Zé do Caixão

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  • Roteiro: André Barcinski, Ricardo Grynszpan, Vítor Mafra
  • Elenco: Matheus Nachtergaele, Maria Helena Chira, Bruno Autran, Anamaria Barreto, Walter Breda, Felipe Solari
  • Período de exibição: 13/11/2015 a 18/12/2015
  • Horário: 22h30
  • Nº de episódios: 6

Zé do Caixão foi uma produção do canal pago Space que retratou a vida do cineasta José Mojica Marins, mais conhecido por criar e interpretar o personagem Zé do Caixão. A série acompanha, sem compromisso documental, alguns anos da vida de Mojica e a produção de alguns de seus filmes, bem como a criação do icônico personagem. O elenco é composto por Matheus Nachtergaele (Mojica/Zé do Caixão), Maria Helena Chira (Dirce), Bruno Autran (Chico), Anamaria Barreto (Dona Carmen) entre outros.

A trama segue o formato episódico, ou seja, a maioria dos arcos narrativos tem início e fim no mesmo episódio. Cada capítulo mostra a produção de um filme de Mojica e, entre cada um, às vezes se passam anos. Tal escolha de formato permite, portanto, que o telespectador entenda a maior parte da trama sem precisar acompanhar todos os episódios.

No Plano da Expressão iremos destacar os seguintes indicadores: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. A história tem início em São Paulo na década de 60 e tanto a ambientação quanto o figurino são montados de acordo com a época. Nesse sentido, o indicador não só interfere no desdobramento da trama como também contribuiu para a imersão do público.

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Um fator importante é a caracterização do personagem Zé do Caixão (Matheus Nachtergaele), que segue fielmente a estética do personagem original, interpretado pelo próprio Mojica. Isso se faz importante não apenas para a verossimilhança e aproximação com a história real, mas para o envolvimento do público com a trama.

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A trilha sonora é predominantemente instrumental e composta, principalmente, por músicas de suspense e terror, que ambientam os filmes rodados por Mojica (Matheus Nachtergaele) como Zé do Caixão. Entretanto, outros momentos fazem uso da trilha sonora para dar o tom da cena, como aqueles divididos por Mojica (Matheus Nachtergaele) e Dirce (Maria Helena Chira), nos quais, por vezes, há músicas românticas.

A fotografia, por sua vez, é composta, na maioria das vezes, por muitas sombras, contrastes e cores escuras, o que se adequa à figura do Zé do Caixão. Além disso, quando há cenas dos filmes que estão sendo rodados nos episódios, a imagem fica em preto e branco para simular o aspecto do filme real.

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Já a edição segue o padrão linear e não apresenta alterações cronológicas, deixando a narrativa clara ao telespectador, que não se confunde nas temporalidades exploradas na trama.

No Plano do Conteúdo iremos destacar os seguintes indicadores: intertextualidade, escassez de setas chamativas, efeitos especiais narrativos e recursos de storytelling. Em relação à intertextualidade, a trama faz referência a lugares e pessoas reais, como São Paulo e Glauber Rocha, que tem a famosa frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” citada em um dos episódios da série. Isso contribui na ambientação da produção e na verossimilhança da trama, uma vez que traz elementos da realidade a uma série que trata de um personagem que realmente existiu – o cineasta Mojica(Matheus Nachtergaele).

Em relação à escassez de setas chamativas, foram observados alguns elementos que facilitam a compreensão do telespectador a cerca do que está ocorrendo na trama. Um exemplo ocorre no primeiro episódio, onde balas de festim são trocadas por balas reais pela mulher do delegado durante a produção do filme “A sina do aventureiro”, o que acaba ferindo a atriz principal. Antes de isso ocorrer, o público já pode imaginar o que acontecerá, já que a câmera foca, mais de uma vez, nas balas de festim ao lado das balas reais.

Em relação aos efeitos especiais narrativos, a série apresenta pequenos clímax e reviravoltas em todos os episódios, mas em nenhum momento o espectador é levado a reconsiderar tudo o que viu até então. O estilo narrativo do programa também se mantém constante ao longo dos episódios.

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Quanto aos recursos de storytelling, há, ao longo da série, algumas sequências fantasiosas, as quais são, em sua maioria, sonhos do protagonista. Isso se mostra claro, uma vez que tais sequências são em preto e branco e pode-se ver o personagem abrindo os olhos ao final dessas sequências, deixando evidente, portanto, que se tratam de sonhos. Dessa forma, pode-se perceber, também, a presença de setas chamativas.

Por Júlia Garcia

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