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filhos do carnaval

Filhos Do Carnaval

  • Criação: CaoHamburger
  • Direção: Andrea Barata Ribeiro e Bel Brlinck
  • Roteiro: CaoHamburger e Elena Soárez
  • Exibição: 05/03/2006 a 09/04/2006
  • Número de episódios: 6

Filhos do Carnaval é uma série brasileira produzida pela O2 Filmes para HBO Brasil. A primeira temporada foi exibida entre 5 de março e 9 de abril de 2006 e a segunda entre 4 de outubro e 15 de novembro de 2009. Criada e dirigida por CaoHamburger, a trama tem roteiro assinado por Elena Soárez e a produção de Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck.

A série gira em torno da família Gebara, Jece Valadão interpreta Anésio Gebara, “dono” de uma escola de samba e o maior banqueiro do jogo do bicho no Rio de Janeiro, pai de quatro filhos: Anesinho (Felipe Camargo) branco, 43 anos, que segue o rumo do pai; Claudinho (Enrique Diaz), empresário, também branco, de 33 anos; Brown (Rodrigo dos Santos), mestre da bateria, mulato, 33 anos e Nilo (Thogun), segurança do “pai”, negro, 33 anos. A primeira temporada, composta porseis episódios de cinquenta minutos de duração, começa no dia de aniversário do Capo. Ao completar 75 anos, Anésio Gebera recebe o pior golpe de sua vida: Anesinho, seu filho e “braço direito” se mata com uma bala no coração. A partir desse desdobramento narrativo, Filhos do Carnaval conta o caminho dos três filhos que sobraram para ocupar a vaga do filho predileto, os encontros e desencontros desses três filhos “bastardos” até que cada um encontre seu lugar no mundo. A narrativa mescla carnaval, jogo, crime organizado e lavagem de dinheiro, como pano de fundo à história da familia Gebara.

A série teve uma segunda temporada, produzida após um hiato de quatro anos, em 2009, com sete episódios. Entretanto, a temporada apresentou um desafio aos roteiristas. O ator Jece Valadão, que interpretava o personagem central Anésio Gebara, faleceu. Por isso, quem assume a liderança da família é Claudinho, que investe no jogo de caça-níqueis e têm que se desvencilhar de Comodoro (Walmor Chagas), irmão de Anésio que chega cheio de ódio na trama e vive para se vingar do passado.

A produção foi indicada ao Emmy Internacional na categoria Melhor Filme Para TV ou Minissérie em 2006.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Filhos do Carnaval é ambientada na cidade do Rio de Janeiro e também explora locações como escolas de samba, favelas e praias. Um dos principais cenários da série é a locação real do barracão do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, que na trama Anesio é dono. Além disso, os elementos cênicos têm as cores branco e verde, característicos da Escola de Samba, também utilizando alegorias e a filmagem do desfile apresentado em 2005 com o tema Buonmangiare, Mocidade! A arte está na mesa”.

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Outro cenário importante, a cada da família Gebara, mostra o abastamento da família. Num apartamento bem localizado, imóvel amplo e com presença de seguranças, a fortuna da família é exposta de forma clara. Nesse sentido, a ambientação da série colabora para a construção da verossimilhança e fácil identificação de referências pela narrativa que tem como inspiração a vida de Castor de Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Bangu Atlético Clube.

3A caracterização dos personagens explicita as diferenças de personalidade entre os filhos. Ainda que pareçam indiferentes a vida de outras pessoas, praticando atividades ilícitas e distintos fisicamente e no estilo, o mote da série é a disputa sentimental pelo amor do pai. Enquanto Anesio está sempre vestindo paletó e gravata, na maior parte de cor branca, o que é seguido pelo filho Brown que aspira ter um maior controle da escola de samba e do Jogo do Bicho liderados por seu pai, após a morte do irmão Anesinho. Já Claudinho busca se vestir de forma mais social com camisas e calças deste estilo, passando a imagem de homem de negócios. Por fim, Nilo, tem um porte físico maior, está sempre de camisetas, calças largas e cabelo raspado. Ao longo da série alguns personagens vão se revelando ambíguos e complexos, Claudinho é mais esperto do que se imagina, a malandragem de Brown, esconde uma enorme fragilidade emocional, e Nilo, o filho calado,é quem se mostra equilibrado.

