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Estranha Mente

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Estranha Mente é um seriado de televisão que estreou no canal Multishow em 3 de outubro de 2012. Cada uma das três temporadas exibidas até o final de 2014 contém 13 episódios. As cinco emissões analisadas neste estudo foram escritas por Fernando Caruso, Jaiê, Luiza Yabrudi e Eduardo Rios, que apostam em esquetes baseadas em situações reais “e às vezes surreais” da mente de Fernando, como o próprio programa define. Protagonizado por Caruso, o elenco ainda conta com Hamilton Dias, Mari Cabral, Márcio Lima, Roberta Brisson, Paulo Dodô, Ricardo Rossini, Diogo Costa, Raphael Logam e Alexandre Régis.

No plano da expressão, um dos aspectos que chama a atenção do espectador é a vinheta de abertura do programa, que traz a voz de Fernando Caruso explicando a quinta dimensão não conhecida pelo homem: a imaginação dele. Durante a narração, apenas círculos verdes aparecem na tela, e logo depois o seu rosto é colocado em diferentes contextos do dia-a-dia. Cada episódio tem entre sete e 11 esquetes que se misturam ao longo da narrativa e trazem Fernando Caruso interpretando diferentes personagens ou até ele próprio.

O tom descontraído do programa se dá pelo seu fechamento, que mostra os créditos dentro de uma nuvem branca e verde na parte de baixo do plano enquanto os erros de gravação vão sendo mostrados na tela, com gírias e palavrões sendo falados, como “porra”, “cretino”, “merda”, “sacanagem” e “caralho”. Além disso, os episódios exibem frequentemente vinhetas toscas em determinados esquetes e efeitos especiais mal elaborados, deixando claro que o objetivo do programa não é ser verossímil, mas despertar o riso pelo grotesco.

No plano do conteúdo, o indicador diversidade de sujeitos representados obteve avaliação razoável. O episódio que mais se destacou foi o exibido no dia 19 de junho de 2013, cuja análise foi considerável quanto à representação de grupos sociais no esquete das dúvidas sobre a Tuberculose. A partir dos 13 minutos e 36 segundos, uma agente de saúde em uma sala com cartazes ao fundo, livros e jarra de suco de frutas na mesa, tenta informar às pessoas e tirar as suas dúvidas sobre o assunto. Após um breve panorama sobre a doença, quatro personagens homens em lugares diferentes, com vestimentas de estilos distintos e realizando ações também diferentes, começam a aparecer na tela com perguntas, o que deixa claro o objetivo do programa em simular a diversidade buscada pelas entrevistas que consultam o público na rua.

Porém, mais do que simular, Estranha Mente satiriza essa tentativa da diversidade ao trazer personagens de diferentes classes sociais fazendo perguntas repetidas, ou sem sentido, e mostrando as respostas da agente de saúde, que progressivamente vai ficando irritada: “por quê que vocês estão fazendo isso comigo?”, dramatiza ela. Em seguida, Fernando Caruso aparece na tela falando sobre a ignorância como uma doença, referência clara aos quatro personagens mostrados anteriormente, que muitas vezes representam o público da vida real mostrado nas entrevistas, que não faz perguntas relevantes ou realmente pertinentes sobre o assunto.

O indicador de qualidade desconstrução de estereótipos não foi muito identificado no programa. Nas cinco emissões analisadas de Estranha Mente, este recurso é usado para afirmar estigmas e pré-conceitos já existentes na sociedade atual, como o de que toda mulher é interesseira ou o de que “advogado fala, fala, e não diz nada”. No episódio exibido no dia 3 de outubro de 2012, por exemplo, aos 14 minutos e 16 segundos se inicia um esquete em que dois amigos estão no bar de uma boate e um deles tenta paquerar a funcionária do local. Vendo que a menina reage de maneira arrogante, o rapaz decide apelar para a frase “eu tenho um programa no Multishow” e consegue o que quer: um beijo da garota. Essa cena, apesar de curta, reforçou o estereótipo de que existem mulheres que só se relacionam com outra pessoa por causa do status que sua profissão tem na sociedade.

