Observatório da Qualidade no Audiovisual

Análise Severance

Por Renata Valentim
Revisão Daiana Sigiliano

Severance, série estadunidense de drama e ficção científica produzida pela Apple TV+, e que no Brasil foi chamada de Ruptura ao ter o título adaptado em língua portuguesa, foi criada pelo roteirista Dan Erickson, é produzida por Ben Stiller e integra o catálogo de produções originais da plataforma de streaming Apple TV+. O episódio de estreia da primeira temporada foi lançado mundialmente em 18 de fevereiro de 2022, e a segunda temporada teve início no dia 17 de janeiro de 2025. Às vésperas do anúncio oficial de renovação do programa, veículos especializados em cultura pop noticiaram que o tempo de espera dos fãs por novos episódios não seria tão grande quanto da primeira vez.  

Com a premissa de apresentar um falso equilíbrio na relação entre vida pessoal e vida profissional, a série apresenta seus personagens como funcionários de uma empresa que os submete a um procedimento que separa cirurgicamente suas cronologias perceptuais, dividindo, assim, as lembranças entre a vida profissional e a pessoal. O acesso a essas lembranças passa a ser organizado espacialmente, tornando impossível com que eles se recordem das experiências pessoais enquanto estão na empresa, nem com que se lembrem das experiências no trabalho quando estão fora dele.

Apesar das excelentes avaliações da crítica desde a primeira temporada, Severance furou a bolha do público aficionado por ficções seriadas televisivas sobretudo a partir da segunda temporada, quando a Apple TV+ ampliou a publicidade da atração, com características comumente atribuídas à empresa da maçã: inovadoras, como a instalação de um cubo de vidro no Grand Central Terminal, de Nova Iorque, em que foi montado parte do cenário para que o elenco principal pudesse simular cenas da série e, ao mesmo tempo, interagir com passageiros e fãs; e elegantes na forma e no conteúdo, em edições refinadas de teasers, trailers e outros cortes promocionais, para divulgação em seus canais digitais oficiais.

No cenário contemporâneo do capitalismo tardio e da atual cultura corporativa, em que os limites entre trabalho e vida pessoal estão cada vez mais imprecisos, quer seja pelo uso das automações e novas tecnologias, quer seja pela exigência de aumento no desempenho laboral – ou até mesmo pela exigência de performance pública de desempenho, dentro ou fora das redes sociais –, a proposta radical apresentada na série parece, a priori, até sedutora para quem está no mercado de trabalho. Mas, nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador pode sentir a atmosfera de opressão e desumanização causada pela política da empresa sobre seus empregados, expressas tanto pela estética – no cenário, nas cores e nas luzes – quanto pela linguagem – no discurso hermético, condescendente e drasticamente impessoal entre chefes e subordinados. 

A opressão e a desumanização do trabalho estão caracterizadas até mesmo nos detalhes da construção dos cenários de Severance. Há uma preocupação constante da direção de arte em utilizar conceitos justapostos: a amplitude dos espaços contrasta com a sensação de sufocamento nas tomadas com o teto à mostra; a grande sala do departamento de Refinamento de Macrodados dispõe das quatro estações de trabalho aglutinadas; os corredores entre salas são longos, porém labirínticos. Apesar da evidente magnitude da sede, quase não há circulação de pessoas, de modo que os personagens dificilmente conhecem ou se encontram casualmente com funcionários de outros departamentos. Em uma empresa tão grande, predomina o silêncio.

Figura 1: Equipe de Refinamento de Macrodados em suas estações de trabalho Fonte: Reprodução – Severance T01E01: Good News About Hell, 2022.

A opulência da empresa é apresentada por tomadas externas panorâmicas, em que uma enorme estrutura de estilo brutalista – com o predomínio de concreto e vidro – aparece em destaque, rodeada apenas pelo território verde e inabitado, pelo branco da neve no pavimento do estacionamento e pelos tons de cinza do céu nublado (Fig. 01). No saguão da sede, há um gigantesco relevo com o busto de Kier Eagan, o fundador da Lumon Industries, esculpido no concreto. Até mesmo num simples bloco de anotações há a marca da Lumon Industries. Itens de papelaria, manuais de compliance, equipamentos informática e itens de conveniência, como as embalagens dos lanches, todos recebem o globo achatado com o nome da empresa e a letra ‘o’ na forma de um quadrado de cantos arredondados contendo uma gota – cujo significado o público, combinando informações dispersas ao longo dos episódios, consegue deduzir apenas no sétimo episódio da segunda temporada.

