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As Canalhas

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As Canalhas é uma série de televisão brasileira exibida pela GNT desde 6 de maio de 2013. Inspirada no livro Canalha, substantivo feminino, de Martha Mendonça, conta com a direção geral de Vicente Amorim e a produção da Migdal Filmes. As emissões, que terminaram em junho de 2015, trouxeram, em cada temporada, 13 mulheres, uma para cada episódio, contando suas “maldades” contra suas vítimas em um salão de beleza. Exibido todas as terças-feiras às 22h30, o programa durava de 20 a 25 minutos e contava com poucas personagens fixas, sendo Marilyn (Zezeh Barbosa), a dona do salão em que cada história se inicia, uma das poucas.

Na série, cada episódio mostra uma mulher relatando friamente a algum profissional do salão de beleza suas maldades contra maridos, filhos, patrões ou namorados, enquanto se cuida. Além da sua intrínseca relação com as redes sociais, a temática da série já se anuncia também logo no início, ainda na vinheta de abertura e na música que a compõe. Nesse começo, são mostradas fotos frontais e da lateral direita do corpo de todas as protagonistas da série, em preto e branco, e em plano médio, segurando uma placa com seus nomes, cidades e alguns números, o que nos remete às fotos de identificação tiradas nas cadeias. A música de abertura que acompanha as imagens, uma produção musical do estúdio Maravilha 8, também nos ajuda a entender que o objetivo do programa é subverter o comum e mostrar o outro lado das mulheres,um lado pouco mostrado: “Eu te quero sim. Ao mesmo tempo eu me pergunto: o que vai ser de mim agora? Nessa hora, a encruzilhada, quando aparece na tua frente aquela fera tão querida, na valha no olho do furacão. Pedrada amorosa no coração. Canalhinha, canalhosa, canalhuda, canalhante, canalhianque, fêmea, canalha”.

Além da vinheta de abertura, outros elementos também são destaques, como a narração em off, que ocorre a todo momento, quando a personagem principal narra um fato e na tela aparece a situação relatada; a caracterização da protagonista no começo de cada episódio, como no exibido no dia 3 de junho, com a descrição “INGRID 29 ANOS, LOIRA EM ASCENSÃO”, ou no do dia 8 de junho, com a descrição “ISABELA 15 ANOS, ESTUDANTE”; e a pronúncia de ao menos uma vez no episódio da palavra canalha. No exibido do dia 10 de junho, por exemplo, na caracterização da história, aos 18 minutos e 40 segundos, a personagem Meg indaga ao personagem Jandir: “Quem é? Quem é a canalha? Pelo menos me diz: quem é a canalha?”. 35 segundos depois, aos 19 minutos e 15 segundos, o personagem Geraldo pronuncia quase a mesma coisa à esposa: “Quem é o canalha? Pelo menos me diz: quem é o canalha?” Como vemos, além de canalha ter sido falada mais de uma vez na emissão, foi proferida duas vezes por cada personagem em cenas seguidas uma da outra, como se a trama e o roteiro pretendessem, de certa forma, justificar o nome da série.

No Plano do Conteúdo, o indicador de qualidade desconstrução de estereótipos foi pouco observado em todos os episódios. Apesar de apostar na subversão dos gêneros (pois “cafajestagens” como as retratadas são características, estigmatizadas e comumente vistas em personagens masculinos) e de a atuação das protagonistas ser ideal e passar total credibilidade para quem assiste (desconstruindo a ideia de que somente os homens são canalhas), o programa também faz uso de estereótipos de afirmação. O episódio exibido no dia 3 de junho de 2013 é um exemplo desse uso, pois aborda mulheres que ascendem socialmente de forma aparentemente inexplicável.

No decorrer do episódio, são mostradas quatro cenas em que a personagem principal Ingrid mantém relações sexuais com três homens e uma mulher. Ao final das cenas com os homens, depois do ato sexual, cada um deles falou que Ingrid tinha muito talento, o que fez sentido no final do episódio, aos 21 minutos e 43 segundos, quando na sua última fala a personagem principal disse: “Tudo que eu quis na minha vida, eu consegui com o meu trabalho, fruto do meu talento”. Nesse episódio, por exemplo, o programa estereotipou mulheres de sucesso ao deixar subentendido que elas só conseguiram alavancar a sua carreira tendo relações amorosas e sexuais com pessoas influentes do mundo artístico, como produtores de elenco, diretores, atores e empresários, do mesmo sexo ou não, ajudando a confirmar essa concepção do senso comum.

O indicador de qualidade oportunidade foi razoável nas emissões, pois estas não se pautam na agenda midiática para a escolha dos seus temas, mas nas abordagens recorrentes da vida social, que abarcam problemáticas e situações passíveis do dia-a-dia de qualquer pessoa. Outro indicador do plano do conteúdo, o diversidade de sujeitos representados apresentou valores significativos. O episódio em que esse indicador mais foi observado foi o do dia 27 de junho, em que trouxe na trama pessoas de diferentes cores, classes e orientações sexuais, representados pela protagonista da história, a acompanhante de idosos de pele branca, o namorado, o porteiro de pele negra, o filho gay, o idoso homofóbico e preconceituoso, e a senhora empregada doméstica.

Quanto ao último indicador de qualidade do plano do conteúdo, a ampliação do horizonte do público, duas emissões analisadas mostraram-se razoáveis e três boas. No episódio do dia 13 de maio, por exemplo, a personagem principal Carol faz uma declaração pertinente e relevante para os dias atuais que pode contribuir para que os telespectadores reflitam sobre o assunto. Aos 8 minutos e 52 segundos, durante o seu relato, ela diz: “Além do mais, eu pensei: ‘poxa, se ele quer tanto ter um filho, ele com certeza vai assumir várias responsabilidades em relação a essa criança, vai ajudar a cuidar, botar pra dormir, lavar fralda, trocar fralda, enfim, essas coisas, né, que pai ajuda a fazer’”. Ao afirmar que os pais ajudam na realização dessas tarefas, é possível que reflexões tenham sido despertadas em alguns pais ausentes que assistiam ao programa no momento.

Outro exemplo em que a abordagem de temas polêmicos e contraditórios foi utilizada está na emissão do dia 27 de maio. Antes do diálogo que se inicia, Gisleine e Agenor estão andando na rua, quando um menino passa vendendo bala:

GISLEINE: O que quê foi, seu Agenor?
AGENOR: Ahh, na minha época não tinha isso aqui não…
GISLEINE: Isso aqui o quê?
AGENOR: Criolo vendo balinha na rua. Não sabe o que foi o regime militar. Era aquela disciplina, ordem na rua.
GISLEINE: Racismo é crime, viu, seu Agenor. E é pecado também.

Após esse diálogo, que faz parte da história narrada pela protagonista, a cena é cortada para o salão de beleza, e Gisleine continua o seu relato: “Ainda bem que eu não peguei essa ditadura aí, viu. Já imaginou: um bando de velho feito o seu Agenor, comandando tudo aqui no Brasil? Deus me livre e guarde”.Essa sequência de falas, portanto, aborda temas relevantes para a sociedade e possuem elementos essenciais para contribuir com a ampliação do horizonte do público, enriquecendo a visão de mundo do telespectador interagente, apresentando outros pontos de vista e estimulando o pensamento e o debate de ideias. Abaixo podemos conferir a tabela dos indicadores da qualidade do plano de conteúdo com a avaliação de cada um deles:

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Analisando a série à luz dos aspectos que compõe a Mensagem Audiovisual, identificamos que o indicador de qualidade clareza da proposta foi muito bem pontuado em todas as emissões analisadas. Isso se deve, principalmente, a dois fatores: à maneira com que a série é referida nas redes sociais, e à vinheta de abertura, pertencente ao plano da expressão. Como já adianta o próprio site do programa, “a série mostra que os homens podem ser mais canalhas em quantidade, mas que as mulheres sabem ser com muito mais qualidade”, ou seja, o programa objetiva mostrar o grau de canalhice que algumas mulheres têm, que muitas vezes ultrapassa o nível pré-estabelecido para o homem, normalmente subjugado como o gênero mais cafajeste.

