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Bambuluá

  •  Criador: Roberto Talma
  • Roteiristas: Cláudia Souto, Júlio Iglesias, Cláudio Lobato, Mariana Mesquita, Chico Soares, Toni Brandão e Mariana Caltabiano
  • Elenco: Angélica, Pedro Vasconcelos, Thierry Figueira, Cláudio Galvan, Bernardo Marinho, Rafael Rocha, Louise Peres, Ana Carolina Dias, Camille Moritz, Gabriela Lebron, Jefferson Nascimento, André Luiz Miranda, Nathália França, Railane Borges, Sérgio Vieira, Caio Baldini, Yuri Jaimovich, Rodolfo Saraiva, entre outros.
  • Exibição: 9/10/2000 a 21/12/2001
  • Temporadas: 2 temporadas
  • Número de episódios: 315
  • Duração: 30 minutos

Exibida pela Rede Globo entre 2000 e 2001, a telenovela Bambuluá integrava uma extensa estratégia da emissora direcionada ao público infantil e infantojuvenil. A trama, criada por Roberto Talma, marcava o retorno da apresentadora Angélica após o encerramento do programa Angel Mix e também a estreia da TV Globinho, que ficou no ar durante 15 anos. Na história, a TV Globinho era uma emissora fictícia localizada dentro de cidade onde se passava a atração.

Composta por duas temporadas, a telenovela era ambientada na fictícia Bambuluá, a cidade dos sonhos. O lugar era protegido por um Cristal mágico, que impedia a entrada de pessoas más (exceto as crianças). Para proteger a cidade dos Sombrios e do Senhor Dumal, o Cristal deu poderes especiais a cinco crianças de Bambuluá, transformando Deco (Bernardo Marinho), Tatá (Louise Peres), Rodrigo (Sérgio Vieira), Renatinha (Camille Moritz), Cacau (Jefferson Nascimento), Gabi (Nathália França) e Rafael (Yuri Jaimovich) nos Cavaleiros do Futuro. Cada uma das crianças recebeu um anel que representava uma cor do arco íris e o seu poder. O cavaleiro vermelho representava a energia do sol, a cavaleira amarela representava a energia da luz, o cavaleiro verde representava a energia do vento; a cavaleira laranja representava a energia elétrica, a cavaleira violeta representava a energia magnética; o cavaleiro azul representava a energia da água e o cavaleiro lilás representava a energia virtual.

A história tem início com a chegada de Angélica, que na telenovela interpreta ela mesma, na cidade. Há cada capítulo a apresentadora e os Cavaleiros do Futuro se unem para proteger Bambuluá dos Sombrios, os habitantes de Magush, e do vilão Senhor Dumal. Nesse contexto, os conflitos da trama têm sempre como ponto de partida a disputa do bem contra o mal. Entre os temas abordados nos capítulos estão a amizade, o perdão, a compaixão, a solidariedade, entre outros.

Segundo o site Memória Globo, o nome Bambuluá foi inspirado no livro Princesa de Bambuluá, do autor brasileiro Luís da Câmara Cascudo. Na obra, Bambuluá é descrita como uma terra que “olhos que são maus não podem ver”.

Apesar de manter dialética do bem contra o mal durante suas duas temporadas, a atração passou por mudanças consideráveis enquanto estava no ar. Para aumentar a audiência, as sete crianças que inicialmente interpretavam os Cavaleiros do Futuro foram substituídas, no final da primeira temporada, por adolescentes. Na história a troca de atores foi justificada como o resultado de uma transformação do Cristal.

Bambuluá ia ao ar, na Rede Globo, de segunda a sábado, na parte da manhã. De acordo com a publicação do site da Folha, nessa época, o canal dedicava apenas três horas e 30 minutos da grade de programação diária ao público infantil e infantojuvenil. Além de Bambuluá, que era exibida a partir das 8h da manhã, a faixa ainda contava com as atrações Nenêm e Mascote, Irmãos em Ação, Iscavoka Iscavoka e Garrafinha e sua Turma. Os programas eram anunciados na TV Globinho, a emissora fictícia de Bambuluá.

Como iremos detalhar mais adiante a telenovela explorava diversas linguagens e formatos. O elenco não composto apenas por atores e atrizes, mas por bonecos virtuais e fantoches. O caráter lúdico da história também estava presente em vários momentos da trama como, por exemplo, a loja de Serapião que inventa doces que despertam reações e sentimentos nas pessoas tais como risada, amor, etc, e no Neném (Matheus Rocha) e o cão Mascote que vieram de outro planeta.

A ambientação de Bambuluá é um ponto fundamental na construção do universo ficcional. Para trazer verossimilhança a trama foi construída uma cidade cenográfica de três mil m² nos estúdios Globo. O espaço abrangia todos os cenários da telenovela como, por exemplo, o chafariz de pipoca e a biscoiteca.

Todos os espaços eram compostos por minuciosos detalhes que dialogavam com o principal arco narrativo da atração. Nesse contexto, a arquitetura das casas, as cores usadas nas fachadas, os estabelecimentos comerciais, faziam alusão as cores do arco íris e o caráter lúdico da história. Isto é, a ambientação de Bambuluá transportava o telespectador para um lugar mágico, distante da realidade, em que tudo era possível.

A ambientação do programa também abarcava a cidade de Magush. Para ressaltar o antagonismo dos habitantes do lugar, os elementos cênicos contrapunham as cores e a atmosfera lúdica de Bambuluá. As casas pretas e cinzas se confundiam com os lixos deixados nas ruas, com os pneus abandonados e com a fumaça saindo dos bueiros. O universo ficcional do programa também apresentava ambientes virtuais como, por exemplo, a caverna do vilão Senhor Dumal e arena de batalha. Desenvolvido a partir da computação gráfica, o cenário tinha poucas variações, mas ampliava o universo ficcional da atração.

Algumas sequências do programa eram gravadas fora da cidade cenográfica, nas matas que rodeavam os estúdios Globo. Dessa forma, os aspectos visuais e estéticos da ambientação reforçavam a proposta da trama e estimulavam a imaginação dos telespectadores.

A caracterização dos personagens de Bambuluá é norteada pelo principal arco narrativo da trama, a luta do bem contra o mal. Os habitantes de Bambuluá usavam sempre roupas coloridas e que, mesmo que indiretamente, facilitavam a interpretação do telespectador. Como, por exemplo, o uniforme de Serapião Amaral (Anderson Müller), mesmo sem conhecer a história e/ou o perfil ao ver o figurino do personagem o público iria concluir imediatamente que ele era confeiteiro.

O uso da caracterização dos personagens para ajudar na compreensão dos telespectadores também esteve presente no figurino dos Cavaleiros do Futuro, no dia a dia as crianças usavam, na maioria das vezes, roupas com as cores que representavam os seus poderes. Por exemplo, Deco (Bernardo Marinho), o cavaleiro vermelho, usava várias peças vermelhas.

Em contraste com as cores dos habitantes de Bambuluá, os Sombrios usavam roupas e assessórios nos tons de preto e cinza, sempre com aspecto de velho. Por fim, o figurino de Angélica também ressaltava as cores do arco íris, apenas em momentos pontuais da trama, que a apresentadora usava fantasias como de princesa, bailarina, etc.

Além de músicas que já integravam a carreira de Angélica, tais como Vou de Taxi, Sonhos e Cuida de Mim. A trilha sonora de Bambuluá ainda contou com duas canções originais, compostas especialmente para o programa, o tema dos Cavaleiros do Futuro e abertura da série, interpretada por Lenine. As músicas eram executas em todos os capítulos e abordavam alguns pontos centrais da atração.

Como, por exemplo, o trecho da canção tema homônima a telenovela que diz No mundo de um sonhonhoca / Não pode faltar diversão / Lá no chafariz de pipoca / A chuva não chega no chão. A estrofe chama a atenção para o emblemático chafariz de pipoca que fica no centro da praça e a diversão que impera nos habitantes da cidade, os sonhonhocas. Apesar da mudança dos atores que interpretavam os sete Cavaleiros do Futuro, a música tema dos guardiões do cristal permaneceu a mesma.

A fotografia de Bambuluá segue o estilo naturalista, apenas em momentos pontuais foi observado o uso de filtros que alteravam a coloração das cenas. Como, por exemplo, em algumas sequências dos Sombrios e da Mulher do Espelho. Dessa forma, a fotografia das cenas não interferia nos desdobramentos narrativos nem dialogava diretamente com o universo ficcional.

Bambuluá apresentou uma edição linear, isto é, os acontecimentos seguiam uma sequência cronológica. Os flahsbacks foram usados apenas para aprofundar algum arco narrativo. Como, por exemplo, no episódio de estreia da atração em que os Cavaleiros do Futuro contam para Angélica como eles ganharam poderes especiais do Cristal. Para delimitar e indicar ao telespectador que se tratava de uma analepse foram adotadas algumas setas chamativas, tais como vinheta de transição demarcando o presente e o passado, eco nas vozes, narrador em off explicando cada acontecimento, etc. Dessa forma, ao longo das duas temporadas programa as mudanças nas linhas temporais foram direcionadas apenas para o passado e tinha a função de aprofundar e legtimar o fato que a personagem estavam narrando.

Apesar de sempre abordar a dialética do bem contra o mal, Bambuluá trata o tema a partir de vários pontos de vista. Isto é, mesmo condenando as atitudes dos habitantes de Magush, os protagonistas da telenovela tentam compreender os motivos que levaram os antagonistas a agirem de determinada forma. Um dos principais arcos narrativos se desenvolve especificamente em torno dessa questão, quando Angélica tenta trazer Bruck (Pedro Vasconcelos), o braço direito do Senhor Dumal, para o lado do bem. Os diálogos da apresentadora consideram a realidade em que o vilão foi criado, mas sempre argumentando a importância de ser fazer o bem. Nesse sentido, o programa estimula o debate de idéias, mesmo que de maneira breve e em poucos arcos narrativos.

Outro ponto interessante nos conflitos apresentados nos capítulos são os constantes desafios e dificuldades que os protagonistas são expostos. Para vencer os contratempos os personagens reforçam questões como o companheirismo, o perdão e a solidariedade, passando uma mensagem de superação aos telespectadores. Dessa forma, além dos temas centrais da história, Bambuluá ainda aborda outros assuntos relacionados a bondade, ao amor.