No quinto episódio aqui analisado, exibido no dia 19 de junho de 2013, outra situação em que há a afirmação do estereótipo, está no esquete do tribunal do júri, em que Fernando Caruso interpreta um advogado de defesa que, apesar de falar muito, só diz coisas sem sentido. O senso comum de que “advogado fala, fala, e não diz nada”, que vale para muitos profissionais da área jurídica, é reafirmado nesse esquete pelo exagero das falas do advogado e pelas reações dos demais personagens, que, diante das falas confusas, tentam compreender minimamente o advogado.

Ainda sobre utilizar a ferramenta do estereótipo para afirmar paradigmas sociais, no episódio do dia 3 de outubro de 2012 o programa conseguiu, sem nenhuma fala, apenas com uma música de fundo, reforçar a ideia de que a banda Calypso não é boa ao mostrar a frase “Dançar Calypso na festa da firma é crime. Tudo bem, não é. Mas deveria”, após sucessivas fotos de pessoas supostamente presas.

O indicador de qualidade oportunidade foi identificado de forma razoável nas emissões analisadas, pois, apesar de não tratar de assuntos presentes na agenda midiática, traz para o público temas do dia-a-dia de qualquer pessoa, sendo esse tema relevante ou não. No quadro Cinemón, do episódio exibido no dia 24 de abril de 2013, por exemplo, ao invés de Fernando Caruso satirizar os especialistas de cinema fazendo referência a filmes atuais, foi usado como objeto o filme Karate Kid, que, apesar de ser um clássico, foi lançado em 1994.

No último indicador de qualidade do plano do conteúdo, ampliação do horizonte do público, percebe-se que o programa fracassou. Foram poucos os momentos em que foi possível estimular o pensamento e o debate no espectador e, mesmo nos esquetes em que isso foi feito, o programa pecou com o excesso da piada e acabou por reforçar algum estereótipo. Isso é o que ocorre no primeiro episódio do seriado, exibido no dia 3 de outubro de 2012, no esquete em que uma cena de crime está sendo gravada. Após o “corta” falado em off, o esquete continua com os personagens incorporando suas próprias personalidades. Na sequência da identificação dos atores, a partir dos 17 minutos, Rafael Logan e Fernando Caruso iniciam um diálogo em que Rafael questiona Caruso sobre os papeis que sempre são destinados a ele, de assaltante ou sequestrador, insinuando que seja devido à cor da sua pele, que é negra.

Esse contexto permite que o público reflita sobre a real situação de atrizes e atores negros na televisão brasileira, que comumente são vistos como domésticas, seguranças, faxineiros, babás, motoristas, caseiros, vigias, ou qualquer qualificação que permeia o crime. Entretanto, apesar disso, Estranha Mente acaba mais uma vez afirmando estereótipos, por querer fazer piada de tudo, inclusive de uma discussão séria como essa. No esquete acima citado, Fernando Caruso se compromete a ajudar Rafael Logan para reparar o seu erro e, então, o coloca para interpretar uma Branca de Neve, personagem desejada por Logan, o que é irônico, já que uma Branca de Neve dificilmente seria interpretada por um homem negro. Na sequência, um ator anão também questiona Caruso sobre os seus repetidos papeis, e mais uma vez o suposto diretor da cena ajuda o colega: Fernando coloca o anão para interpretar um jogador de basquete que faz muitas cestas e que é melhor que todos os outros jogadores, de estatura mediana.

Entretanto, o que é comum às duas subversões de papeis é que ambos os personagens saem prejudicados (a Branca de Neve é abandonada sozinha na cena e o jogador de basquete fica preso na cesta), o que invalida totalmente a necessidade de se diversificar os papeis sociais dos atores, diminuindo a importância da causa.

