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O universo ficcional de Grey’s Anatomy na Social TV

Exibido na última quinta-feira (25) nos Estados Unidos, o episódio ‘Unbreak My Heart’ de Grey’s Anatomy contou com várias ações de Social TV. Os conteúdos publicados na segunda tela tinham como ponto de partida o arco narrativo central da trama. A história, roteirizada por Elizabeth J.B. Klaviter, girava em torno do fim do relacionamento de April Kepner (Sarah Drew) e Jackson Avery (Jesse Williams). Pautada por aspectos da complexidade narrativa, discutida por Mittell (2015), o episódio foi permeado por analepses, apresentando ao público momentos relevantes do casamento dos personagens.

Com o intuito de engajar os telespectadores interagentes e estimular o appointment television, o canal estadunidense ABC foi além de suas habituais postagens no Twitter durante a exibição de Grey’s Anatomy. Enquanto o perfil da série na rede social (@GreysABC) publicava GIFS, vídeos e fotos com as principais cenas de ‘Unbreak My Heart’, os atores Sarah Drew (@sarahdrew) e Jesse Williams (@iJesseWilliams) participaram um bate-papo com o público. A ação, realizada em parceria com o Twitter, possibilitava que o público não só enviasse perguntas para os atores, mas os assistisse enquanto o programa estava no ar. Desta forma, Sarah Drew e Jesse Williams também comentavam ao vivo com os telespectadores suas cenas preferidas e impressões sobre a trama.

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Como parte da ação de engajamento, os atores compartilharam na rede sociais conteúdos complementares de ‘Unbreak My Heart’, como fotos dos bastidores, detalhes sobre a maquiagem usada pela atriz, informações técnicas, etc. A ação contou com duas indexações específicas: #JaprilTheMovie e #AskJapril. Segundo dados divulgados pelo Twitter, a hashtag #JaprilTheMovie, que fazia alusão a trama central do episódio, foi usada 45 mil vez, atingindo os Trending Topics  nos EUA. Já a indexação #AskJapril, direcionada para o live-chat com os atores, gerou 12 mil tweets. Ao todo, de acordo com o Nielsen Twitter TV Ratings, o episódio da série atingiu 113 mil postagens, realizadas por 60 mil contas na rede social.

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Além de poder enviar suas perguntas para Sarah Drew e Jesse Williams, acessar conteúdos complementares da trama na segunda tela, o diferencial da ação de Social TV adotada pela ABC foi dar aos telespectadores interagentes a oportunidade de acompanharem em tempo real as reações dos atores durante a exibição do episódio. Nesse sentido, o público poderia até optar por assistir a trama fora do seu horário original de exibição, mas perderia a chance de conhecer detalhes do universo ficcional do programa e participar do bate papo com os atores.

Por Daiana Sigiliano

Homer será entrevistado ao vivo pelos telespectadores interagentes

Depois de Grey’s Anatomy (ABC) e Pretty Little Liars (ABC Family) vincularem suas narrativas em tempo real com o Twitter, chegou à vez de The Simpsons (Fox). A trama, atualmente na 27ª temporada, se destaca por sua intertextualidade e ausência de setas chamativas. De acordo com Johnson (2012), as constantes referências a elementos externos ao universo ficcional – tais como filmes, livros, músicas, programa de TV, etc. – e as lacunas narrativas deixadas propositalmente pelos roteiristas estimulam uma leitura atenta do público.

O episódio, ainda sem título definido, será exibido no dia 15 de maio nos Estados Unidos e contará com uma cena ao vivo protagonizada por Homer. A partir de uma tecnologia que permite capturar os movimentos e a voz do personagem em tempo real, o dublador Dan Castellaneta irá comentar os principais acontecimentos do dia e interagir com os telespectadores no Twitter.

Para participar da ação o público deverá enviar suas perguntas pelo microbbloging com a indexação #HomerLive. Segundo o Al Jean, um dos produtores de The Simpsons, os telespectadores farão uma espécie de entrevista com Homer pela rede social . Por conta do fuso horário, a cena ao vivo será realizada duas vezes, uma para a costa leste e outra para a oeste.