Quanto ao indicador originalidade/criatividade, o programa também foi muito bem pontuado em todas as cinco emissões analisadas. Apesar de parecer mais uma série televisiva que traz protagonistas e vilões, conflitos e reviravoltas, o programa inova ao colocar mulheres interpretando papéis que geralmente são destinados aos homens.

O indicador solicitação da participação ativa do público foi notado de forma considerável nas emissões, pois estas se desenvolvem sempre no mesmo formato:mesclando o depoimento da personagem principal com a história que está sendo contada. Na confissão, as protagonistas interagem, falam e olham para a câmera, com entonação e perguntas, como se estivessem conversando pessoalmente com quem está do outro lado da lente, numa tentativa de gerar intimidade e identificação com o público, o aproximar da trama e prender a sua atenção. Um exemplo disso pode ser identificado no episódio Carolina, da 1ª temporada, em que no primeiro minuto e 39 segundos a protagonista Carol se deita na cama de massagem e sua filha, que não está aparecendo em cena, começa a chorar. Após ouvir o choro, Carol lamenta: “Ai, gente, acabou meu sossego. Por favor, Marilyn, você pode ir lá calar a boca dessa criança?”. Neste momento, a massagista sai de cena e a personagem retorna a falar, olhando pra câmera e sem ninguém a sua volta, como se estivesse se comunicando com o público.

Último indicador da mensagem audiovisual, o diálogo com/entre plataformas não foi muito identificado no programa. Sua baixa avaliação somente se deve ao fato de a história se adaptar à convergência midiática, pois foi inicialmente contada no livro Canalha, substantivo feminino, de Martha Mendonça, e depois transformada em um produto audiovisual, portanto, uma outra plataforma. A seguir podemos observar a avaliação que cada indicador teve na mensagem audiovisual:

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À luz dos modos de representação adotados pelo Observatório da Qualidade no Audiovisual, As Canalhas se destacou na atuação verossímil dos personagens e nas construções das cenas. A subversão de gênero, bem como a abordagem de temas comuns da vida social, causam não só uma identificação com o púbico, que quer ver nas telinhas o que acontece na vida real, mas também a curiosidade de ver como essa nova trama se desenvolverá, se será criativa e credível ao ponto de se assemelhar à realidade e fazê-lo acreditar no que vê.Nos modos de experimentação, ouso dos recursos técnico-expressivos de apostar numa interação com o públicoatravés da linguagem e da função da câmera, que serve como um canal entre o personagem e o espectador, também foi de certa forma inovador, pois prende a atenção do público e assim contribui para uma possível reflexão e debate sobre o que está sendo falado.

Por Luma Perobeli

Zona do Agrião

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Zona do Agrião foi um programa que buscava parodiar as mesas redondas esportivas, testado pelo canal Multishow, na Copa do Mundo de 2010, com apresentação de Bruno Mazzeo. Inicialmente o formato era de pílulas de 3 minutos que apareciam durante a programação e contava com a participação dos personagens Yatta Fonseca, Manzana Zil e Caio Lúcio. Em Julho de 2012 o canal estreou um novo formato, desta vez com a apresentação do humorista Marco Bianchi. Diferente da primeira temporada, os episódios teriam sempre a participação de um convidado. Os personagens foram conservados; Gillray Coutinho permaneceu representando o comentarista Yatta Fonseca e Rodrigo Candelot, o repórter Caio Lúcio. Mariana Gouveia entrou como a assistente de palco Manzana Zil e o ex-jogador de futebol Odvan, no papel de correspondente internacional do programa. A segunda temporada, trabalho da jovem produtora audiovisual 2 Moleques, contou com 13 episódios, que iam ao ar toda terça-feira às 23h. Eram trazidos debates e comentários inusitados sobre diversas modalidades esportivas.

Uma curiosidade é que a Rede Globo já havia exibido um programa esportivo chamado Na Zona do Agrião, que começou em 1966 e durou um ano. Foi o primeiro programa na emissora com comentários sobre futebol, apresentado por João Saldanha – criador dessa gíria futebolística. O programa ia ao ar de segunda a sábado, às 19h35. “Na zona do agrião” é uma expressão do futebol, que se refere à grande área onde todas as jogadas são de grande importância, tanto para quem ataca, como para quem se defende. O significado do termo está relacionado ao cultivo do agrião, uma vez que a hortaliça deve ser plantada num terreno que retém uma grande quantidade de água e no qual as pessoas precisam se mover com cuidado.

No Plano da Expressão alguns detalhes se destacam no programa. Nota-se principalmente a linguagem e o estilo de fala do apresentador, que se parece muito com o jeito comum entre narradores e comentaristas esportivos. Manzana Zil também tem uma maneira própria de falar, gesticulando muito e com um tom chamativo. Marco Bianchi repete a expressão “nesta jornada querida” no início dos episódios, o que estimula uma memória no espectador. A apresentação inicial dos personagens do estúdio também é feita sempre, com Manzana sendo caracterizada como “internauta e banhista” e Yatta como o “ex vice campeão carioca de pebolim”. Quando o apresentador anuncia o convidado, geralmente fala seu nome inteiro, depois revela o nome artístico. Na chegada ele o cumprimenta e faz perguntas, numa demonstração de intimidade.

A abertura é bem rápida e tem desenhos animados que mencionam vários esportes num cenário de campo de futebol à noite; a vinheta remete ao ruído de torcida. Outro destaque é o cenário que imita o padrão observado em programas esportivos e abusa dos tons de verde, roxo e laranja; o piso lembra o gramado de um campo.

Nos momentos finais do programa, há a transmissão do correspondente Odvan. O repórter sempre está sem retorno de som, e são feitas perguntas a ele – que tem fones na orelha – mas ele fica só olhando para frente ou para o ambiente em que está, uma vez que não ouve o apresentador. Existe uma inscrição na tela dividida com a marca “satélite zoneado” e Odvan nunca fala nada. Esse quadro pode ser interpretado como uma paródia dos telejornais , quando comumente ocorre um delay, ou seja, um atraso de som nas transmissões via satélite.

Todos os episódios apresentam alguns momentos fixos, como o sorteio de algum prêmio aos telespectadores, o “Baú do Yatta”, o correspondente Odvan e o “pingue-pongue” com o entrevistado, o que cria um costume em quem assiste.

Na análise do Plano do Conteúdo, quanto à ampliação do horizonte do público, todas as notas foram fracas. Isso se deve à carência de assuntos que levassem o espectador à reflexão. O programa investia em piadas costumeiras, como no episódio do dia 24 de julho, em que Bianchi brinca com o tamanho de Yatta dizendo: “A primeira vista pode parecer baixinho, mas pessoalmente ele é ainda mais tampinha”, e Yatta responde: “Tampinha não, compacto”.  Ou no episódio do dia 24 de julho quando Yatta diz ao convidado Biro Biro que ainda não almoçou, coloca um guardanapo na blusa e pega um prato de macarrão instantâneo. Bianchi comenta sobre a semelhança da comida com o cabelo do convidado.

Também é visto uma falta de aproveitamento dos temas, que sempre são tratados de maneira superficial. No episódio de 14 de agosto, por exemplo, no quadro “Baú do Yatta”, o personagem diz que sente saudade dos anos 70, quando as mulheres saíam para “queimar os sutiãs”. De acordo com ele, o fato além de ter gerado a emancipação das mulheres, permitiu que os homens tivessem acesso ao “farol aceso”. Essa referência, correspondente às manifestações feministas da época, poderia ter servido para levar o espectador a uma reflexão, porém foi colocada de maneira extremamente machista e rasa.

No quesito diversidade de sujeitos representados, as notas variaram entre fraco e razoável. O critério utilizado foi o convidado do dia, uma vez que dentre os personagens fixos não é observada uma multiplicidade de sujeitos, sendo que quatro são homens e só há uma mulher, que quase não participa ativamente. Portanto, quando a convidada do dia era uma mulher foi dada a nota razoável; quando o convidado era homem, a nota foi fraca.