Abaixo, as avaliações dos indicadores de qualidade do plano do conteúdo:

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Na mensagem audiovisual, o indicador de qualidade clareza da proposta foi muito bem avaliado em todas as emissões analisadas. O conjunto de elementos do plano da expressão – como a vinheta de abertura descontraída, a linguagem informal e a repetição do primeiro esquete, que é comum a todos os episódios – conferem ao programa uma exposição audiovisual clara dos seus objetivos. “Agora o comediante vai contar uma piada sem ofender ninguém” é a frase comum a todos os episódios e precede o esquete que traz Fernando Caruso interpretando um comediante que fracassa ao tentar fazer piadas sendo politicamente correto. Presentes nesse início, é possível perceber que a ironia e a afirmação de conceitos podem ser ferramentas constantes no programa.

O indicador diálogo com/entre outras plataformas teve uma avaliação considerável, visto que em vários momentos há a interação com diferentes tipos de conteúdos e menções a lugares e filmes existentes fora da ficção, como no quadro Cinemón, em que Fernando Caruso interpreta um crítico de cinema e cita filmes reais, como Robocop 3 e Karate Kid 4, e faz referência, de forma satírica, aos verdadeiros programas que se dedicam às análises de filmes. Além disso, o programa também menciona lugares como Casaquistão, Afeganistão e Argentina, e traz Fernando Caruso dialogando com a plataforma da internet ao pedir, aos 15 min e 40 segundos do episódio do dia 15 de maio de 2013, por exemplo, que o telespectador entre no site do Multishow para interagir com o programa e escolher o novo personagem que ele quer ver nos esquetes.

O indicador solicitação da participação ativa do público teve uma avaliação razoável nas emissões aqui analisadas. Isso se deve, principalmente, à linguagem informal utilizada, como já falado, e à interação personagem-público estabelecida quando os personagens olham para a câmera como se conversassem com o espectador. No quadro Dr. Toko, por exemplo, Fernando Caruso interpreta um médico especialista em desvendar os sentimentos de um homem rejeitado por uma mulher, olhando para a câmera como na intenção de ensinar ao público como essa rejeição é sentida pelo homem. Usando palavras como “vocês” e fazendo perguntas como “viu?” quando somente Caruso está em cena, fica claro que o programa deseja interagir com o público e fazê-lo permanecer no canal.

Originalidade e criatividade não são elementos muito presentes em Estranha Mente. A nota fraca foi atribuída ao programa porque este não apresenta um formato diferenciado com ideias novas que surpreendem o público, apenas abordam os temas de forma exagerada, fazendo uso da sátira e da ironia para dar ênfase a assuntos muitas vezes irrelevantes que em nada têm para acrescentar à sociedade.

A seguir, podemos observar a avaliação que cada indicador recebeu na mensagem audiovisual:

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Analisando os modos de representação dos personagens na construção das cenas e dos diálogos, e o uso dos recursos técnico-expressivos, que contribuem para a construção de uma narrativa que pode promover a reflexão e o debate de ideias, observamos que Estranha Mente explora pouco essas potencialidades. Como visto, temas relevantes para a sociedade até foram abordados, mas não com a complexidade que merecem, o que acaba fazendo do programa mais uma ferramenta de banalização da televisão e da questão em pauta.

Além de não trazer para o público nada de novo em relação ao formato adotado, o programa utiliza efeitos especiais e roteiro pouco verossímeis (como identificado nos disparos das armas de fogo que não ocasionam nenhum sangramento nas vítimas atingidas) que causam estranhamento no público. Na cena da gravação de um crime exibida dia 2 de outubro de 2012, como já mencionado anteriormente, a partir dos 8 minutos e 30 segundos, Rafael Logan, que interpreta um criminoso, pega nos braços a vítima que está aparentemente morta e começa a mexer seu queixo e lábios como se esta estivesse falando. Escondendo a sua cabeça atrás do corpo da menina, Logan afina a voz e dá início a um roteiro distante da realidade que banaliza a situação de um crime e põe em cheque a competência da classe policial. “Eu não tô morta não, foi tudo um grande mal entendido. Ó, é bom fazer tudo que ele tá mandando. Ele é bem mal”, mascara o criminoso.

