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Na Mira do Crime

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  • Criação: Tiago Santiago
  • Duração: 45 minutos
  • Período de exibição: 12-01-2015 a 16-01-2015
  • Nº de episódios: 5

Exibida pelo canal pago FX a série Na Mira do Crime é protagonista pelo jornalista Márcio Valle (Rodrigo Veronese),que apresenta o programa policial Na Mira do Crime. Após ter divulgado informações do responsável por um assalto e ter ajudado na sua prisão, os outros integrantes da quadrilha decidem se vingar do jornalista e sequestram sua filha Bianca (Gabi Lopes). Com sua filha em coma, Márcio (Rodrigo Veronese) decide largar tudo e se tornar um justiceiro fora da lei.

O elenco conta com nomes como:Rodrigo Veronese, Renata Dominguez, Carlo Briani, Juan Alba, Gabi Lopes, Jacqueline Sato, Rafael Dib, Rogério Britto, Beto Schultz, Fábio Blanchini, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A série se passa na sua maior parte dentro de um estúdio em que é gravado o programa policial Na Mira do Crime, onde o apresentador Márcio Valle (Rodrigo Veronese) faz suas denúncias e divulga notícias sobre crimes ocorridos. A ambientação contribui para a verossimilhança, já que mostra todos os elementos presentes em um programa do gênero policial, como coberturas ao vivo, entrevistas com as vítimas e a postura do apresentador.

mira2mira3Os figurinos presente na série ajudam na construção dos personagens e reforlam suas características centrais. A caracterização de Márcio Valle (Rodrigo Veronese), por exemplo, é composta de roupas sociais, como terno e gravata por se tratar de um apresentador de programa policial. Já bandidos apresentados na série utilizam roupas simples, como regatas, bermudas e chinelos retratando sua posição de sujeitos marginalizados.

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A trilha sonora de Na Mira do Crime só está presente em momentos de ação da trama como, por exemplo,nas sequências de perseguição. Asmusicas eram instrumentais e ajudavam na construção das cenas.

A fotografia da série é norteada porcores escuras,tais como tons de preto e cinza. Apesar de não possuir influência direta nos desdobramentos narrativos, o indicadortraz um aspecto de seriedade para a trama policial, reforçando a proposta do universo ficcional criado pelo FX.

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A série apresenta outras cronologias através do uso de flashbacks. Porém,é importante ressaltar que as analepses exploradas de forma pontual durante a narrativa. Desta forma, a edição se caracteriza como não linear.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

Na Mira do Crime apresenta intertextualidades em sua narrativa, isto é, os personagens fazem referência a contextos externos ao universo ficcional. No terceiro episódio, por exemplo, no momento em que Márcio Valle (Rodrigo Veronese) dá explicações ao delegado sobre sua localização no horário do assassinato de Marola (João Paulo Bineman) o jornalista alega que foi ao cinema assistir ao filme A Grande Beleza, dizendo ainda que o longa foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ao longo dos episódios formam observadas várias setas chamativas. Como, por exemplo, as legendas inseridas para indicar a passagem de tempo na trama, que são reafirmadas pela cena seguinte em que Pajé (Carlo Briani) se dirige a Márcio (Rodrigo Veronese) comentando que já se passaram alguns meses desde que ele decidiu se afastar do trabalho. O recurso também foi usado nas cenas em que Márcio (Rodrigo Veronese) comunica-se mentalmente com sua filha que está em coma. Para diminuir o esforço analítico necessário para o entendimento da história a sequência apresenta alterações em sua fotografia, ressaltando que os acontecimento são fruto da imaginação do protagonista. Portanto, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado na trama de Na Mira do Crime.

A série apresenta algumas reviravoltas no decorrer da narrativa.  A principal ocorre quando Márcio (Rodrigo Veronese) decide fazer justiça com as próprias mãos, após se sentir culpado pelo atentado a sua filha. Entretanto, apesar de possuir desdobramentos importantes, Na Mira do Crime não apresentou o indicador efeito especial narrativo, pois nenhuma reviravolta foi tão significativa a ponto de fazer o telespectador reconsiderar toda a narrativa até então.

O indicador recursos de storytelling está presente na trama Na Mira do Crime. A série faz o uso de flashbacks em momentos pontuais da história. Como, por exemplo, quandoMárcio (Rodrigo Veronese) relembra o atentado de Marola (João Paulo Bineman) contra sua filha. Para indicar ao telespectador que se trata de um flashback, foram utilizadas setas chamativas. As cenas apresentam como cortes rápidos entre os planos.

Apesar de não ter sequências fantasiosas ao longo de seus episódios, em algumas cenas Márcio (Rodrigo Veronese) se comunicava “mentalmente” com sua filha que estavaem coma. Inicialmente.Entretanto a sequência apresenta mudanças na fotografia, nesse sentido o cartaz narrativo é disposto convenientemente para ajudar o telespectador a compreende que tudo não se passa de um devaneio do protagonista.

A ação transmídia adotada pela série contribuiu para a familiarização dos telespectadores com o universo ficcional da atração do FX. Em parceria com a Record, e emissora paga produziu o longa metragem Na Mira do Crime exibido em outubro de 2014 no canal Fox. O filme, de uma hora e meia de duração, é um prelúdio para a série que viria a ser lançada em janeiro de 2015.

A trama aborda os dois primeiros episódios da trama, terminando com a parte em que Márcio Valle (Rodrigo Veronese) decide fazer justiça pela sua filha. Nesse contexto, a estratégia transmídia elaborada para atrair o interesse do público, centra-se em um arco narrativo do programa, expandindo o universo ficcional de Na Mira do Crime. O público, neste caso, é estimulado a relacionar o conteúdo do filme com a série, já que ambas abordam a mesma temática. Além disso, o público da trama televisiva tem acesso ao desdobramento do arco narrativo apresentado no longa, trazendo mais profundidade para a história. Portanto,o indicador transmídia literacy foi identificado em Na Mira do Crime, pois as ações estimulam a interconexão entre diferentes contextos narrativos e a percepção critica do público.

Por Mariana Meyer

Dupla Identidade

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  • Roteiro: Gloria Perez
  • Direção: Mauro Mendonça Filho e René Sampaio
  • Direção de núcleo: Mauro Mendonça Filho
  • Período de exibição: 19/09/2014 – 19/12/2014
  • Horário: 23h30
  • Número de episódios: 13

Dupla Identidade é uma série policial escrita por Glória Perez com direção de Mauro Mendonça Filho para o horário das 23h30 da Rede Globo. Exibida pelo canal aberto entre 19 de setembro e 19 de dezembro de 2014, a trama busca abordar o universo dos serial killer (assassino em série, em português). Este tipo de criminoso comete crimes com certa frequência e segue um modus operandi, muitas vezes deixando sua assinatura.

No caso de Dupla Identidade, acompanhamos Edu (Bruno Gagliasso), que é, aparentemente, um bom rapaz. Formado advogado, estudante de psicologia, voluntário em um grupo de atenção à vida e funcionário do senador Oto (Aderbal Freire-Filho), porém, sua face oculta é um assassino em série de mulheres. A onda de morte de mulheres assombra a cidade e uma equipe de força-tarefa é designada para trabalhar com o delegado Dias (Marcello Novaes) na resolução do caso que, pelas características, cogitam ser um assassino em série. A psicóloga forense Vera (Luana Piovani) então é convocada por conta de sua experiência no FBI e vasta literatura publicada sobre o tema. Enquanto desenrola-se a investigação, Ray (Débora Falabella), uma produtora de moda com transtorno de bordeline se apaixona pelo criminoso trazendo riscos para si e sua filha, ainda pequena.

O elenco da produção conta ainda com Marisa Orth, Bernardo Mendes, Mariana Nunes, Bárbara Paz, Luana Tanaka, Maria Eduarda Militante, Paulo Tiefenthaler, Felipe Hintze e Thiare Maia. Em 2017, os episódios da série foram condensados em formato de telefilme para a plataforma de vídeos sob demanda GloboPlay, do Grupo Globo.

Para a análise do Plano da Expressão, observamos os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Dupla Identidade é ambientada no Rio de Janeiro e isto fica claro desde o sotaque carregado dos personagens ao grande número de sequências externas da série gravadas em bairros conhecidos da cidade como Copacabana, Santa Teresa, Barra da Tijuca, Centro e Grajaú. Segundo o site Memória Globo, o cenário da Superintendência de Polícia foi construído em um prédio da Barra da Tijuca em três andares que comportaram sala de inteligência, salas com equipamentos técnicos de pesquisa e segurança, sala de interrogatório, laboratório de perícia, stand de tiros, sala do delegado e uma copa para café dos policiais. A escolha de filmagem de boa parte da série em externas noturnas e a construção de cenários que reproduzem fielmente um centro de investigações imprimem verossimilhança à narrativa e a composição do clima de mistério exigido pelo gênero.