Neste plano, indicador que mais chama a atenção no programa é a desconstrução de estereótipos: todas as emissões obtiveram nota mínima, ou seja, esse indicador não constou. Uma das justificativas é a presença da mulher atraente no palco; Manzana Zil tem a única função de ler uma mensagem no início do programa – que sempre tem uma tendência cômica – e comunicar o sorteio do dia; depois não tem mais participação, o que faz supor que ela está ali somente para atrair o olhar do espectador. Às vezes a câmera passa rapidamente por ela, que aparece mexendo no celular.

Outro motivo observado foi o modo como estereótipos femininos são reforçados, como no quadro “Baú do Yatta” em que ele se refere à sua esposa como “Dona Encrenca”. Outro exemplo pode ser visto no episódio do dia 24 de julho, quando é exibido um VT com os “carrinhos” de Biro Biro e o ex jogador é mostrado em vários automóveis; são feitos comentários como “porta loira clássico” e “motor para sete cavalas”, sugerindo o interesse das mulheres em carros.

O indicador oportunidade foi avaliado como fraco em todas as emissões, uma vez que o apresentador muitas vezes trazia temas irrelevantes na vivência do entrevistado. No episódio do dia 14 de agosto, por exemplo, em mais uma das perguntas que pretendiam fugir ao lugar comum dos debates esportivos, a esportista Jaqueline Silva responde: “Sei lá, o que isso tem a ver com voleibol?”, deixando o apresentador sem graça. Nessa hora aparece o efeito de uma bola quebrando vidro na cara de Bianchi. As perguntas e temas também não eram necessariamente atuais.

Veja a seguir as avaliações segundo os indicadores do Plano do Conteúdo:

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Na análise da Mensagem Audiovisual, o indicador clareza da proposta obteve avaliação muito boa em todas as emissões, uma vez que pelo formato do programa ser fixo, leva a uma melhor assimilação pelo espectador. O programa é realmente muito parecido com os exemplares de jornalismo esportivos, sendo que no inicio é feito um resumo com os destaques do programa; há matérias externas com um repórter de rua e há entrevista no estúdio. Além disso, toda a trilha musical e o cenário são comuns aos programas desse ramo.

O indicador diálogo com/entre outras plataformas foi classificado como bom, uma vez que por ser uma paródia de outros programas, é vista uma relação. Outra menção observada foi a citação “Pois bem, amigos do Multishow”, com a qual Bianchi iniciava as transmissões, e que lembra a famosa frase do narrador Galvão Bueno “Bem amigos da Rede Globo”, dita em inícios de jogos, o que foi interpretado como um diálogo com outro produto audiovisual.

O indicador solicitação da participação ativa do público, assim como o anterior obteve notas fracas. O motivo foi que a solicitação só existia de forma fictícia a cada começo de programa, quando Manzana Zil convidava os espectadores a mandarem e-mails para participação nas promoções.

No quesito originalidade/criatividade as emissões foram classificadas como razoáveis, uma vez que é um formato de programa já bastante conhecido, porém com a proposta cômica e que investe no riso fácil. Um exemplo é a atuação de Gillray Coutinho, que no início do episódio do dia 07 de julho de 2012, aparece fazendo abdominais deitado no chão e com os pés na cadeira enquanto fala. O personagem também é visto fazendo graça com caretas e caindo em cena em algumas emissões.

Outro exemplo é no momento depois que o convidado chega. O apresentador mostra seu “fã clube”, que é montado com a pequena equipe de produção e filmagem e sempre serve como um tipo de provocação ao entrevistado. Como no episódio do dia 4 de setembro de 2012 em que o fã clube de Sandra de Sá tem homens que usam roupas e tem bandeiras vascaínas, isso porque a cantora torce pelo Flamengo. Confira o gráfico:

zona2Observando os modos de representação, a criação e atuação dos personagens se dava de forma caricata, de modo a reafirmar alguns estereótipos, como o da mulher bonita e fútil. O programa não demonstrou nenhuma preocupação com críticas sociais ou representação de diversidade, sendo que os temas tratados não contribuíam para a mínima reflexão do espectador.

O uso dos recursos da linguagem audiovisual eram reciclagem de programas já existentes e com formato consolidado. A proposta era favorável para promover o debate de ideias e de pontos de vista, porém isso não acontecia. O público também não possuía nenhum tipo de participação. Além disso, o programa não apresentou nenhuma característica marcante que o fizesse ser lembrado, como bordões ou marcas específicas.

Por Letícia Silva

Sexo Frágil

sexo_fragil_5Sexo Frágil foi um seriado que estreou na Rede Globo de Televisão em 17 de outubro de 2003 a partir de um quadro exibido pelo programa Fantástico. Sendo transmitido todas as sextas-feiras às 23hs, ao longo dos 10 meses em que esteve no ar teve um total de vinte episódios que tinham, em média, 25 minutos de duração. Criado por Luis Fernando Verissimo e adaptado por Guel Arraes, o humorístico descreveu o dilema de quatro jovens que viviam divididos entre o papel tradicional do homem na sociedade e sua vontade de ser mais sensível, flexível e gostar de discutir a relação a dois. Os atores Bruno Garcia, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Lúcio Mauro Filho são os únicos atores no programa, interpretando os homens e as mulheres do seriado.

No plano da expressão, observamos que o tema de abertura do seriado, a canção “Gosto que me enrosco”, um samba de 1929 do compositor “Sinhô”, levanta a discussão da relação homem e mulher diante das transformações buscadas pelas feministas, como, por exemplo, o direito ao voto, que foi conquistado três anos após a gravação dessa música. A vinheta reforça essa relação de gênero da música de abertura e subverte a lógica de superioridade dos homens sobre as mulheres ao posicioná-los em primeiro plano para, posteriormente, revela-los muito menores em relação às mulheres, dando ideia de inferioridade perante elas. Ao mostrar, por exemplo, um homem musculoso fazendo exercício na barra de ferro, a câmera faz um movimento aparente de afastamento (zoom out) em relação ao que é filmado, para revelar o que está ao redor do objeto inicial, que é, no caso, um homem dependurado no brinco de uma mulher, e a representação de toda a grandeza feminina diante da pequenez do homem, que se mostra inferior.

No plano do conteúdo, um dos indicadores destaques foi ampliação do horizonte do público, observado nas propostas polêmicas que estimulavam o repertório cultural do espectador ao fazê-lo pensar e refletir sobre o que estava assistindo. Dos seis episódios analisados da série, no indicador ampliação do horizonte do público três episódios são fracos; dois, razoáveis; e um, bom, o que revela uma tentativa razoável do programa de inserir em seu público discussões de cunho relevante. Um bom exemplo disso pode ser identificado no episódio O ciúme, já no seu primeiro minuto. Ao som da música “Ciúme”, da banda Ultraje a Rigor, o tema “ciúme” é levantado numa mesa de bar pelo personagem Beto e logo em seguida um diálogo se inicia, com Fred se defendendo da acusação:

FRED: Eu não tenho ciúmes, porque graças a Deus eu não tenho dentro de mim esse sentimento egocêntrico e castrador que é o ciúme. Ciúme não é uma coisa legal de se ter. Ciúme não é coisa de homem.

ALEX: Concluindo: só o que é legal de se ter é coisa de homem?

FRED: Eu não disse isso. Eu disse isso?

BETO: E coisa de mulher, não é legal de se ter?

ALEX: Esquece!

(Sexo Frágil – episódio O Ciúme 23/07/2004)

A combinação desse diálogo com o movimento abrupto da câmera e os efeitos sonoros compõe a estética da cena e dão um ar de leveza ao tema, que é rapidamente inserido. O uso do zoom in, que acontece para dar destaque para trechos da fala do emissor; do zoom out, para revelar a reação dos outros personagens diante do que é falado; e a presença dos cortes secos, destacam o rosto dos atores e introduzem certa reflexão, dando ao espectador a chance de pensar por si mesmo.

O indicador de qualidade do plano do conteúdo diversidade de sujeitos representados é bastante importante se pensarmos que para desconstruir uma visão consolidada, ou um estereótipo, precisamos de um panorama plural de diferentes grupos da sociedade. Nesse indicador, dois episódios são razoáveis, e quatro são bons, o que revela que o programa não se preocupa em contar as histórias sob múltiplos ângulos e representações em todas as emissões. Normalmente, encontra-se uma visão dos homens protagonistas e outra das mulheres. No episódio Como dar o fora, que foi bem avaliado, assim como nos outros que também foram considerados diversos, a tática usada foi a de ir para as ruas para saber a opinião do público.