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Como esperado, o samba é o principal ritmo explorado na trilha sonora de Filhos do Carnaval. A abertura se trata de um samba rock composta por Beto Villares exclusivamente para a série. Outras canções são interpretadas pela Velha Guarda da Mocidade Independente de Padre Miguel, como “Foi você” e “Será”, ambas compostas por Tiãozinho da Mocidade. Dessa forma, a musicalização dialoga com o contexto, cenários e a proposta da série.

Retirando a vivacidade das cenas, a série utiliza uma fotografia de tons acinzentados e grande uso de cenas em sombra. O recurso procura fazer um paralelo entre a imagem e os atos ilícitos realizados pelos personagens, como o próprio jogo do bicho, chantagens, agiotagem, suborno e propinas.

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A série apresenta uma edição não-linear, sendo conduzida por Nilo, filho de Anesio e narrador. Logo na primeira cena do primeiro episódio “Gato, o bicho das sete vidas”, somos apresentados para um acontecimento futuro (a morte de Anesinho) e o restante do episódio transcorre em flashback mostrando os acontecimentos que levaram a este fato.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedialiteracy.

O indicador intertextualidade está presente explicitamente nas referências à Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel e sua história que permeiam a narrativa da série. Por exemplo, no episódio “Vaca, o bicho que dá leite” são interpretadas canções de Tiãozinho da Mocidade, compositor, diretor cultural e integrante da Velha Guarda da Escola. Também é possível identificar intertextualidades no nome dos episódios. Todos se relacionam com os animais presentes no Jogo do Bicho, como gato, avestruz, vaca e onça.

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A escassez de setas chamativas não pôde ser identificada. A presença do narrador Nilo, que intervém e expõe suas reflexões em diversos momentos, busca situar o telespectador na narrativa, contextualizando e diminuindo o esforço analítico de quem assiste.

O indicador efeitos especiais narrativos também não foi observado nos episódios analisados. Todos contavam com a estrutura de equilíbrio, conflito, resolução do conflito e um desdobramento no arco narrativo maior como, por exemplo, a ascensão de Claudinho nos negócios do pai no quinto episódio intitulado “Abraço de urso”.

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A série, como citado anteriormente, utiliza como recurso de storytelling flashbacks. A história acompanha apenas a perspectiva de Nilo, o narrador, e, apesar de o protagonista Anesio ter forte relação com superstições e ser sensitivo, não são exploradas sequências fantasiosas.

Por fim, na temporada analisada, foram divulgados, como estratégia transmídia, vídeos de making of no site da série. Apesar de explicitar os processos de concepção e produção da série, tal conteúdo não instiga o telespectador a conhecer mais dos universos retratados na narrativa. Sendo assim, também não foi constatado o indicador de transmedia literacy.

Por Léo Lima

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(FDP)

  • Criação: José Roberto Torero, Marcus Aurelius Pimenta, Adriano Civita, Giuliano Cedroni
  • Direção: Adriano Civita, Caíto Ortiz, Kátia Lund, Johnny Araújo
  • Duração: 33 minutos
  • Período de exibição: 26/08/2012- 18/11/2012
  • Nº de episódios: 13

Produzida pelo canal pago HBO, a série FDP retrata os altos e baixos da vida pessoal e profissional do árbitro de futebol brasileiro Juarez Gomes da Silva (Eucir de Souza). Sério e correto, ele acaba se envolvendo em grandes confusões em todos os aspectos de sua vida. Ao longo da narrativa, Juarez (Eucir de Souza) tenta reconquistar sua ex-esposa, Manuela (Cynthia Falabella) com quem tem um filho. Além disso, o juiz precisa lidar com diversos problemas decorrentes de sua profissão.

Os episódios possuem a mesma estrutura narrativa, se iniciam com uma espécie de devaneio de Juarez (Eucir de Souza) e terminam com o árbitro sendo xingado sempre de “fdp” e sempre por uma pessoa diferente. Na trama, Juarez (Eucir de Souza) é acompanhado por seu melhor amigo, o bandeirinha Carvalhosa (Paulo Tiefenthaler) e de outros famosos como os jogadores Dentinho e Neymar, o jornalista Juca Kfouri e o craque Rivelino.