A construção desta cena é um exemplo de como o programa banaliza situações sérias antes de chegarem no ponto principal da cena. Ainda assim, quando abordam o assunto chave também acabam banalizando a situação para gerar o riso, invalidando-a por se aproximar do grotesco. Dessa forma, torna-se inexistente na série aqui analisada um ponto de vista diferente em relação à maioria dos programas da televisão brasileira que geram o riso. Sem esse diferencial na experimentação e sem essa complexidade da representação, Estranha Mente se mostra mais um exemplo das tantas “reciclagens” da nossa programação televisual brasileira, visto que não apresenta recursos suficientes para levantar reflexões na sociedade.

Por Luma Perobeli

Doce de Mãe

600doce_de_maeDoce de Mãe foi uma telessérie exibida entre 30 de janeiro de 2014 e 08 de maio de 2014 pela Rede Globo de Televisão. A narrativa conta a história de Dona Picucha (Fernanda Montenegro), uma senhora de 85 anos irreverente e ativa que coloca os seus quatro filhos, Silvio (Marco Ricca), Elaine (Louise Cardoso), Fernando (Matheus Nachtergaele) e Suzana (Mariana Lima), em situações, muitas vezes, complicadas. Criada por Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, a série ganhou o prêmio Emmy Internacional 2015 como melhor comédia.

Em relação ao plano da expressão, se destacam a vinheta de abertura e as atuações. A vinheta é composta por diversos doces feitos por computação gráfica, os quais vão surgindo enquanto os nomes dos atores em letras brancas aparecem. O fundo é composto por papéis de parede estampados, semelhantes àqueles encontrados nas paredes de casas antigas. Os doces dialogam tanto com a ideia de que avós cozinham quitutes deliciosos, quanto com o nome da série, Doce de Mãe, que surge, ao final da vinheta, escrito a partir de doces que funcionam como letras.

As atuações, por sua vez, dão verossimilhança às situações enfrentadas pelos personagens, ainda que sejam inusitadas. O destaque vai para Fernanda Montenegro, indicada ao Emmy Internacional 2015 como melhor atriz. O prêmio, entretanto, foi para a atriz norueguesa Anneke von der Lippe, que atuou no thriller Øyevitne.

Em relação ao plano do conteúdo, Doce de Mãe obteve boas avaliações em indicadores importantes ao humor de qualidade. Uma emissão recebeu avaliação muito boa e duas emissões receberam avaliação boa no indicador desconstrução de estereótipos, enquanto outras duas receberam avaliação razoável. Já no primeiro episódio da telessérie, Fernando, personagem de Matheus Nachtergaele, questiona durante uma conversa com seus irmãos sobre um advogado argentino que procurou Dona Picucha: “Só heterossexuais que não podem gostar de advogado?”. E ainda complementa: “Que preconceito é esse? Quer dizer que gay não pode gostar de argentino?”.

Contudo, é essencial ressaltar que a conversa é feita em tom de brincadeira e que os irmãos de Fernando não apresentam atitudes ou falas preconceituosas. A sexualidade do personagem não é discutida ou colocada em evidência. Na verdade, acontece o contrário: a sexualidade de Fernando é apresentada como algo natural, evidenciando que o que deveria ser considerado anormal é o preconceito que ronda a comunidade LGBTTI.

Além disso, ainda no primeiro episódio, é possível ver o personagem de Daniel Oliveira, Jesus, a todo momento cuidando da filha Isaurinha, enquanto a mãe, Suzana, conversa com os irmãos sobre o futuro de Dona Picucha e trata de outros assuntos, como o terreno que seu falecido pai deixou para a família. O papel da mãe como única responsável pelo cuidado com os filhos e com a casa é contestado.

Outro ponto que incrementa o indicador é o fato de Dona Picucha não representar a típica vovó simpática que cozinha para os seus filhos e netos e faz tricô. Dona Picucha é uma mulher ativa e esperta. No primeiro episódio, “Vamos Chamar o Vento”, pode-se ver a senhora palpitando sobre futebol: “Messi, que Messi? Messi não é nada sem o Xavi”. Desse modo, desconstrói-se não somente a ideia da vovó típica, mas também a ideia de que mulher não entende de futebol. Em outros episódios pode-se ver, também, Dona Picucha transformando a casa geriátrica em um lugar de jogatina, incentivando um protesto contra uma publicidade e falando de sexo com sua neta.

