Arquivo da tag: Globo

Supermax

supermax1

  • Criação: José Alvarenga Jr., Fernando Bonassi e Marçal Aquino
  • Direção-geral: José Alvarenga Jr.
  • Período de exibição: 20/09/2016 – 13/12/2016
  • Horário: 23h15
  • Nº de episódios: 12

Série em doze episódios, Supermax foi exibida pela Rede Globo entre 20 de setembro e 13 de dezembro de 2016. Criada por José Alvarenga Jr., Fernando Bonassi e Marçal Aquino e dirigida por José Alvarenga Jr., José Eduardo Belmont e Rafael Miranda, a proposta da obra era explorar o gênero horror tendo como cenário um presídio de segurança máxima localizado no interior da Amazônia onde doze criminosos disputariam um prêmio de dois milhões de reais, numa espécie de reality show televisionado.

 1722701-em-cena-de-supermax-pedro-bial-explic-950x0-4

Comandada por Pedro Bial, a disputa gira em torno do ex-jogador de futebol Artur (Rui Ricardo Diaz), o ex-PM Sergio (Erom Cordeiro), a enfermeira Bruna (Mariana Ximenes), a psicóloga Sabrina Toledo (Cléo Pires), o economista José Augusto (Ademir Emboava), o ex-padre Nando (Nicolas Trevijano), a empresária Janette (Maria Clara Spinelli), a atriz Cecília Damasceno (Vânia de Britto), a dona de casa Diana (Fabiana Gugli), o ex-lutador de MMA Luisão (Bruno Belarmino), o médico Timóteo (Mário César Camargo), por fim, Dante (Ravel Andrade) e todos têm em comum um grave problema com a justiça. Sendo assim, o passado e o crime de cada um é revelado ao longo dos episódios.

Contudo, a disputa que, num primeiro momento, seria em razão do dinheiro e do perdão do público, se transforma na luta pela sobrevivência: quando a produção não entra mais em contato com os participantes e uma doença fatal começa a se espalhar, o grupo decide achar uma saída do presídio passando por diversas dificuldades e armadilhas. Assim, descobrem que o local é dominado por Baal (Márcio Fecher), uma espécie de líder com a fórmula da cura para a doença da qual os participantes padeceram no presídio. Porém seu único desejo é procriar com mulheres “saudáveis” e matar qualquer outro que cruzar seu caminho.

Globo

Supermax foi a primeira série a ser disponibilizada antes da estreia na TV aberta na plataforma sob demanda do Grupo Globo, a GloboPlay, tendo os primeiros onze episódios liberados. A estratégica visava “atingir um público habituado aos portais de streaming e à prática de binge-viewing, ou ‘maratona’ em que se assiste em sequência a vários capítulos ou episódios de uma narrativa seriada” (PUCCI, 2017, p.306).

Na madrugada do dia 10 de dezembro de 2016, com a proximidade do episódio final, a Rede Globo promoveu a mesma maratona na televisão, reexibindo, em sequência, os onze primeiros episódios da trama. A série também foi lançada no formato físico em 4 DVDs, pela Som Livre, e a Loja Globo colocou à venda camisetas e canecas licenciadas da série.

supermax

Rodada ao mesmo tempo e utilizando os mesmos cenários erguidos nos Estúdios Globo, a versão Supermax: O inferno em suas mentes foi produzida no idioma espanhol com foco nos países latinoamericanos, em dez episódios. No elenco, estiveram presentes atores reconhecidos como Alejandro Camacho (das telenovelas Ambição [Cuna de Lobos] e Garotas Bonitas [Muchachitas]), Laura Neiva (O Rebu) e César Trancoso (Flor do Caribe).

Nesta análise, para o Plano da Expressão, observamos os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

O cenário principal é um presídio de segurança máxima desativado localizado na Amazônia. Segundo o site Memória Globo,

“a prisão de segurança máxima tem três andares, 800 metros quadrados, é eletrônica e foi construída dentro de uma tenda de onze metros de altura. São doze celas com portas automáticas e estrutura independente para cada um dos participantes, como cama e vaso sanitário. Na área comum, uma escada de metal dá acesso ao refeitório e à sala de TV. O ambiente é cinzento, tem um teto no estilo vitral e não tem janelas”.

1 L59aoHcrx676e8D0V_ALsAIsolados e presos, os participantes do reality se deparam com outras faces da prisão, como o subterrâneo. Abandonado, sem luz e com grandes montes de areia e armadilhas. Concluímos assim que a ambientação da série busca evocar os medos do telespectador com tensão e a preocupação permanente, a claustrofobia e a ameaça biológica do local são importantes fatores da construção narrativa.

v2-11

A caracterização dos personagens é inspirada em uniformes presidiários. Os participantes de Supermax vestem camiseta, moletom e sapato de velcro todos na cor azul. No decorrer da trama, além da degradação do figurino, já que as peças que os jogadores possuem são únicas, a degradação física é bem demarcada com maquiagens que demonstram o esgotamento de cada personagem.

marcio-fecher03Para o vilão Baal, o ator Márcio Fecher teve de depilar todo seu corpo, utilizar lentes nos olhos, maquiar-se com cicatrizes e aplicar barro em seu corpo. Tal caracterização busca delimitar sua transformação de pastor Nonato para o líder da seita Baal, figura maléfica, repugnante, semelhante a um humanoide e detentor da cura para o vírus mortal que se espalha na região onde localiza-se o presídio.

Composta por instrumentais, a trilha sonora a cargo de Márcio Lomiranda buscou reafirmar a atmosfera de horror da proposta original da série. A única música com vocais é a presente na vinheta de abertura, “Darkness” de Leonard Cohen. Apesar de não composta exclusivamente para Supermax, na letra da canção podemos perceber referências ao enredo como o trecho “I said: Is this contagious?” (“Eu disse: isso é contagioso?”, tradução livre) o qual podemos relacionar ao vírus que se dissemina na prisão.

supermax-58

A fotografia escolhida busca se aproximar do formato do reality show. As imagens retratam de forma naturalista, por vezes em baixa qualidade ou pouco foco, o que ocorre dentro da prisão. Em sua maior parte são simulações de captura por câmeras de vigilância, incluindo visualizações noturnas do interior das selas. Quando o telespectador se dá conta que não existe mais a produção assistindo aos participantes, as imagens destas câmeras ajudam a criar o clima de mistério onde a dúvida se transforma em “quem está, agora, no comando do jogo?”.

Por fim, a edição é feita de forma não-linear. Em um primeiro momento, mescla as situações dentro da prisão como um reality show e o passado pregresso dos participantes, revelados aos poucos. Num segundo momento, quando o foco se direciona para o contágio existente entre os personagens, busca em flashback explicar a história do lugar onde se localiza a penitenciária e a luta por sobrevivência dos personagens.

nando

No Plano do Conteúdo, temos os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

No indicador intertextualidade, podemos destacar o diálogo com formato dos realitys de onde parte a premissa da série. Do confinamento, às provas sugeridas e apresentação de Pedro Bial, no primeiro e no último episódio. Vale lembrar que o mesmo apresentou quinze edições do Big Brother Brasil, principal exemplo do formato no país. A mescla entre ficção e realidade bem como a fidedignidade destes tipos de produção são questões levantadas ao telespectador que pode analisar criticamente estes programas.

