o negcio

O Negócio

  • Criadores: Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho
  • Roteiro: Fabio Danesi, Camila Raffanti, Rodrigo Castilho e Alexandre Soares Silva
  • Direção: Michel Tikhomiroff e Júlia Jordão
  • Período de exibição: 18 de agosto de 2013 – 3 de junho de 2018
  • Nº de episódios: 51

O Negócio é uma série de televisão produzida e veiculada pelo canal HBO Brasil em quatro temporadas. A primeira temporada – objeto da análise – foi transmitida entre agosto e novembro de 2013 e contou com 13 episódios. A produção apresentou nomes como Rafaela Mandelli, Juliana Schalch, Michelle Batista, João Gabriel Vasconcellos, Gabriel Godoy, KauêTelloli, Guilherme Weber e Aline Jones.

O enredo narra a história de Karin (Rafaela Mandelli) e Luna (Juliana Schalch), amigas e garotas de programa que se unem a Magali (Michelle Batista) para construir a empresa Oceano Azul, especializada em programas de luxo. O objetivo de Karin (Rafaela Mandelli) é obter sucesso na profissão sem precisar de um booker, após entrar em conflito com seu antigo chefe, Ariel (Guilherme Weber). Ela, então, passa a estudar e empregar estratégias de marketing para emplacar a empresa.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e ediçãoA história se passa na cidade de São Paulo e retrata, com realismo, o ambiente urbano da capital. Em especial, há o lugar no qual Karin (Rafaela Mandelli) sempre dirige para pensar e comer fastfood, onde é possível ter uma vista ampla da metrópole.

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A caracterização dos personagens segue o contexto e a personalidade de cada um e contribui para a verossimilhança da série. Luna (Juliana Schalch), por exemplo, se veste de forma distinta quando vai visitar a família, que não sabe da sua profissão. Desse modo, enquanto a personagem se passa por uma mulher rica durante um curso, seu estilo também segue outro padrão.

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A trilha sonora, por sua vez, é predominantemente instrumental, de modo a dar o tom das cenas. Já a fotografia segue um estilo naturalista, que acompanha a proposta de verossimilhança do enredo.

A edição segue, na maior parte do tempo, um padrão linear. Entretanto, conforme Luna (Juliana Schalch) narra os acontecimentos, em certos momentos são inseridos flashbacks que ilustram as situações descritas ou que introduzem personagens, alterando a cronologia.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytellinge transmídialiteracy. A série O Negócio é permeada por referências intertextuais, de modo a inserir o telespectador no ambiente da história e aproximá-lo do enredo, que se mostra passível de acontecer na realidade, o que contribui para a verossimilhança do programa. Marcas como Havaianas, Coca-Cola e Pepsi são inseridas na história, contribuindo, mais uma vez, para a verossimilhança, uma vez que o marketing é um dos grandes temas do programa. Além disso, a série se passa na cidade de São Paulo e há citações a diversos outros locais reais, como Campinas e Paris.

Em relação à escassez de setas chamativas, O Negócio utilizou o recurso em alguns momentos. A presença de um narrador (Juliana Schalch) e certos diálogos que induzem explicações facilitam o entendimento do espectador, que não precisa exercer grande esforço para entender ou completar a narrativa. Além disso, os flashbacks utilizados, embora não acompanhados de mudança na fotografia, deixavam clara a mudança de cronologia, evitando que o público tivesse dúvidas a respeito da trama. Nesse contexto, o indicador não foi observado.

Quanto aos efeitos especiais narrativos, a série apresentou clímax e reviravoltas nos episódios, os quais desenvolviam a narrativa sem, contudo, levar o público a reconsiderar tudo o que vira até então. A exceção foi a revelação de que Oscar (Gabriel Godoy), até então um milionário aos olhos dos personagens e do público, era, na verdade, um golpista. Tal revelação leva o público a reconsiderar todas as ações e atitudes do personagem. Entretanto, o entendimento é facilitado pela narração e pelos flashbacks, que explicam como Oscar (Gabriel Godoy) conseguiu enganar Luna (Juliana Schalch) e o próprio público. Dessa forma, a utilização de tais setas chamativasexplicita, didaticamente, a situação ao espectador.

Os recursos de storytelling foram observados nas alterações cronológicas, referentes aos flashbacks, e na utilização de um narrador em voz over, no caso a personagem Luna (Juliana Schalch). Entretanto, tais recursos são permeados, muitas vezes, por setas chamativas e dispostos de forma a reduzir o esforço analítico do público.

Em relação à transmídia literacy, o canal HBO Brasil promoveu lives em sua página do Facebook, onde as atrizes principais respondiam perguntas feitas pelo público, além de vídeos, divulgados no Facebook e Twitter, nos quais os atores falavam sobre seus personagens. Embora as lives estimulassem a participação ativa, ampliando a experiência televisiva do público e estimulando a discussão, os conteúdos não transcendiam a narrativa, se limitando àquilo que já foi exibido e entendido pelo espectador. Nesse sentido, o indicado não foi observado.

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Por Júlia Garcia

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