Como iremos detalhar mais adiante, na apresentação dos personagens, a telenovela representa os sujeitos de modo pertinente, quebrando estereótipos. A maioria das meninas da trama, principalmente as que integram os Cavaleiros do Futuro, não são apresentadas a partir de aspectos como a fragilidade. Elas se colocam a frente dos problemas e não dependem, necessariamente, dos meninos para superem os conflitos da trama. Outra questão relevante nesta discussão é o personagem Teobaldo (Cosme dos Santos), que é prefeito de Bambuluá e dono do hotel da cidade. Nesse sentido, a atração se distancia de estereótipos geralmente associados aos personagens negros na teledramaturgia brasileira.

A imaginação dos telespectadores é constantemente estimulada em Bambuluá. Desde a ambientação da cidade até os desdobramentos narrativos se distanciam da realidade e aproximam o público de um lugar mágico em que tudo pode acontecer. Dessa forma, apesar de não tratar de temas do cotidiano das crianças e jovens, a trama convida os telespectadores a conhecerem um mundo a parte, uma cidade protegida por um cristal e em que crianças ganham super poderes. O uso de diversas linguagens também reforça o caráter lúdico da telenovela. Os personagens Senhor Dumal e Senhor Dubem e a Mulher do Espelho habitam um cenário virtual, já o sábio Tchilim, o mago das mil faces é um fantoche. Até os estabelecimentos da cidade partem do lúdico como, por exemplo, Biscoiteca de Serapião (Anderson Müller), que vendia doces que despertavam sentimentos e sensações nas pessoas. No primeiro capítulo da telenovela, Angélica come uma bala de Serapião (Anderson Müller) e tem uma crise de riso. Dessa forma, vários elementos do universo ficcional se distanciam da realidade e estimulam a imaginação do público.

Os personagens de Bambuluá são, de forma geral, dividos em dois núcleos: os sonhonhocas, habitantes de Bambuluá e os Sombrios, habitantes de Magush. Os sonhonhocas têm como característica central a alegria, que como discutimos anteriormente, esta questão reflete também na caracterização dos personagens. Apesar de apresentarem poucas camadas interpretativas, ou seja, os personagens raramente apresentam mudanças bruscas e se transformam longo dos episódios, os sonhonhocas não reforçam estereótipos.

Os Cavaleiros do Futuro são meninos e meninas com oportunidades iguais nas batalhas e não se prendem a funções e posturas sexistas. Por exemplo, Renatinha (Camille Moritz) é apaixonada por ciência, já Tatá (Louise Peres) é sonhadora e romântica. Por ser um programa direcionado ao público infantil e infantojuvenil, grande parte do elenco da telenovela é composto por crianças e adolescentes. Os adultos estão sempre dispostos a ajudar as crianças de Bambuluá, mas com exceção de Angélica e Bruck (Pedro Vasconcellos), raramente assumem o posto de protagonistas.

O perfil de Angélica imbrica aspectos relacionados à personalidade real da apresentadora e algumas características fictícias. Na trama, a cantora sempre vê o lado bom das pessoas e se solidariza com os problemas de Bambuluá. Como discutimos anteriormente, a telenovela apresenta diversidade nos sujeitos representados. Essa questão pode ser observada no personagem Teobaldo (Cosme dos Santos) que ocupa uma posição de poder na cidade, se distanciando dos estereótipos geralmente atribuídos aos atores negros.

Os Sombrios, por integrarem um núcleo reduzido, não apresentam características dinâmicas e sempre reforçam o antagonismo, se opondo aos valores de Bambuluá. Nesse sentido, os personagens acabam sendo superficiais e se desenvolvendo, dramaturgicamente, pouco na trama.

Por ser uma telenovela, os conflitos de Bambuluá são provisórios. Isto é, ao longo dos capítulos os problemas são solucionados e, consequentemente, substituídos por outros. Dessa forma, a trama não apresenta uma estrutura unitária, pelo contrário, os desdobramentos narrativos podem se estender por semanas e até por toda a temporada. Porém, sempre mantendo o principal conflito da luta do bem contra o mal.

Um ponto importante no formato de Bambuluá é sua capacidade de adaptação. Por ser escrita enquanto está no ar, a trama está sujeita ao ‘julgamento’ do público, da crítica e também pode ser afetada por questões mercadológicas. Em decorrência da baixa audiência, a Rede Globo optou por trocar, no fim a primeira temporada, todos os atores e atrizes que interpretavam os Cavaleiros do Futuro. Segundo a emissora, grande parte da audiência eram composta por pré adolescentes, dessa forma, era fundamental que os Cavaleiros do Futuro tivessem idades semelhantes as dos telespectadores.

O universo ficcional de Bambuluá não apresenta elementos inovadores. A trama segue a estrutura de uma telenovela, prolongando os arcos narrativos e os conflitos dos personagens. O modo de construção dos personagens e o papel que cada um ocupa na história também repete a proposta de tramas populares em que crianças ganham super poderes para defenderem a população do mal. Dessa forma, Bambuluá não possui uma proposta inédita e/ou que já não tenha sido explorada nas produções seriadas infantis e infantojuvenis.

Entretanto, é importante ressaltar que apesar de não propor novas linguagens Bambuluá se distancia dos estereótipos. Os personagens têm as mesmas oportunidades e não reforçam questões como o sexismo e o preconceito.  A partir da dialética da luta do bem contra o mal, a telenovela discute temas como a amizade, o perdão, a solidariedade, a justiça, entre outros. Porém, essas questões são tratas dentro dos arcos narrativos e muitas vezes de modo superficial.

Durante a exibição de Bambuluá foram lançados produtos licenciados da telenovela. Tais como material escolar, jogos e doces. As balas, pirulitos e chicletes eram inspirados nas invenções de Serapião (Anderson Müller), o dono da Biscoiteca. No site oficial da trama era possível ler os capítulos, o perfil dos personagens, assistir a vídeos e fazer um tour virtual pela cidade. Porém, a participação ativa dos telespectadores não era estimulada.

 Por Daiana Sigiliano

A Turma do Perêrê

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  • Diretora: Sonia Garcia
  • Roteiro: Wilson Rocha
  • Elenco: RaphaelLogam, Raiza Fernanda, Felipe Hauit, Fernanda Carvalho, Matheus de Sá, João Pedro Zappa, Pedro Henrique, Silvio Guindane, Paulo Jr., Nicolas Bartolo, Orã Figueiredo, Alexandre da Costa, Mariah da Costa
  • Exibição: 13/07/2001 a 09/08/2001/ 12/04/2010 a 17/05/2010
  • Temporadas: 2 temporadas
  • Número de episódios: 46
  • Duração: 25 minutos

A Turma do Pererê foi um seriado infantil produzido originalmente pela TVE Brasil em 2001, exibido de segunda à sexta às 11h30. Posteriormente, em 2010, foi produzida uma nova temporada com 26 episódios inéditos e exibidos na TV Brasil- de segunda à sexta às 10h. Baseado nas histórias em quadrinho criadas por Ziraldo, o programa acompanha as aventuras do Saci Pererê e seus amigos, explorando cenários naturais tipicamente brasileiros.

Os quadrinhos começaram a ser publicados na revista O Cruzeiro, em 1959, e em outubro de 1960 ganharam sua própria revista intitulada Pererê. A revista foi produzida mensalmente até 1964, quando a instauração da Ditadura Civil Militar Brasileira retirou as revistas das bancas. Em 1975, a editora Abril reiniciou a produção da história que gerou dez novos números.

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A lenda do Saci Pererê retrata o personagem como uma criança travessa e dotada de poderes sobrenaturais advindos de sua carapuça vermelha. Segundo a tradição oral, o Saci se encontra nos moinhos de vento e pode ser capturado com uma peneira. Recorrente no folclore brasileiro, a primeira versão escrita da história foi produzida por Monteiro Lobato em 1918 no livro O Saci-Pererê: resultado de um inquérito.

Na história desenvolvida por Ziraldo, o Pererê é retratado como amigo querido dos animais e dos moradores da floresta. Ambientada na floresta ficcional da Mata do Fundão, A Turma do Pererê acompanha as aventuras do Pererê (Raphael Logam), do índio Tininim (Felipe Hauit) e de seus amigos animais: o coelho Geraldinho (Matheus de Sá), a onça Galileu (Nicolas Bartolo),  o macaco Alan (Pedro Henrique), o jabuti Moacir (Paulo Júnior), o tatu rosa Pedro Vieira (João Pedro Zappa) e a coruja Professor Nogueira (Silvo Guindane). Com histórias diversificadas, o programa discutia também a relação do homem branco com a natureza através do arco narrativo dos personagens Compadre Tonico (Alexandre Dacosta) e Seu Neném (Orã Figueiredo) que vivem atormentando Galileu.

A primeira temporada de A Turma do Pererê foi exibida originalmente em 2001 na extinta TVE Brasil, às 11h. O bloco infantil matutino da emissora durava 2h, das 10h às 12h. O espaço escolhido na grade de programação se justifica pelo horário em que, possivelmente, o público infantil estaria disponível para assistir televisão, antes do almoço e do horário escolar. O seriado era exibido entre o nacional Ilha Rá-Tim-Bum e o britânico Teletubbies.

A segunda temporada estreou junto com o bloco de programação infantil Hora da Criança na TV Brasil. O segmento apresentava cerca de 35 horas semanais voltada para esse público, cerca de 5h diárias. A Turma do Pererê iniciava o bloco às 10h e, em sequência, era exibida a animação francesa Princesa Sherazade. As reprises do programa eram exibidas às 12h30, integrando uma grade de programação com horários diversificados. Nesse sentido, eram exibidos programas pela manhã e, também, à tarde, permitindo que uma parcela ampla do público alvo pudesse- usufruir da programação como, por exemplo, os estudantes dos dois turnos.

Os cenários do programa são primordialmente espaços naturais que retratam a vida dos animais em seu hábitat natural e sua relação com os indígenas e o Pererê. As cenas foram gravadas em florestas naturais como a Floresta Nacional da Tijuca e o Parque Estadual do Grajaú, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Outras locações, como a casa de Seu Neném foram gravadas em casarões históricos em Rio das Flores (RJ). A ambientação e a fotografia são naturalistas e procuram aproximar ao máximo os personagens de seus reais espaços naturais. No entanto, os moradores da floresta também interagem com o espaço urbano como, por exemplo, a própria casa do Pererê.

O figurino dos personagens procura se aproximar das características dos animais, mas também integra recursos narrativos que os distancia da realidade como, por exemplo, o coelho Geraldinho que é retratado em vermelho vivo e o jabuti Moacir que é um mensageiro e usa um chapéu com asas em alusão ao Deus da mitologia grega Mercúrio. Além das fantasias, os atores que interpretam animais também são maquiados com cores muito próximas dos tecidos, permitindo que os rostos se fundam ao figurino. A caracterização do Pererê está de acordo com a lenda, com sua carapuça vermelha e o característico cachimbo. O índio Tininim faz parte da tribo ficcional dos Parakatoka, originária da Mata do Fundão. Sua caracterização inclui uma tanga, colar de marfim, cabelo liso e faixas brancas nos braços que fazem alusão às pinturas corporais desses povos.