Já o indicador ampliação do horizonte do público obteve três avaliações boas e duas razoáveis. No episódio “Picucha Online!”, por exemplo, pode-se observar o questionamento sobre as redes sociais e a vida online. Picucha, ao chegar à casa de Elaine, só quer saber se seu quarto tem wi-fi. Além disso, na mesma casa, mas em quartos diferentes, Picucha e sua neta conversam pela internet. Elaine chega ao ponto de desligar o wi-fi durante o jantar e propõe que todos conversem, mas Picucha e seus netos só conversam sobre joguinhos da rede. Desse modo, o episódio mostra que, ao mesmo tempo em que a internet pode afastar as pessoas, que ficam absortas na rede, ela também pode aproximar, uma vez que Picucha e seus netos encontram assuntos em comum.

Já o episódio “Oração ao Tempo” exemplifica como a família é importante na vida dos idosos. Nesse episódio, Dona Picucha se muda para uma casa geriátrica e bagunça a rotina dos moradores, realizando jogos de pôquer e de azar na casa. A direção do lugar, contudo, proíbe os jogos, já que os idosos estavam apostando não só dinheiro, mas remédios, perucas e fraudas. Sem muito o que fazer para passar o tempo, Dona Picucha se sente sozinha e tenta ligar para o filhos, que estão ocupados e não podem visitá-la. Ao final da emissão, Dona Picucha resolve sair da casa geriátrica e revela aos filhos: “Quando eu fico longe de vocês eu me sinto muito mais velha”. Assim, os filhos jogam pôquer para decidir em qual casa Dona Picucha ficará. Silvio acaba trapaceando para ficar com a mãe.

Já o indicador oportunidade recebeu avaliação fraca em quatro emissões, já que elas não apresentavam temas atuais ou recorrentes presentes nas agendas da mídia e do público. Apenas o episódio “Pichucha Online!” recebeu avaliação boa no indicador, já que trata da internet e das redes sociais, tema muito presente no cotidiano de grande parte do público.

O indicador diversidade de sujeitos representados recebeu, por sua vez, quatro avaliações razoáveis e uma boa. O episódio “Picucha Online!” recebeu avaliação boa por representar as três gerações de uma família em convivência: os avós, os pais e os netos. Os demais episódios receberam avaliação razoável por apresentarem Picucha, uma idosa de 85 anos, como personagem principal. Não é recorrente a representação destacada desse grupo na televisão brasileira.

No gráfico a seguir, os indicadores de qualidade do plano de conteúdo com as respectivas avaliações para cada episódio:

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A apresentação de uma senhora de 85 anos como personagem principal da série também levou Doce de Mãe a receber avaliação muito boa no indicador originalidade/criatividade. A série dá destaque a um grupo que, normalmente, possui pouca ênfase nos programas, funcionando apenas como coadjuvante. O indicador clareza da proposta também obteve avaliação muito boa em todas as emissões, já que o objetivo do programa é nítido e seu formato é claro.

A solicitação da participação ativa do público, entretanto, recebeu avaliação fraca nas emissões analisadas, uma vez que não são utilizados muitos recursos para propiciar um envolvimento mais estreito e ativo do público que acompanha o programa. Apenas a linguagem simples e fácil, que pode aproximar o espectador do programa, foi observada como um ponto de enriquecimento do indicador.

Por fim, o diálogo com/entre plataformas recebeu avaliação boa em três emissões e fraca em outras duas. As emissões que receberam boas avaliações continham referências a lugares, programas ou personalidades reais, que existem fora do ambiente do programa. No episódio “Vamos Chamar o Vento”, são citados, por exemplo, os jogadores Messi, Cristiano Ronaldo e Xavi, além do filme Noviça Rebelde e do prêmio Oscar. Já no episódio “Picucha Online!” há diálogos sobre Cleópatra e o Egito, além de Picucha citar o personagem Lineu, de A Grande Família, e o filme E.T – O Extraterrestre.