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A caracterização dos personagens busca exacerbar aspectos emocionais dos personagens, como o vilão-protagonista, Edu. Narcisista e vaidoso, o personagem está sempre bem-vestido com roupas de grife, chiques e alinhadas. Também percebemos que o seu figurino se adapta conforme sua necessidade de conseguir algo, característica da psicopatia: uma das vítimas é abordada por ele trajando camiseta florida e boné.

dp3Ray, sua namorada, apesar de trabalhar com moda não se apresenta como uma fashionista. Suas roupas simples e em tons pastéis demonstram sua fragilidade emocional. Ao contrário da firmeza e sobriedade que Vera, a psicóloga forense, traduz com suas camisas de seda, blazers e calças. Por fim, os personagens do núcleo político, Oto e Sílvia, estão sempre alinhados com ternos e roupas sofisticadas, prontos para qualquer ocasião.

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A trilha sonora da série é composta por músicas instrumentais e heavy metal compostas por Iuri Cunha e Andreas Kisser. Todas tocadas pela banda Sepultura. Tais canções são reproduzidas em momentos específicos da série colaborando com a criação do clima macabro e de loucura que o criminoso Edu sente em suas ações que culminam na morte obtusa das vítimas.

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A atmosfera de tensão e mistério permeia todas as cenas de Dupla Identidade. Numa fotografia descolorida, soturna, percebemos uma luz escura que esconde o rosto das personagens. As nuances e a frieza com que são cometidos os crimes ficam aparentes assim como a melancolia de Ray e a imersão da Superintendência da Polícia no caso. Neste caso, a escolha da fotografia reforça o universo narrativo proposto pela série. Foi também a primeira produção seriada da Rede Globo a ser captada com tecnologia 4K.

A edição da série seguia apenas uma linearidade e buscava mostrar a vida de Edu e os avanços da investigação dos crimes de forma paralela. Foram usados também recursos visuais como legendas para diálogos em outras línguas e a inserção, entre a recapitulação da história e o início do episódio inédito, uma citação de algum serial killer. Por exemplo, no primeiro episódio temos a frase “Nós serial killers, somos seus filhos, nós somos seus maridos, nós estamos em toda a parte” de Ted Bundy, famoso assassino dos Estados Unidos que cometeu seus crimes entre os anos 60 e 70. Tal recurso serve para contextualizar a temática e instigar seus telespectadores a se aprofundarem conhecendo casos reais.

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No Plano do Conteúdo, destacamos os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

O primeiro indicador, a intertextualidade, está presente no uso de citações de serial killers famosos em no início de cada episódio inédito, como citado anteriormente, fazendo uma ligação entre o universo da série e casos reais. Também podemos perceber este indicador quanto ao comportamento de Edu ao posicionar suas vítimas em posições similares a quadros impressionistas.

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Tratando de um gênero ainda pouco explorado no Brasil, a série é carregada de setas chamativas tanto nas falas da psicóloga forense Vera quanto nos flashbacks transmitidos ao longo da atração, conforme podemos conferir na crítica de Fernando Oliveira do portal R7, não satisfazendo assim o indicador de escassez.

“[...] A julgar pelo primeiro episódio, “Dupla Identidade” peca por certo didatismo nos diálogos. Tudo é explicadinho, racionalizado, para não sobrar dúvidas no espectador. Talvez seja costume vindo das muitas novelas que a autora escreveu, mas num gênero como seriado, a pressuposição às vezes funciona melhor.” (OLIVEIRA, 2014, Online)

Também não explorado pela trama são os efeitos especiais narrativos. A história transcorre em uma linearidade de acontecimentos e em nenhum momento o telespectador é obrigado a reconsiderar o que já lhe foi transmitido.

Os recursos de storytelling não são contemplados. Existem sequências fantasiosas onde Edu demonstra seu desejo de matar, vislumbrando a vítima amordaçada e presa em cima de uma banheira onde o mesmo se banha de forma calma contudo existem setas chamativas, como efeitos visuais de transição que demarcam claramente a fantasia do personagem. Os flashbacks na trama que são usados para relembrar os crimes e o andamento da investigação até o momento, de forma didática a minimizar o esforço analítico do telespectador em compreender a razão das atitudes policiais.

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Por fim, Dupla Identidade foi consta por várias estratégias transmídia. Por parte da emissora, encontramos no site oficial da atração no Gshow, portal de entretenimento do Grupo Globo, a seção “Extras” que concentraram as ações da que expandem e aprofunda no universo ficcional.

Na área de Extras, antes da estreia da série na TV, foi possível acessar um infográfico com os perfis dos personagens. O recurso ajudava o público a se familiarizar com a narrativa. Ao longo da exibição, também foram liberadas entrevistas com o criador da abertura, detalhando o processo de criação e finalização da vinheta. Outro conteúdo presente nesta seção são Fotos de Bastidores como, por exemplo, a da cena final onde Edu é executado. Incitando a participação do telespectador interagente, três enquetes foram realizadas pedindo a opinião do público sobre o primeiro episódio, quais comportamentos de um serial killer lhe pareciam mais perturbador e se um serial killer seria capaz de amar.

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Contudo, destacamos como principal estratégia da emissora a criação do webdocumentário Dupla.Identidade.DOC. Em sete episódios de, em média, cinco minutos foram apresentadas entrevistas com a autora Gloria Perez, o diretor Mauro Mendonça, o ator Bruno Gagliasso e também a criminóloga e escritora Ilana Casoy, a psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa, o pesquisador de neurociência do IDOR  Dr. Ricardo de Oliveira, e a perita do Instituto de Criminalística Rosângela Monteiro.

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A construção do webdocumentário buscava traçar um perfil de assassinos em série, relacionando as falas dos entrevistados a casos famosos e a cenas da própria série. Nesse âmbito, podemos identificar, diferente das outras ações realizadas pela emissora, o indicador transmidia literacy, já que o telespectador ao consumir esse conteúdo em outra plataforma expande sua compreensão sobre as temáticas abordadas na série realizando correlações entre o perfil do protagonista Edu com as características citadas pelos entrevistados na atração.

Uma ação transmídia não-oficial, porém relacionada ao cânone foi realizada pela autora Glória Perez em seu site De tudo um pouco. A autora criou a seção Dupla Identidade no mesmo e passou a disponibilizar sua pesquisa para construção da série, postando os casos em que se inspirou na criação dos personagens e conflitos além de informações sobre o transtorno de bordeline vivido pela personagem Ray.

sqlNeste sentido, as ações transmídia de Dupla Identidade propiciam uma visão ampliada e crítica do conceito de serial killer, das práticas de investigação e dos temas abordados pela série em geral e do processo criativo da autora. Concluímos assim que tanto o webdocumentário quanto o site mantido pela autora são exemplos de transmidia literacy porque proporcionam aos telespectador novas possibilidades interpretativas. Isto é, as ações estimulam o público a correlacionar as informações díspares com a série de TV.

Por Léo Lima

Amorteamo

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  • Criação: Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno
  • Roteiro: Claudia Gomes, Julia Spadaccini e Newton Moreno
  • Redação Final: Cláudio Paiva
  • Direção: Flávia Lacerda e Isabella Teixeira
  • Direção-geral: Flavia Lacerda
  • Período de exibição:08/05/2015 – 05/06/2015
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 5

Amorteamo é dirigida por Flávia Lacerda e Isabella Teixeira e gira em torno das relações amorosas envolvidas pela morte. Arlinda (Letícia Sabatella) é casada com Aragão (Jackson Antunes), mas se apaixona por Chico (Daniel de Oliveira), que se torna seu amante. Um dia, Aragão flagra o casal na cama e atira no seu rival, matando-o. O fruto dessa relação proibida é Gabriel (Johnny Massaro) que é apaixonado desde a infância por Lena (Arianne Botelho). Quando mais velho, por conta da saúde de sua mãe, Gabriel (Johnny Massaro) é obrigado a se casar com Malvina (Marina Ruy Barbosa). Porém, ele foge e abandona a noiva no altar por descobrir que Lena (Arianne Botelho) não era sua irmã, como disse seu pai, e então o jovem decide ficar com a amada. Desolada, Malvina (Marina Ruy Barbosa) comete suicídio, mas por algum motivo sobrenatural, ela volta do mundo dos mortos como uma noiva-cadáver, disposta a ficar ao lado de seu amado.

O elenco conta com nomes como Johnny Massaro, Marina Ruy Barbosa, Arianne Botelho, Daniel de Oliveira, Letícia Sabatella, Jackson Antunes, Tonico Pereira, César Cardadeiro, Bruno Garcia, Guta Stresser, Maria Luísa Mendonça, Aramis Trindade, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Todos os cenários explorados na série foram construídos na cidade cenográfica da Rede Globo, o Projac. A ambientação trouxe verossimilhança para a série, contribuindo assim para a imersão do telespectador na trama. A fim de representar a época em que se passa a trama, ambientada no Recife do início do século XX, os espaços presentes na atração presentam uma estética envelhecida e a arquitetura que remete a época retratada. Amorteamo tem como principal ambiente o cemitério, o espaço palco das reviravoltas presentes na trama. O cenário tinha o céu formado por um painel de 360 graus pintado à mão em tons de preto, cinza e branco. Além disso, o espaço, de 1000 m², possuía 15 esculturas em isopor, árvores cenográficas, areia lavada misturada com pó xadrez.