O elenco conta com nomes como Eucir de Souza, Cynthia Falabella, Maria Cecília Audí, Paulo Tiefenthaler, Carlos Meceni, Gustavo Machado, Vitor Moretti, Fernanda Franceschetto, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

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Em constante diálogo com o tema central da história, a série é ambientada, em grande parte das sequências, em estádios de futebol. Locações como Morumbi, em São Paulo e o Moisés Lucarelli, em Campinas compõem várias cenas da atração. Outro cenário bastante explorado foi o do programa de televisão “Programa Neri Nelson” em que personalidades fictícias do futebol repercutiam sobre a atuação do juiz e discutiam sobre lances do jogo. A transmissão da partida pela rádio e a exibição na TV em ambientes como bares também foram elementos explorados na série. Nesse sentido, ao explorar elementos típicos do mundo esportivo a ambientação de FDP reforça o universo ficcional, trazendo verossimilhança para a trama.

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Os figurinos utilizados na série contribuem para a construção dos personagens. A caracterização de Juarez (Eucir de Souza), por exemplo, é composta pelo traje de árbitro de futebol quando em campo, e de roupas sociais no seu cotidiano.

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A trilha sonora de FDP, composta por faixas instrumentais,é usada nos momentos em que há maior ação na trama como, por exemplo, nas cenas dos jogos de futebol e também no final dos episódios. Desta forma, o indicador contribui, mesmo que indiretamente, para os desdobramentos narrativos da série.

As sequências de FDP são norteadas por uma fotografia naturalista. O indicador não possui influência direta nos desdobramentos narrativos nem reforça a proposta estética do universo ficcional.

A série do canal pago HBO, não explora outras temporalidades durante os episódios, sendo assim sua edição se caracteriza como linear.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

O indicador intertextualidades está presente em alguns momentos de FDP.  Como, por exemplo, no episódio “Nu com a mão no bolso” a bandeirinha Vitória Müller (Fernanda Franceschetto) é convidada para ser a capa da revista Playboy. No mesmo episódio Juarez (Eucir de Souza) comenta com Vitória Müller (Fernanda Franceschetto) que caso cometa erros de arbitragem no jogo em questão não será escalado para ser juiz no grande campeonato da Copa das Libertadores da América. Nesse sentido, as referências externas ao universo ficcional são usadas para aproximar a ficção da realidade, trazendo verossimilhança para a história.

A série FDP explora alguns tipos de setas chamativas ao longo de sua narrativa. O recurso é disposto convenientemente para ajudar o público a entender o que está acontecendo. No quarto episódio, por exemplo, Juarez (Eucir de Souza) flagra sua ex-mulher Manuela (Cynthia Falabella) com um novo namorado. Logo depois, no mesmo episódio, a personagem relembra o ocorrido em um diálogo com seu namorado, o que reforça o acontecido na trama de forma a orientar o telespectador. Outro tipo de seta chamativa foi observada nos momentos em que Juarez (Eucir de Souza) estava em um devaneio e na cena seguinte um personagem o despertava, mostrando ao telespectador que se tratava de uma cena fora da realidade. Sendo assim o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série.

Cada episódio se inicia com equilíbrio, seguido de um clímax, resolução de conflito e retorno ao equilíbrio no seu desfecho. Nesse sentido, os episódios de FDP apresentam reviravoltas pontuais, já esperadas em uma narrativa. Como, por exemplo, no episódio “O Videoteipe é burro e o ponto eletrônico é uma besta” quando Juarez (Eucir de Souza) se propõe a usar um ponto eletrônico para se comunicar com Vitória (Fernanda Franceschetto) para não correr risco de cometer erros de arbitragem. Porém, Vitória (Fernanda Franceschetto) é cortejada pelo comentarista de rádio e Juarez (Eucir de Souza) acaba ouvindo através ponto e se desconcentra de um lance importante do jogo, comprometendo sua ascensão na carreira. Entretanto, apesar de apresentar diversas reviravoltas nos desdobramentos narrativos, nenhuma delas são tão significativas a ponto de fazer o telespectador reconsiderar toda a trama até então. Desta forma, o indicador efeitos especiais narrativos não foi identificado na série.

