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A Teia

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  • Série escrita por: Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani
  • Direção: Pedro Vasconcelos
  • Direção-geral e de núcleo: Rogério Gomes ‘Papinha’
  • Período de exibição:28/01/2014 – 01/04/2014
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 10

A Teia foi uma série exibida pela Rede Globo entre janeiro e abril de 2014. Baseada em casos do arquivo pessoal do delegado aposentado da Polícia Federal, Antonio Celso dos Santos, a produção contou com nomes como João Miguel (Jorge Macedo), Paulo Vilhena (Marco Aurélio Baroni), Andreia Horta (Celeste) e Júlio Andrade (Charles).

A história acompanha o delegado Macedo (João Miguel), que tenta desvendar um roubo de 60kg de ouro no aeroporto de Brasília. O personagem reúne pistas que levam à quadrilha do criminoso Baroni (Paulo Vilhena), a qual é, aos poucos, desmantelada pelo delegado.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Em relação à ambientação, a maior parte da série se passa entre as cidades de Brasília e Curitiba, com muitas cenas externas, as quais não foram gravadas em estúdio. O fato de utilizarem cenários reais contribui para a verossimilhança da trama, assim como a caracterização dos personagens, que se faz de acordo com o estilo e a ocupação de cada um. O bandido Baroni (Paulo Vilhena), por exemplo, usa muitas roupas escuras.

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A trilha sonora é um elemento de destaque, uma vez que as músicas utilizadas, em grande parte não-instrumentais, são marcantes. A música tema da série é “Come as you are”, do Nirvana, e tocada, principalmente, em momentos tensos, como o roubo do avião, dando um tom de rebeldia e agitação às cenas. Charles (Júlio Andrade), por exemplo, tem uma relação especial com o rock, sendo que várias cenas do personagem são marcadas por trilhas diegéticas, ou seja, aquelas que fazem parte do universo dos personagens.

A fotografia segue um estilo naturalista, o que reforça a verossimilhança da trama. Entretanto, as cenas externas noturnas são marcadas, muitas vezes, por tons quentes, o que destaca o cenário, que é real, e não reproduzido em estúdio.

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A edição, por sua vez, segue, majoritariamente, o padrão linear. Contudo, no início de cada episódio é mostrado um acontecimento do passado que ajuda na compreensão da narrativa presente, além da utilização de flashbacks funcionais em alguns pontos da trama.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy. A intertextualidade está presente nas diversas menções a locais reais, como Brasília, Curitiba, Paraguai e Chapada dos Guimarães, nos quais se passam parte da trama. A utilização de tais locais como pano de fundo da narrativa aproxima a trama da realidade, fazendo-a parecer passível de acontecer realmente.

Durante o desenvolvimento da narrativa foi observada a presença de algumas setas chamativas, que facilitam a compreensão do telespectador. No início de cada episódio, quando eram mostrados acontecimentos passados, havia a indicação de temporalidade, que deixava claro que o que era mostrado não se passava no presente. Alguns flashbacks se apresentavam em preto e branco, o que também ajuda o público a diferenciar a temporalidade. Além disso, quando no oitavo episódio o delegado Macedo (João Miguel) desvenda a maior parte da “teia” que envolvia o assalto ao aeroporto e o bando de Baroni (Paulo Vilhena), ele explica didaticamente o que descobriu aos seus companheiros da polícia, o que também esclarece o espectador. Portanto, o indicador escassez de setas chamativas não se faz um elemento de destaque na análise da série.

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Em relação aos efeitos especiais narrativos, há clímax e reviravoltas durante os episódios, o que faz a trama se desenvolver. Entretanto, em nenhum momento o espectador tem que reconsiderar tudo o que viu até então ou há mudança no estilo narrativo do programa.

Já quanto aos recursos de storytelling, há alterações cronológicas durante os episódios, os quais sempre começam com algo que aconteceu no passado e que ajuda a compreender a trama do presente. Há também a presença de flashbacks, como quando alguém está reconstituindo uma história ao delegado Macedo (João Miguel) ou quando o próprio delegado está reconstituindo uma história. Porém, todos esses elementos são norteados por setas chamativas dispostas estrategicamente para reduzir o esforço analítico do telespectador.

Em relação ao indicador transmedia literacy, a ação transmídia feita pela Rede Globo foi a “Teia Virtual”, disponibilizada através do portal GShow. A “Teia Virtual” é um espaço interativo que simula a teia montada pelo delegado Macedo (João Miguel) com as pistas encontradas durante os episódios. Desse modo, o telespectador interagente pode tentar desvendar o caso juntamente com o delegado.

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Contudo, tudo o que é mostrado na “Teia Virtual” já foi exibido nos episódios da série, ou seja, o público não encontra nenhuma pista nova ou conteúdo novo que transcenda a narrativa. Portanto, não é exigida a participação ativa do telespectador interagente, uma vez que não é necessário completar a mensagem da “Teia Virtual”, tudo é dado pronto. Sendo assim, o indicador transmedia literacy não foi observado nas ações transmídia de A Teia.

 Por Júlia Garcia