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A caracterização ressaltava a origem social dos personagens. Por exemplo, quando financeiramente abastada, Arlinda (Leticia Sabatella) usava peças de veludo. Já Cândida (Guta Stresser), representante da classe média que trabalhava em um bar, usou tecidos rústicos. E Dora (Maria Luisa Mendonça), dona do bordel da cidade, vestia trajes inspirados no século XVIII, como espartilhos. Outro papel do figurino foi o de representar a passagem do tempo de 18 anos na trama. Arlinda (Leticia Sabatella) começou a série usando peças em tons de bege e, posteriormente, adotou roupas mais escuras. Com Aragão (Jackson Antunes) aconteceu o oposto, suas roupas ficaram desgastadas e envelhecidas representando o seu estado, já decadente. Com a função de marcar outra fase da Malvina (Marina Ruy Barbosa) como noiva cadáver, o figurino também foi fundamental. A personagem aparece com o vestido sujo, maquiagem borrada e dentes e unhas pintados com efeito de descascado e sujeira.

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Desenvolvida por João Falcão e Juliano Holanda a trilha sonora de Amorteamo foi composta somente por artistas pernambucanos, entre eles Juliano Holanda e Laila Garin. As músicas tocadas na série possuíam função narrativa, uma vez que a letra dialogava com a situação do plot em que a canção se fazia presente. Por exemplo, a música Já era tarde de Juliano Holanda, cuja a letra dizia: Quando eu cheguei já era tarde eu sei / Pra te encontrar, pra te dizer o que você queria ouvir / Quando eu cheguei o sol não tava mais / Nem por aqui nem por nós dois. A canção foi executada no momento em que Gabriel (Johnny Massaro) vai se desculpar com Malvina (Marina Ruy Barbosa), porém nesse instante a personagem já se encontrava morta.

A fotografia de Amorteamo era bem demarcada a partir do uso de tons escuros, trazendo um clima fúnebre e sombrio para a trama. Outro recurso utilizado foi jogos de luz e sombra nas cenas. Em cenários internos a iluminação era à luz de velas, proporcionando um ambiente intimista e contribuindo para a imersão do telespectador, uma vez que traz verossimilhança com a época retratada. Apesar da fotografia ser elaborada, ela não possui nenhum tipo de influência ditera narrativa na trama, o recurso apenas reforça o universo ficcional.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

A série não apresenta referências externas ao universo ficcional. Portanto, o indicador intertextualidade não foi observado na narrativa.

Amorteamo apresenta setas chamativas em momentos pontuais, como, por exemplo no terceiro episódio quando a morte de Malvina (Marina Ruy Barbosa) é repetida diversas vezes, quando cada personagem da série recebe a notícia. Porém, em cenas como a volta de Chico (Daniel de Oliveira) como morto-vivo, não houve um indicio que pudesse reapresentar o personagem para o público. Levando em conta que Chico (Daniel de Oliveira) não esteve na trama nos dois episódios anteriores, a seta seria utilizada para situar o telespectador, no entanto, optou-se por não utilizar o recurso. Além disso, considerando a exibição semanal, o que demandaria um esforço maior em retomar os acontecimentos anteriores para situar o público na trama, a atração estimula a cognição do telespectador, uma vez que não explora de recursos como recapitular o episódio anterior ou usar muitas setas chamativas. Neste sentido, o indicador escassez de setas chamativas foi observado em Amorteamo.

Os efeitos especiais narrativos, não foram explorados em Amorteamo. A principal reviravolta acontece quando os mortos saem de seus túmulos para resolverem situações anteriores ao momento da morte e começam a criar conflitos com os outros personagens. Apesar de provocar a surpresa e curiosidade no telespectador, este acontecimento não é significativo a ponto de fazer o público reconsiderar toda a trama até este momento.

Os recursos de storytelling também não integraram o desenvolvimento dos arcos narrativos deAmorteamo. A série não apresenta flashbacks, sequências fantasiosas ou múltiplas perspectivas.

Amorteamo apresentou duas estratégias transmídia. A websérie Causos do Zé Coveiro expandiu a narrativa central por meio de um personagem secundário na série da TV. O spin off, disponível no portal Gshow apresentou, em quatro websódios de aproximadamente 3 minutos. A história gira em torno de quatro defuntos enterrados no cemitério da trama de Amorteamo, sendo o último deles a história de amor do próprio Zé Coveiro. A websérie dialoga com Amorteamo, uma vez que também se passa no mesmo universo ficcional da série. Além disso, Causos do Zé Coveiro traz aprofundamento para o personagem que não foi muito explorado em Amorteamo, apesar da sua grande relevância na série.

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Outra proposta transmídia foi a criação de um novo desfecho para a trama de Amorteamo, durante a exibição doscapítulos finais da série na TV. A proposta possuía o seguinte enunciado:“Não é o fim! Participe e crie novos desfechos para a trama de ‘Amorteamo’. Promovida pelo Portal GShow, a ação permitia que o telespectador pudesse escrever como seria o seu desfecho da série através da criação de novos finais para os personagens da série.

Neste contexto o indicador transmedia literacy foi observado em ambas as estratégias adotadas. Em Causos do Zé Coveiro, o telespectador é estimulado a realizar correlações entre a websérie e a série principal, o que exige um entendimento crítico do público de forma a associar ambas as narrativas a um mesmo universo.

Na ação do portal Gshow: “Não é o fim! Participe e crie novos desfechos para a trama de ‘Amorteamo’”, podemos traçar uma comparação com as fan fictions, já que a estratégia oferece margem para a livre criação do telespectador a partir da trama original. Sendo assim, o indicador transmidia literacy se fez presente na ação ao exigir esforço cognitivo do telespectador e ao mesmo tempo estimular a leitura crítica e criativa da série.

Por Mariana Meyer

Aline

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  • Baseado em: Aline (Adão Iturrusgarai)
  • Roteiro: Mauro Wilson com colaboração de Mauro Wilson, Cláudio Lisboa, Péricles Barros, Tatiane Bernardi, Manuela Dias, Zé Dassilva e Gabriela Amaral.
  • Elenco: Maria Flor; Pedro Neschling; Bernardo Marinho
  • Período de exibição: 01/10/2009 a 03/03/2011
  • Horário: 23h
  • Nº de episódios: 13
  • Diretores: Maurício Farias; Mauro Farias

Inspirada nos quadrinhos de Adão Iturrusgarai a série Aline conta a história das descobertas e percalços de uma jovem paulistana. Como nas tiras do cartunista, a protagonista (Maria Flor) tem dois namorados, Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling), com os quais divide um apartamento no centro da cidade de São Paulo. Aline (Maria Flor) só quer curtir a vida com os dois, mesmo com alguns empecilhos, como a Dona Rosa (Camila Amado), síndica do prédio onde os três moram e seu filho, Wallace (Fernando Caruso), que é obcecado pela jovem. A personagem (Maria Flor) trabalha na loja de discos de Pipo (Gilberto Gawronski). A trama também apresenta os pais de Aline (Maria Flor) Estevan e Dolores, interpretados por Daniel Dantas e Malu Galli.

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Apesar de ter como base o universo criado por Adão Iturrusgarai, na adaptação televisiva, a história virou uma comédia romântica, cujo ponto de partida era o ousado amor de uma mulher por dois homens. A abordagem apresentava um humor mais ‘delicado’ do que nas tiras, embora Aline dividisse a cama com os dois namorados, não havia cenas de nudez e sexo, que estão muito presentes nos quadrinhos estrelados pela personagem. A protagonista também era tão libertina quanto nas tiras, na série televisiva Aline (Maria Flor) aparece, no máximo, de calcinha e sutiã.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Logo nos primeiros episódios da série é possível observar que a personalidade forte e moderna de Aline (Maria Flor) estabelece um diálogo com a cidade de São Paulo. O ritmo agitado da fala da personagem acompanha o caos da metrópole. Para reforçar essa correlação entre a personalidade da protagonista e a atmosfera da capital, muitas cenas da trama foram gravadas em lugares emblemáticos de São Paulo. Como, por exemplo, o parque do Ibirapuera; a rua Augusta, o elevado Costa e Silva (Minhocão), os bairros de Vila Madalena, Liberdade e Lapa, entre outros. A loja de disco onde Aline (Maria Flor) trabalha também se passa em um ponto popular da cidade, a Galeria do Rock, no Centro.

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A cidade de São Paulo inspirou a estética da série televisiva, segundo o produtor de arte Guga Feijó os grafismos e gravuras espalhados pelas ruas da capital serviram de base para o desenvolvimento do figurino e dos cenários.