A narrativa não utiliza de recursos de storytelling como flashbacks, múltiplas perspectivas e sequência fantasiosa. Apesar de Juarez (Eucir de Souza) possuir devaneios no início de cada episódio, logo depois, o juiz é acordado por algum personagem da série. Assim, não se caracteriza como sequência fantasiosa, já que possui uma seta chamativa indicando que se trata de uma cena fora da realidade.

FDP apresentou uma estratégia transmídia em sua divulgação. A ação consistia em um aplicativo para os usuários xingarem o juiz de futebol. Quanto maior o número de xingamentos mais pontos eram acumulados e o vencedor receberia um jogo de futebol de mesa como prêmio.

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A ação, assim como na série, apresenta um aspecto conhecido da profissão de árbitro de futebol que são os xingamentos por parte dos torcedores. Ao utilizar o aplicativo, os usuários são estimulados a produzir um tipo de conteúdo ou expressar sentimento em relação ao personagem, contribuindo para relacionar a ação realizada com a temática da série. Neste contexto a ação apresenta o indicador transmidia literacy.

Por Mariana Meyer

Alice

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  • Criador: Karim Aïnouz
  • Diretores: Karim Aïnouz e Sérgio Machado
  • Roteiristas: Sérgio Machado e Antônia Pellegrino
  • Elenco: Andréia Horta, Vinicíus Zinn, Regina Braga, Daniela Piepszyk, Carla Ribas, Marat Descartes, Denise Weinberg,Olga Machado, Walderez de Barros, entre outros.
  • Período de exibição: 21/09/2008 a 14/12/2008 – 26/11/2010 e 03/12/2010 (telefilmes)
  • Nº de episódios: 13 + 2 telefilmes

Produzida pela HBO Brasil a série Alice foi exibida entre 21 de setembro e 14 de dezembro de 2008. Posteriormente, a trama ganhou, em 2010, dois telefilmes com 90 minutos de duração. Protagonizada por Andréia Horta a atração retrata os encontros e desencontros de Alice na cidade de São Paulo. A personagem levava uma vida pacata na cidade de Palmas, no Tocantins, mas sua vida muda quando ela recebe a notícia da morte de seu pai. O que era para ser uma viagem de dias para cuidar do inventário dos bens deixado pelo pai se transforma em uma mudança permanente para São Paulo.

Como iremos detalhar ao longo desta análise, o lançamento da série envolveu ações de engajamento até então inéditas no âmbito das narrativas ficcionais seriadas da TV paga brasileira. Para aproximar a protagonista Alice (Andréia Horta) do público, a emissora criou vários perfis em redes sociais. As postagens relatavam os contratempos da personagem na grande metrópole e aprofundavam o universo ficcional.

Alice foi a terceira produção original da HBO Brasil, após Mandrake (2005-2007) e Filhos do Carnaval (2006). Nesse sentido, a trama apresenta uma estética característica das atrações do canal. Com a direção de Karim Aïnouz e Sérgio Machado as sequências criam uma atmosfera única em que a trilha sonora, a fotografia e a atuação do elenco convergem para a criação do universo imersivo de Alice.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A ambientação de Alice contribui não só para a verossimilhança da série, já que o principal plot é a adaptação da protagonista na metrópole, mas como elemento narrativo. Isto é, muitos sub plots são desencadeados a partir do lugar onde se passa a trama. Como, por exemplo, no episódio Pela Toca do Coelho, exibido no dia 21 de setembro de 2008, a protagonista só conhece DJ (Peter Ketnath) e, consequentemente trai o noivo Henrique Teles (Marat Descartes), porque fica perdida na cidade. Nesse contexto, vários conflitos na história acontecem por conta o lugar onde Alice (Andréia Horta) está.

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A série é composta por diversas sequência externas em pontos turísticos e lugares conhecidos de São Paulo como, por exemplo, o bairro da Liberdade, a Avenida Paulista e o Edifício Copan. O mesmo pode ser observado nas cenas se que passam em Palmas, no Tocantins.  Locais como a Praça dos Girassóis e o Jalapão também integram a atração.

