Contos do Edgar

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Criador:  Fernando Meirelles
Direção: Pedro Morelli
Período de exibição: 02/04/2013–11/06/2013
Nº de episódios: 5

Contos do Edgar é uma série produzida pela O2 Filmes e exibida pelo canal pago Fox. A trama, com apenas cinco episódios exibidos em 2013, contou com Marcus de Andrade (Edgar) e Danilo Grangheia (Fornutato) no elenco fixo. Nomes como Gaby Amarantos (Berê), Maurício de Barros (Cícero) e KauêTelloli (Fred) compuseram o elenco de apoio, que mudava a cada episódio.

Cada episódio da série era baseado em um conto do escritor americano Edgar Allan Poe, famoso pelas histórias de mistério e terror. As histórias eram adaptadas e transpostas para os dias atuais, na cidade de São Paulo. Todos os episódios começam com o protagonista Edgar (Marcus de Andrade), que trabalha numa dedetizadora com Fortunato (Danilo Grangheia). Porém, a cada trabalho de dedetização, acontece uma tragédia sobrenatural. A história sempre é contada a partir do ponto de vista de Edgar (Marcus de Andrade), o protagonista relata a Fortunato (Danilo Grangheia) os acontecimentos, entretanto o amigo nunca acredita no personagem. Como pano de fundo, em todos os episódios, também acompanhamos o mistério sobre o que aconteceu com a esposa de Edgar (Marcus de Andrade).

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história se passa na cidade de São Paulo e, ao contrário dos contos de Allan Poe, a série é ambientada nos dias atuais. A transposição de tempo e espaço é feita de forma verossímil e realista, de modo que, mesmo que existam elementos sobrenaturais na trama, a série os faz parecer passíveis de terem acontecido. Da mesma forma, a caracterização dos personagens acompanha o perfil de cada personagem, contribuindo para a verossimilhança do enredo.

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A trilha sonora é, majoritariamente, instrumental e dá o tom das cenas de suspense e mistério, onde acontecem os eventos sobrenaturais. A fotografia, por sua vez, é neutra nas cenas diurnas e possui tons mais escuros e sombras nas cenas noturnas, contribuindo para o tom soturno dos episódios.

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A edição segue o padrão linear na maior parte do tempo, com algumas exceções, como no primeiro episódio (Berê, inspirado no conto Berenice), quando Cícero (Maurício de Barros) tem flashes da noite anterior e do que fez com Berê (Gaby Amarantos). Outro exemplo acontece no último episódio (Lenora, inspirado nos contos O Gato Preto e O Barril de Amontillado), que mostra cenas do passado de Edgar (Marcus de Andrade).

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytellinge transmídialiteracy. A intertextualidade pode ser observada nas menções a lugares reais, como Minas Gerais, e na própria ambientação da série, que se passa em São Paulo. Isso aproxima os contos da realidade do espectador, contribuindo, também, para a verossimilhança. Pode-se perceber, além disso, referências a elementos famosos das histórias de Allan Poe, que não estão, necessariamente, inseridos nos contos inspirados de cada episódio. As constantes referências ao “corvo” são exemplos, que fazem alusão a um dos principais poemas o escritor – O Corvo.

Já em relação a escassez de setas chamativas, Contos do Edgar apresente o indicador em alguns momentos, permitindo que o espectador ficasse em dúvida em alguns momentos e completasse, por si só, o sentido da narrativa. Nesse contexto, estão os elementos sobrenaturais, que não são didaticamente explicados ao público, o qual pode os considerar reais ou não. Entretanto, as setas chamativas foram utilizadas pontualmente em certas ocasiões, como no episódio “Lenora”, onde há a inserção “2 anos antes” para marcar a mudança de temporalidade, ou no episódio “Berê”, onde há mudança de fotografia para marcar os flashbacks de Cícero (Maurício de Barros).

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Os efeitos especiais narrativos, por sua vez, foram observados nos clímax e reviravoltas de cada episódio, os quais desenvolviam a história. No episódio “Lenora”, há uma descoberta sobre Edgar (Marcus de Andrade) que leva o público a reconsiderar a trajetória do personagem. Entretanto, não é necessário grande esforço para reconsiderar a trama e não há mudanças no estilo narrativo do programa.

Em relação aos recursos de storytelling há, além de flashbacks e algumas mudanças de temporalidade, a inserção de sequências oníricas e fantasiosas. Tais sequências vão ao encontro dos contos sobrenaturais de Allan Poe e, por se contrastarem com o ambiente verossímil da trama, podem deixar o espectador em dúvida sobre a realidade de tais acontecimentos. Cabe ao público, portanto, completar o sentido da narrativa de acordo com seu entendimento da trama.

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Foram observadas ações transmídia que transcendessem a narrativa, permitindo que o público amplie a experiência televisiva. O site do canal FOX Brasil disponibilizou alguns vídeos do produtor Fernando Meirelles contando sobre a criação da série e algumas cenas dos bastidores. Além disso, a emissora propôs a hashtag “Concurso do Edgar”, através da qual o público poderia responder à pergunta “quais são os elementos essenciais para um conto de terror e por quê?” e concorrer a um livro de Edgar Allan Poe. Nesse sentido, o indicador transmedia literacy foi observado, pois as ações estimulavam o telespectador a correlacionar os vídeos com a trama, que apesar de não contribuírem diretamente com os desdobramentos narrativos, aprofundavam o universo ficcional. O engajamento nas redes sociais, através da hashtag, também propiciou o exercício criativo do público em refletir sobre o estilo narrativo da série, explorando ressignificações da história.

Por Júlia Garcia

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