No indicador caracterização dos personagens podemos destacar a constante referência de Aline (Maria Flor) ao rock e às pin ups. Mesmo sendo inspirada na obra de Adão Iturrusgarai a protagonista apresenta algumas diferenças em relação à personagem dos quadrinhos. O cabelo preto e a mistura de peças modernas com roupas de brechós se distanciam da figura criada por Iturrusgarai com cabelo rosa e pouca roupa. Entretanto, a emblemática saia minissaia de caveira foi incorporada a personagem de Maria Flor na TV. A atriz também fez duas falsas tatuagens, um coração espetado por várias flechas no braço esquerdo e um gatinho no peito do pé direito.

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De modo geral o figurino de Aline reforça a estética da série e contribui para a construção da trama. Isto é, em momento algum o objetivo da caracterização é reproduzir de modo fiel os elementos dos quadrinhos, mas integrar o mesmo universo ficcional. Já os figurinos de Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling), Pipo (Gilberto Gawronski) e Wallace (Fernando Caruso), por exemplo, são compostos por peças que ajudam, diretamente, na construção dos perfis dos personagens. Ou seja, apresentam poucas referências externas e elementos elaborados.

Com a direção musical de Branco Mello (Titãs) e Emerson Villani, a trilha sonora de Aline é norteada por uma variedade de estilos musicais. As sequências da série são embaladas pelo rock da década de 1970, MBP, ópera e música eletrônica.

O último episódios da segunda temporada, intitulado O Musical, exibido em março de 2011, os personagens Wallace (Fernando Caruso), Kelly (Bianca Comparato), Yuri (Isio Ghelman), Otto (Bernardo Marinho), Pedro (Pedro Neschling) e Aline (Maria Flor) interpretaram músicas como Olhar 43, do RPM, De Repente, Califórnia, de Lulu Santos, Inútil, do Ultraje a Rigor e São Paulo, São Paulo, do grupo Premeditando o Breque (Premê). Nesse sentido, a música tem um papel fundamental na trama contribuindo para os desdobramentos dos arcos narrativos.

A fotografia da série Aline segue, em sua grande parte, o estilo naturalista. A variação de iluminação e uso de filtros acontece em momentos pontuais na trama. Como, por exemplo, durante as sequências me que a protagonista cria situações fantasiosas em sua cabeça e nas analepses. Desta forma, a alteração na fotografia também é usada como sete chamativa, como iremos discutir mais adiante.

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Os episódios de Aline são estruturados a partir de uma edição não-linear. Isto é, as temporalidades exploradas pelos roteiristas variam entre o passado e presente, além das sequências fantasiosas imaginadas por Aline (Maria Flor). No primeiro episódio da série, por exemplo, intitulado Diário de Aline, vemos Estevan (Daniel Dantas) e Dolores (Malu Galli) durante a gestação da protagonista e, posteriormente, a personagem já adulta.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Os episódios de Aline são permeados por referências externas ao universo ficcional. A intertextualidade abrange os quadrinhos de Adão Iturrusgarai e elementos da cultura pop. Como discutimos anteriormente, apesar reproduzir integralmente a história da HQ na televisão, as sequências da série estabelecem um paralelo com a trama de Iturrusgarai, seja através do figurino e/ou do cenário a atração mantém a estética dos quadrinhos, exploram cores vivas e fortes.

Ao longo dos episódios também é possível observar várias intextualidades como, por exemplo, a cena final que integra o especial de fim de ano que deu origem a série. Gravada no terraço do edifício Planalto, no Centro de São Paulo, a cena Aline (Maria Flor), Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling) fazem coreografia mesma coreografia dos personagens do filme Bande à Part (1964), de Jean-Luc Godard. Filmes como Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Godard, Jules e Jim (1962), de François Truffaut e Os Sonhadores (2003), de Bernardo Bertolucci, também são referenciados na trama televisiva.

Apesar de ter uma narrativa ágil e com muitas intervenções gráficas, os plots e sub plots são construídos a partir de várias setas chamativas. O recurso é usado de maneira pontual nos diálogos dos personagens – na contextualização dos desdobramentos dos episódios – e nas mudanças na fotografia. As variações na iluminação das cenas indica que a sequência em questão é uma analepse. Ou seja, a mudança de temporalidade é sinalizada ao telespectador através de filtros mais escuros, inserção de elementos gráficos, etc. Dessa forma, esses cartazes narrativos ajudam o público a compreender a trama.

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O indicador efeitos especiais narrativos não está presente em Aline, apesar da história ser composta por clímax e reviravoltas, em nenhum momento o telespectador é obrigado e reconsiderar tudo o que viu até então.

Já os recursos de storytelling integram vários episódios da série, em muitos momentos os desdobramentos narrativos são conduzidos a partir de flashbacks e sequências fantasiosas. Porém, é importante ressaltar que todos os recursos são didaticamente sinalizados para o telespectador.

Durante a exibição de Aline a Rede Globo lançou um site com informações gerais sobre a trama e um jogo. Intitulado ‘Equilibre Aline’ o game em flash mostrava a protagonista da série em uma gangorra entre Otto (Bernardo Marinho) e Pedro (Pedro Neschling).

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O objetivo era não deixa Aline pender um lado, no final o público podia compartilhar sua pontuação nas redes sociais. Entretanto, apesar de expandir o universo ficcional o jogo não estimulava diretamente a produção e a multilateralidade do telespectador interagente. Nesse sentido, o indicador transmedia literacy não foi observado na estratégia da Globo.

Por Daiana Sigiliano

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  • Criador: Karim Aïnouz
  • Diretores: Karim Aïnouz e Sérgio Machado
  • Roteiristas: Sérgio Machado e Antônia Pellegrino
  • Elenco: Andréia Horta, Vinicíus Zinn, Regina Braga, Daniela Piepszyk, Carla Ribas, Marat Descartes, Denise Weinberg,Olga Machado, Walderez de Barros, entre outros.
  • Período de exibição: 21/09/2008 a 14/12/2008 – 26/11/2010 e 03/12/2010 (telefilmes)
  • Nº de episódios: 13 + 2 telefilmes

Produzida pela HBO Brasil a série Alice foi exibida entre 21 de setembro e 14 de dezembro de 2008. Posteriormente, a trama ganhou, em 2010, dois telefilmes com 90 minutos de duração. Protagonizada por Andréia Horta a atração retrata os encontros e desencontros de Alice na cidade de São Paulo. A personagem levava uma vida pacata na cidade de Palmas, no Tocantins, mas sua vida muda quando ela recebe a notícia da morte de seu pai. O que era para ser uma viagem de dias para cuidar do inventário dos bens deixado pelo pai se transforma em uma mudança permanente para São Paulo.

Como iremos detalhar ao longo desta análise, o lançamento da série envolveu ações de engajamento até então inéditas no âmbito das narrativas ficcionais seriadas da TV paga brasileira. Para aproximar a protagonista Alice (Andréia Horta) do público, a emissora criou vários perfis em redes sociais. As postagens relatavam os contratempos da personagem na grande metrópole e aprofundavam o universo ficcional.

Alice foi a terceira produção original da HBO Brasil, após Mandrake (2005-2007) e Filhos do Carnaval (2006). Nesse sentido, a trama apresenta uma estética característica das atrações do canal. Com a direção de Karim Aïnouz e Sérgio Machado as sequências criam uma atmosfera única em que a trilha sonora, a fotografia e a atuação do elenco convergem para a criação do universo imersivo de Alice.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A ambientação de Alice contribui não só para a verossimilhança da série, já que o principal plot é a adaptação da protagonista na metrópole, mas como elemento narrativo. Isto é, muitos sub plots são desencadeados a partir do lugar onde se passa a trama. Como, por exemplo, no episódio Pela Toca do Coelho, exibido no dia 21 de setembro de 2008, a protagonista só conhece DJ (Peter Ketnath) e, consequentemente trai o noivo Henrique Teles (Marat Descartes), porque fica perdida na cidade. Nesse contexto, vários conflitos na história acontecem por conta o lugar onde Alice (Andréia Horta) está.

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A série é composta por diversas sequência externas em pontos turísticos e lugares conhecidos de São Paulo como, por exemplo, o bairro da Liberdade, a Avenida Paulista e o Edifício Copan. O mesmo pode ser observado nas cenas se que passam em Palmas, no Tocantins.  Locais como a Praça dos Girassóis e o Jalapão também integram a atração.

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Outro ponto importante na análise da ambientação de Alice é contraponto entre as cidades de Palmas e São Paulo e como esse aspecto se reflete nos perfis dos personagens. Ou seja, as características dos personagens vão ao encontro a atmosfera dos lugares. Dani (Luka Omoto) e Marcela (Gabrielle Lopez), por exemplo, refletem de maneira nítida a vida noturna e a diversidade da capital paulista. Em contrapartida Glícia (Walderez de Barros) e Henrique Teles (Marat Descartes) dialogam com a introspecção de Palmas.

alice4A caracterização dos personagens de Alice reforçam o desenvolvimento dos arcos narrativos de série.  Nesse sentido, o modo de se vestir dos personagens dialoga diretamente com suas características centrais. Se estabelecermos um paralelo entre os pares românticos da protagonista este aspecto fica claro. Enquanto as roupas usadas por Henrique Teles (Marat Descartes) são simples, com combinações monocromáticas, o figurino de Nicholas Araújo (Vinicíus Zinn) é mais ousado, misturando ternos de alta costura com camisas básicas.