Durante 25 segundos do referido episódio, são levantadas questões como o que falar para o parceiro na hora de “dar o fora” e onde seria o melhor lugar para se fazer isso. Na entrevista, percebe-se a tentativa de um equilíbrio de gênero, já que são mostrados nove homens e nove mulheres. Desse total, quatro mulheres permanecem em silêncio, e uma introduz a primeira pergunta sem emitir seu palpite, já que não havia um entrevistador; dos homens, apenas um não opina. Durante o tempo da externa, três pessoas falaram duas vezes: duas meninas respondem às duas perguntas, e um rapaz introduz a segunda pergunta para logo em seguida respondê-la. Como se trata de uma externa, o som é ambiente, típico das ruas, com pessoas comuns, umas com roupas mais sociais e outras mais despojadas, para dar a impressão de pessoas de distintos círculos sociais.

O indicador desconstrução de estereótipos não se destacou no programa. O recurso do estereótipo foi bastante utilizado, a princípio para desconstruir as representações limitadas, mas acabou, ao final, reforçando-os. No episódio Minha vida não é um sitcom, por exemplo, os quatro personagens iniciam a história falando que “o mundo é dividido entre as celebridades, pessoas famosas e maravilhosas que todo mundo adora, e as pessoas comuns, que adoram as pessoas famosas”. Dessa forma, eles estimam que 98% das pessoas são banais e que eles fazem parte dessa imensa massa desconhecida à qual “ninguém dá a mínima”. Após uma tentativa falha de serem notados do jeito que são, vendo o porteiro do prédio do personagem Beto no Programa do Jô, chegam à conclusão de que também querem ser notados e que por isso devem adotar “tipos”. O “fortão burro”, o “atleta sexual que pega todas”, o “culto sensível” e o “hilário e espirituoso” são, segundo o consenso deles, os tipos mais interessantes e bem sucedidos. Observamos aqui, portanto, um constante e intenso uso do estereótipo nas emissões, mas não para a desconstrução, e sim para a afirmação.

Já no último indicador da qualidade do conteúdo, oportunidade, a avaliação revelou números baixos, pois, apesar de ser produzido em uma época de ascensão social das mulheres, o tema da relação de gênero na forma como é abordada não era tão falado e nem estava na agenda midiática, sendo o Sexo Frágil, por isso, um programa que possibilitou um pouco mais esses diálogos. Abaixo, a avaliação recebida por cada indicador de qualidade do plano do conteúdo:

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Quanto à análise da mensagem audiovisual, no indicador de qualidade originalidade/criatividade temos nos seis episódios analisados uma avaliação boa, o que aponta um bom desempenho do programa em surpreender o público com seu formato, apresentação e abordagem de temas. Essa avaliação se deve, entre outras coisas, à interação promovida com o público por meio de uma linguagem mais informal e direta, em que diversas vezes vemos que os atores falam como se estivessem conversando com o espectador pessoalmente.

Esse envolvimento é relevante, pois a temática comum a todos os indivíduos possibilita a identificação do público e sustenta os altos números recebidos pelo indicador solicitação da participação ativa do público, em que a participação dos mesmos, opinando acerca das situações abordadas no programa, permitiu um vínculo entre ambas as partes. Apesar dessa interação programa-público, não constatamos números no indicador diálogo com outras plataformas. Uma das justificativas para essa ausência deve-se ao fato de naquela época a internet não ser tão difundida como nos dias atuais, em que muitos programas conversam diretamente com seu público através das diferentes mídias.

No último indicador de qualidade da mensagem audiovisual, clareza da proposta, a alta avaliação recebida se justifica pelas discussões diretas e esclarecedoras trazidas pelos personagens, e pela objetividade que a música e a vinheta de abertura trazem, que adiantam o assunto tratado no programa, como já falamos anteriormente. Abaixo, os indicadores de qualidade da mensagem audiovisual, com suas respectivas avaliações:

sf2No início do século XXI, a fragilidade do tradicional “macho alfa” veio à tona quando, no contexto social, essa representação se viu diante de uma nova sociedade dominada pelo “sexo frágil”, antes assim rotulado, mas que se subverteu a esse estereótipo. As novas mulheres, mais independentes e seguras, ganhavam o seu espaço na sociedade e na televisão. Assuntos polêmicos sobre gênero, sexo, orientação sexual e preconceito, eram pontuados no programa a fim de ampliar o horizonte do público e gerar reflexões sob uma ótica nunca antes abordada nas telinhas.

Atitudes como indecisão, insegurança, choro, sensibilidade e sentimentalismo colaboram para a desconstrução do macho alfa na sociedade e foram constantemente notadas na atração. No entanto, a ideia de que homens só pensam em sexo e em mulheres contrapõe as atitudes mostradas, colaborando para fortalecer o conceito e o preconceito do senso comum.

Ao longo dos episódios percebemos uma dualidade: ora o programa se apresentava como um agente da desconstrução, por meio de ações, palavras ou da inserção de reflexões, ora promovia o reforço de generalizações construídas socialmente. Ao trabalhar a desconstrução para arquitetar formas de romper com o consolidado, foram usadas ideias que fortaleciam os estereótipos que recaíam sobre as mulheres.

Tentando desconstruir o estereótipo do homem e acabando, por fim, construindo o da mulher, o programa não tratou o homem como um ser autossuficiente, provedor, seguro e viril, como comumente é visto, e expôs as suas fragilidades, dúvidas e incertezas, ao passo que também exagerou, ridicularizou e rotulou algumas “atitudes de mulher”.

Em vista do analisado e considerando que existe uma linha muito tênue entre desconstruir um estereótipo e reforçar outro, é possível dizer que o seriado pecou pelo excesso da paródia na inversão dos papéis e acabou por reforçar os rótulos e paradigmas que giram em torno da mulher. Apesar disso, é inegável que teve sua importância no cenário da televisão brasileira, ao gerar certa reflexão e promover o envolvimento do público.

Por Luma Perobeli

 

CQC – Custe o Que Custar

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Custe o Que Custar (CQC) estreou na Rede Bandeirantes de Televisão no dia 17 de março de 2008 e é uma franquia do formato argentino CaigaQuienCaiga, produzido pela Eyeworks. Mesclando humor e jornalismo, o programa tinha três apresentadores de bancada e já passaram por lá Dan Stulbach, Marco Luque, Rafael Cortez, Marcelo Tas e Oscar Filho. Eles vestiam um figurino em comum: terno preto, gravata e óculos escuros, fazendo referência ao filme “MIB – Homens de preto”. Dos criadores Diego Guebel e Mario Pergolini, desde 2010 o humorístico é dirigido por Gonzalo Marco. Apresentando ao longo das suas seis temporadas uma grande rotatividade entre seus participantes, já passaram pelo elenco do CQC nomes como Felipe Andreoli, Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Monica Iozzi e Dani Calabresa. A atração ia ao ar todas as segundas-feiras às 22h30, com duração aproximada de duas horas e trazia os fatos políticos, artísticos e esportivos da semana de forma satírica e bem humorada.

No que se refere ao plano da expressão o programa apresentava boa qualidade de som e imagem, uma vez que cumpria o estilo jornalístico. Falando das reportagens, estas sempre apresentavam na parte superior da tela as palavras chaves do tema e antes da sua exibição era mostrada a editoria a qual a matéria pertencia. Parte das vezes quando um entrevistado era identificado, havia alguma descrição abaixo do nome que tinha o objetivo de ser engraçada, por exemplo: Aécio Neves – “candidato a presidente derrotado”.

Um ponto notório é a publicidade, excessivamente explorada em esquetes que faziam propagandas de produtos e serviços com atuação dos próprios integrantes. Além disso, a arte de abertura também havia marcas inseridas.