Outro exemplo é o passado da personagem Diana, que assassinou e esquartejou o marido tal como pôde ser visto nos noticiários da vida real entre o empresário Marcos Matsunaga e sua esposa, ex-garota de programa Elize Matsunaga, fato ocorrido em 2012.

dianaA série faz uso de diversos cartazes narrativos no enredo sobre o contágio. Em diversos momentos, como no sexto episódio, onde se decide pela morte de Cecília, são realizados diálogos que visam esclarecer sobre a ocorrência de uma doença dentro da prisão e dos posicionamentos dos personagens sobre assassinar ou não os infectados. Sendo assim, o indicador escassez de setas chamativas não foi observado.

Quanto aos efeitos especiais narrativos, nenhuma sequência obriga o telespectador a reconsiderar todos os arcos narrativos apresentados na trama. Porém, durante o décimo episódio ocorre um flashback retomando à época da construção do presídio, o início do surto do vírus mortal, a criação de uma quarentena para tentar contornar-se a situação além da morte de vários indivíduos. Nesse mesmo episódio, é explorada a origem de Baal, o grande vilão dos presos de Supermax. Trata-se do ex-pastor Nonato, que vê sua família morrer e é infectado pelo vírus. O personagem acaba descobrindo que a radiação de uma caverna é a cura para o malefício. Sendo assim, revolta-se contra Deus e cria uma seita satânica recrutando pessoas para seu lado em troca da cura.Supermax-1x10

O indicador recursos de storytelling não pôde ser observado na série. Os flashbacks presentes para esclarecer o passado dos personagens e do local são feitos de forma demarcada por setas chamativas que explicam ao telespectador a temporalidade com efeitos visuais e/ou mudanças de fotografia.

Por último, Supermax, além dos vídeos, perfis de personagens e galerias de fotos dos bastidores disponibilizadas no site Gshow, do Grupo Globo, contou com duas ações principais como desdobramento transmídia da série. São elas a websérie “Supermax por dentro” e o jogo para smartphones “Supermax – O jogo”.

Entre 4 de outubro e 9 de dezembro de 2016, em paralelo à exibição da série na TV, o portal Gshow veiculou Supermax por dentro, em dez episódios de cerca de quatro minutos. Trata-se de uma espécie de spin-off onde dois jovens buscam desvendar o passado dos personagens, fazendo uso de teorias mirabolantes com base nos episódios transmitidos pela Rede Globo. A linguagem e a estética utilizada nesta websérie se aproxima dos vlogs pessoais.

WhatsApp Image 2018-05-27 at 13.21.57

A partir das discussões sobre o conceito de transmidia literacy, consideramos que este conteúdo contempla tal indicador, pois instiga os telespectadores a também descobrirem o passado criminoso de cada participante do reality, além da linguagem escolhida dialogar com um formato bastante consumido pelo público online.

O jogo para smartphones “Supermax – O jogo” foi desenvolvido através de uma competição promovida pelo Grupo Globo na Brasil Game Show de 2016. Dez equipes participaram de uma gincana de programação durante 48 horas em uma casa de vidro, o game para Android e iOS da vencedora Antworks Studio, com base na votação popular, teve lançado ao longo da exibição dos últimos três episódios pela Rede Globo.

game-supermax-tela-inicialAo ter contato com o jogo, percebemos que ele se refere inteiramente ao universo da série, demandando de conhecimentos prévios da história para completar os enigmas. Baseado na jogabilidade de primeira pessoa, o indivíduo deve explorar ambientes, achar pistas e resolver mistérios em três fases.

Segundo Pucci (2017, p. 306),

“os exemplos permitem constatar a identificação do  mobile game como um ponto de acesso à franquia de modo geral, com o segundo  produto dependente do primeiro, em caracterização de  metagaming: o  uso de informações ou recursos externos ao  game  que afetam as decisões.”

 unnamed

O metagaming, ao fomentar a resolução dos mistérios da série televisiva em outra plataforma, pode ser considerado um exemplo de promoção da transmidia literacy nos telespectadores impulsionando o acesso, a participação, a análise e o entendimento crítico do conteúdo. Além disso, ao estabelecerem novas conexões entre os personagens, passados, bem como entre arcos narrativos e o jogo, o público têm a oportunidade de aprofundar e ressignificar o universo ficcional de Supermax.

Por Léo Lima

Mister Brau

mister1

  • Criação: Jorge Furtado
  • Roteiro Final: Adriana Falcão
  • Elenco: Lázaro Ramos, Taís Araújo, Fernanda de Freitas,George Sauma, Luís Miranda,Kiko Mascarenhas, Cláudia Missura, Marcelo Flores, Leonardo Lima, Brunna Oliveira, Sérgio​ Rufino, entre outros.
  • Período de exibição: 22/09/2015 a (ainda no ar)
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 45 (ainda no ar)

Criada por Jorge Furtado a série Mister Brau é protagonizada por Lázaro Ramos e Taís Araújo. Na trama os atores interpretam Mr. Brau e Michele, de origem humilde o casal se muda para um condomínio de luxo e tem que lidar com os novos vizinhos, Henrique (George Sauma) e Andréia (Fernanda de Freitas). Os episódios, com cerca de 40 minutos, exploram a carreira musical de Mr. Brau (Lázaro Ramos), que conquistou fama internacional com sua música – uma mistura de gêneros que vai de ritmos africanos ao pop, e de sua esposa Michele (Taís Araújo), que dita moda e as regras na relação e na carreira do marido de quem também é empresária e bailarina.

Ao longo das três temporadas a série também aborda questões sociais como, por exemplo, o racismo e a igualdade de gênero. Outro ponto de destaque no programa são as sequências musicais. Além de composições feitas especialmente para a atração, Mr. Brau (Lázaro Ramos) e Michele (Taís Araújo) interpretam sucessos da música popular brasileira.

Como iremos discutir mais adiante, Mister Brau foi composta por várias ações de engajamento. As estratégias tinham o objetivo de aprofundar o universo ficcional e trazer verossimilhança para a carreira de sucesso do protagonista.

Com o roteiro final de Adriana Falcão, o programa da Rede Globo ainda conta com os atores Luís Miranda (Lima), Kiko Mascarenhas (Gomes), Daniel Dantas (Antônio Carlos), Guta Stresser (Maria Augusta), Cláudia Missura (Catarina), Marcelo Flores (Marques), entre outros.

No Plano da Expressão iremos analisar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A ambientação de Mister Brau não só reforça o universo ficcional da série, mas contribui diretamente para os desdobramentos dos arcos narrativos. Logo no episódio de estréia da trama vemos os protagonistas em sua nova casa e é exatamente a presença dos artistas no condomínio, localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que desencadeia o primeiro conflito da história. O mesmo acontece em vários momentos das três temporadas exibidas pela Rede Globo, ou seja, o lugar onde os protagonistas moram é cenário e ponto de partida para o desenvolvimento dos plots.