Essa não é a primeira vez que um personagem interage com o público durante a exibição de um episódio. As séries Grey’s Anatomy e Pretty Little Liars fizeram ações semelhantes em 2011 e 2013, respectivamente. No episódio Don’t Deceive Me (Please Don’t Go), exibido em 3 de fevereiro de 2011, a personagem Miranda Bailey comentava os acontecimentos da trama em tempo real no Twitter. As cenas mostravam a médica postando na rede social e ao acessar o seu perfil (@DrBaileyGSM), criado exclusivamente para o episódio, o público podia acompanhar as mensagens.

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Durante a exibição de She’s Better Now, exibido no dia 8 de janeiro de 2013, a ABC Family também fundiu a narrativa da série com o Twitter. À medida que a trama ia ao ar a personagem Mona Vanderwaal postava pistas em seu perfil @MonaVanderwaal. Os fãs tinham que juntar as peças da charada para desbloquear um vídeo inédito, com imagens que ajudam a desvendar alguns segredos de Pretty Little Liars.

Essas ações de Social TV, não só aprofundam o universo ficcional das séries como também estimulam o appointment television. Nesse sentido, o público pode até optar por assistir o programa no horário que lhe for mais conveniente, mas perderá a oportunidade de interagir com a trama.

Referências:

JOHNSON, Steven. Tudo que é ruim é bom para você: como os games e a TV nos tornam mais inteligentes. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

SIGILIANO, Daiana. Social TV: o ciber-watercooler de Pretty Little Liars e The Voice. 2014. 97f. Monografia (Especialização em Jornalismo Multiplataforma – Faculdade de Comunicação Social – Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, Juiz de Fora, 2014.

Por Daiana Sigiliano

As novas formas de participação estabelecidas pela Social TV

Você sabe o que as séries Grey’s Anatomy, Scandal, How to Get Away with Murder, Law & Order: SVU e Pretty Little Liars têm em comum? Todas elas promovem live-chats com os atores, as atrizes e os roteiristas durante a exibição de seus episódios. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Twitter (2014), a prática resulta num aumento de 61% no buzz em torno do programa e faz com que número de seguidores do perfil oficial da atração aumente 12,2 vezes.

Conforme já discutimos no artigo “Ciber-watercooler no Oscar: Discussões sobre a Social TV”, essa capacidade das celebridades de aumentarem o fluxo em torno de um tópico é um fator muito explorado na Social TV. Esse tipo de estratégia pode ser observado na série estadunidense The Mindy Project (2012), exibida pela Fox. De acordo com a reportagem publicada pelo site Fast Company (2012) grande parte do buzz gerado durante a exibição do sitcom se deve à representatividade que a atriz Mindy Kaling exerce no Twitter. A protagonista tem 6,43 milhões de seguidores e usa o microblogging para engajar os telespectadores interagentes, convidando-os para assistir ao programa, divulgando informações e até mesmo trocando mensagens. O jornalista Ari Karpel (Fast Company, 2012) afirma que a atriz consegue mobilizar o público porque interage com ele, cerca de 76% de seus tweets são menções a outros usuários.

De acordo com Proulx e Shepatin (2012), a Social TV inaugura uma nova experiência coletiva, pois além do backchannel formado inúmeros interlocutores, a arquitetura informacional do Twitter permite que o telespectador interagente comente a programação com o elenco e os roteiristas das tramas. As séries estadunidenses Bates Motel e Scandal, por exemplo, convidam o público para um bate papo com os atores, as atrizes e os showrunners, durante a exibição da trama.

Em entrevista ao The New York Times (2013), Shonda Rhimes, showrunner de Scandal, explica que todos os membros de sua equipe tem um perfil no microblogging para poder interagir com o público. “Quando nós estávamos falando sobre como divulgar o seriado, nós vimos que por serem apenas sete episódios na [primeira] temporada a emissora não iria se engajar muito para promover a estreia. Kerry [Washington, que interpreta Olivia Pope em “Scandal”] me disse: ‘Eu acho que todos nós deveríamos entrar no Twitter’. Então eu pedi que ao elenco que todos criassem uma conta Twitter, e todo mundo cumpriu o combinado. Nossos cabeleireiros tweetam, nosso D.P. [diretor de fotografia] tweeta, cada membro da nossa equipe, basicamente, tem uma conta no Twitter agora. Eles adoram fazer isso, é divertido para eles” (livre tradução). A presença massiva da equipe de Scandal na plataforma tem dado certo, a série gera semanalmente uma média de 350 mil tweets durante sua exibição (Nielsen, 2015).