No plano do conteúdo houve uma grande variedade na classificação dos indicadores. Falando sobre a ampliação do horizonte do público, duas emissões foram consideradas muito boas e duas boas. Isso aconteceu principalmente pelo cunho informativo do programa. Era dada uma contextualização dos assuntos e buscava-se uma diversidade de fontes, o que permitia um maior conhecimento do público acerca dos temas. Um dos episódios com melhor classificação foi o do dia 3 de Junho de 2013. Nele é exibida uma reportagem sobre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil e a discordância do PSC (Partido Social Cristão), que tentava impedir. Há uma contextualização citando outros países que já adotaram a medida, além de mostrar a visão sobre o assunto no congresso e no partido em questão. Isso contribui para um maior engajamento e reflexão do espectador que vê diversos pontos de vista sobre o mesmo tema.

Falando sobre diversidade de sujeitos representados, pode-se observar que os episódios tiveram boas classificações, sendo que três foram muito bons. Como um programa jornalístico apresenta uma pluralidade de vozes, buscando ouvir além das fontes oficiais, as pessoas que geralmente não tem espaço de fala. Na reportagem sobre a dengue, exibida no programa de 3 de Junho de 2013, por exemplo, são entrevistadas pessoas negras e brancas, homens e mulheres de diversas faixas etárias, além de um especialista no assunto. São feitas até mesmo denúncias acerca do tratamento médico de má qualidade; o espaço é aberto a qualquer tipo de crítica. Foram feitas entrevistas em um bairro periférico, onde o repórter mostra as condições de moradia e como a falta de saneamento básico e a negligência do poder público podem gerar condições para a doença se proliferar.

O indicador desconstrução de estereótipos foi o mais chamativo: não constou em três emissões e foi fraco em uma. Isso aconteceu porque muitas vezes os repórteres e apresentadores reafirmavam lugares comuns através de suas falas ou entrevistas. Um claro exemplo aconteceu no dia 26 de Setembro de 2011, na cobertura que Rafael Cortez fez de Dilma em uma viagem a Nova York, onde ela seria a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU. O repórter pergunta a um entrevistado: “Uma mulher no poder aqui é uma boa maneira de limpar a sujeira?”. Além disso, ele pergunta ao presidente Chile: “Você acha que Dilma vai fazer um grande discurso hoje ou como mulher vai falar em direitos iguais e blábláblá?”, reiterando a opinião de uma camada da sociedade que pensa baseada em opiniões machistas.

Outra demonstração clara de piada que gerou uma problemática relacionada ao machismo, foi o momento após um quadro em que Mônica Iozzi interagia com Tiririca e ele a assediava verbalmente. Os apresentadores vão em “defesa” dela, afirmando que é uma mulher séria e começam a dizer que a mesma nunca ficou com ninguém, além de Marcelo Tas, do diretor do programa – para ser admitida – do segurança e da moça que trabalha no café. As falas são feitas no sentido de reafirmar o estereótipo da mulher interesseira e que busca benefícios. Ao final do programa, o apresentador diz que tirando os nomes que aparecem nos créditos, ela não “deu” pra mais ninguém, porque ela é “para casar”.

O indicador oportunidade foi claramente percebido e todos os episódios foram muito bons. Por ser um programa jornalístico de humor, os assuntos eram pautas midiáticas e sociais e geralmente tinham como pré-requisito a atualidade. Na emissão de 27 de Outubro de 2014, por exemplo, o dia era de resultado de eleição presidencial e Marcelo Tas já no início do programa deseja boa sorte à presidente Dilma, reeleita para o cargo. O episódio traz ainda uma cobertura da disputa eleitoral entre Dilma e Aécio e o dia das eleições de 2014. Outro exemplo de atualidade, dentre vários, foi no dia 17 de Novembro de 2014, em que Guga Noblat cobre os protestos daquele mês contra o governo, com vários manifestantes pedindo o impeachment da presidente Dilma.

Veja a seguir as avaliações referentes ao plano do conteúdo:

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Falando sobre a mensagem audiovisual, a clareza da proposta obteve todas as classificações muito boas. Isso se deu principalmente pela divisão que era feita como num telejornal comum, com matérias de política, esporte, internacional, dentre outras editorias, sendo que a notícia mais esperada ficava para o final. Além disso, o último quadro era o “Top five”, que continha momentos engraçados e marcantes de outros programas ou vídeos da semana.

O indicador diálogo com/entre outras plataformas foi tido como bom em todas as emissões analisadas. Os apresentadores e repórteres sempre citavam nomes de políticos, partidos, personalidades, emissoras e outras atrações televisivas. Em algumas reportagens e no quadro “Top five” chegam a ser exibidos pequenos trechos de programas de outros canais.

Outro indicador com altas avaliações foi a solicitação da participação ativa do público, que foi boa em todas as emissões. Além da linguagem que é simples e acessível, Marcelo Tas pede a participação dos internautas para o “Top five” via Twitter – eles mandam sugestões de vídeos para a conta @topfivebrasil. Outro quadro que conta com essa interação é o “Reclame já”, que recebe queixas de espectadores a respeito de algum problema de responsabilidade do poder público. Esses problemas são mostrados e são feitas entrevistas com os afetados e com as pessoas responsáveis, em busca de solução.

No que se refere à originalidade/criatividade do programa, todos os episódios foram bons. Nesse quesito foi levado em consideração o formato inovador de um conteúdo jornalístico apurado, mas com forte presença do repórter e sua opinião, uma vez que ao fazerem as entrevistas alguns de seus pontos de vista apareciam, ao contrário dos telejornais tradicionais que optam pelo discurso da imparcialidade. Na emissão do dia 27 de Outubro, por exemplo, há uma cobertura sobre as eleições de 2014 e por meio das entrevistas aos políticos e apoiadores dos candidatos, nota-se um tom irônico nas entrevistas aos que preferiam o projeto de Aécio Neves. No mesmo programa, o repórter Guga Noblat chega a falar com o político Hugo Leal do PSD que seu partido é interesseiro, uma vez que sempre escolhe ficar do lado de quem que está no poder, independente de sua ideologia.

A seguir, os indicadores da mensagem audiovisual:

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Percebeu-se que o programa, descrito como “resumo semanal de notícias”, trazia quadros informativos e bem produzidos, reportagens com a abordagem de assuntos relevantes para a sociedade e que tocam em questões de saúde, educação, política, esportes, dentre outros. O conteúdo era elaborado baseado no máximo de fontes possível – falas de especialistas, testemunhas, pessoas diretamente envolvidas com os fatos – e às vezes infográficos informativos. Em relação aos modos de representação, muitas vezes foi observada uma reafirmação de estereótipos através de falas de repórteres e apresentadores ou até mesmo dos esquetes publicitários. Porém, haviam reportagens preocupadas em fazer críticas sociais e contribuir para a promoção da diversidade. Além disso, CQC fazia cobranças às autoridades, em busca de respostas às demandas da população; as fugas daqueles eram combatidas com argumentos e provas das situações reais. Os pedidos às vezes eram atendidos devido à visibilidade do programa.

Falando dos modos de experimentação, não foi percebido o uso dos recursos técnico-expressivos de forma inovadora, uma vez que o formato utilizado era o mesmo dos telejornais. O público tinha a possibilidade de participar de alguns quadros, o que contribuía para a construção da narrativa e promovia a diversidade de pontos de vista.

Por Letícia Silva

Toma Lá Dá Cá

globo__Toma l_-George-Daniel-Arlete-Alessandra-Fernanda-Stela-Marisa-Diogo-Miguel-Adriana 35187_1_-MS__gallefull.jpgToma Lá Dá Cá foi um humorístico exibido pela Rede Globo de televisão entre 07 de agosto de 2007 e 22 de dezembro de 2009. O seriado surgiu após a transmissão de um episódio especial de fim de ano em dezembro de 2005, o qual, mais tarde, originaria o programa de mesmo nome. A direção contou inicialmente com Mauro Mendonça Filho, que deu lugar a Cininha de Paula no decorrer da segunda temporada.

A trama narra o cotidiano de duas famílias interligadas: Mário Jorge era casado com Rita, com quem teve dois filhos; Arnaldo, por sua vez, era casado com Celinha e pai de um menino. Os relacionamentos se encerraram e ocorreu uma troca de casais: Mário Jorge se casou com Celinha e Arnaldo se uniu a Rita. Além de tudo, as famílias moram no mesmo andar do condomínio Jambalaya Ocean Drive, fazendo do corredor do prédio um cenário constante de confusões.