A casa de Mr. Brau (Lázaro Ramos) e Michele (Taís Araújo) dialoga com o estilo de vida dos personagens. Os objetos de decoram fazem alusão a musica, a moda e a cultura africana. Apesar de grande parte da trama se passar na mansão dos Brau, podemos observar locações externas. Como, por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro e de Salvador. Porém, toda a ambientação da série reforça o cenário da musical no qual os artistas estão imersos.

mister2

A caracterização dos personagens faz alusão músicos nacionais e internacionais como, por exemplo, Carlinhos Brown, Jay Z e Beyonce. As roupas usadas por Mr. Brau (Lázaro Ramos) e Michele (Taís Araújo) são, em sua maioria, compostas por estampas com cores fortes. No caso de Michele (Taís Araújo) os figurinos também dialogam com o posto de fashionista. Vários episódios do programa mostram que a protagonista dita moda e influência várias mulheres. Nesse sentido, o indicador vai ao encontro do universo ficcional da série e ajuda na composição dos personagens.

mister3

Por se tratar de uma série que abordar o cenário musical nacional, a trilha sonora de Mister Brau está presente em vários momentos da trama. Nos episódios é possível acompanhar todo o processo de criação do protagonista, desde a inspiração até suas apresentações em programas de TV. Além de interpretar músicas de outros cantores, Mr. Brau (Lázaro Ramos) tem suas canções autorais.

Criadas especialmente para a atração, as 27 canções dialogam com a trajetória de vida dos protagonistas e contribuem para o desenrolar dos arcos narrativos. Como, por exemplo, no episódio de estréia da primeira temporada, exibido no dia 22 de setembro de 2015. O conflito central da história se dá a partir de uma letra composta por Mr. Brau (Lázaro Ramos).

A fotografia segue o estilo naturalista, em poucos momentos da trama podemos observar o uso de filtros. A variação acontece de modo mais frequente durante as apresentações, shows e clipes dos protagonistas, porém o indicador não interfere diretamente nos desdobramentos narrativos.

mister4

As temporadas de Mister Brau são pautadas por uma edição não-linear. Nesse sentido, os episódios exploram várias temporalidades. Entretanto, as analepses apresentam várias setas chamativas, nesse sentido o público é constantemente lembrando da cronologia das cenas. O indicador se destaca principalmente nos episódios centrado no passado dos protagonistas. Como, por exemplo, no episódio que conta como Mr. Brau (Lázaro Ramos) e Michele (Taís Araújo) se conheceram.

No Plano do Conteúdo iremos analisar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy.

Por retratar o cenário musical, a série Mister Brau apresenta várias referências externas ao universo ficcional. Seja através de participações especiais e/ou nos diálogos dos personagens a trama tenta aproximar a ficção da realidade. Nesse contexto, o indicador contribuí diretamente para a verossimilhança da atração.

mister5Durante as três temporadas vários artistas como, por exemplo, Karol Conka, Elza Soares, Buchecha, Cláudia Leitte e Mumuzinho fizeram participações nos episódios. Dessa forma, apesar de não ser fundamental para a compreensão da história, ao conhecer o trabalho dos artistas os telespectadores tinham uma visão mais aprofundada da atração. Como se Mr. Brau (Lázaro Ramos) e Michele (Taís Araújo) integrassem de fato o cenário musical contemporâneo.

Apesar de imbricar o formato seriado e episódico, isto é, a trama é composta tanto por arcos narrativos isolados quanto por arcos narrativos que atravessam toda a temporada, Mister Brau é norteada por várias setas chamativas. O indicador, que é uma espécie de cartaz narrativo disposto convenientemente para ajudar o público a compreender o que está acontecendo, pode ser observado no perfil dos personagens e nos diálogos. Em vários momentos do programa os roteiristas resgatam as características centrais dos personagens como, por exemplo, Mr. Brau (Lázaro Ramos). Seja através de suas roupas ou da sua expressão corporal o público é constantemente lembrado do jeito extrovertido e atrapalhado do cantor. O mesmo acontece nos diálogos, apesar das tramas não terem desdobramentos muito complexos, o texto retoma os últimos acontecimentos e os motivos do conflito apresentado no episódio.

O indicador efeitos especiais narrativos não foram observados em Mister Brau. Mesmo apresentando reviravoltas e clímax nos episódios em nenhum momento o telespectador é obrigado a reconsiderar tudo o que viu até então.

Os recursos de storytelling foram observados nas analepses e nas sequência fantasiosas da série. Porém, é importante ressaltar que o indicador era apresentado através de setas chamativas. Ou seja, as diferentes temporalidades eram demarcadas com legendas ou efeitos especiais que indicavam claramente a mudança cronológica. A diminuição do esforço cognitivo do público também pode ser observada nas sequências fantasiosas, as cenas apresentam filtros que ressaltam que o plot é fruto da imaginação do personagem.

As ações transmídia desenvolvidas pela Rede Globo para as temporadas de Mister Brau tinham o objetivo de aproximar a ficção da realidade. Isto é, mostram que o protagonista de fato integrava o cenário musical nacional. Antes da estréia dos episódios da primeira temporada, Mr. Brau (Lázaro Ramos) se apresentou em vários programas da emissora como, por exemplo, Fantástico, Altas Horas e Faustão. O protagonista da série de Jorge Furtado era anunciado como um fenômeno da música baiana.

mister6

Essa imbricação entre ficção e realidade também norteou os conteúdos produzidos pela Rede Globo no site da atração e nas redes sociais. Ao acessar o site de Mister Brau era possível conhecer toda a trajetória do cantor, ler reportagens fictícias, acompanhar a agenda de shows, etc. Já as redes sociais Twitter, o Facebook e o Instagram focavam no dia a dia de Brau (Lázaro Ramos).

mister7

A verossimilhança do universo ficcional de Mister Brau foi reforçada por artistas nacionais. Como parte da estratégia transmídia adotada pela Rede Globo, foram lançados vídeos com depoimentos de Ivete Sangalo, Nelson Motta, Carlinhos Brown e Lulu Santos. Os conteúdos, disponibilizados no canal do cantor no You Tube, mostram os entrevistados ressaltando a importância de Brau (Lázaro Ramos) para a música brasileira.

Intitulados ‘EspeciBrau’,exibido em 21 de dezembro de 2016, e ‘Os Brau’, exibido em 9 de abril de 2017, os episódios especiais não abordavam os arcos narrativos do universo ficcional, mas apresentações musicais. Entre os convidados estavam Maiara & Maraisa, Marília Mendonça, Claudia Leitte, Karol Conka, Pablo, Buchecha, Liniker e os Caramelows, entre outros.

mister8Ao explorar distintas linguagens e plataformas as ações transmídia de Mister Brau oferecem ao público novas perspectivas da história. Dessa forma, o indicador transmedia literacy estimula o telespectador a fazer interconexões entre diferentes contextos, em que cada estratégia reforça os arcos narrativos da série. Apesar de não serem fundamentais para a compreensão da trama televisiva, as estratégias ampliam o universo ficcional da série propiciando o entendimento critico do público.

Por Daiana Sigiliano

A Teia

ateia1

  • Série escrita por: Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani
  • Direção: Pedro Vasconcelos
  • Direção-geral e de núcleo: Rogério Gomes ‘Papinha’
  • Período de exibição:28/01/2014 – 01/04/2014
  • Horário: 23h30
  • Nº de episódios: 10

A Teia foi uma série exibida pela Rede Globo entre janeiro e abril de 2014. Baseada em casos do arquivo pessoal do delegado aposentado da Polícia Federal, Antonio Celso dos Santos, a produção contou com nomes como João Miguel (Jorge Macedo), Paulo Vilhena (Marco Aurélio Baroni), Andreia Horta (Celeste) e Júlio Andrade (Charles).

