Mulher de Fases

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  • Mulher de Fases (2011)
  • Direção: Ana Luiza Azevedo
  • Período de exibição: 11/04/2011 – 4/07/2011
  • Duração: 30 minutos
  • Nº de episódios: 13 episódios

Baseada no livro Louca por Homem, de Cláudia Tajes, a série Mulher de Fases conta a ‘saga’ de Graça (Elisa Volpatto) em busca do homem ideal. Depois de se separar do marido, a protagonista tenta reconstruir sua vida e um arranjar um novo namorado. Porém, Graça (Elisa Volpatto) começa a se envolver com diversos homens e, mesmo que de forma inconsciente, acaba adotando os hábitos e manias dos pretendentes. Por exemplo, no episódio de estreia, exibido em 11 de abril de 2011, a protagonista se envolve com um fumante e imediatamente começa a fumar compulsivamente.

Produzida pelo canal pago HBO, em parceria com a Casa de Cinema de Porto Alegre, Mulher de Fases teve apenas uma temporada de 13 episódios. O cancelamento da série se deu por conta dos baixos índices de audiência e da recepção negativa da imprensa especializada. A trama foi roteirizada por Elisa Volpatto, Antoniela Canto, Julia Assis Brasil, Mira Haar e Rodrigo Pandolfo.

Conforme iremos discutir mais adiante, durante a exibição da série a HBO desenvolveu ações transmídia. Além de engajarem os telespectadores interagentes no Facebook, os conteúdos também exploram novas perspectivas da história. O elenco de Mulher de Fases ainda conta com Antoniela Canto (Selma), Julia Assis Brasil (Tereza), Mira Haar (Hilda), Rodrigo Pandolfo (Gilberto) e Giulio Lopes (major Rangel).

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Apesar de ser ambientada na cidade de São Paulo, as sequências de Mulher de Fases, são, de modo geral, gravadas em estúdio e/ou locações internas. As ruas da capital aparecem em poucas cenas como, por exemplo, quando Graça (Elisa Volpatto) vai encontrar Dudu (Gustavo Machado) em um bar. Entretanto, a cidade não influência diretamente dos desdobramentos narrativos da série.

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Como Graça (Elisa Volpatto) é corretora de imóveis os apartamentos têm um grande espaço da trama, há cada episódio conhecemos novos lugares. No episódio de estreia, por exemplo, intitulado ‘Um fumante e um místico’, acompanhamos a procura da protagonista por um apartamento. A busca pelo lugar acaba desencadeando vários plots como, a sua primeira vez com Dudu (Gustavo Machado). Dessa forma, apesar de ser limitada, por explorar ambientes pequenos e com poucos elementos e/ou mudanças cenográficas, a ambientação de Mulher de Fases reforça o universo ficcional da protagonista.

O indicador caracterização dos personagens dialoga diretamente com a proposta da série da HBO. Um dos principais arcos narrativos da trama é a capacidade de mudança da protagonista que a cada novo namorado transforma seus hábitos. Nesse sentido, o figurino e os elementos cênicos ajudam o telespectador a compreender essa constante transição de Graça (Elisa Volpatto). Por exemplo, quando a personagem se converte a seita do Altíssimo (Kiko Marques) ela passa a se vestir como o guro.

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No dia a dia a protagonista se veste com coisas sociais, por conta de seu trabalho. Na maioria das cenas o figurino é composto por uma camisa e saia social e um sapato de alto. Os outros personagens recorrentes tais como a mãe, a irmã e a sobrinha de Graça (Elisa Volpatto) não apresentam caracterizações que marcantes e/ou que contribuam para o desenrolar dos arcos narrativos do programa.

No indicador trilha sonora podemos destacar a música de abertura da série. Gravada em 1999 pela banda Raimundos, a canção Mulher de Fases, homônima a trama da HBO, dialoga diretamente com o universo ficcional do programa. Na letra, composta por Rodolfo Abrantes e Digão o interprete relata o seu complicado relacionamento com uma mulher inconstante. Na trama, Graça (Elisa Volpatto) também transita por vários estados de humor e muda a sua personalidade a cada novo namorado.