A vinheta de abertura, constituinte do plano da expressão, se faz ao som da música Toma Lá Dá Cá, composta por João Bosco e Aldir Blanc. A letra – “Tu entra cajá/ E sai caqui/ Casamento hoje/ É isso aí/ Toma lá, dá cá/ E no rola-rola/ Embola o que há/ Aí e aqui” – representa bem a proposta do programa e os conflitos na vida dos casais. Ao final da vinheta, aparece o nome do humorístico grafado em vermelho, e as letras “A” ficam trocando de lugar, simbolizando a troca de casais que ocorre na série.

No plano do conteúdo, todos os episódios analisados receberam avaliação boa no indicador diversidade de sujeitos representados, pois personagens bem distintos entre si são retratados no programa. Tem-se, por exemplo, Bozena, paranaense de Pato Branco; Adônis, adolescente sério e preocupado com as grandes questões da vida; Isadora, menina interesseira e sem grande destaque nos estudos; Copélia, senhora que se veste de forma jovem e só pensa em sexo, dentre outros personagens. Não há, entretanto, grande diversidade étnica ou socioeconômica, o que representa um ponto negativo em relação ao indicador.

Já a desconstrução de estereótipos foi fracamente avaliada em todas as emissões, uma vez que o programa se baseia justamente em estereótipos para a construção de diversos personagens. No episódio As Duas Faces de Celinha , exibido dia 22 de setembro de 2009, pode-se perceber o estereótipo de “sapatão”, representado pela personagem Deise Coturno. Nessa emissão, dona Geneviève questiona: “Não sei por que chamam esse senhor de senhora”. Mário Jorge, na mesma cena, complementa: “Isso não é encanador coisa nenhuma, isso é um sapatão faz-tudo que nós temos aqui no condomínio”.

Além disso, tem-se o estereótipo da sogra chata, representada por Copélia. No primeiro episódio do programa, exibido dia 07 de agosto de 2007, Arnaldo diz a Mário Jorge: “Essa sogra não é mais minha, esse defunto agora é teu”. Contudo, embora haja a afirmação de estereótipos durante a série, a constante repetição desse tipo de encenação pode levar o público à reflexão, de modo a questionar tais representações.

O indicador oportunidade, por sua vez, recebeu avaliação fraca em dois episódios, devido à falta de assuntos atuais ou recorrentes nas agendas da mídia e do público. A avaliação foi razoável nas emissões dos dias 30 de setembro de 2008 e 07 de agosto de 2007 por elas abordarem, ainda que rapidamente, assuntos como a corrupção e a alta dos preços.

No episódio do dia 30, intitulado O Buraco é Mais Embaixo, Tatalo se veste de legume para animar as pessoas durante a compra. Ele conta à família: “Teve uma vez também que quiseram linchar a abóbora, porque ela foi a vilã da alta dos preços”. Já na emissão do dia 07, um deputado que se consulta com Arnaldo leva o dinheiro na cueca, em referência ao episódio do “mensalão”.

O episódio A Garota da Capa foi o único que recebeu avaliação boa nesse indicador, uma vez que dá maior espaço à questão da vida conturbada das modelos, tema recorrente na mídia. Nessa emissão, a modelo Orlanda Blum conta: “Fui descoberta por Caneco aos seis anos de idade brincando em um shopping/ Aos sete, minha mãe me mandou para o Japão/ Trabalhei como escrava 15 horas seguidas dos sete aos oito. Aos nove já era alcoólatra/ Tive minha primeira relação séria aos dez/ Aos onze me internaram numa clínica de reabilitação…”. Nesse mesmo episódio é citada, também, a crise mundial. Bozena diz: “O presidente tem razão mesmo, os culpados pela crise mundial são brancos de olhos azuis”.

Já o indicador ampliação do horizonte do público recebeu avaliação fraca em duas emissões, já que elas não apresentavam temas relevantes e que poderiam gerar discussão. O episódio do dia 30 recebeu avaliação razoável em tal indicador, já que abordou, rapidamente, questões como as promessas de campanha, feitas em época de eleições e não cumpridas depois.

A avaliação foi muito boa no episódio A Garota da Capa, uma vez que ele trouxe à pauta assuntos como a vida conturbada das modelos e bulimia, os quais podem levar o telespectador à reflexão e à discussão. Ainda no mesmo episódio, Bozena questiona o papel das empregadas: “Eu sou empregada, mas eu tenho meus direitos”. Igual avaliação recebeu o episódio O Dia em que a Terra Tremeu, que discute, mesmo que superficialmente, a corrupção em Brasília, associando deputados a ladrões. Além disso, o papel do pai na criação dos filhos é questionado. Nessa emissão, Rita reclama: “Mário Jorge que é um omisso, um nada, nunca colocou limite”. No mesmo episódio, Adônis também comenta a importância da imagem nos dias atuais: “Vocês são incapazes de compreenderem o mundo em que vivem. Imagem é tudo, mamãe”. Tais temas podem estimular os espectadores ao questionamento e debate de ideias. Veja, abaixo, as avaliações de cada emissão aqui analisada:

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No plano da mensagem audiovisual, o indicador originalidade/criatividade recebeu avaliação razoável em todas as emissões, pois o programa não apresenta um formato muito inovador ou diferenciado em relação a outros programas já exibidos. Entretanto, as avaliações foram muito boas quanto à clareza da proposta, uma vez que a estrutura do programa é bem definida e facilmente reconhecida pelos telespectadores. Logo na vinheta de abertura, através da música, por exemplo, já é possível identificar a temática central do programa.

As avaliações do indicador solicitação da participação ativa do público foram fracas em quatro das emissões, já que poucos recursos eram utilizados para estimular a participação ativa do telespectador. O uso de uma linguagem coloquial com gírias e sotaque, como o sotaque gaúcho da personagem Bozena, além de uma linguagem mais formal em alguns casos, como a utilizada por Adônis, é um dos poucos recursos que incrementam o indicador. Apenas o episódio do dia 12 de maio de 2009, intitulado A Garota da Capa, recebeu uma avaliação razoável, pois Celinha interrompe a fala da mãe e olha diretamente para a câmera, dizendo “Mamãe, pelo amor de Deus, tem criança assistindo”. Ao olhar para a câmera, a personagem se dirige diretamente ao público.

Por sua vez, o indicador diálogo com/entre plataformas recebeu avaliação fraca em quatro das cinco emissões, já que não há grande conexão do programa com outras mídias e são poucas as menções a outras plataformas. As referências geralmente são a lugares reais, como Pato Branco, cidade natal de Bozena, ou Brasília, citada no episódio do dia 07 de agosto de 2007, O Dia em que a Terra Tremeu.

Contudo, o episódio A Garota da Capa recebeu avaliação boa nesse indicador, uma vez que, além das referências a Pato Branco, também faz alusão ao diretor de cinema Quentin Tarantino. Arnaldo dispara: “Isso daí tá parecendo um filme do Tarantino, meu Deus”. Além disso, o episódio traz uma modelo internacional chamada Orlanda Blum, em referência ao ator inglês Orlando Bloom. A seguir, os indicadores da mensagem audiovisual:

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A partir da análise, pode-se perceber algumas características do humor de qualidade em Toma Lá Dá Cá, visto que indicadores importantes, como ampliação do horizonte do público e diversidade de sujeitos representados, receberam avaliação considerável. Entretanto, tais elementos nem sempre são observados com relevância nas emissões, sendo que assuntos férteis, como política ou economia, que poderiam gerar discussões entre o público, são tratados na maioria das vezes de forma superficial.

Por Júlia Garcia Gouvêa Andrade

Adorável Psicose

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Exibido pelo canal Multishow de 17 de outubro de 2010 a 08 de janeiro de 2014, o programa Adorável Psicose narrou, ao longo de cinco temporadas, o cotidiano de Natália e seu tratamento com a psicóloga Dra. Frida. A série foi escrita e estrelada por Natália Klein, além de ser inspirada em seu blog homônimo. A direção é de Gustavo Chermont e o elenco também conta com Juliana Guimarães (Dra. Frida), Lucas Oradovschi (Cara de Bigode), Carol Portes (Carol) e Raoni Seixas (Diogo).