A história acompanha o delegado Macedo (João Miguel), que tenta desvendar um roubo de 60kg de ouro no aeroporto de Brasília. O personagem reúne pistas que levam à quadrilha do criminoso Baroni (Paulo Vilhena), a qual é, aos poucos, desmantelada pelo delegado.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Em relação à ambientação, a maior parte da série se passa entre as cidades de Brasília e Curitiba, com muitas cenas externas, as quais não foram gravadas em estúdio. O fato de utilizarem cenários reais contribui para a verossimilhança da trama, assim como a caracterização dos personagens, que se faz de acordo com o estilo e a ocupação de cada um. O bandido Baroni (Paulo Vilhena), por exemplo, usa muitas roupas escuras.

Print 1 Print 2

A trilha sonora é um elemento de destaque, uma vez que as músicas utilizadas, em grande parte não-instrumentais, são marcantes. A música tema da série é “Come as you are”, do Nirvana, e tocada, principalmente, em momentos tensos, como o roubo do avião, dando um tom de rebeldia e agitação às cenas. Charles (Júlio Andrade), por exemplo, tem uma relação especial com o rock, sendo que várias cenas do personagem são marcadas por trilhas diegéticas, ou seja, aquelas que fazem parte do universo dos personagens.

A fotografia segue um estilo naturalista, o que reforça a verossimilhança da trama. Entretanto, as cenas externas noturnas são marcadas, muitas vezes, por tons quentes, o que destaca o cenário, que é real, e não reproduzido em estúdio.

Print 3 Print 4

A edição, por sua vez, segue, majoritariamente, o padrão linear. Contudo, no início de cada episódio é mostrado um acontecimento do passado que ajuda na compreensão da narrativa presente, além da utilização de flashbacks funcionais em alguns pontos da trama.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos, recursos de storytelling e transmedia literacy. A intertextualidade está presente nas diversas menções a locais reais, como Brasília, Curitiba, Paraguai e Chapada dos Guimarães, nos quais se passam parte da trama. A utilização de tais locais como pano de fundo da narrativa aproxima a trama da realidade, fazendo-a parecer passível de acontecer realmente.

Durante o desenvolvimento da narrativa foi observada a presença de algumas setas chamativas, que facilitam a compreensão do telespectador. No início de cada episódio, quando eram mostrados acontecimentos passados, havia a indicação de temporalidade, que deixava claro que o que era mostrado não se passava no presente. Alguns flashbacks se apresentavam em preto e branco, o que também ajuda o público a diferenciar a temporalidade. Além disso, quando no oitavo episódio o delegado Macedo (João Miguel) desvenda a maior parte da “teia” que envolvia o assalto ao aeroporto e o bando de Baroni (Paulo Vilhena), ele explica didaticamente o que descobriu aos seus companheiros da polícia, o que também esclarece o espectador. Portanto, o indicador escassez de setas chamativas não se faz um elemento de destaque na análise da série.

Print 6 Print 5

Em relação aos efeitos especiais narrativos, há clímax e reviravoltas durante os episódios, o que faz a trama se desenvolver. Entretanto, em nenhum momento o espectador tem que reconsiderar tudo o que viu até então ou há mudança no estilo narrativo do programa.

Já quanto aos recursos de storytelling, há alterações cronológicas durante os episódios, os quais sempre começam com algo que aconteceu no passado e que ajuda a compreender a trama do presente. Há também a presença de flashbacks, como quando alguém está reconstituindo uma história ao delegado Macedo (João Miguel) ou quando o próprio delegado está reconstituindo uma história. Porém, todos esses elementos são norteados por setas chamativas dispostas estrategicamente para reduzir o esforço analítico do telespectador.

Em relação ao indicador transmedia literacy, a ação transmídia feita pela Rede Globo foi a “Teia Virtual”, disponibilizada através do portal GShow. A “Teia Virtual” é um espaço interativo que simula a teia montada pelo delegado Macedo (João Miguel) com as pistas encontradas durante os episódios. Desse modo, o telespectador interagente pode tentar desvendar o caso juntamente com o delegado.

Print 7 Print 8

Contudo, tudo o que é mostrado na “Teia Virtual” já foi exibido nos episódios da série, ou seja, o público não encontra nenhuma pista nova ou conteúdo novo que transcenda a narrativa. Portanto, não é exigida a participação ativa do telespectador interagente, uma vez que não é necessário completar a mensagem da “Teia Virtual”, tudo é dado pronto. Sendo assim, o indicador transmedia literacy não foi observado nas ações transmídia de A Teia.

 Por Júlia Garcia

Amor em 4 atos

amorem4atos_logo2

  • Roteiro: Antonia Pellegrino, Marcio Alemão Delgado, Estela Renner e Tadeu Jungle
  • Direção-geral: Roberto Talma
  • Direção: Roberto Talma, Tande Bressane, Tadeu Jungle e Bruno Barreto
  • Período de exibição: 11/01/2011 – 14/01/2011
  • Horário: 23h
  • N° de capítulos: 4

Com a direção-geral de Roberto Talma e exibida pela Rede Globo entre os dias 11 e 14 de janeiro de 2011, a minissérie Amor em quatro atos é uma obra inspirada nas canções de Chico Buarque. O diálogo entre as músicas do cantor e os arcos narrativos do programa abarca o senso estético, sonoro e linguístico. Apesar de ser composta por quatro episódios procedurais, isto é, com histórias independentes, as tramas compartilham a mesma temática e ambientação.

O primeiro episódio, intitulado Ela faz cinema, é inspirado nas músicas Ela Faz cinema e Construção. A trama narra à história de Letícia (Marjorie Estiano), uma jovem cineasta, e do pedreiro Antônio (Malvino Salvador). O casal, apesar das diferenças sociais e econômicas, vive um tórrido romance. Entrelaçado a esse arco principal é desenvolvido o sub plot de Rafic (Cacá Rosset), um árabe que trabalha em um trailer de comidas típicas localizado na Estação da Luz, em São Paulo, e nutre uma paixão platônica pela voz que anuncia o horário dos trens.

Inspirado na letra de Mil Perdões, o segundo episódio, Meu único defeito foi não saber te amar, é centrado na crise conjugal de Lauro (Dalton Vigh) e Maria (Carolina Ferraz). O casal, após anos de convivência, vê seu amor posto à prova por conta de desconfianças e ciúmes.

Já os dois últimos episódios, Folhetim e As Vitrines, inspirados em canções homônimas de Chico Buarque, são protagonizados por Ary (Vladimir Brichta). Depois uma briga com sua mulher Selma (Camila Morgado), o personagem se apaixona, na noite da Rua Augusta, por Vera (Aline Moraes). Por já ter sofrido muito por amor, Vera (Aline Moraes) reluta em se envolver com Ary (Vladimir Brichta), mas depois acaba se rendendo ao sentimento que tinha pelo rapaz. Além disso, os episódios exploram os sub plots com os personagens Ana (Alice Assef), amiga de Vera (Aline Moraes), e o corretor de imóveis Marcos (Osmar Prado)  .

O elenco de Amor em quatro atos ainda conta com Marjorie Estiano (Letícia), Malvino Salvador (Antônio), Cacá Rosset (Rafic), André Frateschi (André), Dalton Vigh (Lauro), Carolina Ferraz (Maria), Gisele Fróes (Dora), Dudu Azevedo (Fernando), Vladimir Brichta (Ary), Aline Moraes (Vera), Camila Morgado (Selma), Alice Assef (Ana), Osmar Prado (Marcos), entre outros.

