Pastores da Noite

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  • Autoria: Cláudio Paiva, com base na obra Os Pastores da Noite, de Jorge Amado
  • Escrita por: Sérgio Machado, Guel Arraes e Claudio Paiva
  • Direção-geral: Maurício Farias
  • Núcleo: Guel Arraes
  • Período de exibição: 26/11/2002 – 17/12/2002
  • Nº de episódios: 4
  • Horário: 23h

Composta por quatro episódios independentes, exibidos pela Rede Globo entre os dias 26 de novembro de 2002 e 17 de dezembro de 2002, a minissérie Pastores da Noite é baseada no livro homônimo de Jorge Amado.  Escrita por Sérgio Machado, Guel Arraes e Claudio Paiva, com direção geral de Maurício Farias e núcleo de Guel Arraes, a trama conta as histórias de Cabo Martim (Eduardo Moscovis), de Curió (Matheus Nachtergaele), de Massu (Lázaro Ramos), do Pé de Vento (Luiz Carlos Vasconcelos) e de Jesuíno (Tonico Pereira). Explorando o humor e a poesia, cada um dos quatro episódios de Pastores da Noite conta uma história diferente. Em “O Casamento do Cabo Martim”, Cabo Martim (Eduardo Moscovis) retorna a Salvador para apresentar aos amigos e a Tibéria (Fernanda Montenegro) sua esposa, Marialva (Camila Pitanga). Entretanto, a novidade acaba abalando a amizade entre os pastores da noite e causando ciúmes em Tibéria (Fernanda Montenegro). Já “O Compadre de Ogum” é focado em Massu (Lázaro Ramos), que descobre que tem um filho. Após convidar Tibéria (Fernanda Montenegro) para ser madrinha da criança, Massu (Lázaro Ramos) se vê em um dilema para escolher entre os pastores da noite qual será o padrinho. Depois de consultar o pai de santo Jaiminho (Cobrinha), o filho de Massu (Lázaro Ramos) é batizado pelas entidades Ogum (Zebrinha) e Exú (Negrizú). No terceiro episódio, intitulado “A Nova Paixão de Curi”, Curió (Matheus Nachtergaele) é enganado pela falsa vidente Madame Beatriz (Daniele Winits). Para ajudar Beatriz (Daniele Winits) a montar seu espetáculo, Curió (Matheus Nachtergaele) gasta todo o seu dinheiro, porém descobre que ela não passa de uma trambiqueira. Por fim, em “Um Vestido para Otália”, Cabo Martim (Eduardo Moscovis) se apaixona por Otália (Leandra Leal), que chega à cidade para trabalhar no bordel de Tibéria (Fernanda Montenegro). Com o casamento marcado com Martim (Eduardo Moscovis), a menina descobre que está doente e não tem muito tempo de vida. Antes de morrer, Otália (Leandra Leal), com a ajuda dos pastores da noite, realiza seu último desejo e se casa com Martim (Eduardo Moscovis). O elenco também é formado por Tonico Pereira (Jesuíno), Stênio Garcia (Chalub), Milton Gonçalves (Cônego), Rodrigo Santoro (Padre Gomes), Chico Diaz (Dudu), João Miguel (Chico Pinóia), Dira Paes (Raimunda), Zéu Britto (Cravo na Lapela), Emiliano Queiroz (Alencar).

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. As tramas de Pastores da Noite se passam em Salvador, na Bahia. Para reproduzir a capital baiana na década de 1960, a produção da minissérie optou por gravar a maioria das cenas em estúdio.Untitled 2

Já as externas mostravam tomadas genéricas e atemporais da cidade. As sequências com o elenco foram filmadas na praia de Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro. A cenografia dos bares e do bordel de Tibéria (Fernanda Montenegro) ressalta a arquitetura envelhecida das construções feitas de materiais como madeira e taipa. As cenas também contam com poucos figurantes, com exceção da sequência que mostra a chegada de um navio senegalês a Salvador, exibida do episódio “Um Vestido para Otália”. Apesar de discreta, a cenografia ajuda a reforçar o universo lúdico de Jorge Amado.