Na trama, Henrique (Marat Descartes) representa a antiga e, pacata, vida de Alice (Andréia Horta) em Palmas. Onde todos se conheciam e tinham uma rotina bastante monótona. Já Nicholas (Vinicíus Zinn) representa o novo na história, o personagem está sempre nas melhores baladas da metrópole, conhece muita gente e não tem medo de se arriscar em novos projetos.

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A transição de Alice (Andréia Horta), que deixa Palmas e vai para São Paulo, também fica clara em sua caracterização. Além das mudanças na personalidade da personagem, que ganha mais auto estima e confiança, as roupas usadas por ela externalizam esse processo de amadurecimento. Nas primeiras sequências de série vemos a protagonista usando roupas básicas em tons claros, porém com o passar dos episódios Alice (Andréia Horta) muda o seu visual. As roupas, em que maioria na cor preta, apresentam muitos brilhos e decotes. Dessa forma, o indicador ajuda nos desdobramentos dos arcos narrativos ao acompanhar o perfil dos personagens.

A trilha sonora de Alice é composta por várias músicas de novos artistas brasileiros como, por exemplo, Instituto e Irina Gatsalova, Estela Cassilatti, Boss In Drama, 3 na massa, Curumin,entre outros. As canções reforçam os plots e sub plots da trama e também refletem a atmosfera criada por Karim Aïnouz. Desde a harmonia das baladas eletrônicas até as letras das musicas românticas dialogam com a trajetória da protagonista e a megalomania da metrópole.

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As sequências externas de Alice apresentam, em sua grande maioria, uma fotografia naturalista. Porém, as cenas em que a protagonista vai para a noite de São Paulo são pautadas por filtros que realçam o contraste dos elementos cênicos. O recurso também estabelece um diálogo com a abertura da série, que explora vários planos da capital paulistas com o efeito light painting.

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Composta por uma edição não linear, ou seja, que apresenta analepses, a série da HBO Brasil usa o indicador para ampliar o universo ficcional da protagonista. Nesse sentido, os flashbacks ajudam o telespectador a conhecer melhor a vida de Alice (Andréia Horta) e como esses acontecimentos contribuíram para a formação de sua personalidade e para as situações abordadas na atração.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

Os episódios de Alice são permeados por referências externas ao universo ficcional da série. Durante as sequências da trama é possível identificar citações a livros, filmes e artistas contemporâneos. Porém, a intertextualidade mais presente na série é a obra de Lewis Carroll, o livro Alice no País das Maravilhas. As correlações entre a conhecida história infantil e a série da HBO são claras e abarcam o nome do programa, os desdobramentos narrativos, os figurinos e até os títulos dos episódios.

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Logo na sequência inicial da atração, na abertura, vemos a imbricação entre a Alice do País das Maravilhas e a Alice (Andréia Horta) de São Paulo. As imagens da metrópole paulistana são espelhadas, a protagonista aparece brincando com um coelho e as transições são marcadas por cartas de baralho. Nos episódios podemos identificar que assim como a protagonista de Lewis Carroll, a Alice (Andréia Horta) de Karim Aïnouz também está perdida em um mundo desconhecido que será fundamental para seu amadurecimento pessoal. Os elementos cênicos do programa reforçam a alusão feita pelos roteiristas como, por exemplo, na festa do primeiro episódio da série que toda a decoração é composta por coelhos. A correlação das obras também pode ser observada nos títulos de alguns episódios que apresentam referências a aspectos centrais da história de Carroll tais como, Pela Toca do Coelho, O Lado Escuro do Espelho e Wonderland.

As setas chamadas são usadas em vários pontos da trama, o recurso ajuda o telespectador a compreender as angustias e a trajetória da protagonista. Nesse sentido, durante os episódios Alice narra, em off, a sua percepção dos acontecimentos, deixando claro para o público o que está se passando naquele momento. Outro cartaz narrativo usado na atração são os resumos da história de vida da personagem, ao longo dos episódios é possível acompanhar, através de flashbacks, situações importantes que contribuíram, mesmo que indiretamente, para a construção da personalidade de Alice. Dessa forma, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado.

Apesar de ser composta por reviravoltas e clímax, a trama de Alice não obriga o telespectador a reconsiderar tudo o que lhe foi apresentado até então. Em outras palavras, episódios como, por exemplo, Pela Toca do Coelho e O Lado Escuro do Espelho apresentam mudanças consideráveis no roteiro quando a protagonista passa por transformações tais como ficar em São Paulo e terminar com Henrique (Marat Descartes), mas nenhum desses acontecimentos ressignifica o universo ficcional da série, por tanto o indicador efeitos especiais narrativos não foi observado.

Como ressaltamos anteriormente, a trama de Alice apresenta vários flashbacks. O recurso é usado para aprofundar a história da protagonista, fazendo com que o telespectador conheça pontos importantes da trajetória da personagem. No primeiro episódio da temporada, por exemplo, é possível observar momentos da infância de Alice (Andréia Horta), o suicídio de Ciro, como Alice (Andréia Horta) e Henrique (Marat Descartes) se conheceram, etc. Nesse sentido, o indicador recurso de storytelling contribui na densidade da história, explorando vários desdobramentos importantes na vida de Alice (Andréia Horta).

Seguindo o modelo de ações transmídia de outras tramas da HBO, as estratégias de engajamento de Alice são consideradas um marco no estudo do fenômeno no Brasil. Apesar de serem comuns para atrações internacionais da HBO, poucas produções nacionais tiveram seu universo ficcional expandido em múltiplas plataformas. Ao longo da primeira temporada foram desenvolvidas sete ações transmídia. Hospedado dentro da página do canal HBO, o site oficial de Alice reunia a maioria das estratégias da série. Através do menu da página era possível acessar os perfis fictícios da personagem nas redes sociais, fazer o cadastro do e-mail e/ou do telefone celular para receber informações da trama, além de conhecer outros desdobramentos da história, como iremos detalhar mais adiante.

alice9Para divulgar a série, a HBO deixou pen drives em várias festas de São Paulo. O dispositivo continha informações sobre a trama de Karim Aïnouz, tais como: clipes, fotos e wallpapers. Além de apresentar a atração ao público, o lugar onde os pen drives foram deixados dialogava diretamente com a proposta da série e o novo estilo de vida de Alice (Andréia Horta).

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Disponibilizadas em um blog e na plataforma LiveSpace, as publicações de Alice (Andréia Horta) relatavam a vida da protagonista antes de sua viagem para São Paulo, mostrada no primeiro episódio da série. Nesse sentido, o conteúdo representava o início da trajetória da personagem. Durante a exibição da trama, as plataformas eram atualizadas três vezes por semana com postagens que contribuíam para a expansão da narrativa. Ao acessar os conteúdos o público podia conhecer as percepções de Alice (Andréia Horta) sobre os acontecimentos que foram mostrados no episódio.

Com o objetivo de aproximar os telespectadores da protagonista da série da HBO, foi criado um bot no extinto MSN (originalmente The Microsoft Network). O robô respondia aos comandos pré programados que eram gerados a partir de palavras chave. Ao adicionar a personagem no MSN o telespectador poderia conhecer melhor o passado de Alice (Andréia Horta), suas expectativas para sua nova carreira profissional em São Paulo, entre outros conteúdos extras.

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Outra forma familiarizar o público com os personagens e trazer verossimilhança para a trama foi a criação de perfis da extinta rede social Orkut. Além de interagir com Alice (Andréia Horta), Teobaldo (Juliano Cazarre), Marcela (Gabrielle Lopez) e Nicholas (Vinícus Zinn) o telespectador ainda podia acompanhar as mensagens trocadas entre os personagens. O conteúdo reforçava e ampliava o universo ficcional da atração HBO. O mesmo aconteceu no Facebook, porém na rede social apenas a protagonista tinha um perfil. A página reunia relatos, fotos, vídeos, indicação de músicas e passeios em São Paulo. Os telespectadores também podiam fazer perguntas à protagonista.

As músicas que compunham a trilha sonora de Alice foram disponibilizadas pela HBO no Blip.fm. Ao acessar o perfil da série, também era possível escutar as playlists que Alice (Andréia Horta) criava para as suas festas.

alice12Após a exibição da temporada no canal pago HBO, a protagonista manteve seu perfil no Twitter ativo, inicialmente as postagens na rede social iam ao encontro dos conteúdos disponibilizados no Facebook. Porém, com o término da trama, o perfil deu continuidade ao universo ficcional. Os tuítes ressaltam o cotidiano e as angustias da protagonista.