No Plano da Expressão iremos destacar os indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Todas as quatro histórias que compõem a minissérie se passam em lugares emblemáticos da cidade de São Paulo. Como, por exemplo, a Estação da Luz, a Rua Augusta e o Edifício Copan. As cenas externas são bastante exploradas na trama, grande parte dos acontecimentos das histórias tem como pano de fundo as ruas e bares da cidade. Em contrapartida, locais com apartamentos e casas aparecem com menos freqüência na atração. Ao ser ambientado na metrópole e incorporar a estética urbana as sequências ressaltam o caráter contemporâneo e cotidiano proposto pela minissérie.

amor2

A caracterização dos personagens de Amor em quatro atos não apresenta mudanças significativas ao longo da narrativa e não altera e nenhum fator específico das histórias. Nesse contexto, o indicador apenas reforça aspectos que já compõem as sequências. Como, por exemplo, no episódio Ela faz cinema o figurino da personagem Letícia (Marjorie Estiano) é composto basicamente de camisetas rasgadas, shorts jeans, tênis e botas, ressaltando sua personalidade despojada e aventureira. Já o figurino de Antônio (Malvino Salvador) é constituído de roupas bem simples como camisetas de malha e calça jeans, que muitas vezes estavam sujas por causa do seu trabalho como pedreiro. E, por último, Rafic (Cacá Rosset), como um modesto senhor de meia idade com descendência árabe, vestia peças como coletes de lã, boinas, camisas e sapatos sociais.

amor3

No segundo episódio, como se tratava de um casal de classe média-alta, Lauro (Dalton Vigh) e Maria (Carolina Ferraz), se vestiam com roupas mais sofisticadas como: vestidos de tecido e roupas sociais. Além disso, a personagem estava maquiada durante todas as sequência.

amor4

Já nos dois últimos episódios, a personagem de Aline Moraes veste roupas curtas, com brilho e decote, além de usar salto alto. O figurino vai ao encontro da sua atividade como prostituta na Rua Augusta. Por fim, Ary (Vladimir Brichta), na maioria das cenas se veste com roupa social, de terno e gravata reforçando a sua ocupação como funcionário de uma multinacional em São Paulo.

amor5

No indicador trilha sonora, podemos destacar que o universo ficcional de cada episódio é inspirado e faz referências as canções de Chico Buarque. Nesse sentido, a obra do cantor está presente desde a composição visual dos episódios até os desdobramentos dos acontecimentos narrativos.

Essa questão pode ser observada na música Ela faz cinema, presente no primeiro no episódio homônimo. Além de dialogar com a profissão da personagem Letícia (Marjorie Estiano), a canção também se imbrica com a trama no trecho: “Quando ela mente/ Não sei se ela deveras sente/ O que mente para mim/ Serei eu meramente/ Mais um personagem efêmero/ Da sua trama”. Já que, na história, a jovem mente sobre seu noivado para Antônio (Malvino Salvador) com quem estava se relacionando.

O episódio também é composto pela música Construção, na história Letícia (Marjorie Estiano) está produzindo um clipe para a canção. Além da relação dos protagonistas começar a partir de uma obra no apartamento. Outra clara referência a composição de Chico Buarque, é na cena em que Antônio (Malvino Salvador) cai em uma avenida movimentada para finalizar o clipe de Letícia (Marjorie Estiano), fazendo alusão ao trecho: E flutuou no ar como se fosse um pássaro/E se acabou no chão feito um pacote flácido/ Agonizou no meio do passeio público/ Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

No segundo episódio, temos como tema a música Mil perdões que retrata um amor intenso de duas pessoas que conseguem superar até mesmo uma traição. A situação abordada por Chico Buarque se reflete no arco narrativo central da trama, que também é aborda uma crise conjugal.  A interelação entre as obras fica evidente no seguinte trecho: Te perdoo porque choras/ Quando eu choro de rir/ Te perdoo/ Por te trair.

Já a música Folhetim conta a história do episódio pelo ponto de vista da personagem Vera (Aline Moraes), desde quando Ary (Vladimir Brichta) a conhece e se apaixona em uma noite, até o momento em que ela o abandona de forma fria na manhã seguinte. Esse arco narrativo pode ser observado no trecho: Mas na manhã seguinte/ Não conta até vinte/ Te afasta de mim/ Pois já não vales nada/ És página virada/Descartada do meu folhetim.

Como continuidade ao arco narrativo do episódio anterior, temos a música As Vitrines que encena os desencontros dos personagens Vera (Aline Moraes) e Ary (Vladimir Brichta) pela cidade de São Paulo. A canção também representa a admiração do rapaz ao observar sua amada passar: Na galeria, cada clarão/ É como um dia depois de outro dia/ Abrindo um salão/ Passas em exposição/ Passas sem ver teu vigia/ Catando a poesia/ Que entornas no chão.

Apesar de não interferir diretamente no desdobramento dos arcos narrativos de Amor em quatro atos, a fotografia da minissérie ressalta a trama unitária dos episódios. Isto é, o indicador reforça o caráter procedural dos ‘atos’, já que cada episódio apresenta uma fotografia diferente Em Ela faz cinema, por exemplo, a composição visual é constituída por uma paleta de cores específica, com cores de tons quentes e amarelados. No segundo, observamos a predominância da cor branca nos cenários e nos dois últimos episódios a iluminação faz referência ao ambiente boêmio e noturno dos bares e das boates de São Paulo.

amor6

Por fim, no indicador edição, apesar de cada episódio da minissérie possuir uma temporalidade específica, as tramas seguem a sequência cronológica.Com exceção do terceiro episódio que apresenta um flashback, porém como recurso foi usado de forma pontual não interfere de maneira definitiva na edição.

No Plano de Conteúdo iremos analisar os indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. No indicador intertextualidade está presente de maneira pontual da trama, como na sequência do episódio Ela faz cinema em que Antônio (Malvino Salvador) estuda o CD de Chico Buarque para impressionar Letícia (Marjorie Estiano). Além de fazer referência ao compositor que inspirou a minissérie enriquecendo a narrativa, a intertextualidade também contribui para reforçar o universo ficcional da trama.

A produção é norteada pelas setas chamativas, nesse sentido os diálogos dos personagens e os recursos visuais funcionam como uma espécie de cartaz narrativo disposto convenientemente para ajudar o público a compreender o que está acontecimento. Esse aspecto está presente, por exemplo, no primeiro episódio da minissérie em que há a presença de um narrador observador, que explica o que Letícia (Marjorie Estiano) está pensando, sendo que pela simples observação de suas feições o telespectador já chega a tal conclusão. No mesmo episódio temos a inserção de uma legenda para indicar o significado da palavra “cáfila” dita por Rafic (Cacá Rosset) e outra explicando o objeto que Antônio (Malvino Salvador) possuía nas mãos, desta forma os recurso gráficos diminuem o esforço analítico necessário para o entendimento da história.

amor7

Os efeitos especiais narrativos presentes em Amor em quatro atos são fundamentais para os desdobramentos das microestruturas (cena e episódio) e macroestruturas (arco e temporada), entretanto em nenhum momento os recursos fazem com que o telespectador reconsidere todos os acontecimentos anteriores. Desta forma, o clímax e a reviravolta presentes nos episódios apenas seguem o desenvolvimento padrão de uma historia, isto é, adotam uma estrutura dividida em cinco atos: equilíbrio, interrupção, clímax, resolução de conflitos e retorno do equilíbrio.

Essa questão pode ser observada no episódio Ela faz cinema em que o clímax está presente quando os dois protagonistas descobrem que houve mentira de ambas as partes e a partir disso decidem ficar juntos da mesma maneira. Já em “Folhetim”, após uma noite repleta de declarações de amor, Vera (Aline Moraes) abandona Ary (Vladimir Brichta) de forma fria e exige o pagamento pela noite.