A trilha sonora é composta exclusivamente por artistas nacionais. A música de abertura intitulada A Turma do Pererê foi composta por Nico Rezende e Paulo Lima e interpretada por Ney Matogrosso. A canção de encerramento, Grande Final, de Moraes Moreira, integra a trilha sonora do especial infantil homônimo produzido pela Rede Globo em 1983. Além disso, também estão presentes durante o episódio faixas instrumentais que são usadas a fim de criar cadência e ritmo assim como identificar determinados momentos específicos como, por exemplo, de agitação ou tensão.

A edição do programa é estruturada de maneira linear: os acontecimentos seguem o modelo narrativo clássico com apresentação, conflito e solução em sequência. Nesse sentido, não foram observados flashbacks e outras variações temporais.

A ampliação do horizonte do público está presente em diversos momentos como, por exemplo, no episódio O projeto secreto. Nesse episódio em questão, são apresentados alguns conceitos ao público como o que seria um protótipo, imbricado na narrativa em que Seu Neném e Compadre Tonico desenvolvem uma arma para caçar Galileu. No mesmo, também é explicado o funcionamento da Internet e da Web, iniciando pela compra online do modelo da arma e pela fala de Tininim ao explicitar que já navegou por diversos sites.

A diversidade de pontos de vista também pôde ser observada em diversos episódios. Como, por exemplo, em Festa de Aniversário. Nessa história, o aniversário do Pererê é atrapalhado por uma enorme tempestade que impede que os animais da Mata do Fundão compareçam a sua festa. No início, o personagem está ressentido, mas no decorrer do episódio seus amigos vão explicando seus motivos e indicando porque não conseguiram ir. Ao final do episódio, Pererê ainda está chateado com Moacir porque ele ainda não apresentou nenhuma justificativa e logo é revelado ao público que foi ele quem ajudou a salvar todos os outros do alagamento.

No episódio “As férias” pudemos notar a tentativa de promover a identificação no telespectador a partir do arco narrativo que se desenvolvem sob a rotina dos estudantes. Nesse caso, os personagens fizeram um pacto de guardar seus brinquedos em uma árvore durante as aulas para se dedicarem aos estudos até que se inicie o período de férias. Quando os brinquedos somem, o público vai descobrindo aos poucos que os personagens quebraram o pacto e estão sem com o que brincar. Em busca de uma solução para o problema procuram o Professor Nogueira que empresta sua biblioteca particular para as crianças se divertirem. Nesse sentido, são tratados temas como o compromisso com a escola, a importância de momentos destinados ao lazer e entretenimento e também o incentivo à leitura.

O apelo à imaginação está presente em elemento lúdicos na narrativa e na representação dos personagens animais como humanoides. Galileu visita o psiquiatra e Alan é um ávido leitor, deslocando o público de uma realidade estática para um espaço onírico onde os bichos pensam e sentem tanto quanto os humanos (ou em determinados casos até mais). Além disso, as pistas deixadas pelo Professor Nogueira para a resolução da situação-problema do episódio também colaboram para transpor o pensamento do público, permitindo que junto com os personagens repensem seus modos de vida e procurem soluções para situações cotidianas.

O formato de narrativa audiovisual adotado em A Turma do Pererê é episódico, isto é, são histórias independentes, sem continuidade, com fechamento no mesmo episódio. Nesse sentido, apesar de alguns arcos narrativos serem recorrentes como, por exemplo, a caça à Galileu, os temas abordados são distintos. A narrativa segue o modelo clássico linear iniciando-se com a apresentação da temática, um fato que gera conflito e, por fim, uma solução. As histórias alteram o personagem principal, mas tem o comum o fato de que as soluções são organizadas em grupo. Dessa forma, não há um fio condutor estático da narrativa e a problemática inicial pode ser desenvolvida a partir de um dos integrantes da turma, mas integrando vários outros durante o episódio.

Assim como nas histórias em quadrinho, o Pererê é retratado como uma criança alegre e com muitos amigos em detrimento do praticante de travessuras conforme o folclore. Além disso, no programa o personagem também se distancia da lenda ao ser caracterizado como filho adotivo da carinhosa Mãe Docelina (Mariah da Penha) e não como um jovem independente, morador da floresta e, possivelmente, órfão. A escolha do desenvolvimento desse arco narrativo implica em menor carga dramática no seriado e permite que componentes lúdicos e humorísticos sejam explorados. A casa em que eles moram é simples e próxima a Mata do Fundão, assim como sua estética, em contraponto aos casarões dos fazendeiros que estão mais distantes e não respeitam a natureza.

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O coelho Geraldinho é descrito como o mais novo da turma, inquieto e curioso. Agitado como o animal que representa, o personagem se interessa por ciência e novas descobertas e vive repensando qual profissão pretende seguir quando crescer. O tatu rosa Pedro Vieira tem uma função narrativa semelhante: ele é descrito como o inventor e o faz tudo e, além disso, está ligado a solução de alguns problemas na narrativa. Essas caracterizações servem como mote para promover a curiosidade do público e desenvolver seu interesse sobre esses temas.

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Galileu é uma onça pintada vegetariana, sensível e carinhosa. O personagem representa o medo irracional dos humanos por animais selvagens de grande porte e só usa sua força para defender os amigos dos perigos. Ele está constantemente fugindo dos fazendeiros Seu Neném e Compadre Tinoco, que não medem esforços para captura-lo, embora sempre sem sucesso.

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Seu Neném e Compadre Tinoco são donos de grandes terras, ricos e poderosos na pequena cidade. Os personagens estão sempre obstinados a caçar Galileu e representam o antagonismo da trama. Em contraponto, a passividade e inocência dos animais e dos seres da floresta, a dupla é representada como irracional e promove a reflexão sobre o lugar do homem branco em relação à natureza. Nesse contexto, os arcos narrativos que os envolvem sempre carregam uma mensagem de respeito ao meio ambiente.

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O macaco Alan é caracterizado como um ser inteligente e dotado de diversos dons. Ele gosta de ler, cantar, tocar instrumentos e dar sábios conselhos para os amigos. Nesse sentido, o personagem contrapõe as figuras humanas que agem irracionalmente e com desrespeito ao ambiente em que estão inseridos, mostrando-se muito mais consciente e sagaz do que os bípedes que historicamente o sucedem.

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Moacir é um jabuti mensageiro que passeia pela Mata entregando cartas aos demais personagens. Ironicamente, a profissão dele demanda agilidade enquanto sua característica principal é ser lento. O personagem carrega consigo a intertextualidade com a mitologia grega e sempre usa um capacete com asas, representando o Deus Mercúrio. Seu papel na narrativa está ligado a trazer à tona novos fatos e informações, materializando a metáfora de sua profissão.

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Outro integrante humano da turma é o índio Tininim, melhor amigo do Pererê. Ele é a representação do amante da natureza, respeitoso com todos os animais e, também, com as plantas. No entanto, a dualidade da personalidade humana se mostra em alguns momentos quando o personagem age de maneira passional visto que para tentar agradar é capaz de se envolver em confusões.

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A coruja Professor Nogueira é o único personagem animal que não é representado por um humano. É representado através de um fantoche e, também, é o único adulto morador da floresta presente na história. Ele representa o saber do mais velhos e está sempre disposto a ajudar a turma com seus conhecimentos e sua vasta biblioteca. Esse personagem tem o papel de representar na narrativa a moral social e também o aconselhamento a partir de sua vivência. Outra característica relevante é que ele tem o papel de despertar a curiosidade dos jovens, mas não costuma entregar todas as respostas e sim despertar e desenvolver seu próprio senso crítico e reflexivo.

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Para trazer a linguagem dos quadrinhos para o âmbito da televisão as passagens são desenvolvidas com animações, como a abertura e onomatopeias de que servem de setas indicativas para os próximos acontecimentos.

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Os créditos são apresentados com o último frame do episódio incorporado a uma página de revista em quadrinhos. Os cortes e enquadramentos são selecionados a fim de que se mostre apenas uma perna do ator que interpreta o Pererê para trazer verossimilhança a história e corresponder a lenda. Em outros momentos, são utilizados efeitos especiais para dar a ilusão da única perna do personagem como, por exemplo, quando ele se locomove utilizando seu moinho de vento.

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Ao tentar incorporar a linguagem dos quadrinhos à narrativa audiovisual os criadores experimentam intercalar elementos clássicos dessa linguagem a composição estética do seriado. Além disso, alguns dos principais elementos mágicos da história original também são incorporados com efeitos especiais. É importante ressaltar, , que o programa colabora para a difusão do folclore nacional nas novas gerações. A história do Saci Pererê reformatada explora elementos narrativos que extrapolam a lenda original e podem desenvolver a curiosidade no público sobre ela.

Segundo dados do Banco Mundial, em 1998, durante a produção da primeira temporada, apenas 1,5% da população brasileira tinha acesso à Internet. Nesse sentido, a rede mundial de computadores ainda era uma novidade no país e restrita a poucos, o que justifica o não uso de ferramentas online complementares a televisão. No entanto, em 2010, 40,5% da população brasileira detinha acesso e mesmo assim não foram encontrados quaisquer produtos complementares na Web. Além disso, as informações sobre o seriado também não estão catalogadas e bem localizadas no site da TV Brasil.

Por Vinícius Guida

condominio jaqueline

O Condomínio de Jaqueline

  • Criação: Pedro Aguilera, Geórgia Costa Araújo, Daniel Grinspum
  • Duração: 25 minutos
  • Período de exibição: 15/02/2016 a 15/03/2016
  • Nº de episódios: 5

Produzida pelo canal pago Fox em parceria com o estúdio Coração da Selva, a série Condomínio Jaqueline foi ao ar em 2016. A trama, que integrava o lançamento da nova plataforma de distribuição de conteúdo da emissora, contou com cinco episódios de 25 minutos de duração. Estruturada a partir de arcos narrativos episódicos, a história era protagonizada por Zezé Motta. A atriz interpreta Dona Maria Helena, a síndica do condomínio. Os episódios da série partem sempre do mesmo conflito: a morte de Dona Maria Helena (Zezé Motta) e o possível substituto ao seu posto. A cada novo episódio um personagem da atração se candidata, entre os candidatos estão Seu Figueiredo (Luciano Chirolli), Nill (Raul Chequer), Wládia (Paula Pretta), Sandra (Sílvia Lourenço), Cris (Ed Moraes) e Rubens (Rafael Pimenta).