Essa dinamicidade da Social TV também influencia nos arcos narrativos dos programas. Exibida pelo canal estadunidense USA Network a série Covert Affairs (2010) teve um plot alterado graças aos comentários da rede social. Segundo o The Wall Street Journal (2012), os questionamentos dos fãs em relação à cegueira de Auggie Anderson (Christopher Gorham) foram tantos, que os roteiristas acabaram rescrevendo os acontecimentos da season finale da segunda temporada. “Tinha um grupo de fãs que realmente sentiam compaixão por ele e acho que de uma forma muito romântica, queriam que ele tivesse a sua visão de volta. Precisávamos dar uma resposta a eles” (livre tradução)”, disse Christopher Gorham. Para responder as perguntas postadas pelos telespectadores interagentes, os roteiristas adicionaram uma cena ao episódio Letter Never Sent. Nela, o médico dá a notícia de que Auggie não é mais um candidato em potencial para o tratamento experimental.

Além de estimularem o appointment television, essas ações de engajamento relacionadas a Social TV estabelecem novas possibilidades de participação do público. Em que o telespectador interagente tem a oportunidade de comentar a trama com inúmeros interlocutores, e muitas vezes, podendo até alterar os rumos do universo ficcional.

Referências:

Can Mindy Kaling’s 1.8 million twitter followers make her new sitcom a hit? FAST COMPANY ,2012. Disponível em: <http://www.fastcompany.com/3000051/can-mindy-kalings-18-million-twitter-followers-make-her-new-sitcom-hit>. Acesso em: 12 fev. 2016.

Estudo: Tweetar ao vivo aumenta o volume de conversa no Twitter e cria uma audiência social para o seu programa de TV. TWITTER, 2014. Disponível em? https://blog.twitter.com/pt/2014/estudo-tweetar-ao-vivo-aumenta-o-volume-de-conversa-no-twitter-e-cria-uma-audi-ncia-social. Acesso em: 14 fev. 2016.

Post-Water-Cooler TV: How to Make a TV Drama in the Twitter Age. THE NEW YORK TIMES, 2013. Disponível em: <http://www.nytimes.com/2013/08/11/arts/television/how-to-make-a-tv-drama-in-the-twitter-age.html?pagewanted=all&_r=0>. Acesso em: 12 fev. 2016.

PROULX, Mike; SHEPATIN Stacey. Social TV – How marketers can reach and engage audiences by connecting television to the web, social media, and mobile. New Jersey: John Wiley & Sons Inc, 2012.

When Twitter Fans Influence TV Shows. THE WALL STREET JOURNAL, 2012. Disponível em: http://www.wsj.com/video/when-twitter-fans-influence-tv-shows/85CC3625-00FE-457B-8D64-AC725928A068.html. Acesso em: 14 fev. 2016.

Por Daiana Sigiliano

The Voice: uma experiência em múltiplas telas

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Publicado em 2015 pela revista Rumores, o artigo ‘The Voice: novas formas de participação e interação na segunda tela’, de Daiana Sigiliano e Gabriela Borges, tem como objetivo refletir sobre  estratégias de Social TV adotadas pelo programa The Voice (Estados Unidos).

Exibido pelo canal NBC, o reality show foi um dos primeiros programas televisivos estimular o compartilhamento de comentários no Twitter durante a sua exibição. Além de divulgar hashtags exclusivas e criar ações voltadas para a segunda tela, o grande fio condutor das estratégias da emissora no âmbito da Social TV é o poder que os jurados exercem na rede social.

Durante a sexta temporada da atração, exibida em 2014, os artistas Adam Levine, Shakira, Usher e Blake Shelton não só interagiram com o público, como também mobilizam seus fãs de outras partes do mundo a assistirem ao programa e postarem suas opiniões no Twitter.

Para o desenvolvimento do artigo publicado pela revista Rumores, foi realizado o monitoramento do backchannel de quatro episódios da sexta temporada do The Voice. Posteriormente foram analisadas as ações adotadas pela NBC e o engajamento do público na segunda tela.