Por último, em recursos de storytelling foi possível observar a presença de analepse no episódio Meu único defeito foi não saber te amar, no momento em que Maria (Carolina Ferraz) tenta lembrar em que lugar deixou sua aliança. Entretanto, o recurso é norteado por uma seta chamativa, já que o flashback é apresentado em preto e branco, ressaltando, didaticamente, que a sequência não pertencia à temporalidade presente.

Outro recurso explorado foi uma cena em que aparecem várias mulheres, supondo que Rafic (Cacá Rosset) estaria imaginando a quem pertencia a voz que anunciava a chegada dos trens, pela qual era apaixonado. Porém, a cena não é considerada uma sequência fantasiosa, pois logo que chega ao fim um freguês de Rafic (Cacá Rosset) diz, em tom de brincadeira, que o comerciante estava sonhando acordado. Sendo assim, uma seta chamativa para o telespectador indicando que sequência era fruto da imaginação do personagem.

Por Mariana Meyer

* Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela.

Capitu

globo__C_sar Cardeiro e Let_cia Persiles_TV Globo__gallefull.jpg

  • Roteiro: Euclydes Marinho
  • Colaboração: Daniel Piza, Luís Alberto de Abreu e Edna Palatnik
  • Texto final: Luiz Fernando Carvalho
  • Direção-geral e de núcleo: Luiz Fernando Carvalho
  • Período de exibição: 09/12/2008 – 13/12/2008
  • Nº de episódios: 5
  • Horário: 23h

Produzida pela Rede Globo em comemoração ao centenário da morte do escritor Machado de Assis, a minissérie Capitu foi ao ar entre os dias 9 e 13 de dezembro de 2008. Baseada no livro Dom Casmurro, publicado em 1899, a trama foi a segunda produção do Projeto Quadrante, que tem como objetivo adaptar para a televisão obras da literatura nacional. Com o elenco formado por Michel Melamed (Bentinho), Maria Fernanda Cândido (Capitu), Eliane Giardini (Dona Glória), Ezequiel Santiago (Alan Scarpari), Antônio Karnewale (José Dias), Beatriz Souza (Capituzinha), Letícia Persiles (Capitu jovem), Emílio Pitta (Padre Cabral), entre outros, a atração teve o roteiro final e a direção geral de Luiz Fernando Carvalho.

O arco narrativo central conta a trajetória de Bento Santiago (Michel Melamed/ César Cardadeiro), que, por uma promessa da mãe, é destinado ao seminário para tornar-se padre. Porém, o menino é apaixonado pela amiga Capitu e tenta, de todas as formas, se livrar da vida eclesiástica. Ao longo da minissérie, é possível acompanhar o desenrolar da história de Bentinho e Capitu, bem como sua ruína, causada, principalmente, pelos ciúmes do protagonista.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Filmada, quase totalmente, no Automóvel Club do Brasil, antigo palácio localizado no centro do Rio, a minissérie traz diversos aspectos teatrais. O cenário é composto por poucos elementos e o mesmo ambiente é utilizado para representar quase todos os locais da trama. A iluminação e as próprias atuações também reforçam tais aspectos e as famosas cortinas vermelhas do teatro são utilizadas em diversos momentos. Além disso, coreografias de dança compõem algumas cenas.

print1

Os figurinos e os cenários remontam o século XIX, época em que se passa o livro. Entretanto, elementos da atualidade são inseridos em certos momentos, criando paralelos entre passado e presente. Conforme aponta Luiz Fernando Carvalho, “Pensei muito nos jovens. Queria quebrar o preconceito com a obra de Machado, geralmente empurrada goela abaixo nas escolas. Existe a percepção de que Machado é confuso, obscuro e obtuso” (DAUROIZ, 2008, Online)

print2

Já a trilha sonora ajuda a reforçar o sentido da narrativa e varia de acordo com o estado psicológico dos personagens e também com o desenrolar da cena. No quarto episódio da minissérie, por exemplo, Escobar e Bentinho conversam sobre dinheiro e renda, enquanto ao fundo toca a música Money, da banda Pink Floyd.

Outro exemplo de reforço pela trilha sonora pode ser encontrado no primeiro episódio, exibido no dia 9 de dezembro de 2008, quando uma música de tensão interrompe uma música suave ao Bentinho descobrir que Dona Glória pretende levá-lo ao seminário.

Assim como feito pela direção de arte, as músicas também variam entre clássicas e contemporâneas, opondo bandas como Pink Floyd e Black Sabbath a orquestras como Beirut. Nesse contexto, mais uma vez, a trama reforça o paralelo passado-presente.

A minissérie recebeu boas críticas em relação à fotografia, sendo escolhida como Melhor Fotografia pelo Prêmio ABC de Cinematografia. Enquanto a maioria dos monólogos do protagonista é marcada por sombras e penumbras, as cenas que revivem o passado de Bentinho já apresentam uma iluminação mais clara. Nesse contexto, a felicidade dos tempos de juventude se contrasta com a amargura do envelhecido Bentinho. Os tons utilizados na paleta de cores são sóbrios e reforçam tal cenário.

Print 13, 14, 15, 16, 17

Já em relação à edição, a narrativa intercala monólogos de um Bentinho presente com sequências que revivem seu passado. Ele, por vezes, interage com os acontecimentos passados ao desenrolar de tais cenas. Durante os monólogos, é comum o uso de cortes descontínuos, que quebram a lógica dos cortes invisíveis.

print3

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling.

Em relação à intertextualidade, ao longo da narrativa é possível identificar menções a lugares como São Paulo e Itália e a obras como Macbeth e Otelo. Outro diálogo intertextual é feito com o filme Psicose, de Alfred Hitchcock. Há um plano da minissérie que pode ser relacionado estreitamente à famosa cena do chuveiro do cineasta britânico.

print4

Por fim, o uso de setas chamativas não foi observado com constância, o que induz o espectador a completar o sentido da narrativa. As sequências oníricas e os paralelos entre passado e presente não são didaticamente explicados ao público, o qual tem que se adaptar à lógica da narrativa. Entretanto, a presença do narrador Bentinho, somada à utilização de algumas imagens de arquivo históricas que ajudam a situar o espectador diante da falta de alguns cenários explícitos, facilitam a compreensão da trama.

Já em relação aos efeitos especiais narrativos, a trama apresentou o clímax e reviravolta apenas no quinto e último episódio. A partir de então, o curso da narrativa é alterado de forma considerável, mas não a ponto de fazer o espectador reconsiderar toda a trama até então.

print5

No que diz respeito ao indicador recursos de storytelling, a narrativa apresenta diversas sequências oníricas ao longo de todos os episódios, as quais, muitas vezes, ajudam a endossar o estado psicológico do protagonista Bentinho. No primeiro episódio, por exemplo, o protagonista vê sombras que dançam, mas não há ninguém no local além dele. Ainda no mesmo episódio, Bentinho, já envelhecido, assiste a jovem Capitu brincar e dançar, interagindo, de certa forma, com a menina. Tais encontros impossíveis entre passado e presente se repetem ao longo de toda trama, assim como diversas outras sequências dessa natureza. Não fica nítido ao espectador o que é realidade e o que é fantasia. Cabe ao público, portanto, compreender e completar os sentidos de tais sequências dentro da trama.  Há ainda a apresentação de alguns flashbacks funcionais, que introduzem alguns personagens, como José Dias (Antônio Karnewale).