Gravada em um prédio no centro da cidade de São Paulo, Condomínio Jaqueline é narrada por Herbert Richers Jr. e apresenta um universo ficcional lúdico e fantástico. Apesar de investimento da Fox na distribuição da atração, a série não foi bem recebida pelo público e pela crítica especializada. Atualmente, a primeira temporada de Condomínio Jaqueline no serviço on demand Fox Premium.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A ambientação de Condomínio Jaqueline é fundamental para a construção do universo ficcional da série. Como a trama explora o caráter lúdico do condomínio e, principalmente, dos moradores do lugar cada elemento contribui para a imersão dos telespectadores. Nesse sentido, as locações do programa dialogam com a proposta estética dos criados, os móveis coloniais, salas com muitos objetos decorativos, etc.

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Nesse sentido, os elementos cênicos mostram ao público as peculiaridades do lugar. Como, por exemplo, o corredor cheio de lustres, a sala de reunião com muitos quadros. As cores e objetos usados em cada locação também dialogam com o perfil dos personagens. No apartamento de Nil (Raul Chequer) podemos observar a predominância de objetos relacionados ao espaço, já no de Sandra (Sílvia Lourenço) vemos muitas miniaturas e réplicas de animais.

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Dessa forma, o indicador é um ponto importante na construção do universo ficcional da série e reforça as peculiaridades do condomínio e dos seus moradores.

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A caracterização dos personagens remete a ambientação dos apartamentos de cada morador. Como, por exemplo, Seu Figueiredo (Luciano Chirolli) por ser um militar a decoração do seu apartamento faz alusão a cavalos, elementos de guerra e as suas roupas remetem ao uniforme de um soldado, com muitas medalhas e condecorações. Dessa forma, apesar de cariciado e distante da realidade, a caracterização dos personagens cumpre o seu papel de reforçar o caráter lúdico de o Condomínio Jaqueline. Porém, em momento algum o figurino estimula o público a interpretações mais densas ou amplas.

A trilha sonora de o Condomínio Jaqueline é composta, em sua maioria, por músicas instrumentais. O recurso é usado pontualmente na trama, principalmente nos momentos de conflito e transição de cena.

O mesmo acontece na abertura da série, a trilha instrumental acompanha a apresentação dos personagens até chegar na localização do condomínio onde se passa a história. Nesse sentido, a trilha reforça o mistério em torno dos arcos narrativos e contribui para os desdobramentos da trama.

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A fotografia de Condomínio Jaqueline é pautada por tons pasteis e rosa claro, as cores dialogam com a fachada do condomínio e dão um aspecto lúdico as sequências. A coloração das cenas é um aspecto importante na construção do universo ficcional da série. Por se tratar de personagens peculiares a paleta de cores usada em cada apartamento dialoga com o perfil de cada morador.

Por fim, Condomínio Jaqueline apresenta uma edição linear. Os flashbacks são explorados em momentos específicos da atração. Nesse sentido, os acontecimentos da série seguem uma ordem cronológica e as analpses são didaticamente pontuadas para o telespectador através de setas chamativas.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Por se passar em um universo peculiar e distante da realidade, o Condomínio Jaqueline não apresenta referências externas à trama. Isto é, nos episódios analisados não foram observados citações de filmes, acontecimentos atuais entre outros recursos que explorem camadas de significados que vão além da própria série. Dessa forma, o indicador não foi intensificado.

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Os desdobramentos das microestruturas e das macroestruturas de o Condomínio Jaqueline não exigem muito esforço analítico do telespectador. Os acontecimentos da história são facilmente compreendidos através de cartazes narrativos que auxiliam o público a entender o que está acontecendo. As setas chamativas estão presentes na série de várias formas, através dos diálogos dos personagens que constantemente retomam os pontos mais importantes da trama, por meio dos figurinos e dos elementos cênicos que, de certa forma, resumem o perfil de cada um dos personagens facilitando a leitura do público.  Desta forma, o indicador não foi observado episódios da série.

Apesar de apresentar conflitos e clímax, os desdobramentos narrativos de o Condomínio Jaqueline obrigam o telespectador a reconsiderar tudo o que viu até então. Em outras palavras, a estrutura narrativa da série é dividida em cinco atos: equilíbrio, interrupção, clímax, resolução de conflitos e retorno do equilíbrio. Nesse sentido, o indicador efeitos especiais narrativo não foi identificado.

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As analepses e sequências fantasiosas são usadas em momentos pontuais da trama e, como discutimos anteriormente, em meio a setas chamativas. Dessa forma, todo mudança cronológica e estética na série é sinalizada, reduzindo o esforço analítico do público.

As ações transmídia de Condomínio Jaqueline foram direcionadas para o site da série na Fox. Os vídeos, de curta duração, mostravam entrevista com o elenco, os bastidores da atração e os detalhes do processo criativo.

Ao ter acesso a essas informações telespectador tem a ‘opção’ de assistir as cenas com a suspensão da descrença ou com respeito renovado pela perícia e competência técnica que tornava a cena crível. Entretanto, apesar de explorar novas perspectivas da trama, a ação transmídia não estimula o entendimento crítico do público ao correlacionar contextos linguísticos distintos e informações dissipares. Nesse contexto, o indicador transmedia literacy não foi identificado.

Por Daiana Sigiliano

preamar

PREAMAR

 

  • Criação: Estevão Ciavatta, Patricia Andrade e William Vorhees
  • Direção: Anna Muylaert, Marcus Baldini, Mini Kerti, Márcia Faria, Estevão Ciavatta e Lao de Andrade
  • Roteiro:Patricia Andrade e William Vorhees
  • Exibição: 06/05/2012 a 29/07/2012
  • Número de episódios: 13

Preamar é uma série brasileira produzida pela Pindorama Filmes e exibida pela HBO Brasil entre 6 de maio e 29 de julho de 2012. A trama foi criada por Estevão Ciavatta,Patricia Andrade e William Vorhees e dirigida por Anna Muylaert, Marcus Baldini, Mini Kerti, Márcia Faria e Lao de Andrade.

A narrativa acompanha a história de João Ricardo Velasco (Leonardo Franco), um rico e bem-sucedido empresário que faz uma aposta errada no mercado financeiro e perde seu emprego como executivo de um banco. Em busca de novos meios de ganhar dinheiro, ele descobre o rentável mercado informal que movimenta as praias do Rio de Janeiro. O personagem propõe uma sociedade com Xerife (Roberto Bonfim), que controla as barracas da região, que visa aliar os seus conhecimentos financeiros ao poder paralelo que controla a atividade na área. Vivendo nesse novo ambiente, João Ricardo Velasco testemunha uma realidade à qual não conhecia e presencia situações como tráfico de drogas e prostituição.Tudo isso, sem revelar a família sua real situação financeira, mantendo uma mentira de que está em um “ano sabático”.

Em seus treze episódios, a série mescla drama e comédia para apresentar a dualidade da vida do protagonista. O termo “preamar” é também o nome que se dá à maré mais alta. No elenco estrelam ainda Paloma Riani é Maria Izabel, Jessika Alves é Manu, Hugo Bonemer é Fred, Thiago Amaral é Pepete, Karen Junqueira é Paula, Mumuzinho é Wallace eSóstenes Vidal é Biu.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

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A ambientação de Preamar é a Zona Sul do Rio de Janeiro, mais precisamente em Ipanema. Essa escolha busca refletir a premissa da série, que trata do impacto de uma demissão na vida do bem-sucedido executivo de bancos João Ricardo. Com um alto padrão de vida familiar, o personagem vê nas praias uma oportunidade de ganhar dinheiro com o comércio informal, uma vez que uma recolocação profissional seria demorada. Para isso, ele entra em contato com os “donos” da praia, como Xerife, que autoriza o aluguel de cadeiras e o comércio ambulante no Posto 7 da praia do Ipanema. Além disso, ele acaba conhecendo o tráfico de drogas e a prostituição recorrente nos dois ambientes. Desta forma, a série traz para a tela a antítese entre o condomínio luxuoso localizado na Vieira Souzo e o contato com as favelas e o comércio informal da área, necessário para o protagonista manter o status social de sua família.

Também ancorada na ideia de dualidade, os figurinos e maquiagens da caracterização dos personagens refletem os ambientes em que vivem. A família de João Ricardo tem maquiagens leves, roupas finas como ternos e blusas de seda, uso discreto de acessórios como anéis, pulseiras e correntes de ouro. Já personagens da praia e do comércio informal vestem roupas de banho, camisetas despojadas, coloridas e bermudas além da ausência de maquiagem, corroborando a verossimilhança da série.

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A trilha sonora é composta pelo sambarock de abertura “Rio Preamar”, escrito e interpretado por Seu Jorge, instrumentais de bossa nova produzidos para a série, além de funks como “O que que o nego quer” do grupo De Leve e sambas como “Das duzentas para lá” de Eliana Pittman. Todas as canções integrantes buscam retratar os ritmos predominantes nos territórios cariocas e a mistura social presente nas areias.

Predominando tons quentes e imagens solares, a fotografia explora os tons de vermelho, amarelo, laranja e marrom nos ambientes internos e externos. Além disso, em diversos momentos, evoca as paisagens do Rio de Janeiro.

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A edição de Preamar utiliza uma estrutura narrativa não-linear, que mescla flashbacks com acontecimentos presentes. Logo no primeiro episódio da série, intitulado “O mergulho” podemos identificar o uso desse recurso, apesar de não-explícito, quando o executivo João Ricardo sobe no parapeito de sua cobertura e começa a relembrar os acontecimentos durante sua demissão.

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No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedialiteracy.

As intertextualidades da série estão presentes no episódio “A vida parede uma festa”, onde é organizado um campeonato de futebol de areia. Nesta ação, além do uso da camisa da Seleção no modelo da Copa do Mundo de 2010, a celebridade David Brazil é convidada a ser árbitro do jogo. Apesar de pernambucano, David ficou conhecido no Rio de Janeiro e, ao chegar na cidade em 1988, trabalhou nas barracas da praia de Ipanema, cenário onde transcorre a narrativa da série.

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Percebemos no primeiro episódio da série, “O mergulho”, o indicador escassez de setas chamativas. O episódio mescla o momento atual com flashbacks da vida de João Ricardo sem qualquer alteração na fotografia, o que torna possível o discernimento do atual para o passado é a ausência de barba do protagonista. Nesse sentido, a série força o telespectador a atentar-se aos detalhes para uma compreensão global da trama.