Leia na integra o ‘The Voice: novas formas de participação e interação na segunda tela’: http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/100381/107023

A importância da hashtag na Social TV

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A hashtag é um elemento fundamental no ecossistema da Social TV, seja para realizar a mineração dos dados ou para engajar os telespectadores interagentes durante a exibição da grade de programação. Entretanto, ao observarmos o backchannel das atrações televisivas estadunidenses iremos constatar que a indexação pode ser utilizada de várias formas. Segundo Aversa (2014) a hashtag tem cinco funções centrais no âmbito da Social TV. São elas: identificar o programa, estimular a discussão, incitar resposta emocional, promover eventos especiais e incentivar o engajamento contínuo.  A partir dos pontos destacados pela autora, iremos relacionar cada função com um estudo de caso de programas da TV estadunidense.

O Twitter possui um fluxo permanente de informação que está em constante movimento. Desta forma é fundamental que o público reconheça imediatamente o contexto em que a tag está inserida para que ele possa se engajar no backchannel. Por isso o programa precisa de uma indexação específica que identifique claramente ao que ela se refere. O canal estadunidense Fox foi o primeiro a estimular o backchannel através das hashtags. Desde o final de 2011 as narrativas ficcionais seriadas da emissora possuem uma indexação que é divulgada no canto da tela durante toda a sua exibição. Ao promover a hashtag oficial de forma continua, a emissora alcança os telespectadores interagentes e, principalmente, aumenta o fluxo de impressões sobre a série. Isto é,  o público não fragmenta o buzz com outros tagueamentos e passa a usar apenas o divulgado pelo canal, criando assim, um fluxo único no microblog. Essa estratégia  tem dado certo, segundo o site Fast Company, a Fox foi o canal que mais gerou comentários na Social TV em 2012, atingindo 16,8 milhões de tweets (FAST COMPANY, 2012).

A hashtag também estimula a discussão em torno de um programa televisivo. De acordo com Primo (2010) o sinal ‘#’ é um convite para a busca de outros tweets com o mesmo contexto.  O recurso reúne em um só fluxo todos os comentários postados. Assim, “ocorre em um único tweet à penetração simultânea em múltiplos fluxos individuais e/ou coletivos em tempo real, caracterizando a interatividade pluridirecionada dessa micromídia móvel” (SANTAELLA; LEMOS, 2010, p.109). Uma pesquisa apresentada pelo Twitter Advertising no Advertising Research Foundation em parceria com a Fox mostra que a indexação dos posts faz com que o buzz aumente 42%. Ao clicar na hashtag da atração, o público tem a oportunidade de acompanhar e participar da conversa, pois o recurso é capaz de reunir vários interagentes em torno de um mesmo tema. Conforme aponta Aversa (2014), “Hashtags eficazes aumentam o buzz e consequentemente motivam o público a participar da discussão e postaram impressões sobre a série”.

No ecossistema da Social TV, o fluxo indexado traz ao público um compromisso com a coletividade. Ao comentar sobre a programação no microblog, os telespectadores criam as chamadas comunidades de ocasião que são “autoconstruídas em torno de eventos, ídolos, pânicos ou modas” (BAUMAN, 2003, p.51). Desta forma, a hashtag é uma espécie de nó do laço afetivo criado entre os telespectadores durante o backchannel de um programa. Graças à indexação, o público consegue unificar o fluxo e, consequentemente, multiplicar as interações. De acordo com Santaella e Lemos (2010) “Outras comunidades, porém surgem e desaparecem a todo instante através do uso da #hashtags, que formam comunidades de usuários interessados no acompanhamento de um tema especifico” (p.113). Quando um canal de TV adota uma tag, cria uma sensação de pertencimento no telespectador interagente, mas esta, irá se dissolver naturalmente com a atualização do fluxo informacional do Twitter.

Aversa (2014) também pontua que as hashtags podem ser usadas para engajar o público a conduzir o backchannel, “Ao usar hashtags de como parte de uma estratégia de divulgação, os canais dão aos usuários um incentivo para conduzir o backchannel. Os fãs se sentem recompensados, e criam uma relação mais positiva com a série”. Essa aplicação da tag é muito usada pelos canais estadunidenses para promover as séries antes de suas estreias. Intitulada Maker’s Day a ação de lançamento da HBO para a quinta temporada de True Blood (2008) tinha como principal viés a mobilização dos fãs no Twitter. Anunciado no perfil da trama no Facebook, o Tweet To Unlock era espécie de termômetro digital que contabilizava o número de tweets publicados pelos fãs com #makersday. Quando o termômetro alcançasse a marca de 100 mil publicações a emissora liberaria o roteiro da season première. A ação foi um sucesso, demorou pouco mais de dois dias para que objetivo fosse alcançado. Esta forma de engajar os fãs no backchannel antes da estreia dos programas traz novas configurações na relação entre público e a marca. Ao ter sua dedicação recompensada pelo canal, o público se fideliza com o conteúdo, criando uma ligação ainda mais afetiva.