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Outro ponto importante na análise da ambientação de Alice é contraponto entre as cidades de Palmas e São Paulo e como esse aspecto se reflete nos perfis dos personagens. Ou seja, as características dos personagens vão ao encontro a atmosfera dos lugares. Dani (Luka Omoto) e Marcela (Gabrielle Lopez), por exemplo, refletem de maneira nítida a vida noturna e a diversidade da capital paulista. Em contrapartida Glícia (Walderez de Barros) e Henrique Teles (Marat Descartes) dialogam com a introspecção de Palmas.

alice4A caracterização dos personagens de Alice reforçam o desenvolvimento dos arcos narrativos de série.  Nesse sentido, o modo de se vestir dos personagens dialoga diretamente com suas características centrais. Se estabelecermos um paralelo entre os pares românticos da protagonista este aspecto fica claro. Enquanto as roupas usadas por Henrique Teles (Marat Descartes) são simples, com combinações monocromáticas, o figurino de Nicholas Araújo (Vinicíus Zinn) é mais ousado, misturando ternos de alta costura com camisas básicas.

Na trama, Henrique (Marat Descartes) representa a antiga e, pacata, vida de Alice (Andréia Horta) em Palmas. Onde todos se conheciam e tinham uma rotina bastante monótona. Já Nicholas (Vinicíus Zinn) representa o novo na história, o personagem está sempre nas melhores baladas da metrópole, conhece muita gente e não tem medo de se arriscar em novos projetos.

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A transição de Alice (Andréia Horta), que deixa Palmas e vai para São Paulo, também fica clara em sua caracterização. Além das mudanças na personalidade da personagem, que ganha mais auto estima e confiança, as roupas usadas por ela externalizam esse processo de amadurecimento. Nas primeiras sequências de série vemos a protagonista usando roupas básicas em tons claros, porém com o passar dos episódios Alice (Andréia Horta) muda o seu visual. As roupas, em que maioria na cor preta, apresentam muitos brilhos e decotes. Dessa forma, o indicador ajuda nos desdobramentos dos arcos narrativos ao acompanhar o perfil dos personagens.

A trilha sonora de Alice é composta por várias músicas de novos artistas brasileiros como, por exemplo, Instituto e Irina Gatsalova, Estela Cassilatti, Boss In Drama, 3 na massa, Curumin,entre outros. As canções reforçam os plots e sub plots da trama e também refletem a atmosfera criada por Karim Aïnouz. Desde a harmonia das baladas eletrônicas até as letras das musicas românticas dialogam com a trajetória da protagonista e a megalomania da metrópole.

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As sequências externas de Alice apresentam, em sua grande maioria, uma fotografia naturalista. Porém, as cenas em que a protagonista vai para a noite de São Paulo são pautadas por filtros que realçam o contraste dos elementos cênicos. O recurso também estabelece um diálogo com a abertura da série, que explora vários planos da capital paulistas com o efeito light painting.

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Composta por uma edição não linear, ou seja, que apresenta analepses, a série da HBO Brasil usa o indicador para ampliar o universo ficcional da protagonista. Nesse sentido, os flashbacks ajudam o telespectador a conhecer melhor a vida de Alice (Andréia Horta) e como esses acontecimentos contribuíram para a formação de sua personalidade e para as situações abordadas na atração.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

Os episódios de Alice são permeados por referências externas ao universo ficcional da série. Durante as sequências da trama é possível identificar citações a livros, filmes e artistas contemporâneos. Porém, a intertextualidade mais presente na série é a obra de Lewis Carroll, o livro Alice no País das Maravilhas. As correlações entre a conhecida história infantil e a série da HBO são claras e abarcam o nome do programa, os desdobramentos narrativos, os figurinos e até os títulos dos episódios.

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Logo na sequência inicial da atração, na abertura, vemos a imbricação entre a Alice do País das Maravilhas e a Alice (Andréia Horta) de São Paulo. As imagens da metrópole paulistana são espelhadas, a protagonista aparece brincando com um coelho e as transições são marcadas por cartas de baralho. Nos episódios podemos identificar que assim como a protagonista de Lewis Carroll, a Alice (Andréia Horta) de Karim Aïnouz também está perdida em um mundo desconhecido que será fundamental para seu amadurecimento pessoal. Os elementos cênicos do programa reforçam a alusão feita pelos roteiristas como, por exemplo, na festa do primeiro episódio da série que toda a decoração é composta por coelhos. A correlação das obras também pode ser observada nos títulos de alguns episódios que apresentam referências a aspectos centrais da história de Carroll tais como, Pela Toca do Coelho, O Lado Escuro do Espelho e Wonderland.

