O Não Famoso

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Criado por Daniel Santos, o canal O Não Famoso, em maio de 2016, contava com cerca de 280.000 inscritos e 232 vídeos. Na descrição do canal, Santos se apresenta como “cantor, compositor e produtor musical”, o que justifica o grande número de paródias dentre os vídeos. Em geral, também há vídeos sobre temas diversos, às vezes com convidados ou perguntas dos internautas.

Na esfera do Plano da Expressão, se destaca a linguagem utilizada por Daniel Santos – sempre informal e com expressões populares, como “bagaça” ou “vai plantar batata”, o que permite uma aproximação do público. Já o cenário e o figurino não possuem grande destaque. Os vídeos são gravados em um estúdio musical, com paredes de isolamento acústico e um computador ao fundo. O cenário, geralmente, só muda nas paródias, quando é utilizado o chromakey para colocar certas imagens como fundo.

Quanto ao Plano do Conteúdo, o indicador diversidade de sujeitos representados recebeu avaliação fraca em todas as emissões analisadas, já que, na maioria dos vídeos, tem-se apenas Daniel Santos, ou ele e mais um convidado, geralmente homem. Desse modo, há também pouca diversidade de opiniões e pontos de vista.

A desconstrução de estereótipos foi percebida em apenas uma emissão, a do dia 10 de setembro, no vídeo com a participação de Wilson Neto, mas mesmo assim de forma bem discreta e superficial. Nele, Daniel pergunta:

DANIEL: E se a gente tivesse um olho só?
WILSON: A gente não podia cagar né… A mulher nunca, não ia ser permitido que mulher tirasse carteira de motorista, jamais. Se dois olhos ela…
DANIEL: Não, não. Aí pegou no pé das mulheres que assistem os meus vídeos, agora não. Castigo, vai ter castigo.

O indicador oportunidade, por sua vez, recebeu avaliação fraca em três emissões, por não haver nelas temas relevantes ou atuais, presentes constantemente nas agendas do público e da mídia. Já a paródia da música Suíte 14 recebeu avaliação razoável no indicador, uma vez que se refere a uma canção atual e muito tocada em festas, por exemplo. Desse modo, a música se faz presente no cotidiano de grande parte do público.

O vídeo Adaptando Filosofias, do dia 17 de setembro, e Falsetes da Melody, do dia 08, receberam avaliação boa nesse indicador. O primeiro traz citações de pensadores antigos, como Platão e Aristóteles, para os dias atuais, numa readaptação. Sendo assim, várias situações cotidianas e muito comuns são representadas. No vídeo, Daniel readapta, por exemplo, a frase “Tente mover o mundo, o primeiro passo é mover a si mesmo” para “Tente mover a si mesmo, o primeiro passo será sair do WhatsApp”. Modificou ainda a frase “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” para “Não sabendo que era impossível, foi lá e clicou para mudar a cor do Facebook”.

Já em Falsetes da Melody, Daniel discorre sobre os vídeos da MC Melody, muito compartilhados nas redes sociais, motivos de debates e de alguns memes. O pai da menina, inclusive, foi acusado de hipersexualizar a filha nos seus shows, assunto que estava em pauta na época. Dessa forma, os falsetes da MC Melody compunham temas recorrentes na agendas do público e de algumas mídias.

A ampliação do horizonte do público foi avaliada de modo fraco em três das emissões analisadas, as quais não apresentavam temas relevantes que pudessem estimular o debate ou o pensamento. Já os vídeos Adaptando Filosofias e Paródia Suíte 14 receberam avaliação razoável. O primeiro, ao trazer frases de filósofos para os dias atuais utilizando, na maioria das vezes, hábitos comuns na era da internet, pode levar a uma reflexão a cerca desses hábitos, muitas vezes questionáveis. Já a paródia discorre sobre coisas comuns da infância nos anos 90 e 2000, como assistir desenhos ou brincar na rua. Resgatar tais elementos pode fazer com que o público reflita sobre as mudanças que ocorreram e como as crianças se divertem hoje em dia.