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Também pautado na promoção de eventos pelas hashtags, a emissora estadunidense CBS usou o Twitter para mobilizar os telespectadores e gerar buzz antes da estreia de suas novas séries. Flock To Unlock permitia que os fandons trabalhassem em conjunto para desbloquear conteúdos exclusivos dos programas. Cada série tinha a sua meta de tweets, que quando atingida liberava cenas inéditas da trama. O interessante da ação é que o canal delega a reponsabilidade ao interagente. Se antes o público dependia da emissora para assistir uma prévia de sua atração favorita, a Flock To Unlock mostra que a liberação dos vídeos promocionais só depende do seu engajamento. Além de estimular a mobilização entre os fãs, esse tipo de estratégia gera buzz antes da estreia do programa, o que aumenta a expectativa em torno da grade de programação.

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O último ponto destacado por Aversa (2014) é o poder de encorajar o engajamento contínuo durante os períodos em que as séries estão fora do ar (mid-season e hiatos). As hashtags fazem com que o arco narrativo da trama continue sendo pauta dos comentários do Twitter. Programas como The Walking Dead (2010) e Hannibal (2013) usam indexações específicas nas mid-seasons para unificar o fluxo e mobilizar os fãs mesmo sem estarem no ar. A trama da AMC atingiu mais de 50 mil tweets com a #WalkerWithdrawals durante o seu perídio ocioso (AVERSA, 2014). Como defendem Quintas e González (2014) “Os usuários da rede social rompre a barreira temporal e criam uma presença continua que vai além do horário de exibição”.

No ambiente da Social TV as hashtags se tornam ferramentas vitais para o engajamento do público. Além de delimitar e diferenciar o conteúdo, a indexação assume novas configurações na experiência televisiva.  Entretanto, se não forem usadas da maneira correta elas podem dispersar o backchannel e atrapalhar a compreensão do público, tornando a postagem de comentários uma experiência esquizofrênica.

Referências

AVERSA, Staci. Social TV: 5 Keys To Successful Hashtags. Disponível em: <http://www.mediabistro.com/alltwitter/social-tv-hashtags_b53749>. Acesso em: 6 jan 2016.

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

Fox, Twitter and the advertising research foundation  find more than 90% of those who see tv show-related tweets have taken immediate action to watch, search for or share content . Fox Broadcasting Company And Twitter And The Advertising Research Foundation.  Disponível em: <http://www.foxflash.com/div.php/main/page?aID=1z2z1z25z1z8&ID=16327>. Acesso em:  6 jan. 2016.

PRIMO, Alex. As tags no Twitter como informação contextual de afeto. Disponível em: <http://alexprimo.com/2010/03/09/as_tags_no_twitter_como_informacao_conte/>. Acesso em: 6 jan. 2016.

QUINTAS,Natalia; GONZÁLEZ, Ana. Active Audiences: Social Audience Participation in Television. Disponível em: <http://goo.gl/cbdU0F>. Acesso em: 6 jan. 2016.

SANTAELLA, Lucia; LEMOS, Renata. Redes sociais digitais: a cognição conectiva do Twitter. São Paulo: Paulus, 2010.

Total facebook and twitter comments about shows on the top 5 TV networks last season. Fast Company, 2012. Disponível em: <http://www.fastcompany.com/magazine/168/september-2012>. Acesso em: 6 jan. 2016.

Por Daiana Sigiliano

Rede Globo investe em ação inédita para estimular o backchannel do The Voice Brasil

Exibida na última sexta-feira (25), a final da quarta temporada do The Voice Brasil contou com uma ação inédita de Social TV no Brasil. Ao tweetar a hashtag oficial do reality show (#TheVoiceBrasil) – entre os dias 22 e 26 de dezembro – o telespectador interagente visualizava na sua timeline um emoji exclusivo. A representação gráfica, criada pelo Twitter Brasil em parceria com a Rede Globo, fazia referência ao logotipo do programa.