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O indicador efeitos especiais narrativos não foi observado nos episódios analisados. Todos estes contavam com a estrutura de equilíbrio, conflito, resolução do conflito e retorno do equilíbrio. Já o macro arco narrativo conta com reviravoltas pontuais já esperadas pelo público, como a descoberta da real situação financeira de João Ricardo pela família no episódio “Por causas mais nobres”.

Como citado anteriormente, a série utiliza como recurso de storytelling apenas flashbacks. Nos episódios escolhidos para esta análise, a narrativa busca se ater a fatos que impactam a vida do protagonista e também não explora múltiplas perspectivas ou sequencias fantasiosas.

As ações transmídia de Preamar foram focadas na conta no YouTube do canal HBO Brasil, onde foram divulgados diversos vídeos de cerca de cinco minutos explorando bastidores da série e perfis de personagens. Também na plataforma foi disponibilizado o especial de vinte e cinco minutos “Preamar: Os segredos por trás da série” apresentado por Paula também mostrando impressões dos atores, o processo de construção e filmagem da narrativa.

Apesar de descortinar aspectos técnicos da produção, as ações não estimulam o entendimento crítico da narrativa ou dos contextos tratados, desta forma não foi observado o indicador de transmedialiteracy.

                                                                                                                          Por Léo Lima

magnfica 70

Magnífica 70

 

  • Criado por: Cláudio Torres, Renato Fagundes e Leandro Assis
  • Produção: Roberto d’Avila
  • Roteiro: Cláudio Torres, Renato Fagundes e Leandro Assis
  • Exibição: 24/05/2015 – atual
  • Direção: Cláudio Torres e Carolina Jabor
  • Duração: 60 minutos

Criada por Cláudio Torres, Renato Fagundes e Leandro Assis a série Magnífica 70 é exibida pelo canal pago HBO Brasil. Ao longo de seus 26 episódios, divididos em duas temporadas, a trama retrata o universo dos filmes da Boca de Lixo na durante a ditadura militar na década de 1970. A terceira temporada está prevista para estrear na emissora em outubro de 2018.

A série é protagonizada por Vicente (Marcos Winter), um censor do Departamento de Censura Federal do Estado de São Paulo. O personagem é casado com Isabel (Maria Luísa Mendonça), filha do General Souto (Paulo César Pereio) e vive a monótona rotina entre o trabalho e o casamento. Porém, o personagem tem a sua vida transformada após a avaliação de uma pornochanchada. Depois vetar o filme, Vicente (Marcos Winter) se apaixona pela atriz do longa-metragem, Dora Dumar (Simone Spoladore). O romance serve de ponto de partida para o desdobramento de outros arcos narrativos. Para tentar reverter a proibição do filme o protagonista começa a trabalhar em segredo com Dora (Simone Spoladore) e o produtor Manolo Mattos (Adriano Garib). Durante o processo, o personagem lembra da trágica morte de sua cunhada Ângela (Bella Camero).

Nesse sentido, a partir da paixão Vicente (Marcos Winter) a série Magnífica 70 reflete sobre a ditadura e a censura na produção audiovisual nacional. Ao mostrar os bastidores da Boca de Lixo a trama ressalta as dificuldades do cinema de baixo orçamento no Brasil da década de 1970 e os desafios enfrentados pelos diretores, produtores e elenco.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

Por ter como pano de fundo a ditadura militar, a ambientação de Magnífica 70 é um ponto fundamental na série. Os episódios são compostos tanto por locações no estúdio quanto por sequências externas. Os cenários como, por exemplo, o Bar Imperador, a Magnífica Produções, a casa da família de Vicente (Marcos Winter) e o Departamento de Censura Federal reproduzem, de maneira fiel, os costumes da década de 1970, contribuindo diretamente para a verossimilhança da história. Nesse contexto, os elementos cênicos e os detalhes imagéticos enriquecem o universo ficcional. No Departamento de Censura Federal, por exemplo, todos os objetos do escritório tais como mesas e luminárias reforçam a tensão e o trabalho maçante do lugar. O mesmo acontece na a Magnífica Produções que chama a atenção pelas paredes velhas e mofadas.

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As transições de cenário são marcadas por imagens da cidade São Paulo em 1970, as sequência acabam reforçando o trabalho feito pela direção artística nas sequências externas. Apesar de poucas, as cenas gravadas fora do estúdio são compostas por figurantes e mostram lugares que dialogam com a Boca do Lixo. Ou seja, o bairro da Luz em São Paulo, a rua do Triunfo, a rua Vitória, entre outros.

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Entretanto, todas as sequências externas foram gravadas na cidade do Rio de Janeiro, o que só ressalta o trabalho realizado para direção de arte. Dessa forma, podemos afirmar que o indicador está presente de maneira pertinente em Magnífica 70, contribuindo para a proposta narrativa da série e reforçando universo ficcional criado por Cláudio Torres, Renato Fagundes e Leandro Assis.

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Por se tratar de uma série de época a caracterização dos personagens de Magnífica 70 dialoga não só com o perfil de cada personagem, mas com período da década de 1970. De modo geral, os figurinos não são compostos por muitos detalhes e reafirmam a trajetória dos personagens na trama. Como, por exemplo, Vicente (Marcos Winter) que por conta de seu trabalho como censor e da rigidez familiar imposta pelo General Souto (Paulo César Pereio), está sempre de terno.

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Já Dora (Simone Spoladore) usa roupas mais ousadas e coloridas, que representam a ocupação da aspirante a atriz e sua personalidade. Nesse contexto, o indicador dá continuidade ao que os outros elementos cênicos e narrativos apresentam ao telespectador.

A trilha sonora de Magnífica 70 tem como central a música de abertura da série. Interpretada pelos Secos & Molhados a canção Sangue Latino introduz ao telespectador, juntamente como trechos da trama e elementos gráficos, a atmosfera da atração.

O restante da trilha sonora da série ajuda na ambientação da história, que se passa na década de 1970, e é composta por artistas populares da época. As sequências da trama também contam com músicas instrumentais que ressaltam os desdobramentos narrativos.

Composta por tons escuros, como marrom e cinza, a fotografia de Magnífica 70 representa o clima de tensão imposto pela ditadura militar. As locações são sempre pautadas por penumbras, reforçando os segredos mantidos pelo protagonista Vicente (Marcos Winter) e a clandestinidade da Magnífica Produções.

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Por fim, Magnífica 70 apresenta uma edição não linear. As cenas intercalam acontecimentos do presente e do passado conturbado de Vicente (Marcos Winter) e sua cunhada Ângela (Bella Camero).

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Entretanto, como iremos detalhar mais adiante, as sequências são pautadas por setas chamativas que deixam claro que se trata de uma outra temporalidade.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Por se tratar que uma série que aborda questões históricas e culturais na época da ditadura militar, Magnífica 70 apresenta várias referências externas ao universo ficcional. O indicador pode ser observado, por exemplo, no episódio Na Boca do Lixo, exibido pela HBO em 24 de maio de 2015.

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Durante a gravação do final ‘alternativo’ de sugerido por Vicente (Marcos Winter) vemos que o longa metragem que estava sendo filmando antes pela equipe da Magnífica Produções é do Zé do Caixão. O personagem do cinema nacional do Brasil é visto ao fundo, em um cemitério, que posteriormente Dora (Simone Spoladore) iria gravar uma cena. Nesse contexto, a intertextualidade enriquece a experiência televisiva do público ao incorporar referências externas às tramas, mas que dialogam diretamente com os arcos narrativos apresentados na série.

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Como discutidos brevemente na análise do Plano da Expressão, as setas chamativas em Magnífica 70 são usadas em momentos pontuais da trama e diminuem o esforço cognitivo analítico necessário para a compreensão da história. O recurso se apresenta, de modo geral, de duas maneiras: através dos diálogos dos personagens e através de alterações na fotografia e interseções gráficas. Isto é, constantemente os personagens, por meio dos diálogos, retomam os principais desdobramentos narrativos de Magnífica 70. As setas chamativas também estão presentes na analepse, dessa forma os flashbacks são sinalizados didaticamente para o telespectador através de mudanças na fotografia, as cenas ficam em preto e branco, e legendas no centro da tela indicado a cronologia do acontecimento. Nesse sentido, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série da HBO Brasil.

Apesar de apresentar vários ganchos e clímax em momento algum o telespectador é obrigado a reconsiderar tudo o que viu até então. Ou seja, as reviravoltas presentes em Magnífica 70 não subvertem a história, apenas são consequências já esperadas na trama.  Dessa forma, o indicador efeitos especiais narrativos não foi identificado.

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Ao longo das duas temporadas da série é possível observar, em vários momentos, o uso de flashbacks. A analepse integra, principalmente, o arco narrativo da trágica morte da cunhada de Vicente (Marcos Winter), a jovem Ângela (Bella Camero), e ajuda o público a compreender e aprofundar na história do protagonista. Como os personagens vivenciam a censura e a tensão da ditadura militar, as sequências fantasiosas também estão presentes na trama. O recurso chama a atenção para o desejo e ambições dos personagens.

As ações transmídia de Magnífica 70 são direcionadas para o YouTube. Postados no canal da HBO Brasil na plataforma, os vídeos, com cerca de 5 minutos de duração, detalham alguns aspectos históricos e técnicos da trama.

Ao conhecer as informações dos bastidores o telespectador tem a ‘opção’ de assistir as cenas com a suspensão da descrença ou com respeito renovado pela perícia e competência técnica que tornava a cena crível. Entretanto, apesar de explorar novas perspectivas da trama, a ação transmídia não estimula o entendimento crítico do público ao correlacionar contextos linguísticos distintos e informações dissipares. Isto é, o conteúdo não propiciava a leitura atenta e criativa do telespectador. Desta forma, o indicador transmedia literacy não foi identificado.

Por Daiana Sigiliano

me chama de bruna

#MeChamaDeBruna

  • Criação: Gabriela Amaral Almeida, Marco Dutra, Hilton Lacerda e Márcia Faria
  • Direção-geral: Márcia Faria
  • Produção: TVZero
  • Co-produção: FOX InternationalChannels Brasil
  • Número de episódios: 16

#MeChamadeBruna é um seriado lançado pela FOX, em sua plataforma e canal pago FOX Premium, com oito episódios em cada uma de suas duas temporadas. A trama, que conta a história de Raquel Pacheco, a “Bruna Surfistinha”, foi realizada em parceria com a produtora TVZero, que também produziu o filme biográfico “Bruna Surfistinha” em 2011.

As duas produções são inspiradas na história real de Raquel Pacheco, uma garota de classe média que sai da casa de seus pais com a ideia de ser independente. Para isto, busca seu sustento através da prostituição e, aos 17 anos, passa a viver em um privê mesmo tendo uma família influente e direito a tudo que uma garota da sua idade deseja. Esta história também foi contada pela própria na trilogia literária “O doce veneno do escorpião”, “Na cama com Bruna Surfistinha” e “O que aprendi com Bruna Surfistinha”.