Por Júlia Garcia

* Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela.

Referências

DAUROIZ, Alline. Ela quer seduzir jovens. Estadão, dez. 2008. Disponível: <http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,ela-quer-seduzir-jovens,285883>. Acesso em: 5 jun. 2017

Presença de Anita

tumblr_inline_ocry0aBjoU1u9lp3z_1280

  • Autoria: Manoel Carlos, livremente inspirado na obra Presença de Anita de Mário Donato
  • Direção: Edgard Miranda
  • Direção-geral: Ricardo Waddington e Alexandre Avancini
  • Direção de núcleo: Ricardo Waddington
  • Número de capítulos: 16
  • Período de exibição: 07/08/2001 – 31/08/2001
  • Horário: 22h30

Presença de Anita, minissérie em dezesseis capítulos exibidos pela Rede Globo entre 7 e 31 de agosto de 2001 é uma trama de Manoel Carlos livremente inspirada no livro homônimo de Mário Donato. Segundo o livro “Autores: Histórias da Teledramaturgia”, Manoel Carlos teve acesso à obra original (proibida na época) aos 17 anos, sendo arrebatado pela história. A trama já havia sido adaptada para o cinema em 1951 com roteiro do próprio Mário Donato. Ivani Ribeiro, em 1964, também se inspirou no romance para conceber a novela A Outra Face de Anita na extinta TV Excelsior. Em 1992, Manoel Carlos demonstrou sua vontade de adaptar a história em formato de minissérie, sendo assim Boni, diretor da Rede Globo na época, comprou os direitos. Contudo, o projeto foi engavetado por “ser forte demais”. Apenas em 2001, com o núcleo de Ricardo Waddington, o projeto saiu da gaveta.

Apesar do fascínio de Manoel Carlos pela obra original, Presença de Anita entrega apenas a atmosfera e alguns personagens da literatura de Mário Donato. Carregada de erotismo, mistérios, tensão, sensualidade e sensibilidade, o programa conta a história do triângulo amoroso entre Anita (Mel Lisboa), Fernando (José Mayer) e Zezinho (Leonardo Miggiorin).

Anita, então protagoniza esta história, sendo uma garota de dezoito anos, misteriosa e de espírito livre, que se muda para a fictícia cidade de Florença com a intenção de viver no sobrado onde ocorrera a morte de dois amantes num crime passional. Fernando, ou Nando, um homem de quarenta anos, imaturo, egocêntrico e insatisfeito com a vida conjugal vai para Florença com sua esposa e filhos passar as festa de fim de ano. Contudo, uma briga com o pai de Lúcia (Helena Ranaldi) o faz querer voltar prontamente para São Paulo, e, para esfriar a cabeça, vaga pelas ruas da cidade desconhecida de interior, conhecendo assim Anita e desenvolvendo uma paixão instantânea pela ninfeta. A decisão de voltar para São Paulo é afetada por um acidente de carro que obriga a família a regressar a Florença. Nando então busca novamente Anita e trai sua esposa. Tremendamente apaixonada por Nando, Lúcia descobre aos poucos a infidelidade do marido. Ao mesmo tempo, Anita se envolve com Zezinho, um adolescente de quinze anos do interior de Minas Gerais, inexperiente, medroso, sobrevive trabalhando no armazém em frente ao sobrado recém-alugado por Anita. Zezinho começa a amá-la e se propõe a enfrentar diversas vezes Nando. O final trágico é o destino dos personagens que “morrem por amor”.

O elenco da produção ainda conta com Vera Holtz (Marta), Carolina Kasting (Julieta), Noemi Gerbelli (Suzana), Walter Breda (Antonio), Umberto Magnani (Dr. Eugênio), André Cursino (Anselmo), Alexandre Barros (Heitor) e Linneu Dias (Venâncio).

No Plano da Expressão, destacamos os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição.

A minissérie tem ambientação em seu primeiro capítulo na cidade de São Paulo e o restante na fictícia cidade de Florença. Para compor o ar de cidade de interior, as externas de praça e ruas foram realizadas nas cidades de Vassouras e a locação da fazenda da família de Lúcia em Valença, ambas no interior do estado do Rio de Janeiro. Uma cidade cenográfica foi construída nos Estúdios Globo, antigo Projac, para abrigar o sobrado de Anita e o armazém onde trabalha Zezinho.

presenca1.mp4_snapshot_00.41.54_[2017.05.15_11.34-tile

A cidade interiorana estagnada no tempo e repleta de casarões antigos e ruas de paralelepípedos dialoga com o conservadorismo de Venâncio, ex-prefeito da cidade e pai de Lúcia, Julieta e Marta. O político, que tenta reeleição, se mostra explicitamente machista e homofóbico em vários diálogos, e por isso em quase todas as ocasiões é reprovado pelos outros personagens. Como, por exemplo, o diálogo do penúltimo capítulo, quando Venâncio comenta sobre a questão de sua reputação na cidade após o conhecimento público da infidelidade de Fernando: “Qual é o homem aqui que não dá suas puladas de cerca? Que não se enfia em bordel quando vai a São Paulo, hein? Todo mundo! Agora… se fosse coisa de viado… Desculpe, Edgar. Aí sim, pegava mal.”.

A ambientação rústica da fazenda comandada por Marta vai ao encontro das atitudes racistas e escravocratas da personagem, principalmente em relação a André (Taiguara Nazareth). Na cena de chegada de André para ser empregado, exibida no segundo capítulo, Marta o avalia pelo seu físico. Já no quarto capítulo, a personagem num diálogo com Neusa (Joanna Tristão) julga o relacionamento entre ela e André: “depois tem que ver… ele é negro, outra raça. [...] Você é moreninha, moreninha clara, pode muito bem conseguir um rapaz branco”.

presenca1.mp4_snapshot_00.30.02_[2017.05.15_11.30-tile

O segundo indicador analisado no plano da expressão é a caracterização dos personagens. Assinado por Helena Gastal, o figurino de Anita ressalta a multiplicidade de personalidades da jovem. Quando se apresenta como Cíntia, o tom adolescente é demonstrado pelos vestidos e blusas de cores variadas, calças jeans, shorts curtos e tênis baixos; já como Anita, a personagem veste apenas uma calcinha de algodão, blusa de alça ou camisa masculina e uma gargantilha de estrela. Em contraponto, o figurino de Lúcia, que disputa Fernando com Anita, é composto de tecidos e cores suaves explicitando o romantismo e o pudor que caracterizam a personagem interpretada por Helena Ranaldi.

presenca2.mp4_snapshot_00.00.05_[2017.05.15_11.38-tile

Já a trilha sonora tem como base músicas em francês que escolhidas pelo próprio autor (MEMÓRIA GLOBO, 2008). Nos momentos de felicidade, Anita coloca em seu rádio “Pigalle” (de Georges Ulmer), já nos de tristeza sua música-tema é “Ne me quitte pas” (interpretada por Maysa). A escolha da versão de Maysa dialoga diretamente com sua personalidade passional e interpretações musicais eloquentes, compatíveis com a figura de Anita. A canção também é tema de abertura, a sequência é uma construção simbólica e didática sobre a temática da minissérie. Na abertura Anita “brinca” com uma casinha em miniatura. Num primeiro momento retira o ursinho de pelúcia de cena e, em seguida, retira um boneco masculino da cama onde estava com outra boneca. Isto é, esses dois momentos representam, respectivamente, a dualidade entre a ninfeta com ares infantis e a devassidão do adultério que estão presentes na narrativa. No fim da sequência, o fogo que, também considerado purificador, consome tudo.

presenca1.mp4_snapshot_00.01.00_[2017.05.15_11.43-tile

A trilha instrumental de Presença de Anita ajuda o telespectador a identificar a intenção da cena que está no ar. Esse aspecto pode ser observado na primeira cena do primeiro capítulo em que a trilha eletrônica no fundo indica tensão, assim como o jazz ressalta a sedução, já as músicas no piano fazem menção à melancolia dos personagens.