A seguir, os indicadores de qualidade da mensagem audiovisual com as respectivas avaliações:

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A partir da análise, pôde-se observar que Doce de Mãe apresenta diversas características do humor de qualidade, considerado aquele que instiga o público à reflexão e ao debate de ideias, através da apresentação de temas férteis e da desconstrução de estereótipos já estabelecidos socialmente.

O indicador desconstrução de estereótipos foi o de maior destaque do programa, uma vez que não apenas uma, mas diversas generalizações e representações foram questionadas durante as emissões. O questionamento, contudo, é feito de forma leve e sutil, o que é promissor à medida que naturaliza representações opostas àquelas já enraizadas socialmente.

Temas férteis e relevantes também são trabalhados nas emissões, enriquecendo o indicador ampliação do horizonte do público. O episódio “Laranja Madura”, por exemplo, traz a problemática da publicidade e da poluição visual. Desse modo, o programa pode levar às agendas do público temas capazes de gerar o pensamento e o debate de ideias por parte dos espectadores.

 Por Júlia Garcia Gouvêa Andrade

Capitu

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Sinopse

Capitu se desenvolve a partir da promessa de Dona Glória (Eliane Giardini), mãe do protagonista Bentinho: depois de perder um filho, ela jura fazer do próximo herdeiro um padre; mas Bentinho tem uma enorme paixão pela sua vizinha e melhor amiga Capitu, mas por causa da ele tem que ir para o seminário. Mesmo a contragosto, Bentinho vai para um seminário, onde conhece Escobar que vira seu melhor amigo. Antes deixar o seminário José Dias ajuda a Bentinho ficar junto a sua amada. Quando deixam o seminário deixando de ser padre, vai estudar fora por alguns anos ele forma-se advogado e se casa com Capitu. Escobar torna-se comerciante e se casa com Sancha, amiga de infância de Capitu. O casal Escobar e Sancha geram uma filha, Capituzinha. Dois anos depois, para a alegria de Bento e Capitu, nasce Ezequiel. Os casais mantêm fortes laços de amizade. Num jantar na casa de Escobar, os quatro amigos planejam uma viagem para a Europa. Uma fatalidade tira a vida de Escobar, que morre afogado no dia seguinte. A morte do amigo aumenta ainda mais a culpa e os ciúmes de Bentinho, que acredita que Capitu o traiu com seu melhor amigo, duvida ser realmente o pai de Ezequiel, que tem muita semelhança com o amigo.

Data de Exibição: 09/12/008 a 13/12/2008

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia

Poeira em alto mar

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Sinopse

A trama tem início quando os camelôs Didi (Renato Aragão) e Peteco (Rodrigo Faro), ao fugirem de Sandoval (Miguel Nader) – um marido traído em busca de vingança –, embarcam por acaso num transatlântico e substituem a dupla de apresentadores contratada para os shows do navio. Sandoval, porém, trabalha como garçom na embarcação, e descobre a farsa da dupla. Em uma nova tentativa de arranjar um esconderijo, Didi se depara com os criminosos Hernandez (Alexandre Zachia) e Kurtz (Paulo Vespúcio), que negociam a compra da metade de um mapa do tesouro. A partir daí, a caça ao tesouro passa a movimentar a história. E tudo que Didi queria era somente voltar à sua terra Natal, o Ceará.

Data de Exibição: 25/02/2008 a 29/02/2008

Canal: Globo

FonteMemória Globo

Queridos Amigos

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Sinopse

Toda a trama se passa durante 25 dias no final dos anos 80, período em que o Brasil enfrentava muitos problemas econômicos, com a alta da inflação e planos econômicos sucessivos. No mundo, o surgimento dos “yuppies” e a queda do muro de Berlim eram alguns dos indícios que sinalizavam a perda de referência das esquerdas e o crescimento do individualismo.