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O episódio final da competição musical também contou com outras ações no âmbito da Social TV. Durante a exibição do reality show a Rede Globo usou três perfis no Twitter para engajar o público: @TheVoiceBrasil,  @gshow e o @RedeGlobo . As postagens estimulavam o backchannel, faziam menções as páginas dos técnicos – Claudia Leitte (@ClaudiaLeitte), Carlinhos Brown (@carlinhosbrown), Lulu Santos (@TocaLulu), e Michel Teló (@micheltelo) – e também compartilhavam conteúdos exclusivos. Produzidos especificamente para a segunda tela os conteúdos abrangiam desde fotos dos bastidores até pequenos vídeos das apresentações dos competidores. Minutos antes da exibição do The Voice Brasil a emissora transmitiu ao vivo, através do aplicativo Periscope, os preparativos e ensaios da final.

Apesar de ser uma ação inédita no Brasil, o uso da hashflag – indexação acompanhada de representação gráfica – no backchannel foi implantado nos Estados Unidos em junho deste ano. Os eventos esportivos Major League Baseball, National Football League e NBA Basketball foram os primeiros programas usarem a indexação especial. Posteriormente, o Twitter – em parceira com os canais estadunidenses – ampliou a ação para as narrativas ficcionais seriadas. Atualmente as séries Empire (Fox), The Walking Dead (AMC), Grey’s Anatomy (ABC), Scandal (ABC) e How to Get Away with Murder (ABC) possuem uma hashflag exclusiva para cada um de seus episódios. Os emojis mudam semanalmente, de acordo com o plot central da história.

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Durante a estreia das novas temporadas das séries Grey’s Anatomy (ABC), Scandal (ABC) e How to Get Away with Murder (ABC), no dia 24 de setembro de 2015. O canal ABC usou a hashflag não só para estimular o backchannel, mas para estender os fios narrativos das tramas.

Greys Anatomy Emoji

Ao tweetarem as indexações #GreysAnatomy, #Scandal ou #HTGAWM antes dos programas irem ao ar, os telespectadores interagentes tinham acesso ao emoji exclusivo e desbloqueavam um vídeo inédito.

Por Daiana Sigiliano

O universo ficcional de The Big Bang Theory na Social TV

O engajamento dos telespectadores interagentes no Twitter durante a exibição das narrativas ficcionais seriadas é permeado por nuances. Ao observarmos o backchannel das principais séries que integram a grade de programação dos Estados Unidos iremos constatar que cada programa possui uma estratégia de Social TV diferente. Apesar de todas estimularem o appointment television, cada trama explora um aspecto específico de seu universo ficcional.

Produzida pela emissora CBS, a série The Big Bang Theory (2007-presente) vem implantando ações no âmbito da Social TV que nos ajudam a refletir sobre as novas possibilidades de engajamento inauguradas pelo recente fenômeno. As postagens são feitas pelo perfil oficial da atração no Twitter (@BigBang_CBS) e abrangem desde memes até conteúdos complementares sobre a história.

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Exibido na última quinta-feira (17), o episódio The Opening Night Excitation gerou 16 mil comentários no Twitter. Para estimular o backchannel, a CBS usou três indexações diferentes: a hashtag geral #BigBangTheory, que uma referência ao nome do programa e duas hashtags específicas #Shamy e #StarWarsTheForceAwaken.

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Além de ser a junção dos nomes dos personagens Sheldon Cooper (Jim Parsons) e Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) a indexação específica #Shamy faz alusão ao plot central do episódio, que foi focado na reconciliação do casal. Já a segunda indexação específica usada pelo perfil da série no Twitter faz referência não só apenas ao sub plot da trama como também aproveita o buzz gerado das redes sociais entorno da estreia do sétimo filme da franquia Star Wars, o Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens). Ao utilizar a indexação oficial do longa, os tweets gerados durante a exibição de The Opening Night Excitation acabavam imbricando em distintos fluxos na rede social, aumentando o buzz sobre a série.

O conteúdo dos tweets postados pela CBS na segunda tela durante o episódio da última quinta-feira (17) destacavam momentos importantes da história. Através de memes, pequenos vídeos e GIFs as postagem ressaltavam as cenas mais cômicas do sitcom. No final de The Opening Night Excitation a emissora estadunidense convidou os telespectadores interagentes para participarem da ação #CBSHolidayCountdown. Ao tuitarem a hashtag da campanha de final de ano da CBS o público desbloqueava um vídeo exclusivo da série. O conteúdo, produzido especialmente para a segunda tela, é uma esquete de Sheldon Cooper (Jim Parsons) com o Papai Noel.