Figura 2: Mark caminha em direção à sede da Lumon Industries Fonte: Reprodução – Severance T01E01: Good News About Hell, 2022.

A ausência de cores quentes, seja nos cenários ou nos figurinos, representam a supressão das emoções e expandem a sensação de sufocamento dos funcionários na empresa. Predominam o azul e o verde, com raras aparições do amarelo nos trajes dos personagens – que estão associados a uma antecipação de eventos importantes na narrativa. Nos ambientes fora da empresa, a sensação também está presente, com as fachadas de casas da vizinhança, que parece inabitada, e o interior da residência do protagonista em tons de azul e cinza. Neste caso, a representação das cores denota mistério, isolamento, solidão e melancolia.

A dimensão temporal também é justaposta por passado e futuro: predomina o retrofuturismo no design do mobiliário e dos equipamentos da Lumon Industries, que transmite uma sensação de congelamento de tempo. Nada indica em que ano se passa a história, a não ser o uso de telefones celulares. Não há calendários, mas há relógios. Apenas eles indicam o momento em que os funcionários devem sair – de forma escalonada, para que não haja o risco de se encontrarem fora do andar de seu departamento. 

A exibição da transição entre uma consciência e outra – que ocorre sobretudo no elevador de acesso ao andar do departamento de Refinamento de Macrodados – foi criativamente representada pelo efeito Dolly Zoom em um enquadramento de primeiríssimo plano nos personagens, cuja técnica combina o movimento da câmera com o zoom da lente, que aumenta ou diminui o distanciamento enquanto a câmera se desloca.

As perspectivas utilizadas frequentemente corroboram com o universo opressivo e desumanizador da empresa sobre seus empregados, ao criarem divisões visuais entre eles e os elementos do cenário ou tornarem suas aparições pequenas diante do ambiente (fig. 02). Há emprego de simetria em diversas tomadas (fig. 01), sobretudo quando é enquadrada a fachada da empresa. Os enquadramentos deslocam os personagens do centro da tela, mas criam linhas guias que dirigem o espectador para os elementos em cena, que podem denotar impessoalidade, subjetividade, desequilíbrio e mistério.

Figura 3: Helly R. acorda sobre a mesa Fonte: Reprodução/Severance T01E01: Good News About Hell, 2022.

 

Figura 4: Helly R. está confusa ao falar com Mark S. no intercom Fonte: Reprodução/Severance T01E01: Good News About Hell, 2022.

A narrativa apresenta os protagonistas Mark S. (interpretado por Adam Scott) e Helly R. (Britt Lower) que, acompanhados de Irving B. (John Turturro) e Dylan G. (Zach Cherry), formam o time de funcionários do setor de Refinamento de Macrodados da Lumon Industries. Para atuarem neste setor, é obrigatório o procedimento microcirúrgico de ruptura responsável pela divisão perceptual da memória, o que imediatamente levanta suspeitas do espectador sobre o grau de sensibilidade dos dados tratados. 

No episódio-piloto, a estrutura narrativa não linear – que se mantém em praticamente toda a série – é iniciada com uma apresentação bizarra dos protagonistas: Helly aparece dormindo sobre a mesa de uma hermética sala de reuniões, e é despertada por interpelações confusas de Mark que, àquela altura, aparece apenas por uma voz indistinta no aparelho de intercom sobre a mesa. Diante das perguntas pessoais que não consegue responder, Helly se desespera e tenta abrir a única porta de acesso ao espaço. É quando Mark surge, em meia sombra, carregando um fichário com instruções para receber e instruir aquela que virá a ser a nova funcionária de seu departamento.  