Léo, Lena, Pedro, Ivan, Lúcia, Pingo, Tito, Bia e Benny formavam naquela época parte de um grupo de amigos que se conheceram na década de 70, no auge da ditadura no país, nos colégios, faculdades e trabalho, e estabeleceram uma amizade profunda, a ponto de se referirem ao grupo como a família. Separados ao longo do tempo em função das relações amorosas, da política, de mágoas e ressentimentos mal resolvidos, “a família” havia se reunido pela última vez no reveillon de 1980.

Em novembro de 1989, oito anos depois do último grande encontro dos amigos, tudo está bem diferente. Ninguém mais sabe ao certo se a tal “família” ainda existe; ninguém nem mesmo sabe se os antigos vínculos de amizade, inquebrantáveis no passado, ainda estão mantidos. Todos seguiram caminhos distintos e, dispersados uns dos outros por força do destino, acabaram se tornando pessoas bastante diferentes das que eram ou pensavam ser. E, o que é mais significativo: todos estão cada vez mais distantes de seus antigos sonhos.

O reencontro desses amigos é tramado por um membro dessa “família”, Léo, que a partir de um sonho – e na iminência da morte, já que está doente – passa a ficar obcecado com a idéia de não só reunir novamente seus queridos amigos, mas resgatar antigos sonhos, paixões e ideais.

Data de Exibição: 18/02/2008 a 28/03/2008

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia

A Pedra do Reino

Confira a análise da minissérie "A Pedra do Reino"
Confira a análise da minissérie “A Pedra do Reino”

Sinopse

Livro O Romance d´a Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, obra de Ariano Suassuna, inspirou a criação da minissérie.
O poeta-escrivão D. Pedro Dinis Ferreira Quaderna (Irandhir Santos) recorre a seus antepassados e a suas memórias para lidar com suas inquietações existenciais. Quaderna sonha ser o Grande Gênio da Raça, o autor de uma grande obra literária que expresse a verdadeira identidade nacional. Para tal, ele usa a imaginação para dar novo colorido à realidade. Tanto no livro de Suassuna quanto na adaptação para a TV, Quaderna atua como o narrador da história.

Data de Exibição: 12/06/2007 a 16/06/2007

Canal: Globo

FonteMemória Globo

Amazônia, de Galvez a Chico Mendes

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Sinopse

Em 1899, o Acre vivia uma situação de conflito, pois, apesar de ser território boliviano, fora povoado por brasileiros que migravam do Nordeste atraídos pela exploração da borracha, que estava em sua fase áurea devido à Revolução Industrial. Quando a Bolívia decidiu retomar seu território, almejando justamente o lucro obtido com o látex extraído das seringueiras, o governo brasileiro não se opôs, pois a região, de acordo com o Tratado de Ayacucho, pertencia de fato ao país vizinho. O povo acriano revoltou-se com a situação e seringueiros resistiram à ocupação boliviana, liderados pelo espanhol Luis Gálvez Rodríguez de Arias.

Homem de maneiras refinadas e cultura vasta, Gálvez é um típico “Don Juan”, que decide vir ao Brasil em busca da fortuna prometida pelo Eldorado da Amazônia. Envolve-se primeiramente com Beatriz, uma mulher casada e completamente louca por ele. Mas quando vai para Manaus, Gálvez reencontra uma antiga amante, Lola, com quem abre um cabaré. Depois, decide conquistar o território acriano – com a ajuda financeira do governador do Amazonas, Ramalho Júnior – acompanhado por uma companhia de zarzuela. E se apaixona pela prima-dona Maria Alonso