O programa geralmente tem início no consultório da Dra. Frida, onde Natália aparece contando suas aflições do momento. A partir de então, Natália narra a psicóloga os acontecimentos que levaram a tais aflições, enquanto o que ocorreu com ela é mostrado ao público. Desse modo, a narrativa, constituinte do plano da expressão, pode ser considerada não linear na maioria dos episódios, já que geralmente não é contada de modo cronológico.

Ainda no plano da expressão, se destaca a vinheta final, que, em um estilo retrô e em preto e branco, mostra Natália fazendo algo relacionado à temática do episódio, ao mesmo tempo em que há um narrador comentando, em off, o que ela faz. Essa vinheta tem como foco o público, já que o narrador se dirige aos espectadores, muitas vezes com expressões como “vocês”, e Natália olha diretamente para a câmera, com a intenção de se comunicar ao mesmo tempo com o narrador e com a audiência.

No plano do conteúdo todos os episódios analisados receberam avaliação fraca no indicador oportunidade, uma vez que não se pautam em assuntos presentes na agenda midiática ou em temas atuais e relevantes que constam na agenda do público. A maioria dos episódios se baseia em assuntos cotidianos que não possuem grande pertinência.

Com relação à ampliação do horizonte do público, quatro emissões receberam avaliação fraca por não trazerem discussões relevantes ou temas que estimulem o pensamento dos espectadores e o debate de ideias. Apenas o episódio “A Bunda” recebeu avaliação razoável, pois traz a problemática do preconceito. Nesse episódio, a compilação das ações preconceituosas de Natália pode levar a audiência à reflexão, ainda que essas ações sejam apresentadas de uma forma cômica e rápida, motivo pelo qual a pontuação do indicador não é maior.

Quanto à diversidade dos sujeitos representados, três episódios foram caracterizados como fracos, já que não trazem grande pluralidade de personagens e pontos de vista. Contudo, os episódios dos dias 02/06/11 e 07/11/10 receberam avaliação regular. O primeiro por apresentar personagens que fogem ao padrão daqueles geralmente retratados no programa, com diversidade de orientações sexuais e pensamentos; o segundo por exibir certa diversidade geográfica e cultural, já que traz a Itália à pauta do episódio.

O episódio “O Gayzorcismo” foi o único que pontuou no indicador desconstrução de estereótipos. Mesmo baseado na afirmação de estereótipos, esse episódio pode levar à reflexão e ao questionamento desse tipo de generalização, uma vez que tal afirmação é feita de forma exagerada e repetitiva, o que pode gerar dúvida a respeito da validade de tal modo de representação.

No gráfico a seguir, pode-se conferir os indicadores de qualidade do plano do conteúdo com as respectivas avaliações:

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Quanto à mensagem audiovisual, o indicador clareza da proposta foi muito bem pontuado em todas as emissões analisadas, pois o formato do programa é delineado de modo nítido. A maneira como é estruturada a série se repete ao longo das transmissões, como as vinhetas de abertura e final e as consultas de Natália com sua psicóloga. Apenas no episódio intitulado “A sitcom” (25/08/2011), há uma mudança na estrutura da vinheta de abertura, a qual é modificada de modo a imitar as vinhetas comumente associadas às sitcoms, fazendo referência especificamente ao seriado Friends. Essa mudança, entretanto, se mostra totalmente condizente com a proposta do episódio, sendo, inclusive, um ponto de destaque.

Já em relação ao indicador originalidade/criatividade, as transmissões analisadas receberam boa avaliação, devido a elementos como a vinheta final, que utiliza de estilo e proposta particulares, e aos temas cotidianos abordados de uma forma distinta, a partir das “psicoses” da protagonista, com as quais o público muitas vezes pode se identificar.

O desenrolar das histórias é geralmente inusitado, assim como as reações dos personagens, em especial Natália. O episódio do dia 25/08/11, por exemplo, revela a criatividade do programa à medida que é feito nos moldes das sitcoms americanas, utilizando dos inúmeros elementos desse formato sem, contudo, perder as características já enraizadas de Adorável Psicose. Outro episódio que poderia ser citado nesse contexto é o intitulado “A Bunda” (23/06/2011), no qual há um surto psicótico de Natália durante a vinheta final e aparecem os personagens do programa numa espécie de clipe musical, cuja música “Baby Got Back” remete ao tema do episódio.

O indicador solicitação da participação ativa do público em quatro dos episódios recebeu uma avaliação razoável. Tal análise se deve pela vinheta final, na qual o narrador se dirige à Natália e ao público, ao qual Natália também se dirige, pois olha diretamente para a câmera, numa comunicação tanto com o narrador quanto com a audiência. Expressões como “vocês” são utilizadas em alguns episódios para se referir aos espectadores. Entretanto, esse é o único momento no qual a participação do público é solicitada ativamente, o que justifica a avaliação razoável. O episódio “A sitcom”, contudo, foi o único dos episódios analisados que recebeu uma avaliação boa nesse indicador, pois, durante a vinheta final, o narrador deixa de ser apenas uma voz em off para se juntar a Natália em frente às câmeras. Nesse instante, ele e a protagonista se dirigem ainda mais especificamente ao público, estreitando a relação entre o programa e sua audiência.

Ainda na mensagem audiovisual, o diálogo com/entre plataformas recebeu avaliação boa em três dos episódios analisados. Isso se deve às inúmeras menções a elementos do “mundo real” ou de outras plataformas, como filmes e séries. A trilha sonora, por exemplo, faz referência em vários episódios ao filme Psicose, de Alfred Hitchcock – filme cujo título se relaciona estritamente com a proposta da série, embora de conteúdos completamente diferentes.

Já no episódio “O Gayzorcismo” (02/06/2011), por exemplo, Natália afirma: “Eu nunca assisti Glee. Eu não sei nada sobre o casal gay de Modern Family” – se referindo a duas séries de TV exibidas pelos canais Fox e ABC, respectivamente. No episódio do dia 23/06/11, por sua vez, Natália diz: “Eu não tô interessada em fazer seguro de vida, porque eu me acho imortal e o que é imortal não morre no final”. A referência, dessa vez, é à música Imortal, da dupla Sandy & Júnior, alvo de vários memes da internet pelo pleonasmo do trecho. Além das inúmeras referências, o programa é inspirado em outra plataforma: o blog Adorável Psicose, da própria Natália Klein.

Contudo, o episódio “A Napolitana” (07/11/2010) recebeu uma avaliação fraca nesse indicador, pois não faz alusões ou dialoga ativamente com outras plataformas, sendo pontuado apenas pela inspiração do programa no blog de Klein. Já o episódio “A sitcom” recebeu avaliação máxima nesse quesito, uma vez que o programa é totalmente transformado a partir da utilização de características das sitcoms americanas, revelando a capacidade da série em se adaptar aos diversos tipos de programas e modelos.

A seguir, os indicadores de qualidade da mensagem audiovisual com as respectivas avaliações:

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A partir da análise, pôde-se perceber que Adorável Psicose se destacou em elementos da mensagem audiovisual, como originalidade/criatividade e diálogo com/entre plataformas. O programa possui um formato diferente, tratando de temas cotidianos a partir das psicoses muitas vezes inverossímeis de Natália. Situações cômicas improváveis são usadas para dialogar com temas do cotidiano do público, como uma ida ao cinema ou um encontro.Adorável Psicose também dialoga constantemente com outras plataformas, fazendo referências a outros programas ou séries, por exemplo. Tais elementos constituem um diferencial em relação ao outros programas televisivos.

Entretanto, em relação ao plano do conteúdo,indicadores como ampliação do horizonte do público e diversidade de sujeitos representados não obtiveram destaque dentro da produção. Temas que pudessem levar o público à reflexão e ao debate de ideias – característica essencial ao humor de qualidade – não foram apresentados com relevância nas emissões analisadas.

Por Júlia Garcia Gouvêa Andrade

A Diarista

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(Imagem: Captura de Tela)

Com direção de José Alvarenga Júnior – o mesmo diretor de Os Normais – o seriado A Diarista contou com quatro temporadas e foi ao ar de abril de 2004 a junho de 2007.  O piloto, contudo, estreou em dezembro de 2003 com texto de Glória Perez e, devido a grande audiência, deu origem ao programa.