No entanto, ​a série, com a direção geral de Marcia Faria, faz um recorte bastante claro da história de Raquel (Maria Bopp), começando na chegada da garota, ainda menor de idade, na casa de prostituição de Stella (Carla Ribas). Buscando reproduzir a transformação da personagem na ex-garota de programa mais conhecida do País, o retrato explorado pela trama dá ênfase aos conflitos internos e externos que rodam o prostíbulo.

Com menos glamour, consegue-se perceber ao longo dos episódios a discussão do drama das mulheres trabalham nestas casas, que têm seus sonhos, sentimentos e familiares, mas, que diferente de Bruna não estão confortáveis em exercer a profissão. Outras questões tratadas são a criminalidade presente nos prostíbulos, em que policiais querem tirar proveito do negócio, além do preconceito à profissão, aborto, abuso, conflitos, traições e brigas de família.

A primeira temporada, de subtítulo A série da Bruna Surfistinha, tem em seu elenco Nash Laila, Luciana Paes, Susanna Kruger, Stella Rabello, Jonathan Haangensen, Rodrigo Garcia e Perfeito Fortuna. Uma segunda temporada foi concluída em dezembro de 2017, com o subtítulo Te conto tudo.

Nesta análise sobre a qualidade da série, no Plano da Expressão, destacamos os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

#MeChamaDeBruna é ambientada em São Paulo e está alicerçada no estereótipo de uma metrópole, a velocidade impelida as pessoas bem como a liquidez das relações são exploradas. O contexto em que está inserido o prostíbulo de Stela colabora para a verossimilhança da série, sendo este o primeiro local a contratar Raquel, até então, menor de idade, para se prostituir. O ambiente é escuro, sem luxos, com quartos simples, em diversos momentos sujos e hostis. Ao passo que a euforia e o desejo provocados danceterias e festas promovidas por pessoas de classes mais altas contrapõe a melancolia retratada nas casas das famílias das garotas de programa, principalmente no caso de Jéssica (Nash Laila), moradora de uma favela.

Quanto à caracterização dos personagens, a série busca reproduzir a transformação de Raquel na ex-garota de programa mais conhecida do país. Maria Bopp, escolhida para interpretar a protagonista, tem um corpo magro. Os figurinos não exploram a sensualidade e sim a juventude da garota, que, em boa parte das cenas, está sem maquiagem, usando roupas simples como blusas de manga curta, shorts e calças jeans.

Por outro lado, a cafetina Stella, busca imprimir uma imagem forte e machista. Além do tratamento indelicado com as contratadas, o figurino da personagem utiliza sempre o estilo gótico com tons de preto também na maquiagem, além de pulseiras, cordões e tatuagens relacionadas ao rock.

Também relacionada ao rock, a trilha sonora da série tem a música “Dei um beijo na boca do medo” de Simone Mazzer como tema de abertura. Com arranjo forte, a letra se relaciona à fase da vida de Raquel explorada pela série, uma vez que as duas tratam de uma fuga e busca por um novo espaço. Esta ideia está nítida no trecho da canção “Dei um beijo na boca do medo e saí por aí/Pela noite tão longa/Passei por terreiros iluminados, na rodoviária/Meu mundo caiu”.

A fotografia de #MeChamaDeBruna procura trazer o realismo para dentro do visual dos personagens e do ambiente em que vivem. É predominante o uso de tons sombrios, dramáticos e crus, além de movimentos e ângulos de câmera que proporcionam sombras. Esses recursos transportam o telespectador para os sentimentos de medo, melancolia vividos por Bruna e suas colegas de profissão no privê.

Nas cenas de sexo, em vez da sensualidade da luz vermelha, expressões de prazer acentuadas em slow-motion ou uma câmera voyeur, temos a jovem Raquel tirando a roupa, sem jeito, na penumbra de um quarto simples com a palidez de seu rosto moreno claro sem maquiagem. Sendo assim, estas sequências têm uma função dramática na série e se distanciam da interpretação de prazer, sendo uma relação entre necessidade, dor e amor.

De forma não-linear, a edição da série mostra o amadurecimento e criação de Bruna Surfistinha no meio da prostituição, além dos conflitos externos das colegas de profissão e do próprio prostíbulo em que trabalha. Identificamos também o uso de flashbacks para recuperação de acontecimentos importantes da vida da personagem.

Antes da abertura de cada episódio, é exibido um pequeno relato de Bruna no formato de um vlog, contando experiências de vida ou explorando partes do seu corpo seminu. Estas sequências estabelecem uma correlação com a forma como a jovem se tornou famosa, através do compartilhamento de histórias pessoais e com clientes na internet.

Na abertura, propriamente dita, temos vários recortes de cenas da série explorando as personagens, nudez, armas, com filtros roxos e azuis além de imagens da vida noturna da cidade de São Paulo em ritmo acelerado.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Dirigida por Marcia Faria, diretora experiente em cinema, #MeChamaDeBruna conta com diversas intertextualidades vindas desta área. Além das referências indiretas ao filme “Bruna Surfistinha”, protagonizado por Deborah Secco, percebemos cenas de orgia inspiradas em “De olhos bem fechados” (Stanley Kubrik), como a sequência de sexo grupal em um cenário vermelho presente no Episódio 6.

As setas chamativas são usadas em vários pontos da trama, auxiliando o telespectador a identificar as angustias e acompanhar o amadurecimento da protagonista. O relato em formato de vlog exibido antes da abertura tem esta função. Como citado anteriormente, os flashbacks são utilizados para auxiliar o entendimento de situações da vida atual de Bruna e seus conflitos familiares.  Neste sentido, o indicador escassez de setas chamativas não foi identificado na série.

A história apresenta reviravoltas e clímax, porém nenhuma destas obriga o telespectador a reconsiderar tudo o que lhe foi apresentado até então. Mudanças de formato também não são observadas, ocorrem de forma pontual como no Episódio 3 quando todos os personagens cantam uma música que retrata a situação de vida de cada um. Portanto, o indicador de efeitos especiais narrativos também não foi identificado.

O principal recurso de storytelling utilizado pela série são os flashbacks. Estes fazem um panorama da vida de Bruna, trazendo inclusive imagens da atriz Maria Bopp em sua infância, como no segundo episódio, com reflexões em off de Raquel sobre os motivos que levaram sua vida até a prostituição.

O lançamento da série se deu no canal premium da programadora FOX, o FOX+ e sua respectiva plataforma de vídeos sob demanda, FOX Premium. As ações transmídia propostas se concentraram no canal FOX Premium Brasil no YouTube e na plataforma sob demanda FOX Play, aberta a assinantes não-premium.

Para o canal do YouTube, foram divulgados dois trailers da série, vídeos com perfis dos personagens, bastidores das gravações, o encontro de Maria Bopp com Raquel Pacheco e um countdown para a estreia da série.Também foi desenvolvida uma série de 4 vídeos de cerca de 2 minutos chamada “Meu lugar no privê” onde as atrizes interpretando suas personagens apresentavam os cenários onde são atendidos os clientes.

Na plataforma FOX Play e também exibida no canal standart FX, o telefilme no estilo documentário #MeChamaDeBruna: Verdades e mentiras reúne atores, pessoas reais e especialistas que mostram os bastidores da série #MeChamadeBruna. Contando com cenas inéditas, entrevistas, bastidores da série e depoimentos sobre o mundo da prostituição, o especial trata especialmentedas motivações de Raquel Pacheco, sua exposição na mídia, as reações da família e os desafios de Maria Bopp para interpretar Bruna.

Nesse sentido, o especial e os conteúdos extras como os vídeos de perfis de personagens, bastidores de gravação e a websérie “Meu lugar no privê” dialogam com o conceito de transmedia literacy. O especial contribui para o conhecimento novas perspectivas da história, a realidade da prostituição no Brasil além de explanar sobre como a série foi produzida. Os conteúdos extras também possibilitam o público, conhecendo mais detalhes da trama, aprofundar-se no universo da protagonista e correlacionando ficção e realidade. Sendo assim, o indicador de transmedia literacy foi observado, pois, nesta ação, o telespectador é instigado a fazer uma leitura diferenciada tanto sobre as temáticas quanto do processo produtivo da série.

Por Léo Lima

o negcio

O Negócio

  • Criadores: Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho
  • Roteiro: Fabio Danesi, Camila Raffanti, Rodrigo Castilho e Alexandre Soares Silva
  • Direção: Michel Tikhomiroff e Júlia Jordão
  • Período de exibição: 18 de agosto de 2013 – 3 de junho de 2018
  • Nº de episódios: 51

O Negócio é uma série de televisão produzida e veiculada pelo canal HBO Brasil em quatro temporadas. A primeira temporada – objeto da análise – foi transmitida entre agosto e novembro de 2013 e contou com 13 episódios. A produção apresentou nomes como Rafaela Mandelli, Juliana Schalch, Michelle Batista, João Gabriel Vasconcellos, Gabriel Godoy, KauêTelloli, Guilherme Weber e Aline Jones.

O enredo narra a história de Karin (Rafaela Mandelli) e Luna (Juliana Schalch), amigas e garotas de programa que se unem a Magali (Michelle Batista) para construir a empresa Oceano Azul, especializada em programas de luxo. O objetivo de Karin (Rafaela Mandelli) é obter sucesso na profissão sem precisar de um booker, após entrar em conflito com seu antigo chefe, Ariel (Guilherme Weber). Ela, então, passa a estudar e empregar estratégias de marketing para emplacar a empresa.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e ediçãoA história se passa na cidade de São Paulo e retrata, com realismo, o ambiente urbano da capital. Em especial, há o lugar no qual Karin (Rafaela Mandelli) sempre dirige para pensar e comer fastfood, onde é possível ter uma vista ampla da metrópole.

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A caracterização dos personagens segue o contexto e a personalidade de cada um e contribui para a verossimilhança da série. Luna (Juliana Schalch), por exemplo, se veste de forma distinta quando vai visitar a família, que não sabe da sua profissão. Desse modo, enquanto a personagem se passa por uma mulher rica durante um curso, seu estilo também segue outro padrão.

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A trilha sonora, por sua vez, é predominantemente instrumental, de modo a dar o tom das cenas. Já a fotografia segue um estilo naturalista, que acompanha a proposta de verossimilhança do enredo.