Data de Exibição: 02/01/2007 a 06/04/2007

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia

JK

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Sinopse

A minissérie é dividida em duas fases e acompanha a vida de Juscelino Kubitschek desde a infância, sendo que no primeiro episódio é retratada a morte de seu pai, João César Oliveira, quando ele ainda era um garoto. Logo, porém, a minissérie avança para a vida adulta de Juscelino que, tendo se formado em Medicina e se casado com uma jovem aristocrata, passa a participar da vida política de Belo Horizonte e Minas Gerais. Grande parte do apelo dramático da minissérie se encontra, durante este momento, na tensão entre o desejo reprimido de Juscelino em lançar-se à vida pública e sua relação com a esposa, Sarah, que não deseja que o marido se torne político como seu pai. Esta tensão gerou um conflito que perdurou durante praticamente toda a primeira fase da minissérie. Na segunda fase, estando a família Kubitschek já acostumada à vida pública de Juscelino, focaliza-se a ascensão política de Juscelino e, segundo previsões, o desafio enfrentado por ele para chegar à presidência (enfrentando tentativas de golpe) e a construção daquele que seria seu maior e mais criticado empreendimento, a cidade de Brasília.

Data de Exibição: 03/01/2006 a 24/03/2006

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia

Hoje é dia de Maria

A qualidade nas jornadas de "Hoje é dia de Maria"
A qualidade nas jornadas de “Hoje é dia de Maria”

Sinopse

A fábula infantil de uma menina órfã de mãe, cuja madrasta a seduziu com favos de mel para depois lhe dar o fel. Sua madrasta a enterrou nas terras do pai viajante e lá cresceu um capim muito verde. Quando o pai retornou, ao passar por aquele terreno, ouviu o canto da menina e a desenterrou, ressuscitando-a.

Cansada do inferno no lar, causado pela madrasta, Maria foge em busca das franjas do mar, e faz um longo passeio pelos contos populares brasileiros. Em sua viagem, se encontra com vários personagens fantásticos e é amparada pela imagem de Nossa Senhora da Conceição, que dá alento. Ao defender o amigo Zé Cangaia do demônio Asmodeu, que queria lhe comprar a sombra, Maria desafia o Diabo, que, irado, lhe rouba a infância.

De um dia para o outro, Maria acorda já adulta, e conhece o seu amado, um jovem vítima de uma maldição: durante a noite é homem, mas ao raiar do dia é transformado num pássaro que sempre a seguiu e protegeu desde menina. O amor de Maria tem dois inimigos: o Diabo Asmodeu e o saltimbanco Quirino, que apaixonado por ela e louco de ciúme, aprisiona seu amado.

No último capítulo de Hoje é dia de Maria, a bela mulher volta a ser uma doce menina e chega até as franjas do mar. Tal fato dá início à segunda jornada: Maria é levada pelas águas do mar até uma praia desconhecida. Lá, ela conhece uma Lavadeira, que na verdade é a Nossa Senhora Aparecida, que a incentiva a continuar. Maria segue com um Pato e uma Cabeça e encontra o Gigante das Guerras adormecido. Maria acaba sendo devorada por ele e cai num lixão. Lá, ela reencontra sua amiga Carvoeira que lhe dá de presente, um binóculo antigo. Com o binócluo, Maria chega numa cidade grande. Lá, ela é acolhida pelo demônio Asmodeu Cartola, o próprio coisa-ruim disfarçado, que é cúmplice de outra criatura maligna, o Asmodeu Piteira. Os dois vilões colocam Maria para trabalhar, mas ela foge do Teatro dos dois, que passam a persegui-la. Maria ganha um novo e fiel amigo, o cavaleiro Dom Chico Chicote, muito atrapalhado que é apaixonado pela bela cigana espanhola Alonsa. Maria, Dom Chico Chicote e Alonsa viverão muitas aventuras.

Data de Exibição: 11/01/2005 a 21/01/2005 | 11/10/2005 a 15/10/2005

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia

Um só coração

Sinopse

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Sinopse

Yolanda Penteado era uma mulher movida à paixão. Paixão pela liberdade, pelo conhecimento e, acima de tudo, pelas artes. A eletrizante São Paulo do início do século XX foi palco de suas lutas e seus romances. Nessa mesma época, a cidade fervilhava com as ideias e inovações de alguns de seus ilustres moradores. E Santos Dumont impressionava todos com seus inventos geniais.

Data de Exibição: 06/01/2004 a 08/04/2004

Canal: Globo

Fonte : Wikipédia