A Diarista narra o cotidiano de Marinete, uma diarista que trabalha cada episódio em uma casa diferente. O chefe da agência de diaristas, Figueirinha, sempre atrasa o pagamento moça. Marinete tem ainda três amigas que sempre se envolvem nas suas confusões: Solineuza, Dalila e Ipanema.

Em relação ao plano da expressão, a vinheta de abertura foi um elemento de destaque. Ao som da música Dona da Banca, a vinheta mostra um jornal na seção de classificados e, dentre eles, está o anúncio de uma diarista com a descrição: “lavo, passo, limpo casas, apartamentos, hospitais, hotéis. Muamba de qualidade. Confusão garantida”. O anúncio é, então, circulado em vermelho. A descrição do anúncio já apresenta o conteúdo do programa, revelando o que o público pode esperar da série.

Já na esfera do plano do conteúdo, o indicador diversidade de sujeitos representados recebeu avaliação boa em todas as emissões analisadas, se destacando em relação aos demais indicadores desse plano. Comumente os episódios apresentam diversidade socioeconômica, exemplificada na diferença entre o nível econômico e social dos patrões e das diaristas. Pode-se também perceber diversidade de gênero e pontos de vista, por exemplo.

O indicador desconstrução de estereótipos foi, por sua vez, avaliado como fraco em todas as emissões. Os personagens são, muitas vezes, representados de forma caricatural, como Solineuza, que é ingênua e sempre chamada de “poia” ou “songa monga” por Marinete, que a considera muito burra. Já Ipanema é uma mulher independente e segura, que conserta suas próprias coisas.

Entretanto, ela é representada de modo masculinizado, como se a mulher independente, que sabe mexer em aparelhos eletrônicos, por exemplo, não pudesse ser muito feminina. Já Marinete reforça o estereótipo da mulher baixinha e nervosa.

Em relação ao indicador oportunidade, o programa obteve avaliação fraca em três emissões e razoável em outras duas. Os episódios que receberam avaliação fraca não continham temáticas muito atuais ou relevantes que fizessem parte das agendas do público e da mídia. Já o episódio “Aquele do Supermercado” recebeu avaliação razoável porque trata das compras no supermercado, assunto presente no cotidiano da maioria do público, embora não esteja tão presente na agenda da mídia. O episódio “Aquele do Dia da Fúria” recebeu igual avaliação também por tratar de assuntos frequentemente presentes na agenda do público, como o pagamento de contas ou problemas com o cartão de crédito, que levam a ligações estressantes para as agências bancárias.

A ampliação do horizonte do público também não obteve avaliações consideráveis nas emissões analisadas. Quatro receberam avaliação fraca por não trazerem à pauta temáticas relevantes socialmente, capazes de levar o público à reflexão e ao debate de ideias.  Apenas o episódio “Saia Injusta” recebeu avaliação razoável no indicador, pois trata, ainda que rapidamente, do preconceito socioeconômico, já que, durante o episódio, a vendedora de uma loja insinua que Marinete não poderá pagar pelos produtos e se recusa a atendê-la. Marinete rebate: “Olha só, pobre e rico no cemitério é tudo a mesma coisa, sabia?”.

Abaixo, podemos ver os indicadores de qualidade do plano do conteúdo para cada episódio:

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Já na esfera da mensagem audiovisual, o indicador clareza da proposta foi muito bem avaliado em todas as emissões analisadas, já que o formato do programa é nítido e se repete. Em todas as emissões verifica-se, por exemplo, que antes do terceiro bloco, quando vão entrar os intervalos comerciais, algum personagem aparece e pede para o público não mudar de canal, dizendo que o último bloco estará divertido.

Tal característica incrementou também o indicador solicitação da participação ativa do público, que recebeu avaliação boa em todos os episódios analisados. No episódio “Aquele do Supermercado”, Marinete diz: “Fiquem aí que o terceiro bloco está divertidíssimo, enquanto isso eu vou ali no banheiro do supermercado dar uma ajeitada aqui. E vocês sabem que quando eu digo guerra é guerra”. O uso de expressões dirigidas diretamente ao público, como “vocês” ou o imperativo “fiquem”, são destaque em relação ao indicador.

O diálogo com/entre plataformas, por sua vez, obteve avaliação fraca em duas emissões, razoável em outras duas e boa em um episódio. As emissões consideradas fracas no indicador não tinham conexão com outras plataformas ou menções a elementos da realidade. Os episódios que obtiveram avaliação razoável continham ao menos uma menção a tais elementos, como no episódio “Aquele do supermercado”, que cita o Big Brother Brasil, e o episódio “Aquele do Dia da Fúria”, que cita o cantor Fábio Júnior e uma de suas músicas.

O episódio “Aquele dos Outros”, no entanto, contém ainda mais referências da realidade, fazendo menções à cidade de Petrópolis, à personagem Hilda Furacão e ao filme Pânico, uma vez que a famosa máscara do filme é usada no episódio. Sendo assim, tal emissão recebeu avaliação boa, se diferenciando das demais.

Já o indicador originalidade/criatividade recebeu avaliação razoável em todas as emissões, já que o formato do programa não apresenta grandes inovações em relação a outros programas já exibidos. O conteúdo trabalhado pela série também não se destaca em relação ao indicador.

A partir da análise, pôde-se observar que em relação à mensagem audiovisual, o indicador solicitação da participação ativa do público obteve certo destaque em contraste com outros programas televisivos. O fato de Marinete e outros personagens se dirigirem ao menos uma vez diretamente ao público, olhando para a câmera e solicitando que continuem assistindo ao programa, incrementa o indicador. Tal ação não é observada com constância na televisão brasileira, à exceção de programas como Os Normais, também dirigido por José Alvarenga Júnior.

A seguir, os indicadores de qualidade da mensagem audiovisual com as respectivas avaliações:

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Entretanto, o programa A Diarista não se destacou em indicadores essenciais ao humor de qualidade, considerado aquele que desenvolve temas relevantes socialmente e que podem levar o público à reflexão e ao debate de ideias.

O indicador ampliação do horizonte do púbico, por exemplo, obteve avaliação fraca na maioria das emissões analisadas, já que não são trabalhados temas férteis, que podem levar o telespectador à discussão. Mesmo o episódio “Saia Injusta”, que recebeu avaliação razoável por tratar do preconceito socioeconômico, não se destacou no indicador, pois o tema não foi desenvolvido ou trabalhado com a relevância esperada para levar o público a uma reflexão mais aprofundada.

Por Júlia Garcia Gouvêa Andrade

Entrevista: Gabriela Borges fala sobre diversidade de programação na TV

Confira a entrevista, da Rede Globo, com a orientadora do Projeto do Observatório no Audiovisual, Gabriela Borges, onde ela fala sobre a qualidade na televisão e suas pesquisas sobre o tema.

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Link: http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/noticia/2011/10/entrevista-gabriela-borges-fala-sobre-diversidade-de-programacao-na-tv.html

Mörderische Entscheidung

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Sinopse:

O filme  Mörderische Entscheidung foi rodado em duas versões: uma foi a partir da perspectiva de uma mulher, o outro seguiu uma figura masculina. Ambos os filmes começaram de forma idêntica, em seguida, separadamente, por vezes, reuniu-se, em versão dupla de cenas, ambas as personagens e no final tudo se torna idêntico novamente.

Fonte: Media Art Net

Ano: 1991

Link: http://www.medienkunstnetz.de/works/moerderische-entscheidung/

Monodramas

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Sinopse:

Monodramas tem vídeos de 30 a 60 segundos de 1991, concebida como intervenções na televisão comercial, interrompendo o fluxo normal de publicidade e entretenimento, quando transmitida à noite, em British Columbia, durante três semanas em 1992. Essas micronarrativas imitavam técnicas de edição de televisão, mas eram núcleos de uma história que eles se recusaram a reunir.

Fonte: Media Art Net

Ano: 1991

Link: http://www.medienkunstnetz.de/works/monodramas/