Um exemplo ocorre no primeiro episódio, onde balas de festim são trocadas por balas reais pela mulher do delegado durante a produção do filme “A sina do aventureiro”, o que acaba ferindo a atriz principal. Antes de isso ocorrer, o público já pode imaginar o que acontecerá, já que a câmera foca, mais de uma vez, nas balas de festim ao lado das balas reais.

Em relação aos efeitos especiais narrativos, a série apresenta pequenos clímax e reviravoltas em todos os episódios, mas em nenhum momento o espectador é levado a reconsiderar tudo o que viu até então. O estilo narrativo do programa também se mantém constante ao longo dos episódios.

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Quanto aos recursos de storytelling, há, ao longo da série, algumas sequências fantasiosas, as quais são, em sua maioria, sonhos do protagonista. Isso se mostra claro, uma vez que tais sequências são em preto e branco e pode-se ver o personagem abrindo os olhos ao final dessas sequências, deixando evidente, portanto, que se tratam de sonhos. Dessa forma, pode-se perceber, também, a presença de setas chamativas.

Por Júlia Garcia