As setas chamadas são usadas em vários pontos da trama, o recurso ajuda o telespectador a compreender as angustias e a trajetória da protagonista. Nesse sentido, durante os episódios Alice narra, em off, a sua percepção dos acontecimentos, deixando claro para o público o que está se passando naquele momento. Outro cartaz narrativo usado na atração são os resumos da história de vida da personagem, ao longo dos episódios é possível acompanhar, através de flashbacks, situações importantes que contribuíram, mesmo que indiretamente, para a construção da personalidade de Alice. Dessa forma, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado.

Apesar de ser composta por reviravoltas e clímax, a trama de Alice não obriga o telespectador a reconsiderar tudo o que lhe foi apresentado até então. Em outras palavras, episódios como, por exemplo, Pela Toca do Coelho e O Lado Escuro do Espelho apresentam mudanças consideráveis no roteiro quando a protagonista passa por transformações tais como ficar em São Paulo e terminar com Henrique (Marat Descartes), mas nenhum desses acontecimentos ressignifica o universo ficcional da série, por tanto o indicador efeitos especiais narrativos não foi observado.

Como ressaltamos anteriormente, a trama de Alice apresenta vários flashbacks. O recurso é usado para aprofundar a história da protagonista, fazendo com que o telespectador conheça pontos importantes da trajetória da personagem. No primeiro episódio da temporada, por exemplo, é possível observar momentos da infância de Alice (Andréia Horta), o suicídio de Ciro, como Alice (Andréia Horta) e Henrique (Marat Descartes) se conheceram, etc. Nesse sentido, o indicador recurso de storytelling contribui na densidade da história, explorando vários desdobramentos importantes na vida de Alice (Andréia Horta).

Seguindo o modelo de ações transmídia de outras tramas da HBO, as estratégias de engajamento de Alice são consideradas um marco no estudo do fenômeno no Brasil. Apesar de serem comuns para atrações internacionais da HBO, poucas produções nacionais tiveram seu universo ficcional expandido em múltiplas plataformas. Ao longo da primeira temporada foram desenvolvidas sete ações transmídia. Hospedado dentro da página do canal HBO, o site oficial de Alice reunia a maioria das estratégias da série. Através do menu da página era possível acessar os perfis fictícios da personagem nas redes sociais, fazer o cadastro do e-mail e/ou do telefone celular para receber informações da trama, além de conhecer outros desdobramentos da história, como iremos detalhar mais adiante.

alice9Para divulgar a série, a HBO deixou pen drives em várias festas de São Paulo. O dispositivo continha informações sobre a trama de Karim Aïnouz, tais como: clipes, fotos e wallpapers. Além de apresentar a atração ao público, o lugar onde os pen drives foram deixados dialogava diretamente com a proposta da série e o novo estilo de vida de Alice (Andréia Horta).

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Disponibilizadas em um blog e na plataforma LiveSpace, as publicações de Alice (Andréia Horta) relatavam a vida da protagonista antes de sua viagem para São Paulo, mostrada no primeiro episódio da série. Nesse sentido, o conteúdo representava o início da trajetória da personagem. Durante a exibição da trama, as plataformas eram atualizadas três vezes por semana com postagens que contribuíam para a expansão da narrativa. Ao acessar os conteúdos o público podia conhecer as percepções de Alice (Andréia Horta) sobre os acontecimentos que foram mostrados no episódio.

Com o objetivo de aproximar os telespectadores da protagonista da série da HBO, foi criado um bot no extinto MSN (originalmente The Microsoft Network). O robô respondia aos comandos pré programados que eram gerados a partir de palavras chave. Ao adicionar a personagem no MSN o telespectador poderia conhecer melhor o passado de Alice (Andréia Horta), suas expectativas para sua nova carreira profissional em São Paulo, entre outros conteúdos extras.

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Outra forma familiarizar o público com os personagens e trazer verossimilhança para a trama foi a criação de perfis da extinta rede social Orkut. Além de interagir com Alice (Andréia Horta), Teobaldo (Juliano Cazarre), Marcela (Gabrielle Lopez) e Nicholas (Vinícus Zinn) o telespectador ainda podia acompanhar as mensagens trocadas entre os personagens. O conteúdo reforçava e ampliava o universo ficcional da atração HBO. O mesmo aconteceu no Facebook, porém na rede social apenas a protagonista tinha um perfil. A página reunia relatos, fotos, vídeos, indicação de músicas e passeios em São Paulo. Os telespectadores também podiam fazer perguntas à protagonista.