A edição segue, na maior parte do tempo, um padrão linear. Entretanto, conforme Luna (Juliana Schalch) narra os acontecimentos, em certos momentos são inseridos flashbacks que ilustram as situações descritas ou que introduzem personagens, alterando a cronologia.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytellinge transmídialiteracy. A série O Negócio é permeada por referências intertextuais, de modo a inserir o telespectador no ambiente da história e aproximá-lo do enredo, que se mostra passível de acontecer na realidade, o que contribui para a verossimilhança do programa. Marcas como Havaianas, Coca-Cola e Pepsi são inseridas na história, contribuindo, mais uma vez, para a verossimilhança, uma vez que o marketing é um dos grandes temas do programa. Além disso, a série se passa na cidade de São Paulo e há citações a diversos outros locais reais, como Campinas e Paris.

Em relação à escassez de setas chamativas, O Negócio utilizou o recurso em alguns momentos. A presença de um narrador (Juliana Schalch) e certos diálogos que induzem explicações facilitam o entendimento do espectador, que não precisa exercer grande esforço para entender ou completar a narrativa. Além disso, os flashbacks utilizados, embora não acompanhados de mudança na fotografia, deixavam clara a mudança de cronologia, evitando que o público tivesse dúvidas a respeito da trama. Nesse contexto, o indicador não foi observado.

Quanto aos efeitos especiais narrativos, a série apresentou clímax e reviravoltas nos episódios, os quais desenvolviam a narrativa sem, contudo, levar o público a reconsiderar tudo o que vira até então. A exceção foi a revelação de que Oscar (Gabriel Godoy), até então um milionário aos olhos dos personagens e do público, era, na verdade, um golpista. Tal revelação leva o público a reconsiderar todas as ações e atitudes do personagem. Entretanto, o entendimento é facilitado pela narração e pelos flashbacks, que explicam como Oscar (Gabriel Godoy) conseguiu enganar Luna (Juliana Schalch) e o próprio público. Dessa forma, a utilização de tais setas chamativasexplicita, didaticamente, a situação ao espectador.

Os recursos de storytelling foram observados nas alterações cronológicas, referentes aos flashbacks, e na utilização de um narrador em voz over, no caso a personagem Luna (Juliana Schalch). Entretanto, tais recursos são permeados, muitas vezes, por setas chamativas e dispostos de forma a reduzir o esforço analítico do público.

Em relação à transmídia literacy, o canal HBO Brasil promoveu lives em sua página do Facebook, onde as atrizes principais respondiam perguntas feitas pelo público, além de vídeos, divulgados no Facebook e Twitter, nos quais os atores falavam sobre seus personagens. Embora as lives estimulassem a participação ativa, ampliando a experiência televisiva do público e estimulando a discussão, os conteúdos não transcendiam a narrativa, se limitando àquilo que já foi exibido e entendido pelo espectador. Nesse sentido, o indicado não foi observado.

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Por Júlia Garcia

mulher de fases

Mulher de Fases

 

  • Mulher de Fases (2011)
  • Direção: Ana Luiza Azevedo
  • Período de exibição: 11/04/2011 – 4/07/2011
  • Duração: 30 minutos
  • Nº de episódios: 13 episódios

Baseada no livro Louca por Homem, de Cláudia Tajes, a série Mulher de Fases conta a ‘saga’ de Graça (Elisa Volpatto) em busca do homem ideal. Depois de se separar do marido, a protagonista tenta reconstruir sua vida e um arranjar um novo namorado. Porém, Graça (Elisa Volpatto) começa a se envolver com diversos homens e, mesmo que de forma inconsciente, acaba adotando os hábitos e manias dos pretendentes. Por exemplo, no episódio de estreia, exibido em 11 de abril de 2011, a protagonista se envolve com um fumante e imediatamente começa a fumar compulsivamente.

Produzida pelo canal pago HBO, em parceria com a Casa de Cinema de Porto Alegre, Mulher de Fases teve apenas uma temporada de 13 episódios. O cancelamento da série se deu por conta dos baixos índices de audiência e da recepção negativa da imprensa especializada. A trama foi roteirizada por Elisa Volpatto, Antoniela Canto, Julia Assis Brasil, Mira Haar e Rodrigo Pandolfo.

Conforme iremos discutir mais adiante, durante a exibição da série a HBO desenvolveu ações transmídia. Além de engajarem os telespectadores interagentes no Facebook, os conteúdos também exploram novas perspectivas da história. O elenco de Mulher de Fases ainda conta com Antoniela Canto (Selma), Julia Assis Brasil (Tereza), Mira Haar (Hilda), Rodrigo Pandolfo (Gilberto) e Giulio Lopes (major Rangel).

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Apesar de ser ambientada na cidade de São Paulo, as sequências de Mulher de Fases, são, de modo geral, gravadas em estúdio e/ou locações internas. As ruas da capital aparecem em poucas cenas como, por exemplo, quando Graça (Elisa Volpatto) vai encontrar Dudu (Gustavo Machado) em um bar. Entretanto, a cidade não influência diretamente dos desdobramentos narrativos da série.

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Como Graça (Elisa Volpatto) é corretora de imóveis os apartamentos têm um grande espaço da trama, há cada episódio conhecemos novos lugares. No episódio de estreia, por exemplo, intitulado ‘Um fumante e um místico’, acompanhamos a procura da protagonista por um apartamento. A busca pelo lugar acaba desencadeando vários plots como, a sua primeira vez com Dudu (Gustavo Machado). Dessa forma, apesar de ser limitada, por explorar ambientes pequenos e com poucos elementos e/ou mudanças cenográficas, a ambientação de Mulher de Fases reforça o universo ficcional da protagonista.

O indicador caracterização dos personagens dialoga diretamente com a proposta da série da HBO. Um dos principais arcos narrativos da trama é a capacidade de mudança da protagonista que a cada novo namorado transforma seus hábitos. Nesse sentido, o figurino e os elementos cênicos ajudam o telespectador a compreender essa constante transição de Graça (Elisa Volpatto). Por exemplo, quando a personagem se converte a seita do Altíssimo (Kiko Marques) ela passa a se vestir como o guro.

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No dia a dia a protagonista se veste com coisas sociais, por conta de seu trabalho. Na maioria das cenas o figurino é composto por uma camisa e saia social e um sapato de alto. Os outros personagens recorrentes tais como a mãe, a irmã e a sobrinha de Graça (Elisa Volpatto) não apresentam caracterizações que marcantes e/ou que contribuam para o desenrolar dos arcos narrativos do programa.

No indicador trilha sonora podemos destacar a música de abertura da série. Gravada em 1999 pela banda Raimundos, a canção Mulher de Fases, homônima a trama da HBO, dialoga diretamente com o universo ficcional do programa. Na letra, composta por Rodolfo Abrantes e Digão o interprete relata o seu complicado relacionamento com uma mulher inconstante. Na trama, Graça (Elisa Volpatto) também transita por vários estados de humor e muda a sua personalidade a cada novo namorado.

O restante da trilha sonora da série é composta por músicas instrumentais e ajudam a reforçar os acontecimentos da trama.

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A fotografia de Mulher de Fases segue o estilo naturalista. As cenas da trama só têm a iluminação e/ou ao filtro alterado para indicar ao telespectador de que se de um flashback ou sequência fantasiosa da protagonista. Nesse sentido, a fotografia só é alterada para servir de seta chamativa para a cena em questão. Em momento algum o indicador contribui diretamente para o desdobramento da história.

Os episódios de Mulher de Fases apresentam uma edição não linear. Os flashbacks são usados nos momentos em que Graça (Elisa Volpatto) lembra de situações e relacionamentos do passado. Os outros acontecimentos e desdobramentos narrativos da história se passam no presente. É importante ressaltar também que como o ponto de partida da série é a separação da protagonista, há uma necessidade dessa relação, que desencadeou toda a trama, ser constantemente relembrada.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Os episódios de Mulher de Fases não fazem referência a contextos externos ao universo ficcional. Ou seja, em nenhum desdobramento narrativo da série o telespectador é estimulado a completar a sequência com uma informação externa. Nesse sentido, o indicador intertextualidade não foi identificado.

Ao longo da primeira temporada da série da HBO foi possível observar várias setas chamativas. O recurso, que é uma espécie de cartaz narrativo disposto convenientemente para ajudar o público a entender o que está acontecendo na trama, esteve presente tanto no diálogo dos personagens quanto nos recursos visuais. Por exemplo, quando a mãe de Graça (Elisa Volpatto) explica para a filha que as dificuldades do divórcio. Isto é, mesmo o plot central da série sendo o fim do casamento da protagonista, os personagem reforçam essa informação constantemente para o público. As setas chamativas também estão presentes nas sequências fantasiosas de Mulher de Fases, todas as cenas em que Graça (Elisa Volpatto) imagina algo apresentam elementos que diferenciam a fantasia da realidade. Como, por exemplo, efeitos visuais, mudanças na coloração e na fotografia. Nesse sentido, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série.

Os clímax e reviravoltas presentes em Mulher de Fases estão presentes pontualmente na história. Entretanto, em momento algum o telespectador é obrigado a reconsiderar tudo viu até então. Isto é, os recursos narrativos não ressignificam o universo ficcional, apenas contribuem, como o esperado, para o desenvolvimento da história. Desta forma, o indicador efeitos especiais narrativos também não foi identificado nos episódios.

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Por se tratar de uma série que não possui tanto compromisso com a verossimilhança, Mulher de Fases apresentam vários recursos de storytelling. Nesse sentido, as cenas da trama abrangem, por exemplo, analipses e sequências fantasiosas. Entretanto, é importante os recursos são didaticamente explicados e delimitados para o telespectador. Ou seja, quando a temporalidade da série muda o público é avisado, através de setas chamativas de que se trata de um flashback. O mesmo acontece quando Graça (Elisa Volpatto) reflete sobre as dúvidas e incertezas dos seus relacionamentos, os recursos gráficos e mudanças na fotografia diminuem o esforço analítico do telespectador ao indicarem de que a cena é fruto da imaginação da protagonista.

O universo ficcional de Mulher de Fases foi composto por apenas uma ação transmídia. Lançado no site da HBO, o vídeo, de cerca de 6 minutos de duração, mostrava as curiosidades, os detalhes da produção dos episódios e o trabalho por trás da série. Ao conhecer as informações dos bastidores o telespectador tem a ‘opção’ de assistir as cenas com a suspensão da descrença ou com respeito renovado pela perícia e competência técnica que tornava a cena crível. Entretanto, apesar de explorar novas perspectivas da trama, a ação transmídia não estimula o entendimento crítico do público ao correlacionar contextos linguísticos distintos e informações dissipares. Isto é, o conteúdo não propiciava a leitura atenta e criativa do telespectador. Desta forma, o indicador transmedia literacy não foi identificado.

