Mandrake

  • Direção: Toni Vanzollini, Carolina Jabor, Arthur Fontes, Lula  Buarque de Hollanda, José Henrique Fonseca
  • Período de exibição: 30 de outubro de 2005 – 16 de dezembro de 2007
  • Nº de episódios: 13

 

Mandrake é uma série de TV produzida pela HBO Brasil, tendo sua estreia em 2005, como a primeira produção original do canal. Baseada na obra do escritor mineiro Rubem Fonseca, a série contou com duas temporadas e dois episódios especiais sendo a primeira temporada o objeto dessa análise. O elenco apresenta nomes como Marcos Palmeira (Mandrake), Luís Carlos Miele (Wexler), Maria Luísa Mendonça (Berta), Marcelo Serrado (Raul), dentre outros.

O enredo acompanha o advogado criminalista Mandrake (Marcos Palmeira), que é especialista em casos de chantagem e extorsão. Além de resolver casos difíceis pessoalmente, em meio à prostitutas, traficantes e personagens excêntricos, o advogado se envolve com diversas mulheres, se dizendo apaixonado por todas elas.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história se passa no Rio de Janeiro, utilizando a cidade como pano de fundo para as situações pelas quais Mandrake (Marcos Palmeira) passa. A ambientação, bem como a construção de personagens comuns, passíveis de existirem na realidade, contribui para a verossimilhança da trama. Do mesmo modo, a caracterização dos personagens acompanha a personalidade e o jeito de cada um, colaborando, mais uma vez, para a formação de uma história verossímil. Bebel (Erika Mader), por exemplo, veste roupas curtas e joviais, o que condiz com sua idade e personalidade, em oposição a Berta (Maria Luísa Mendonça), que se veste de modo mais sofisticado. Mandake (Marcos Palmeira), por sua vez, está quase sempre de terno, o que combina com sua posição de advogado.

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A trilha sonora é predominantemente instrumental, dando o tom das cenas. A principal música da série é a música instrumental de abertura, que também aparece durante os episódios. A exceção fica por conta de momentos pontuais, onde são apresentadas músicas cantadas, sempre diegéticas, ou seja, que fazem parte do mundo dos personagens. Um exemplo pode ser visto no primeiro episódio, intitulado “A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar”, onde pode-se ouvir diversas músicas no bordel onde Mandrake (Marcos Palmeira) vai resolver o caso, as quais compõem o ambiente diegético.

A fotografia, por sua vez, segue um estilo naturalista, que contribui para a verossimilhança da trama. Podem ser percebidas cores acentuadas em cenários pontuais, como a boate do episódio “A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar” ou a festa tântrica do episódio “Kolkata”.

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A edição segue, majoritariamente, o padrão linear, à exceção de alguns flashbacks e do último episódio, que inverte a cronologia sem, contudo, causar confusão no telespectador.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos,recursos de storytelling e transmedia literacy. Em relação à intertextualidade, a série apresentou diversas menções a lugares reais, como Nova Iguaçu, México e Espanha, além do time Vasco da Gama, por exemplo. Mais uma vez, é trabalhada a verossimilhança, de modo a aproximar a trama da realidade e do espectador.

Mandrake utilizou as setas chamativas em certos momentos, de modo a clarificar a trama e não deixar dúvidas ao espectador. Um exemplo é a utilização de alguns flashbacks, como no episódio “Kolkata”, onde Mandrake (Marcos Palmeira) reencontra uma personagem apresentada no primeiro episódio e aparece um flashback relembrando o espectador quem era a moça. Os recursos presentes em diversas séries, como mudança de fotografia durante os flashbacks, não são utilizados, o que impede que tudo seja dado mastigado ao espectador. Nesse sentido, o indicador ausência de setas chamativas foi observado apenas em momentos pontuais da trama.

Já quanto aos efeitos especiais narrativos, em cada episódio há clímax e reviravoltas, de modo a desenvolver a trama de cada episódio. Contudo, em nenhum momento o espectador é levado a reconsiderar tudo o que viu até então ou há mudança no estilo narrativo do programa.

Em relação aos recursos de storytelling, são utilizados alguns flashbacks, como para apresentar alguns personagens no primeiro episódio (“A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar”), além de alteração cronológica no último episódio, intitulado “Amparo”. Nele, a história se inicia com Mandrake (Marcos Palmeira) em um carro, com um tiro próximo ao pulmão. Os acontecimentos que antecedem a situação são apresentados e, por vezes, voltamos à cena do protagonista no carro. Entretanto, a série não obteve destaque no indicador.

Por fim, a transmedia literacy foi observada em ação feita pela HBO Brasil no Twitter em 2012, antes da estreia dos dois episódios especiais de Mandrake. Os fãs poderiam enviar uma pergunta ao ator Marcos Palmeira utilizando as hashtags #MandrakeBR e @HBO_Brasil. As perguntas mais criativas foram respondidas pelo ator através de vídeos divulgados pelo canal da emissora no YouTube. Embora a ação não se conecte diretamente ao enredo de modo a expandir a narrativa, ela permite que os fãs participem ativamente, aumentando a experiência do espectador e estimulando a discussão sobre a série em diversas plataformas.

Por Julia García

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