Em 2010, a HBO lançou dois telefilmes de Alice intitulados O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida e A Última Noite, respectivamente. Os episódios mostravam os novos desafios da vida de Alice (Andréia Horta), após a sua mudança definitiva para São Paulo. Entretanto, apesar integrarem o universo ficcional da série, os telefilmes podiam ser assistidos de forma isolada. Isto é, para compreender a trama não era necessário que o público tivesse assistido a primeira temporada.

As ações transmídia de Alice contribuem diretamente para o aprofundamento do universo ficcional da série. Ao acompanhar as estratégias o público conhecia novas perspectivas da história. Cada desdobramento da atração apresentava uma linguagem e um propósito diferente, nesse sentido o telespectador interagente tinha que interconectar as distintas estratégias. Dessa forma, o indicador transmedia literacy foi identificado atração da HBO, pois as ações estimulam o público a fazer uma leitura multilateral. Seja na interação com o bot, nas postagens nas mídias sociais ou nos conteúdos complementares os telespectadores tinham que interpretar variados contextos midiáticos e correlacionados a narrativa televisiva.

Por Mariana Meyer

TOCs de Dalila

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  • Direção: Daniela Braga
  • Elenco: Heloísa Pérrissé, Thelmo Fagundes, Bruno Jablonski, Analu Prestes, Maria Clara Gueiros, Alice Borge, Paulo Betti, Luisa Pérrissé, Mouhamed Harfouch, Lorena Comparato
  • Período de exibição: 12/09/2016 – 25/11/2017
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 25

TOCs de Dalila é uma série ficcional exibida pelo canal pago Multishow e co-produzida pela Rede Globo e A Fábrica. Criada e estrelada por Heloísa Périssé, em parceria com Denise Crispun e João Brandão, a série, composta por duas temporadas, gira em torno de Dalila (Heloísa Périssé), uma psicóloga que se afastou da carreira para se dedicar à família.

Sua família, então, é formada pelo marido Pedro Henrique (Thelmo Fernandes), vendedor de seguros dedicado ao trabalho e pelo filho Tuka (Bruno Jablonski), adolescente superprotegido viciado em internet e jogos eletrônicos. Na casa também vive Dona Clara (Analu Prestes), sua sogra, recém-viúva de características conservadoras e dissimuladas. Cansada da rotina que se tornou seu casamento e da falta de tempo do marido, Dalila se tornou neurótica por limpeza e organização. Tentando ajudar a amiga, Olga (Maria Clara Gueiros) a incentiva a buscar uma forma de voltar ao mercado de trabalho. Neste meio tempo, o filho Tuka posta um vídeo na internet que transforma Dalila em uma celebridade virtual.

A obsessão de Dalila por limpeza acaba rendendo frutos quando ela passa a ser contratada para organizar ou dar dicas de organização para as pessoas, a quem também ajuda com seus problemas emocionais. Quando o marido perde o emprego, o trabalho de Dalila passa a ser o sustento da família e isto acaba trazendo problemas para sua relação com Pedro Henrique, que começa a ter problemas de autoestima.

A série, de formato episódico, gerou um vlog real da personagem Dalila no canal Humor Multishow do YouTube com dicas de organização e conselhos sentimentais. Os vídeos simulam uma gravação e edição caseiras realizadas por uma mulher que ainda não está íntima no manuseio de equipamentos eletrônicos. Durante a exibição da primeira temporada na televisão fechada, foram liberados cinco vídeos com temas como “Como organizar uma gaveta”, Bolsa de mulher” e “Dicas de limpeza”.

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Nesta análise, temos como base a primeira temporada da trama, exibida em 2016 e analisamos no Plano da Expressão os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A ambientação de TOCs de Dalila é a cidade do Rio de Janeiro e seus bairros habitados em sua maior parte por pessoas com renda média. O apartamento da família é o cenário principal, sendo mobiliado com móveis e objetos antigos. O imóvel, contudo, se torna insuficiente com a chegada de Dona Clara, que é obrigada a dormir na sala, provocando irritação em Dalila.

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A academia e a praça próxima ao condomínio com o trailer de sanduíches e cachorro-quente “Saldanha” também são pontos de encontro dos personagens. Desta forma, a ambientação escolhida, aliada à caracterização dos personagens, contribui para a fácil identificação da situação financeira da família com a classe média brasileira.

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Quanto à caracterização dos personagens, destacamos a construção do figurino das personagens baseados em arquétipos. Nesse sentido, o indicador dialoga diretamente com o formato episódico da série. Dalila usa roupas em tons sóbrios como saias longas cinzas e marrons, blusas brancas e pretas e cardigãs bordô, além de jóias e maquiagem discretas, reforçando o estereótipo de mãe. Em contraponto, temos a amiga Olga, solteira e usuária de aplicativos de paquera, que usa decotes, brincos grandes, calças coladas e roupas de academia transparentes.

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Outros personagens também são pautados por arquétipos como, por exemplo, Tuka, o filho viciado em computadores, que usa óculos e tem corpo franzino e Pedro Henrique, o marido, workaholic que não fica sem roupas sociais um único momento.

A trilha sonora de TOCs de Dalila consiste em instrumentais de acompanhamento de sequências cômicas ou de suspense e transição de cenas, com o único intuito de sinalizar estas ocasiões.

Como outras produções do canal Multishow, conta com uma fotografia naturalista, não influenciando assim na compreensão e no desdobramentos dos arcos narrativos da série. A edição dos episódios analisados é linear, seguindo apenas uma temporalidade.

No Plano do Conteúdo destacamos os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling.

O primeiro indicador, intertextualidade, não foi constatado nos episódios analisados de TOCs de Dalila. A escassez de setas chamativas também não é contemplada na série. A partir do corpus de análise identificamos cartazes chamativos na abertura, onde são simbolizados em forma de animação os transtornos por organização e limpeza de Dalila e o sucesso da personagem na web. Dentro da série, diálogos também diminuem o esforço analítico do telespectador na compreensão da narrativa. Por exemplo, após Dalila desconfiar que Paulo Henrique a trai, ocorre um diálogo entre a protagonista e sua amiga Olga, em que ela relata a preferência da sogra pela ex-namorada do marido, a descoberta de um celular desconhecido nas roupas dele e as ligações confidenciais recebidas pelo marido enquanto tomava banho. Sendo assim, ao confidenciar seus problemas conjugais com a amiga, a personagem faz uma espécie de resumo para o telespectador do desenrolar de sua história.

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Por seguir uma linearidade, o clímax e reviravoltas das micronarrativas da série são já esperados pelo telespectador, o que acontece também com o arco narrativo que permeia toda a temporada. Também não identificamos nos episódios analisados o uso de flashbacks, flashforwards ou sequências fantasiosas. Desta forma, os indicadores de efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling não foram constatados na produção.

Por Léo Lima

Segredos Médicos

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  • Período de exibição: 07/04/2014 – 31/07/2015
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 40

Segredos Médicos foi uma série exibida pelo canal Multishow entre abril de 2014 e julho de 2015. O programa mostra histórias fictícias baseadas em casos reais para simular o ambiente de um hospital e as relações entre médicos e pacientes. A série se assemelha a outras produções com a temática, como Pronto-Socorro: Histórias de Emergência.

Cada episódio acompanha o dia-a-dia de um hospital, com cerca de três casos de pacientes, os quais possuem uma história dramática como pano de fundo. Um exemplo é o caso, no primeiro episódio, do adolescente alcoólatra, que chega ao hospital com queixas de dores no braço. Ao longo da consulta o médico suspeita que o menino seja vítima de agressões, mas acaba descobrindo, no decorrer do episódio, que o adolescente, na verdade, é alcoólatra. O estilo falso-documentário do programa, que acompanha o dia-a-dia, corrobora o formato episódico da série, pois, como em cada episódio há casos diferentes e desconectados, o público não precisa acompanhar toda a trama para entender a narrativa.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Em relação à ambientação, os episódios se passam dentro de um hospital, o qual é representado de modo verossimilhante, assim como a caracterização dos personagens. O figurino muda de acordo com a personalidade, ocupação e classe-social de cada paciente, além de os médicos sempre se vestirem com jalecos brancos.

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Já em relação à trilha sonora, há músicas instrumentais em alguns momentos mais tensos dos episódios, assim como ocorre em realities médicos. Quando o caso de algum paciente se encerra, há também músicas não-instrumentais que corroboram o clima da cena, como no episódio em que a paciente tem um transplante de rim bem-sucedido.

A fotografia segue um padrão naturalista, o que condiz com o formato de falso-documentário da série. Os indicadores do Plano da Expressão são construídos de modo a enfatizar a proposta de falso-reality e fazer com que o espectador se confunda sobre os casos, achando que eles são, de fato, reais, e não apenas ficção.

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Já a edição segue o padrão dos programas de documentários médicos, não possuindo grandes alterações cronológicas. Os casos dos pacientes são intercalados e, ao final dos episódios, todos se encerram. Há também a inserção de artes identificando os médicos e pacientes, como nos documentários.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. Em relação à intertextualidade, há menções a lugares reais, como, por exemplo, Belo-Horizonte e Vale do Jequitinhonha, que servem como pano de fundo para um caso de doença de chagas no décimo episódio da primeira temporada. Tais referências aproximam o programa do telespectador e conferem verossimilhança aos casos médicos.

