Observatório da Qualidade no Audiovisual

Docentes

A pesquisa foi realizada com 149 docentes, entre 24 e 71 anos de dez cidades brasileiras. São elas: Brasília (DF), Juiz de Fora (MG), Paranavaí (PR), Ponta Grossa (SC), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), São Roque (SP), Sorocaba (SP), Uberaba (MG) e Uberlândia (MG). O questionário, hospedado no Google Forms, era composto 31 questões com o objetivo de compor um perfil dos docentes e analisar o desenvolvimento da competência midiática. Após aplicação dos questionários nas Universidades onde lecionam de forma interativa e presencial, as respostas obtidas foram organizadas em um arquivo do Excel, no formato CSV (Comma-Separated Values) e posteriormente realizamos a sistematização dos dados no software R.

O questionário foi dividido em quatro etapas. A primeira era composta de perguntas direcionadas ao perfil dos docentes, como, por exemplo: idade, sexo, nível de escolaridade, anos de experiência, etc. A segunda fase era constituída de questões sobre as seis dimensões da competência midiática: Tecnologia, Linguagem, Processos de interação, Processos de produção e difusão, Ideologia e valores e Estética. A terceira fase era composta de perguntas que abordavam o uso da mídia pelos docentes e a quarta etapa possui questões direcionadas a responsabilidade do docente.

A partir da sistematização dos questionários, podemos destacar que para os respondentes, o meio de comunicação impressa é o que mais influencia, sendo mais citado “Habitualmente” (44,30%) e menor intensidade, mas com destaque “Sempre” (23,49%). De modo geral todos os meios apresentaram uma parcela de influência, mas com uma leve vantagem para impressa, além de possuir a menor porcentagem para a opção “Nunca” (3,36%). Outra questão aborda o uso dos meios de comunicação e as redes nas tarefas de pesquisa (redes de pesquisa, projetos…) dos docentes. Neste caso, observou-se que meios de comunicação e redes de modo geral não são usados para pesquisas. Para todos os meios citados e observando as opções para ordens mais baixas – “Nunca” e “Ocasionalmente“ – apresentam porcentagens mais altas, indicando sua falta uso do meio.

Quando questionados sobre a promoção da produção midiática dos seus alunos em sala de aula, a maioria (42,95%) marcou a opção “Ocasionalmente”, seguido de 27,52% com a opção “Habitualmente”. Sendo assim, observou-se que não há promoção significativa de atividades midiáticas.

Profissionais de comunicação

A pesquisa foi realizada com 56 profissionais da comunicação atuantes em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O questionário, hospedado no Google Forms, continha 28 perguntas abertas e de múltipla escolha, tinha o objetivo de traçar o perfil do uso de dispositivos móveis no âmbito profissional de comunicação na cidade. O questionário foi aplicado remotamente, através de links distribuídos por e-mail e abrangeu atuantes nas áreas de jornalismo, publicidade, marketing, administração pública, educação e industrial. As respostas obtidas foram analisadas individual e coletivamente, através de gráficos gerados pela plataforma utilizada.

O questionário era composto por quatro etapas, inicialmente sobre suas atividades, responsabilidade do cargo e a dimensão da empresa empregadora. Na segunda etapa, as questões objetivavam traçar o perfil do profissional em questão perguntando, por exemplo, seu sexo, quais dispositivos possuía, quantidade de horas de uso, etc. A terceira etapa buscava compreender quais os usos e funções eram utilizadas por esses profissionais e com que frequência. Na última etapa, o comunicador era convidado a definir a importância de seus dispositivos no exercício de tarefas rotineiras. Continha ao final, também, uma aba disponível para comentários e sugestões.

A partir da sistematização dos questionários, podemos destacar que quando questionados a respeito da dependência do exercício profissional em relação ao uso de dispositivos móveis, em uma escala de um a cinco, 69,6% dos entrevistados consideraram-se no último nível da escala e quase metade (46,4%) indicaram somente desligar o telefone durante a noite. Em detrimento do uso do computador, os respondentes indicaram preferir se comunicar com as equipes de trabalho (82,1%) e interagir em redes sociais na Internet (78,6%) através de aparelhos móveis.

Em relação ao desenvolvimento e formação em competências digitais, 92,9% dos respondentes acreditam ser muito importante para os profissionais de comunicação, enquanto apenas 39,3% indicam acreditar ser muito importante para a cidadania em geral. Em contrapartida, 69% dos respondentes acreditam ser muito importante abordar valores éticos e deontológicos assim como colaborar com a distribuição da informação (69,23%) ao promover a alfabetização digital. Dada a incongruência dos dados entre as duas perguntas, podemos concluir que os profissionais de comunicação não compreendem claramente as questões relacionas as competências digitais e midiáticas.

A respeito dos usos dos dispositivos com fins criativos, 48,2% afirmaram utilizar com muita frequência para atualizar as redes sociais e 39,2% para fotografar enquanto 32,1% afirmaram nunca utilizar aplicativos para criar composições visuais. 57,1% dos respondentes afirmaram que estes dispositivos são ferramentas valiosas para agilizar processos e 53,6% para reduzir custos. Ainda que grande parte dos profissionais apontem que os dispositivos móveis facilitaram a flexibilidade (64,3%) e melhorias nas possibilidades profissionais (42,8%), metade aponta dispersar-se com estes e 42,8% acreditam ter colaborado com o aumento do tempo de trabalho.