Felizes para sempre?

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  • Escrita por: Euclydes Marinho
  • Direção: Luciano Moura, Rodrigo Meirelles e Paulo Morelli
  • Direção-geral: Fernando Meirelles
  • Período de exibição: 26/01/2015 – 06/02/2015
  • Horário: 23h
  • N° de capítulos: 10

A minissérie Felizes para sempre?, exibida pela Rede Globo entre os dias 26 de janeiro e 6 de fevereiro de 2015, é uma releitura de Quem ama não mata, exibida em 1982, também escrita por Euclydes Marinho. Felizes para sempre? retrata o drama dos relacionamentos amorosos a partir da perspectiva de cinco casais de uma mesma família. Os arcos narrativos exploram as nuances de distintas relações amorosas, envolvendo o desejo, a traição e o ódio.  A história tem como pano de fundo a cidade de Brasília e aborda a corrupção e a troca de favores entre os políticos da capital federal.

A trama tem como ponto de partida a comemoração de 46 anos de casado de Norma (Selma Egrei) e Dionísio (Perfeito Fortuna). Para celebrar a data, todos os membros da família Drummond se reúnem para relembrar momentos importantes da trajetória do casal.

Porém, o que parece ser uma família perfeita se desmorona com a chegada de da garota de programa Danny Bond (Paolla Oliveira). A partir daí, máscaras e mentiras começam a vir à tona e a possibilidade de um crime é iminente.

A minissérie é permeada por um clima de tensão, que se intensifica de acordo com os acontecimentos e relações amorosas que se tornam cada vez mais complicadas e perigosas. Desta forma, a trama cria um ambiente em que o telespectador espera que aconteça um crime a qualquer momento só restando à dúvida de qual personagem iria cometer o ato, já que todos os envolvidos teriam motivos que o justificariam.

O elenco conta com nomes como Maria Fernanda Cândido (Marília), Enrique Díaz (Cláudio), João Baldasserini (Joel), Caroline Abras (Susana), João Miguel (Hugo), Adriana Esteves (Tânia), Cássia Kis Magro (Olga), Perfeito Fortuna (Dionísio), Selma Egrei (Norma) e Paolla Oliveira (Danny Bond- Denise), entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Em entrevista ao Correio Braziliense , o responsável pela escolhados cenários Fernando Toledo disse que tentou apresentar aos telespectadores uma cidade diferente da apresentada nos telejornais, exaltando a beleza natural e sua arquitetura.

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Assim, a minissérie destaca emblemáticos locais de Brasília a partir dos passos de personagens, como Tânia (Adriana Esteves) praticando jogging pelas avenidas da capital, Cláudio (Enrique Díaz) fazendo remo pelo Lago Paranoá e também chegando na Esplanada dos Ministérios. As cenas eram filmadas sempre em planos abertos, zoom in e zoom out, imagens aéreas, agregando ressaltando a magnitude dos lugares.

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Outro ponto importante na ambientação Felizes para sempre? foi à manifestação popular apresentada nos primeiros capítulos da minissérie. A cena se passa no Eixo Monumental, e foi filmada com cerca de 200 figurantes, além dos atores Matheus Fagundes e Silvia Lourenço, que interpretam, respectivamente, Junior e Mayra. Já as cenas gravadas no estúdio se passaram, em sua maioria, na casa de Cláudio (Enrique Díaz) e Marília (Maria Fernanda Cândido) e no consultório de Tânia (Adriana Esteves).As sequências foram rodadas em São Paulo em uma mansão de 4.000 metros quadrados de área construída no Morumbi.

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No indicador da caracterização, pelo fato dos personagens pertencerem a uma classe alta de Brasília os figurinos eram compostos de roupas de grife e cortes de alfaiataria. Cláudio (Enrique Díaz), como um homem de negócios, preocupado com a aparência usa ternos slim, relógios e óculos escuros. Já Marília (Maria Fernanda Cândido), opta pela discrição, com um figurino minimalista com roupas de tons claros e tecidos leves, ressaltando sua elegância e sofisticação.

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Um ponto importante no indicadorda caracterização é o figurino de Danny Bond (Paolla Oliveira). A garota de programa vestia um figurino diferente para cada cliente, as roupas e os assessórios dos personagens criados por Bond (Paolla Oliveira) traduziam seus desejos e expectativas. As cenas em que atriz usava lingeries sensuais chamaram a atenção do público e contribuíram para a popularização da minissérie na época de sua exibição.