Assinado por Vera Queiroz o figurino de Pastores da Noite reproduz não só a época em que a minissérie se passa, mas principalmente a identidade de cada um dos protagonistas. Como, por exemplo, a cartola e a gravata borboleta reforçam o jeito lúdico e ingênuo de Curió (Matheus Nachtergaele), em contrapartida o terno de linho, o chapéu panamá e os suspensórios refletem a malandragem do Cabo Martim (Eduardo Moscovis).

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A predominância dos tons pastel, presente no figurino de todos os personagens, vai ao encontro, mesmo que de maneira subjetiva, da nostalgia com que Tibéria (Fernanda Montenegro) relembra as histórias dos pastores pelas ladeiras de Salvador.

Apesar de se passar na Bahia dos anos 60, um período de suma importância para o cenário musical baiano, a trilha sonora de Pastores da Noite é composta por poucas canções. As músicas geralmente são cantadas pelos personagens em momentos pontuais da minissérie. Nesse contexto, o indicador não tem muita representatividade no desenvolvimento dos arcos narrativos dos quatro episódios.

Gravadas em 16 mm as cenas de Pastores da Noite não apresentam uma fotografia que dialogue e/ou interfira diretamente no universo ficcional da trama.

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Assinada por Antonio Luiz Mendes, a fotografia é relativamente simples e ressalta a paleta de cores usadas no figurino e nos elementos cênicos. A única alteração no indicador em questão é o efeito sépia, usado no início de algumas histórias que Tibéria (Fernanda Montenegro) conta.

Apesar de apresentar uma edição não linear, o entrelaçamento dos arcos narrativos de Pastores da Noite só acontece em momentos pontuais. No início dos episódios vemos Tibéria (Fernanda Montenegro) relembrando com saudosismo a Bahia da década de 1960, a dona do bordel começa a contar as histórias dos pastores da noite.

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Nesse momento é usado o efeito sépia, marcando o início do flashback. Porém, essa transição de temporalidades (presente e passado) só é feita nos primeiros minutos dos episódios, como uma introdução, o restante do episódio se passa no passado.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. No indicador intertextualidade podemos ressaltar a cena final da minissérie, exibida no episódio “Um Vestido para Otália”. Ao dar as boas vindas aos senegaleses Pé de Vento (Luiz Carlos Vasconcelos) diz: “[...] terra de Jorge Amado”. A fala do personagem é uma referência ao autor do livro Os Pastores da Noite, que serviu de base para Sérgio Machado, Guel Arraes e Claudio Paiva na criação da minissérie. Entretanto, o uso da intertextualidade é pontual e apenas homenageia o escritor baiano.

Além terem histórias independentes, os quatro episódios do programa apresentam muitas setas chamativas. Em momento algum o telespectador é estimulado a preencher os vazios informacionais, cada desdobramento do programa é explicado de forma clara e objetiva. Nesse sentido, Pastores da Noite diminui o esforço analítico necessário para a compreensão das histórias.

O indicador efeitos especiais narrativos não esteve presente na minissérie. Apesar de todos os episódios terem clímax e reviravoltas, em nenhum momento eles levam o público a questionar tudo o que foi apresentado na trama ou alteram de maneira imprevisível o curso dos acontecimentos. O perfil dos personagens Cabo Martim (Eduardo Moscovis), Curió (Matheus Nachtergaele), Massu (Lázaro Ramos), Pé de Vento (Luiz Carlos Vasconcelos), Jesuíno (Tonico Pereira) e Tibéria (Fernanda Montenegro) não é aprofundado e/ou alterado durante todo o programa.

Por fim, o último indicador no Plano do Conteúdo é o recurso de storytelling. Esse indicador pode ser observado nos flashbacks dos quatro episódios da minissérie. Entretanto, apesar da presença das analepses, o recurso é usado pontualmente na trama. As histórias começam com Tibéria (Fernanda Montenegro) fazendo uma introdução da história que será contada e, posteriormente, começa o flashback que se estende até o final do episódio.

Por Daiana Sigiliano

* Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela.

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