Por Daiana Sigiliano

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Antônia

  • Diretor:  Luciano Moura, Tata Amaral, Roberto Moreira, Fabrizia Pinto e Gisele Barroco
  • Roteiro: Claudia Tajes, Claudio Galperin, Elena Soarez, Fernando Meirelles, Jorge Furtado e Luciano Moura.
  • Período de exibição: 17/11/2006 – 19/10/2007
  • Duração: 30 minutos
  • Nº de episódios: 10 episódios
  • Nº de temporadas: 2

O enredo de Antônia conta a história de quatro amigas de infância, moradoras da Vila Brasilândia que se tornam cantoras de rap. Preta (Negra Li), Barbarah (Leilah Moreno), Mayah (Quelyna) e Lena (Cindy Mendes) formam o grupo Antônia e enfrentam o preconceito no meio da cultura hip-hop. A história do seriado se passa dois anos após a do filme homônimo de Tata Amaral.

Além das atrizes que interpretam as protagonistas, o elenco da série é composto por nomes como Sandra de Sá, Alexandre Rodrigues, Rafael Menta, Thaíde, Nathalye Cris, entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A série se passa na Vila Brasilândia, um bairro pobre e violento da periferia de São Paulo. A ambientação conta com cenários como as casas da comunidade, além de retratar os bailes que são realizados na periferia e eventos da cultura hip-hop. Desta forma a ambientação de Antonia contribui para verossimilhança da série ao representar lugares e o cotidiano nas comunidades.

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A caracterização dos personagens era composta por roupas despojadas e de tecidos simples na maior parte da narrativa. Nas ocasiões especiais, como apresentações e sessões de fotos, o figurino das protagonistas era constituído de peças glamourosas e por muitos acessórios como: chapéus e brincos.

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A trilha sonora de Antônia, criada pelas próprias cantoras com outras colaborações, foi muito explorada durante vários momentos da narrativa. As canções aparecem em momentos de passagem de tempo e também se fazem presentes nos shows do grupo Antônia, neste caso com músicas originais da banda. Além disso, a música é executada nos lugares frequentados pelas protagonistas, como bares, festas e também em vários momentos em que as quatro personagens se reúnem e acabam cantando alguma canção por diversão. Sendo assim, as canções exibidas são pertencentes ao gênero funk, rap, soul, samba, pop, entre outros. Entre as canções presentes na série estão as originais da série “Antônia (periférico remix)”, “Flow”, “Brasilândia City Bronx”, “Quanto Você Quer” e as não originais “Killing me Softly With His Song”.

A série Antônia apresenta uma fotografia naturalista e não muito elaborada. Apesar de estar presente, ela não possui nenhuma função narrativa na série.

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Apesar de apresentar alguns flashbacks no decorrer da narrativa, eles se apresentam de forma pontual na trama. Sendo assim, a série se passa apenas no tempo presente e não possui mais de uma cronologia. Portanto sua edição se caracteriza como linear.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmídia literacy.

A série apresentou algumas intertextualidades no seu decorrer. No episódio “Toque de recolher”, no momento em que o grupo planeja novas apresentações a integrante Barbarah (Leilah Moreno) sonha com a possibilidade de aparecerem no programa “Fantástico” da Rede Globo. Além disso, no mesmo episódio, a personagem Barbarah (Leilah Moreno) cita o psicanalista Freud dizendo que “Só Freud explica”, em uma conversa sobre a vida amorosa de Lenah (Cindy Mendes).

A série apresentou setas chamativas, caracterizadas pela repetição de certos acontecimentos anteriores. Por exemplo, no episódio Toque de Recolher, quando Preta (Negra Li) está no caminho para buscar sua filha na delegacia, a personagem reforça algumas vezes o fato de que Emília (Nathalye Cris) está na delegacia. Neste contexto, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado na série.

Antônia apresenta algumas reviravoltas no seu decorrer, como a morte de Maria (Sandra de Sá) no episódio “Fidivó” e quando Hermano (Fernando Macario) é preso no episódio “Toque de Recolher”. Apesar de possuir desdobramentos essenciais para o desenvolvimento da trama, nenhum deles é tão significativo a ponto de fazer o telespectador reconsiderar toda a história até então. Portanto, a série não apresenta efeitos especiais narrativos.

Como recursos de storytelling, a série fez o uso de flashbacks especialmente no primeiro episódio quando as protagonistas relembram as apresentações que fizeram enquanto grupo Antônia.

A série Antônia apresentou duas estratégias transmídia. A primeira delas foi o filme Antônia, lançado em 2006. O longa metragem conta a trajetória das quatro protagonistas para alcançar o sucesso com o grupo Antônia. A história abordada no filme se passa dois anos antes da narrativa da série. Sendo assim, a história do seriado é uma continuação da apresentada no longa-metragem.

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Outra ação transmídia explorada foi um álbum musical contendo as canções originais de Antônia. Entre elas: “Antônia” (Periférico Remix), “Flow”, “Tudo Nosso”, entre outras.

As duas ações exploradas apresentaram o conceito de transmídia literacy. O longa-metragem expande o universo ficcional apresentado na série, uma vez que apresenta a história anterior a contada na série. Sendo assim, o telespectador é capaz de relacionar as duas produções de forma que o enredo do filme complemente a história abordada na série e vice-versa. O álbum musical também expande o universo apresentado na série, já que traz a trilha sonora da produção. Neste caso, o álbum aprofunda um elemento muito importante para a trama da série e proporciona a cognição do público quando este correlaciona os dois produtos.

Por Mariana Meyer

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Mandrake

  • Direção: Toni Vanzollini, Carolina Jabor, Arthur Fontes, Lula  Buarque de Hollanda, José Henrique Fonseca
  • Período de exibição: 30 de outubro de 2005 – 16 de dezembro de 2007
  • Nº de episódios: 13

Mandrake é uma série de TV produzida pela HBO Brasil, tendo sua estreia em 2005, como a primeira produção original do canal. Baseada na obra do escritor mineiro Rubem Fonseca, a série contou com duas temporadas e dois episódios especiais sendo a primeira temporada o objeto dessa análise. O elenco apresenta nomes como Marcos Palmeira (Mandrake), Luís Carlos Miele (Wexler), Maria Luísa Mendonça (Berta), Marcelo Serrado (Raul), dentre outros.

O enredo acompanha o advogado criminalista Mandrake (Marcos Palmeira), que é especialista em casos de chantagem e extorsão. Além de resolver casos difíceis pessoalmente, em meio à prostitutas, traficantes e personagens excêntricos, o advogado se envolve com diversas mulheres, se dizendo apaixonado por todas elas.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história se passa no Rio de Janeiro, utilizando a cidade como pano de fundo para as situações pelas quais Mandrake (Marcos Palmeira) passa. A ambientação, bem como a construção de personagens comuns, passíveis de existirem na realidade, contribui para a verossimilhança da trama. Do mesmo modo, a caracterização dos personagens acompanha a personalidade e o jeito de cada um, colaborando, mais uma vez, para a formação de uma história verossímil. Bebel (Erika Mader), por exemplo, veste roupas curtas e joviais, o que condiz com sua idade e personalidade, em oposição a Berta (Maria Luísa Mendonça), que se veste de modo mais sofisticado. Mandake (Marcos Palmeira), por sua vez, está quase sempre de terno, o que combina com sua posição de advogado.

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A trilha sonora é predominantemente instrumental, dando o tom das cenas. A principal música da série é a música instrumental de abertura, que também aparece durante os episódios. A exceção fica por conta de momentos pontuais, onde são apresentadas músicas cantadas, sempre diegéticas, ou seja, que fazem parte do mundo dos personagens. Um exemplo pode ser visto no primeiro episódio, intitulado “A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar”, onde pode-se ouvir diversas músicas no bordel onde Mandrake (Marcos Palmeira) vai resolver o caso, as quais compõem o ambiente diegético.

A fotografia, por sua vez, segue um estilo naturalista, que contribui para a verossimilhança da trama. Podem ser percebidas cores acentuadas em cenários pontuais, como a boate do episódio “A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar” ou a festa tântrica do episódio “Kolkata”.

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A edição segue, majoritariamente, o padrão linear, à exceção de alguns flashbacks e do último episódio, que inverte a cronologia sem, contudo, causar confusão no telespectador.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos,recursos de storytelling e transmedia literacy. Em relação à intertextualidade, a série apresentou diversas menções a lugares reais, como Nova Iguaçu, México e Espanha, além do time Vasco da Gama, por exemplo. Mais uma vez, é trabalhada a verossimilhança, de modo a aproximar a trama da realidade e do espectador.

Mandrake utilizou as setas chamativas em certos momentos, de modo a clarificar a trama e não deixar dúvidas ao espectador. Um exemplo é a utilização de alguns flashbacks, como no episódio “Kolkata”, onde Mandrake (Marcos Palmeira) reencontra uma personagem apresentada no primeiro episódio e aparece um flashback relembrando o espectador quem era a moça. Os recursos presentes em diversas séries, como mudança de fotografia durante os flashbacks, não são utilizados, o que impede que tudo seja dado mastigado ao espectador. Nesse sentido, o indicador ausência de setas chamativas foi observado apenas em momentos pontuais da trama.

Já quanto aos efeitos especiais narrativos, em cada episódio há clímax e reviravoltas, de modo a desenvolver a trama de cada episódio. Contudo, em nenhum momento o espectador é levado a reconsiderar tudo o que viu até então ou há mudança no estilo narrativo do programa.

Em relação aos recursos de storytelling, são utilizados alguns flashbacks, como para apresentar alguns personagens no primeiro episódio (“A Cidade Não é Aquilo que se Vê do Pão de Açúcar”), além de alteração cronológica no último episódio, intitulado “Amparo”. Nele, a história se inicia com Mandrake (Marcos Palmeira) em um carro, com um tiro próximo ao pulmão. Os acontecimentos que antecedem a situação são apresentados e, por vezes, voltamos à cena do protagonista no carro. Entretanto, a série não obteve destaque no indicador.

Por fim, a transmedia literacy foi observada em ação feita pela HBO Brasil no Twitter em 2012, antes da estreia dos dois episódios especiais de Mandrake. Os fãs poderiam enviar uma pergunta ao ator Marcos Palmeira utilizando as hashtags #MandrakeBR e @HBO_Brasil. As perguntas mais criativas foram respondidas pelo ator através de vídeos divulgados pelo canal da emissora no YouTube. Embora a ação não se conecte diretamente ao enredo de modo a expandir a narrativa, ela permite que os fãs participem ativamente, aumentando a experiência do espectador e estimulando a discussão sobre a série em diversas plataformas.

Por Julia García