As músicas que compunham a trilha sonora de Alice foram disponibilizadas pela HBO no Blip.fm. Ao acessar o perfil da série, também era possível escutar as playlists que Alice (Andréia Horta) criava para as suas festas.

alice12Após a exibição da temporada no canal pago HBO, a protagonista manteve seu perfil no Twitter ativo, inicialmente as postagens na rede social iam ao encontro dos conteúdos disponibilizados no Facebook. Porém, com o término da trama, o perfil deu continuidade ao universo ficcional. Os tuítes ressaltam o cotidiano e as angustias da protagonista.

Em 2010, a HBO lançou dois telefilmes de Alice intitulados O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida e A Última Noite, respectivamente. Os episódios mostravam os novos desafios da vida de Alice (Andréia Horta), após a sua mudança definitiva para São Paulo. Entretanto, apesar integrarem o universo ficcional da série, os telefilmes podiam ser assistidos de forma isolada. Isto é, para compreender a trama não era necessário que o público tivesse assistido a primeira temporada.

As ações transmídia de Alice contribuem diretamente para o aprofundamento do universo ficcional da série. Ao acompanhar as estratégias o público conhecia novas perspectivas da história. Cada desdobramento da atração apresentava uma linguagem e um propósito diferente, nesse sentido o telespectador interagente tinha que interconectar as distintas estratégias. Dessa forma, o indicador transmedia literacy foi identificado atração da HBO, pois as ações estimulam o público a fazer uma leitura multilateral. Seja na interação com o bot, nas postagens nas mídias sociais ou nos conteúdos complementares os telespectadores tinham que interpretar variados contextos midiáticos e correlacionados a narrativa televisiva.

Por Daiana Sigiliano

Transmedia Literacy: uma análise da repercussão das estratégias transmídia de The X-Files

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Daiana Sigiliano
Gabriela Borges

Resumo

Discutido por Jenkins (2013) e Scolari (2016) a transmedia literacy propicia a participação, a produção de conteúdo e o entendimento crítico do público. Isto é, ao navegar por distintas plataformas, correlacionando às estratégias transmídia com a mídia principal, o interagente realiza uma leitura atenta e polissêmica do universo ficcional. A partir deste escopo teórico, este artigo tem como objetivo analisar as postagens, no Twitter, dos telespectadores interagentes de The X-Files durante o lançamento das ações transmídia da décima temporada da série. Neste contexto, os tuítes nos ajudarão a refletir sobre o conceito de transmedia literacy e como o mesmo estimula a multilateralidade do público. Conclui-se que a ação Find The X impulsiona a discussão, a análise, as interconexões entre diferentes contextos narrativos e a produção de conteúdo.

Palavras-chave: transmedia literacy; televisão; The X-Files; Twitter.

Leia o artigo na íntegra: https://drive.google.com/file/d/18KK8DjlwhDrby5MZSgqxvOe6Yt9-3xaI/view?usp=sharing 

A Muralha

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Sinopse

A história se passa cerca de cem anos depois que Pedro Álvares Cabral e suas caravelas aportaram no Brasil, uma época em que a principal preocupação era sobreviver e os Bandeirantes eram os donos da terra, apesar das leis do Reino de Portugal e dos jesuítas, que tentavam catequisar os índios e livrá-los dos Bandeirantes, que os escravizavam. O choque entre os paulistas, que conquistavam terras e minas, e os forasteiros de diversas procedências, que queriam se apossar delas, era inevitável. A muralha significava a serra como obstáculo às incursões dos bandeirantes, nas suas buscas de novas terras e riquezas.

Na fazenda Lagoa Serena, situada nos arredores da Vila de São Paulo, rodeada pela “muralha” e desbravada pelos bandeirantes, mora Dom Braz Olinto, líder de uma bandeira; sua mulher, Mãe Cândida; e seus filhos: Basília – casada com Afonso Góes, um bandeirante – Tiago, Rosália e Leonel – que vive com a esposa, Margarida. Ainda uma sobrinha, Isabel.