Quanto à escassez de setas chamativas, o seriado apresentou algumas setas chamativas, que explicavam melhor ao espectador termos e situações médicas. Essas explicações aconteciam ao longo dos episódios, nos quais os próprios médicos explicavam à câmera certas situações que apareciam durante os casos. Desse modo, o público não tem dificuldades para compreender e acompanhar a produção.

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Os efeitos especiais narrativos podem ser observados nos clímax e reviravoltas que ocorrem durante os casos dos pacientes, geralmente relacionados às situações dramáticas que os envolvem como pano de fundo. Entretanto, em nenhum momento o espectador é levado a reconsiderar tudo o que foi visto até então. O formato narrativo do programa também não se altera ao longo das temporadas.

Já os recursos de storytelling, como analepses, sequências fantasiosas ou flashbacks, não foram observados durante as emissões analisadas do seriado, o qual não obteve, portanto, nenhum destaque no indicador.

Por Júlia Garcia

Procurando Casseta & Planeta

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  • Elenco: Beto Silva, Cláudio Manoel, Hélio de la Peña, Hubert Aranha, Marcelo Madureira, Reinaldo Figueiredo.
  • Período de exibição: 17/10/2016 a 14/11/2016
  • Duração: 25 minutos
  • Nº de episódios: 20

Exibido pelo canal pago Multishow, Procurando Casseta & Planeta marca o retorno dos humoristas Beto Silva, Cláudio Manoel, Hélio de laPeña, Hubert Aranha, Marcelo Madureira e Reinaldo Figueiredo após um longo período longe da televisão. Ao longo dos 20 episódios, com cerca de 25 minutos de duração, a série mistura esquetes de personagens populares da franquia como Maçaranduba e Seu Creysson, depoimentos de populares nas rua do Rio de Janeiro e um mockumentary.

Com a premissa de reunir os integrantes do famoso programa dos anos 1990 para a gravação de um documentário Cláudio Manoel sai em busca dos seus ex-parceiros. Porém, os humoristas já estão envolvidos com outros projetos e, principalmente, enfrentando dificuldades para retomar a carreira de sucesso.

Mesclando o mockumentary com as referências aos programas que foram ao ar na Rede Globo entre 1992 a 2010, Procurando Casseta & Planeta tenta reaproximar o telespectador o universo do humorístico. Seguindo o formato do ‘Povo Fala’ a atração do Multishow entrevista populares nas ruas ironizando o fim do Casseta & Planeta Urgente! e o seu enfraquecimento perante os programas concorrentes.

Além dos humoristas, Procurando Casseta & Planeta ainda conta com as participações de Arlindo Cruz, Kid Bengala, Danilo Gentili e Eduardo Sterblitch.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Por mesclar vários formatos, a série Procurando Casseta & Planeta explora distintas ambientações abrangendo tanto locações externas quanto cenários recorrentes. Como, por exemplo, no episódio Cadê Os Caras?, exibido em 17 de outubro de 2016, podemos observar sequências gravadas no centro da cidade do Rio de Janeiro e em um estúdio.

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Os cenários tentam reproduzir o ambiente de trabalho dos humoristas e trazem elementos que dialogam com o programa Casseta & Planeta Urgente! No escritório de Hubert Aranha, por exemplo, podemos ressaltar a camisa do Tabajara Futebol Clube, a faixa de ex-presidente de Fernando Henrique Cardoso, que era satirizado pelo humorista, e a taça da copa do mundo, fazendo alusão ao longa metragem Casseta & Planeta: A Taça do Mundo é Nossa (2003). Nesse contexto, a ambientação contribui mais para o formato adotado pelo atração do Multishow que para os desdobramentos dos plots e sub plots.

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No indicador caracterização dos personagens podemos ressaltar tanto os figurinos usados pelos humoristas em suas imitações quanto nas sequências do mockumentary. Isto é, a caracterização é norteada por duas vertentes, a que mostra as esquetes dos atores como, por exemplo, no episodio Cadê Os Caras?, em que Beto Silva faz uma sátira de uma cantora baiana, e quando falso documentário que acompanha o dia a dia dos humoristas.

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A trilha sonora de Procurando Casseta & Planeta é composta por musicas criadas especificamente para o programa como, por exemplo, ‘Cadê Os Caras?’. A canção, interpretada por Beto Silva, Cláudio Manoel, Hélio de la Peña, Hubert Aranha, Marcelo Madureira, Reinaldo Figueiredo faz alusão a temática da atração ironizado o fim do programa na TV aberta. A trilha também apresenta musicas de populares de outros cantores, executadas em momentos pontuais da atração, principalmente na passagem de uma cena para a outra.

A fotografia da série do canal pago Multishow segue o estilo naturalista e não interfere no desdobramento dos arcos narrativos. Apesar de a iluminação variar em algumas cenas como, por exemplo, nas sequências gravadas na casa noturna, o indicador não contribui para o universo do humorístico.

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Por fim, a trama segue uma edição não linear. Por mesclar diferentes formatos, um mesmo episódio temos a cenas dos programas antigos, depoimentos de populares nas ruas e mockumentary. Porém, como iremos discutir mais adiante esses múltiplos formatos são delimitados por setas chamativas, ajudando na compreensão do público.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling.

Por se tratar de uma série de humor e que aborda as questões do cotidiano e o fracasso dos humoristas, os diálogos de Procurando Casseta & Planeta são permeados por referências externas ao universo ficcional. Como, por exemplo, no episódio Cadê Os Caras? em que Kid Bengala cita o canal de humor no You Tube Porta dos Fundos. Nesse sentido, apesar de não serem fundamentais para a compreensão do público as intertextualidades ampliam a experiência televisiva do telespectador.

O indicador escassez de setas chamativas não foi observado na primeira temporada da série. As cenas dos 20 episódios apresentam cartazes narrativos dispostos convenientemente para ajudar o público a entender o que está acontecendo. Esse recurso pode ser observado na forma como a separação dos humoristas é abordada em Procurando Casseta & Planeta, constantemente os diálogos retomavam que o programa exibido na Rede Globo tinha sido cancelado. As setas chamativas também estão presentes na abertura da atração, através da letra da musica e das inserções gráficas a sequência mostra o grupo no auge do sucesso e depois vivenciando as quedas de audiência.

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Apesar ter clímax e reviravoltas, a série do canal pago Multishow não apresenta o indicador efeitos especiais narrativos. Os recursos são usados de maneira conveniente na trama e não estimula o telespectador a reconsiderar tudo o que assistiu até então.

O último indicador do Plano do Conteúdo está presente, principalmente, nas cenas que lembram os personagens populares da franquia.

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Os flashbacks são marcados por setas chamativas que evidenciam ao público que a sequência é uma analepse. Conforme pode ser observado nas capturas de tela acima, a cena apresenta um filtro que escurece a iluminação. Nesse sentido, da adoção do  flashbacks o programa ressalta para o público todas as suas mudanças cronológicas.

Por Daiana Sigiliano

Os Suburbanos

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  • Direção: Luciano Sabino
  • Elenco: Rodrigo Sant’Anna, Babu Santana, Mariah da Penha, Carla Cristina Cardoso, Nando Cunha, Isabelle Marques, Érika Januza, Tadeu Mello, Rafael Zulu, Zezeh Barbosa, Solange Couto.
  • Período de exibição: 06/07/2015 a 02/08/2017
  • Duração: 45 minutos
  • Nº de episódios: 70

Dirigida por Luciano Sabino, a série Os Suburbanos é protagonizada por Jeferson (Rodrigo Sant’anna), um homem humilde que mora no bairro de Madureira na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. A partir de um sonho, o personagem decide escrever a música “Xavasca Guerreira” que depois se transforma em um clipe, gravado com a ajuda de seu primo Welinto (Babu Santana) e de alguns amigos. Inesperadamente, o vídeo se torna um sucesso na internet e traz fama para Jeferson (Rodrigo Sant’anna) que passa a ser conhecido como Jefinho do Pagode. A partir de então, o protagonista que antes possuía uma vida humilde trabalhando como motorista de kombi, agora precisa lidar com a fama e a riqueza.

O elenco conta com nomes como Rodrigo Sant’Anna, Babu Santana, Mariah da Penha, Carla Cristina Cardoso, Nando Cunha, Isabelle Marques, Érika Januza, Tadeu Mello, Rafael Zulu, Zezeh Barbosa e Solange Couto.