As ações de Social TV da série The Big Bang Theory nos ajudam a refletir sobre duas questões importantes sobre o engajamento do público na segunda tela. Por ser uma sitcom, o perfil da atração no Twitter tem apenas 20 minutos que estimular os comentários no backchannel. Desta forma, o canal utiliza conteúdos de fácil identificação na timeline, chamando rapidamente a atenção do público. Também  podemos observar que a emissora explora distintos recursos (memes, vídeos, GIFs, hashtags especiais, conteúdo complementar) e todos eles dialogam de alguma forma os arcos narrativos do episódio. Neste sentido, as telas que integram o ecossistema da Social TV não entram em conflito e propiciam ao telespectador interagente uma experiência apurada do universo ficcional de The Big Bang Theory.

Por Daiana Sigiliano

Da Social TV ao selfie de Ellen DeGeneres

ellen-selfie-oscars-2014Publicado em 2013 pela revista Lumina, o artigo ‘Ciber-watercooler no Oscar: Discussões sobre a Social TV’, das autoras Gabriela Borges e Daiana Sigiliano, discute um dos principais e mais emblemáticos cases da Social TV.

Durante a entrega dos Oscar, Ellen DeGeneres propôs um desafio aos telespectadores: atingir a marca do tweet mais compartilhado da história. Para realizar tal feito, a apresentadora usou de uma clássica linguagem das redes sociais: o selfie. Ao lado de Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Badley Cooper, Julia Roberts, Kevin Spacey, Jared Leto, Brad Pitt, Angelina Jolie e de Lupina Nyong’o, ela fotografou o que se tornaria um marco na história da Social TV.

A ação era um product placement da Samsung, mas o nome da marca acabou sendo ofuscado pela proporção que a foto tomou. Em apenas 40 minutos o tweet recebeu mais de um milhão de RT’s, tirando o posto de Barack Obama – com 778.329 mil atingidos durante a reeleição do político em 2012. O post viralizou de uma forma tão rápida que acabou causando um bug no perfil da apresentadora, que ficou impossibilitada de ganhar novos seguidores.

Em meio à fragmentação da audiência e os novos modos de financiamento e distribuição do conteúdo televisivo, o maior RT da história do Twitter partiu de um evento ao vivo, pautado pelo appointment television. A ação realizada durante a 86ª edição do Oscar materializa a hibridização das plataformas, fortalece os meios envolvidos e mostra que o watch and tweet já foi incorporado, definitivamente, pelo fazer televisivo contemporâneo.

Para ler o artigo ‘Ciber-watercooler no Oscar: Discussões sobre a Social TV’ na integra acesse: http://observatoriodoaudiovisual.com.br/ciber-watercooler-no-oscar-discussao-sobre-a-social-tv/

Ciber-watercooler no Oscar

lumina3-300x74Artigo publicado na Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação LUMINA. 
Gabriela Borges

Professora PPGCOM UFJF. E-mail: gabriela.borges@ufjf.edu.br.

Daiana Sigiliano

Aluna da Especialização em Jornalismo Multiplataforma na UFJF. E-mail: daianasigiliano@gmail.com.

 

Resumo: Este artigo pretende discutir as novas relações de produção e consumo que começam a ser estabelecidas a partir do fenômeno da Social TV. Após diversos autores terem clamado pelo fim da TV (Machado, 2011), a social TV se configura como uma nova forma de produção e consumo que justamente resgata a appointment television, que é uma das principais características da televisão como a conhecemos desde os seus primórdios. Tendo como base a reflexão sobre a cultura da convergência, que prima pelas relações sociais estabelecidas em rede e é sustentada pela economia afetiva, nas palavras de Jenkins (2008), este artigo tem o intuito de problematizar, a partir das novas interações que ocorrem na chamada Social TV, as diferentes atuações presentes na cultura participativa. Neste sentido, procuraremos refletir sobre as características e as potencialidades da social TV neste cenário de convergência apresentando um estudo de caso sobre o tweet mais compartilhado da história durante a 86ª edição do Oscar.

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