A fotografia, assinada por Elton Menezes, não apresenta interferência no universo ficcional proposto. A única exceção ocorre para demarcar as cenas de flashback onde Fernando se recorda de Anita utilizando de um efeito de clareamento de imagem atenuando os tons de branco.

presenca1.mp4_snapshot_01.09.25_[2017.05.15_11.45.05]

Na edição encontra-se a maior diferença da adaptação para televisão e a obra de Mário Donato. Isto é, a trama segue a ordem cronológica, enquanto o livro transcorria em flashback. Também pela edição ficam claros os sentimentos que Anita nutria por seus parceiros, nas cenas com Nando são usados cortes rápidos, ritmo acelerado, demonstrando a sexualidade presente na relação dos dois. Já nas sequências de Zezinho os cortes são longos e pausados, indicando o romantismo e a adoração que o jovem sentia por Anita.

O uso da câmera em Presença de Anita busca trazer o ar de mistério, sensualidade e do proibido. As cenas fazem referência aos voyeurs que observam de suas janelas o que acontece no vizinho. Como, por exemplo, no arco narrativo central, com Zezinho e Antonio observando Anita e Nando de seu quarto, e também no secundário onde Marta espia o sexo de André e Neusa no quarto do rapaz. A utilização do recurso busca também representar as possíveis reações do telespectador quanto ao que está sendo apresentado. Já o erotismo presente na trama é demonstrado na presença de nudez feminina e masculina, closes e passeios lentos da câmera pelo corpo dos atores.

presenca2.mp4_snapshot_01.01.45_[2017.05.15_11.46-tile

O efeito de câmera lenta é utilizado nas cenas com maior tensão como, por exemplo, no acidente da família no segundo capítulo e no desespero de Zezinho no penúltimo capítulo, onde acaba sendo atropelado.

No Plano do Conteúdo, iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. A intertextualidade esteve presente em momentos pontuais da história, o primeiro deles é quando Luiza (Julia Almeida), filha de Nando, conhece o sobrado de Anita e diz que a varanda da sacada lhe lembra “Romeu e Julieta”, tragédia de Shakespeare que também culmina na morte de dois amantes. Em outro momento, é quando Lúcia e Julieta citam Menotti del Picchia. Menotti teve relação direta com Mario Donato, quando os dois trabalharam juntos na União Jornalística Brasileira. Entretanto, essas referências externas ao universo ficcional de Presença de Anita não interferem na compreensão da narrativa.

Apesar de ser uma trama com poucos capítulos e em ordem cronológica a minissérie usa constantemente as setas chamativas para ajudar o telespectador a se inteirar dos arcos narrativos. Como, por exemplo, a personagem Marta que se torna confidente e, diversas vezes, dialoga com Lúcia sobre o que ela descobriu sobre a traição. As conversas entre as personagens fazem uma espécie de resumo para o telespectador, apresentando os principais desdobramentos do casamento de Lúcia. Os voyeurs também cumprem este mesmo papel, cada de Nando a Anita é prontamente narrada no armazém. Além disto, Anita sempre lembra em seus diálogos que o sobrado onde vive foi palco de uma tragédia entre dois amantes, retomando o acontecimento em questão para o público.

O indicador de efeitos especiais narrativos não foi observado. A minissérie apresenta clímax e reviravoltas que já são esperadas na trama, não surpreendendo o telespectador a ponto de ele ter de reconsiderar tudo que lhe foi apresentado.

Os recursos de storytelling são pouco utilizados em Presença de Anita, assemelhando a minissérie do formato da telenovela: as analepses são usadas de forma didática. O artifício é utilizado para relembrar algum fato importante já exibido, como, por exemplo, o isqueiro de Fernando esquecido no sobrado de Anita, e também para aprofundar o passado de Anita.

presenca5.mp4_snapshot_00.25.30_[2017.05.15_11.49-tile

Através do flashback descobrimos que Anita era pobre e, aos 11 anos foge de casa, se deixa pintar nua por Armando, de quase 50 anos. Também nestas cenas, fica explícita sua carência afetiva.

Por fim, também um recurso possível de storytelling, as sequencias fantasiosas (não anunciadas, que causam uma dúvida temporária e esforço de compreensão no telespectador), não foram também constatadas na minissérie.

Por Léo Lima

* Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela.

Referências:

Autores: Histórias da Teledramaturgia. MEMÓRIA GLOBO. Globo: Rio de Janeiro, 2008

Alemão, Os Dois Lados do Complexo

Alemao, Os Dois Lados do ComplexoSinopse

Exibida em quatro capítulos, a série conta a história de cinco policiais infiltrados na guerra do tráfico de drogas. Encurralados na comunidade do Alemão, no Rio de Janeiro – prestes a ser invadida pelas forças de segurança do Estado – Doca, Danillo, Carlinhos, Branco e Samuel tentam sobreviver.

Data de Exibição: 12/01/2016 – 15/01/2016

Canal: Rede Globo

Fonte: Memória Globo

Ligações Perigosas

Ligacoes PerigosasSinopse

Isabel D’Ávila de Alencar e Augusto de Valmont são cúmplices, libertinos e amantes ocasionais. Viúva rica e atraente, ela finge seguir as regras da sociedade e, em parceria com o amigo íntimo, o bon vivant Augusto, envolve pessoas à sua volta em mirabolantes jogos de sedução.

Data de Exibição:  04/01/2016 – 15/01/2016

Canal: Rede Globo

Fonte: Memória Globo

Felizes Para Sempre?

Felizes Para SempreSinopse

Desejo, amor e traição rondam os casais ligados por laços familiares e profissionais. Os pais, Norma e Dionísio, criaram seus três filhos Claudio, Hugo e Joel com a melhor educação possível. Na comemoração dos 46 anos de casamento deles, a família se reúne e todos parecem felizes. Na verdade, é uma felicidade aparente, mas cada um segue a vida sem grandes sobressaltos até a entrada de uma jovem garota de programa na história. A partir daí, máscaras e mentiras começam a ficar evidentes. Tudo desmorona. A situação fica insuportável e alguém vai morrer. Mas, quem ama, mata?

Data de Exibição: 26/01/2015 – 06/02/2015

Canal: Rede Globo

Fonte: Memória Globo

 

Mister Brau

Mister BrauSinopse

A história gira em torno da família Brau. Casados há cinco anos, Michele  e Bráulio são celebridades reconhecidas no mundo do entretenimento. De origem humilde, mas com visão empreendedora, a dançarina transforma o marido no cantor Mister Brau. A vida do casal ganha novos contornos quando eles se mudam para um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A série também trata com humor temas como preconceito e racismo.

Data de Exibição: 22 de setembro de 2015 – atualmente

Canal: Rede Globo

Fonte: Memória Globo