Os arcos narrativos da trama giram em torno do novo estilo de vida de Jeferson (Rodrigo Sant’Anna) após conquistar a fama com a grande repercussão de seu clipe. Seguindo a estrutura episódica, a série apresenta em arcos isolados em cada episódio, sendo assim cada um se inicia com um equilíbrio e logo após é inserida uma situação nova ou conflito, culminando no desfecho ao final.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A trama se passa no bairro de Madureira no Rio de Janeiro, nesse contexto o lugar conte se passam os plots e sub plots é fundamental já que as narrativas giram em torno de questões relacionadas ao estilo de vida no subúrbio. Desta forma, a ambientação é responsável por situar o telespectador na história e aliado aos estereótipos dos personagens proporciona uma rápida imersão e compreensão do tema de Os Suburbanos.

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O figurino dos personagens é norteado por muitas cores e mix de estampas. Apesar de reforçar as características centrais dos personagens, é importante destacar que a caracterização se modifica ao longo da série. Como, por exemplo, quando Jefinho (Rodrigo Sant’Anna) está em busca da fama, e ainda trabalha como motorista de Kombi seu figurino é simples. Já quando o personagem alcança o sucesso e a riqueza, mantém o uso do mesmo estilo de se vestir, porém com tecidos mais refinados e acessórios mais extravagantes como óculos de sol espelhados, correntes e relógios. Entre os personagens masculinos, o cabelo é marcado pelo estilo descolorido ou com desenhos feitos por cortes de máquina estilizados. Já as personagens femininas usam figurinos curtos, roupas sensuais e justas,com estampas coloridas e salto alto, sempre pautados pelos arquétipos. A caracterização em Os Suburbanos ajuda na identificação do personagem, uma vez que pelo figurino é possível compreender as características e personalidades de cada um.

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A trilha sonora de Os Suburbanos conta principalmente com canções de gêneros como pagode e funk. Como, por exemplo, Caraca, Muleke! do Thiaguinho, Te ensinei certin de Ludmilla, Meu lugar de Arlindo Cruz, entre outras. As músicas eram utilizadas, na maioria das vezes, em momentos de passagem em que há a transição de um lugar para outro dentro da trama. A composição da trilha sonora dialoga com a temática da série, uma vez que traz gêneros musicais muito populares nos subúrbios, lugar em que se passa a trama.

Apesar da série apresentar cores nos figurinos e cenários, a fotografia se mostra de forma naturalista e não é muito explorada na série. Portanto,o indicador não interfere e/ou reflete no desdobramento dos episódios da atração.

A edição em Os Suburbanos se faz presente de forma linear. Cada episódio segue uma única cronologia e não há o uso de recursos como flashbacks.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling.

A intertextualidade se faz presente em muitos momentos de Os Suburbanos. A trama apresenta diversas referências externas ao universo ficcional e é usado, na maioria das vezes, para ironizar e satirizar alguma situação. Como, por exemplo, no episódio A lança de Jefinho o personagem Jeferson (Rodrigo Sant’Anna) é satirizado, quando Welinto (Babu Santana) diz que sua caracterização está parecendo uma mistura dos cantores Tim Maia e Belo. Nesse mesmo episódio, Jefinho (Rodrigo Sant’Anna) sugere que seja feita uma cena em seu clipe musical inspirada na garota do fantástico na abertura do programa.

A série utiliza de setas chamativas em alguns momentos. No episódio E fez-se a Luz, a gravidez de Bárbara (Isabelle Marques) é repetida várias vezes, de forma a reforçar esse acontecimento. Além disso, o questionamento sobre a paternidade da criança é apresentado de várias formas neste episódio. Desta forma, o indicador não foi observado no programa.

Já os efeitos especiais narrativos foram usados no desenvolvimento dos arcos narrativos de Os Suburbanos. Como os episódios são norteados por microestruturas e arcos autônomos, o conflito se faz presente em todo eles e no mesmo episódio são solucionados, fechando o arco narrativo criado. Apesar de ser esperado pelo telespectador, o clímax não deixa de cumprir seu papel de representar uma quebra na narrativa. As reviravoltas são importantes para a trama, porém não tão significativas a ponto de fazer o telespectador reconsiderar toda a história até então.

Por fim, os recursos de storytelling não são explorados em Os Suburbanos. A série não apresenta flashbacks, sequências fantasiosas ou múltiplas perspectivas.

Por Mariana Meyer

De volta pra pista

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  • Direção: Pedro Amorim
  • Elenco: Daniele Valente, Cris Flores, Isabella Dionisio, Felipe Severo, Julia Oristanio, Lucas Salles, Raphael Ghanem e Antônio Fragoso
  • Período de exibição: 18/10/2013 – 18/12/2013
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 13

De volta pra pista é uma série exibida pelo canal por assinatura Multishow e co-produzida pela Migdal Filmes e RioFilme, com leis de incentivo ao audiovisual. Inspirada nos textos da cronista Tati Bernardi, a narrativa de treze episódios contou com direção de Pedro Amorim e Daniele Valente como a protagonista Silvia.

Mulher de 35 anos, recém-separada e mãe, Silvia dedicou anos de sua vida ao casamento e à vida familiar. Um ano após seu rompimento com Cabral (Antônio Fragoso), percebe que não é fácil “voltar pra pista”. Com a ajuda e insistência de sua assistente Lica (Isabella Dionisio), uma jovem de 20 anos baladeira e antenada com as atualidades, Silvia começa a frequentar as noites cariocas e a conhecer os mais variados tipos de homens. As furadas e os sucessos destes relacionamentos fugazes se tornam a tônica de cada episódio da história.

No Plano da Expressão desta análise iremos destacar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A ambientação de De volta pra pista é a cidade do Rio de Janeiro, principalmente sua face noturna. As filas de balada, as danceterias com suas luzes piscantes, os barzinhos lotados e repletos de burburinho e gritaria fazem contraponto com a espaçosa e silenciosa casa de Silvia onde ela se recolheu durante um ano de luto pelo término de seu relacionamento. Os cenários que Silvia percorre também dialogam com a personalidade dos homens com os quais se relaciona. Por exemplo, ao conhecer com um colega de faculdade de Lica, ela acaba indo para a casa dos pais dele, fazendo uma relação com os novos jovens que não deixam a casa dos pais. Já numa outra ocasião, ao se relacionar com um cliente da sua empresa, o cenário das conversas se passa num restaurante refinado, contrapondo a maturidade entre os dois rapazes.

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A caracterização dos personagens, por se tratar de uma narrativa episódica, se baseia em estereótipos para minimizar o esforço analítico do telespectador. A protagonista Silvia, dentro de casa e em seu home-office veste roupas sóbrias em tons pastéis e pouca maquiagem. Já nas noites cariocas, utiliza roupas de cores provocantes, decotes e acessórios. Lica, a assistente jovem, tem um look moderno com óculos grandes, roupas com logomarcas de banda, calças e saias. Os homens com os quais Silvia se relaciona também têm sua personalidade explicitada em estereótipos físicos, como o jovem “largado” de camisa de cores fortes, bermuda e chinelos.

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A trilha sonora da série é diversa, variando de episódio para episódio e se relaciona ao ambiente ou situação em que a cena acontece. Por exemplo, no episódio intitulado “Boteco”, Silvia ouve “Oh happy day” (Edwin Hawkins) em casa e, no quarto de Rafa (Luca Bensiman) toca “Candy shop” (50 Cent). Em outra ocasião, lembrando do ex-marido, Silvia coloca no som “Essa tal liberdade” (Só Pra Contrariar).

Já o indicador fotografia não tem interferência ou relaciona-se com as situações da narrativa. Segue o padrão naturalista utilizado também por outras séries do canal como Acerto de contas e A segunda vez.

A edição de De volta pra pista é linear e, apesar de haverem reflexões do antigo relacionamento de Silvia, não contou, nos episódios analisados, com estratégias de flashback. Quanto à abertura, é uma animação das fases da vida de Silvia, já os créditos da série contam com cenas de erros de gravação.

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No Plano do Conteúdo, analisamos os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling.

O indicador intertextualidade aparece em momentos pontuais de De volta pra pista. Como, por exemplo, temos as citações da boneca Barbie em referência a sua estética jovem e bela a brincadeira com o nome do pretendente “Alfredo”, o qual Lica relaciona com o garoto-propaganda de mesmo nome do comercial dos anos 90 do papel higiênico Neve.

Já o indicador escassez de setas chamativas não é contemplado pela narrativa. A abertura da série já faz a situação do telespectador na série numa animação de vinte segundos em desenho da personagem Silvia entre as fases de juventude, gravidez, casamento, separação, coração partido, depressão, volta por cima e amigos. Além disso, vários cartazes narrativos ajudam o telespectador a entender o que se passa na trama como, por exemplo, quanto a protagonista pede ajuda a Lica sobre um encontro ou pretendente, fazendo assim, uma recapitulação de tudo que aconteceu entre os dois até ali e possíveis passos futuros.

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Os dois últimos indicadores, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling, novamente não foram observados na trama. Apesar de cada episódio ter clímax e reviravoltas, a série apenas acompanha a perspectiva da protagonista, não buscando surpreender o telespectador de forma que ele seja obrigado a reconsiderar tudo o que foi visto.

Por Léo Lima