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A trilha sonora era composta, em sua maioria, por músicas que estabeleciam uma correlação com a cena que estava no ar. Como, por exemplo, na sequência em que Danny Bond (Paolla Oliveira) chega pela primeira vez à casa de Cláudio e Marília a trilha é a canção May I come in?,de BlossomDearie, cuja letra dialoga com o momento: Por falar do diabo/ Bem, aqui estou eu/ Posso entrar?/ Feelin ‘como uma lâmpada perdido e solitário/ Posso entrar?

Além disso, a trilha sonora é especialmente enfatizada em um momento presente em alguns episódios em que é feito um panorama geral de cada personagem, enquanto a música toca ao fundo traçando um diálogo com o drama pessoal de cada um na trama. A música toca inteiramente neste momento, e muitas vezes também possuía relação com a narrativa do episódio, como a canção Ex mai love, de Gaby Amarantos, que faz paralelo aos vários tipos de desilusões amorosas sofridas pelos personagens ao longo do capítulo.

Apesar de em alguns momentos a fotografia dialogar com as cores frias presentes na ambientação da minissérie, o indicador não estabelece nenhum tipo de influência ou correlação com o desdobramento dos arcos narrativos.

Apesar de apresentar flashbacks, as analepses são utilizadas em momentos pontuais e não alteram a temporalidade da minissérie.Como por exemplo na cena em que Dionísio (Perfeito Fortuna) lembra de seu amor de juventude Olga (Cássia Kis Magro). Desta forma, a edição se caracteriza como linear, pois não possui mais de uma linha cronológica além da do tempo presente.

No Plano de Conteúdo iremos abordar os indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling

No que se refere à intertextualidade podemos perceber o indicador no segundo capítulo da minissérie, quando a garota de programa Denise (Paolla Oliveira) se apresenta para o casal Marília (Maria Fernanda Cândido) e Cláudio (Enrique Díaz) com o pseudônimo de Danny Bond. Porém, apesar de apresentar uma referência externo ao universo ficcional da trama, rapidamente a personagem esclarece que se trata de uma inspiração do personagem James Bond dos filmes da saga 007. Dessa forma, a própria atração explica para o telespectador a correlação entre o nome da garota de programa e a franquia de longas metragens.

No indicador dassetas chamativas, podemos destacar o uso do cartaz narrativo na cena em que a cirurgiã plástica, Tânia (Adriana Esteves), está realizando um procedimento cirúrgico e suas mãos começam a tremer, sua expressão se torna distraída como se estivesse com alguma preocupação. Nesse momento, há a presença do áudio, em off, do acidente em que ela negou socorro à vítima. Dessa forma, o recurso é disposto convenientemente para mostrar ao telespectador o que a personagem estava pensando naquele momento. Isto, é o recurso do áudio, explica didaticamente os sentimentos de Tânia (Adriana Esteves), diminuindo o esforço analítico do público na compreensão da sequência.

O recurso também ganha destaca na cena em que Marília (Maria Fernanda Cândido) faz revelações sobre os esquemas de corrupção de Cláudio (Enrique Díaz). Neste momento, além de exibir a capa de uma revista com a manchete sobre a delação, o desdobramento narrativo é enfaticamente reforçado no diálogo de Cláudio (Enrique Díaz) com Joel (João Baldasserini).

Apesar de apresentarem reviravoltas e clímax como, por exemplo, quando Hugo (João Miguel) descobre que seu irmão Cláudio (Enrique Díaz) é o pai biológico de Júnior (Matheus Fagundes) e cena em que Marília (Maria Fernanda Cândido) descobre que Denise (Paolla Oliveira) mentiu sobre várias questões. A minissérie não apresenta efeitos especiais narrativos, nesse sentido reviravoltas não são significativas a ponto de fazer com que o espectador reconsidere toda a narrativa até então.

Por fim, no indicador recurso de storytelling podemos observar o uso de analepses. Por exemplo, quando Marília (Maria Fernanda Cândido) lembra da morte de seu filho e também na cena em que Dionísio (Perfeito Fortuna) recorda do seu amor de juventude. Todos os flahsbacks se caracterizavam pela imagem com a predominância da cor branca e o uso de muita luz de forma a indicar ao espectador que se trata de uma cena fora do tempo presente.

Por Mariana Meyer

* Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela.

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