Ao redor desses personagens flui toda a trama, iniciada com a chegada de Portugal de outra sobrinha de Dom Braz, Beatriz, que vem ao Brasil para casar-se com Tiago. Mas a jovem portuguesa terá de disputá-lo com Isabel, o braço direito de Dom Braz que o acompanha em suas bandeiras, uma menina que foi criada entre o convívio da família e dos índios, moldando, assim, uma personalidade arredia e selvagem. Haverá também o conflito gerado por Rosália, ao se apaixonar por um inimigo de Dom Braz, o aventureiro e traidor Bento Coutinho.

Junto com Beatriz, chegam ao Brasil novos personagens que comporão o cenário típico da época. O Padre Miguel, que auxiliará o Padre Simão – jesuíta da Companhia de Jesus – catequisando os índios, mas que terá que resistir ao assédio da índa Moatira, que apaixona-se por ele. Dona Antônia, uma ex-cortesã que vem ao Brasil em busca de um bom casamento. E Dona Ana, uma judia que foge dos horrores da Guerra Santa e vai viver sob a tutela de Dom Jerônimo Taveira, com quem tem uma dívida moral a pagar. Dom Jerônimo, irmão de um inquisidor, livrou da morte o pai de Dona Ana em Portugal. Inimigo de Dom Braz Olinto, é um comerciante que sabe ser canalha e fingido diante das autoridades, mas não as respeita; é carola frente aos padres, mas na realidade é um homem pervertido, cruel e obsceno.

Data de Exibição: 01/01/2000 a 31/03/2000

Canal: Globo

Fonte: Teledramaturgia

Que Talento!

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Sinopse 

Tudo começa quando Bruno, um jovem inseguro, é substituído da sua banda e acaba parando em uma agência de talentos. Lá ele conhece um instrutor bem maluco que tem uma prima ainda mais maluca, mas com um talento espetacular. Essa jovem é Mayra, que acaba de se mudar para São Paulo, e juntos, ela e Bruno, formam uma banda.

Data de Exibição: 24/05/2014 a 15/04/2016

Canal: Disney Channel Brasil

Fonte : Wikipédia

Os enigmas de The OA no Twitter

Permeada por grandes lacunas informacionais e ausência de setas chamativas, a nova produção original do serviço de conteúdo on demand Netflix The OA está usando o Twitter para aprofundar o seu universo ficcional.

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As ações de engajamento no microblogging começam antes mesmo da estreia da série no catálogo da plataforma. Os tuítes mostravam vídeos promocionais inéditos dos episódios que seriam disponibilizados no dia 16 de dezembro.

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Entretanto, interessante das estratégias do perfil da trama no Twitter é a forma como as publicações contribuem para a expansão dos arcos narrativos. Cada episódio da série ganhou um tuíte com uma frase, que representa o ‘sentido’ do plot, e um GIF com a principal cena da trama. Nesse sentido, ao visualizar a publicação o telespectador interagente conhecia os fios centrais das histórias.

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Também foram postados quotes que faziam alusão as falas da protagonista Prairie Johnson (Brit Marlin) e GIF de algumas cenas.

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Seguindo a estética de The OA, o perfil do programa no Twitter lançou vários enigmas ao público. As mensagens eram dividas em vários tuítes e o público tinha que junta-las, como uma espécie de quebra cabeça, as respostas ajudavam na compreensão das lacunas informacionais da atração.

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Por fim, a página na rede social trocava mensagens com os telespectadores interagentes.

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As perguntas enviadas pelo público eram prontamente respondidas pelo perfil e esclareciam alguns pontos do universo ficcional.

Quero ser solteira

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Sinopse:

Todo homem quer sexo e toda mulher quer formar uma família. Certo? E quando aparece uma mulher que só quer curtir? Nina é uma jovem estudante de moda que, ao contrário da maioria de suas amigas, não está à procura de um namorado. Ao lado de seu melhor amigo, Leozinho, ela curte a vida enquanto tenta escapar dos ‘ficantes’ que acabam grudando nela.

“Quero Ser Solteira” começou como uma websérie e, depois do sucesso no YouTube, chega ao Multishow em novo formato.

Fonte: Multishow

Série Quero Ser Solteira – Multishow from Gabriel Sabino on Vimeo.

Data de transmissão: 5 de outubro de 2012

Canal: Multishow