O restante da trilha sonora da série é composta por músicas instrumentais e ajudam a reforçar os acontecimentos da trama.

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A fotografia de Mulher de Fases segue o estilo naturalista. As cenas da trama só têm a iluminação e/ou ao filtro alterado para indicar ao telespectador de que se de um flashback ou sequência fantasiosa da protagonista. Nesse sentido, a fotografia só é alterada para servir de seta chamativa para a cena em questão. Em momento algum o indicador contribui diretamente para o desdobramento da história.

Os episódios de Mulher de Fases apresentam uma edição não linear. Os flashbacks são usados nos momentos em que Graça (Elisa Volpatto) lembra de situações e relacionamentos do passado. Os outros acontecimentos e desdobramentos narrativos da história se passam no presente. É importante ressaltar também que como o ponto de partida da série é a separação da protagonista, há uma necessidade dessa relação, que desencadeou toda a trama, ser constantemente relembrada.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Os episódios de Mulher de Fases não fazem referência a contextos externos ao universo ficcional. Ou seja, em nenhum desdobramento narrativo da série o telespectador é estimulado a completar a sequência com uma informação externa. Nesse sentido, o indicador intertextualidade não foi identificado.

Ao longo da primeira temporada da série da HBO foi possível observar várias setas chamativas. O recurso, que é uma espécie de cartaz narrativo disposto convenientemente para ajudar o público a entender o que está acontecendo na trama, esteve presente tanto no diálogo dos personagens quanto nos recursos visuais. Por exemplo, quando a mãe de Graça (Elisa Volpatto) explica para a filha que as dificuldades do divórcio. Isto é, mesmo o plot central da série sendo o fim do casamento da protagonista, os personagem reforçam essa informação constantemente para o público. As setas chamativas também estão presentes nas sequências fantasiosas de Mulher de Fases, todas as cenas em que Graça (Elisa Volpatto) imagina algo apresentam elementos que diferenciam a fantasia da realidade. Como, por exemplo, efeitos visuais, mudanças na coloração e na fotografia. Nesse sentido, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série.

Os clímax e reviravoltas presentes em Mulher de Fases estão presentes pontualmente na história. Entretanto, em momento algum o telespectador é obrigado a reconsiderar tudo viu até então. Isto é, os recursos narrativos não ressignificam o universo ficcional, apenas contribuem, como o esperado, para o desenvolvimento da história. Desta forma, o indicador efeitos especiais narrativos também não foi identificado nos episódios.

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Por se tratar de uma série que não possui tanto compromisso com a verossimilhança, Mulher de Fases apresentam vários recursos de storytelling. Nesse sentido, as cenas da trama abrangem, por exemplo, analipses e sequências fantasiosas. Entretanto, é importante os recursos são didaticamente explicados e delimitados para o telespectador. Ou seja, quando a temporalidade da série muda o público é avisado, através de setas chamativas de que se trata de um flashback. O mesmo acontece quando Graça (Elisa Volpatto) reflete sobre as dúvidas e incertezas dos seus relacionamentos, os recursos gráficos e mudanças na fotografia diminuem o esforço analítico do telespectador ao indicarem de que a cena é fruto da imaginação da protagonista.

O universo ficcional de Mulher de Fases foi composto por apenas uma ação transmídia. Lançado no site da HBO, o vídeo, de cerca de 6 minutos de duração, mostrava as curiosidades, os detalhes da produção dos episódios e o trabalho por trás da série. Ao conhecer as informações dos bastidores o telespectador tem a ‘opção’ de assistir as cenas com a suspensão da descrença ou com respeito renovado pela perícia e competência técnica que tornava a cena crível. Entretanto, apesar de explorar novas perspectivas da trama, a ação transmídia não estimula o entendimento crítico do público ao correlacionar contextos linguísticos distintos e informações dissipares. Isto é, o conteúdo não propiciava a leitura atenta e criativa do telespectador. Desta forma, o indicador transmedia literacy não foi identificado.

Por Daiana Sigiliano

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