O vídeo Falsetes da Melody, por sua vez, traz uma discussão sobre o modo como o MC Belinho, pai da MC Melody, trata a exposição da filha. Daniel comenta no vídeo: “Na real, eu sinto pena dela, porque, na verdade, ela está sendo usada como um produto do próprio pai.”. E ainda complementa: “Não é difícil perceber que ele está explorando a imagem dela de todas as formas possíveis, expondo ela ao ridículo.”. A partir do vídeo é possível levantar questões sobre exposição infantil e paternidade, por exemplo. A seguir, o gráfico que mostra os indicadores e as avaliações de cada emissão no plano do conteúdo:

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Em relação à mensagem audiovisual, o indicador clareza da proposta foi muito bem avaliado em todas as emissões analisadas. Normalmente a estrutura dos vídeos se repete, mas quando há um formato diferente do usual, como a gravação de uma tag, a proposta é explicada no início do vídeo. Na emissão do dia 10 de setembro de 2015, E Se (ft. Wilson Neto), Daniel explica: “A gente vai gravar um vídeo um pouco diferente (…) Então, a gente vai fazer uma tagque a gente inventou que se chama E Se”. Já no vídeo Nudes, do dia 22, Daniel explica a dinâmica do AskSnap, novo quadro do canal: “No caso, vai ser um quadro que eu vou abrir o meu snap pra galera mandar vídeos, fazendo perguntas”.

Assim como o indicador anterior, a solicitação da participação ativa do públicorecebeu avaliação muito boa. Comumente Daniel cumprimenta sua audiência com a frase “fala galerinha não famosa”, além de, em quase todas as emissões, pedir para o público deixar likesnos vídeos e seguir o canal em outras redes sociais. Expressões como “vocês” também são utilizadas, ao mesmo tempo em que Daniel olha, a quase todo momento, diretamente para a câmera. Ao final dos vídeos também há dois links: um que leva a outro vídeo do canal, com a frase “veja também”, e outro que leva à página do canal, com a frase “me aperta vai”.

A solicitação da participação do público também pode ser percebida em alguns quadros do canal. No quadro AskSnap, como citado anteriormente, os internautas enviam perguntas para Daniel por vídeos feitos através do Snapchat. O quadro Não Famoso Responde se assemelha a ele, mas as perguntas são feitas através de comentários nas redes sociais.

O diálogo com/entre plataformas também recebeu avaliação muito boa em todas as emissões. Nos quadros citados, por exemplo, as perguntas dos internautas são feitas em outras mídias, como o Snapchat, e respondidas através dos vídeos do YouTube feitos pelo canal. Além disso, em todos os vídeos são mostradas as outras redes sociais do canal, como Instagram ou Facebook. Frequentemente também há parcerias com outros canais, sendo os vídeos feitos com a participação de convidados, como a paródia de Suíte 14, da dupla Henrique e Diego, ou a tagE Se. Na paródia de Suíte 14, por exemplo, percebe-se também a presença de elementos externos à internet, como no trecho: “É que eu estudava vendo/ Dragon Ball e Pokémon”. Ou ainda: “Vê/ que Merthiolate arde pra desgraça”.

Já o indicador originalidade/criatividade recebeu avaliação razoável na maioria das emissões, já que não há grande inovação no formato ou no conteúdo do canal. A única emissão que recebeu avaliação boa nesse indicador foi a do dia 15/09/2015 – Paródia Suíte 14 (ft. Caio Romano) – pois transforma totalmente uma música já existente, utilizando outro tema como base. Abaixo, o gráfico da mensagem audiovisual:

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A partir da análise, pôde-se concluir que o canal O Não Famoso, nas emissões estudadas, não se destaca em aspectos importantes do humor de qualidade, explicitados em indicadores como ampliação do horizonte do público e desconstrução de estereótipos, nos quais o canal não obteve avaliações relevantes. Já no plano da mensagem audiovisual, puderam-se ver alguns elementos de destaque, como diálogo com/entre plataformas e solicitação da participação ativa do público. Entretanto, tais elementos são comumente bem trabalhados no YouTube, não sendo, portanto, um grande diferencial do canal.

Por Júlia Garcia

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