A montagem nos mostra a seguir que, apesar da disposição para o trabalho no interior da empresa, Mark chorava copiosamente no interior de seu carro no estacionamento da Lumon, momentos antes de receber Helly em seu primeiro dia como funcionária do departamento de Refinamento de Macrodados. A narrativa mostra o ritual de entrada de Mark na empresa, que precisa trocar os crachás de acesso e o relógio, antes de ingressar no elevador que dá acesso ao andar dos funcionários submetidos ao procedimento de ruptura. Logo ao chegar ao andar, e já com acesso à sua memória perceptual do trabalho, Mark descobre o lenço de papel usado momentos antes no carro em seu bolso, estranha o item e o descarta na lixeira. 

Já em sua sala, cumprimenta os colegas e liga sua estação de trabalho, quando é acionado pelo dúbio Mr. Milchick (Tramell Tillman), o assistente da diretora do departamento, a temida Mrs. Cobel (Patricia Arquette). Os dois caminham em direção à nova sala da chefe, enquanto Milchick dá instruções sutis a Mark para que elogie Cobel por sua nova sala. Ela o recebe. Ao vê-lo, ela se surpreende com a aparência do subordinado, afirmando que ele está “com uma aparência horrível, com cara de ressaca”, o que ele estranha, por se sentir bem. Enquanto os dois se sentam à mesa, Michick posiciona o dispositivo de intercom, quando Cobel informa que o conselho da empresa vai participar da conversa. A atmosfera de contenção e constrangimento é maximizada com o silêncio do dispositivo de comunicação. Nesse momento ele descobre que vai substituir o melhor amigo, Petey, como chefe de departamento a partir dali. Mark recebe a notícia com estranhamento, já que no dia anterior, não houve nenhum indício de que Petey se desligaria da empresa. Milchick se antecipa para informá-lo de que não poderia revelar os motivos pela política de confidencialidade da empresa. 

Para interromper o clima de indignação crescente, Cobel pede a Mark, expressando sutil contentamento ao pedi-lo que colocasse seu crachá sobre a mesa. Assim, ela se levanta, e diz: “Mark S. eu agora lhe concedo a liberdade de servir o Kier na função de chefe do Departamento de Refinamento de Macrodados, parabéns”. Eles trocam os crachás, e ela lhe diz que um aperto de mão está disponível caso solicitado. Ele hesita por um momento, e faz a solicitação, que é recebida por Cobel com surpresa. 

Milchick lhe entrega o fichário com instruções de treinamento para novos funcionários do departamento, recém-submetidos ao procedimento de ruptura. É informado por Cobel que, por nunca ter realizado tal tarefa, Mark seria acompanhado por Irving, por ser um membro mais antigo da equipe. Milchick dá instruções verbais de seguir o fluxograma contido no fichário e que siga as instruções devidamente, que variam conforme se dá o diálogo com o novo membro da equipe. A sequência de cenas mostra a perspectiva de Mark para a recepção de Helly R. que, por estar naturalmente confusa com a absoluta ausência de memórias sobre si, incluindo seu próprio nome – o que o questionário da empresa aplicado por Mark cumpre a função de verificar – recebe Mark com hostilidade e o agride com o mesmo intercom que mediou o primeiro contato entre eles. Dali em diante, Helly resiste aos procedimentos iniciais de integração ao cargo e insiste na sua saída da empresa. Mark a acompanha até a porta para a escada de emergência, de onde poderia partir para a área externa das dependências da Lumon, mas quando sai, retorna imediatamente para o corredor de onde partiu. Helly repete a operação diversas vezes. Mark a aguarda, como se tivesse certeza do seu retorno. Helly volta até Mark e pergunta: “Eu estou morta? Isso é algum tipo de inferno? Por que não posso sair?”.

Assim é apresentada a divisão da consciência dos funcionários “rupturados” da Lumon, transformando-os em dois: os innies estão condenados a nunca mais sair da empresa, embora os outties, os sujeitos de fora da empresa, não façam ideia do que fizeram durante a jornada típica das 9h às 17h. Severance, deste modo, satiriza a crescente dissolução entre trabalho e vida pessoal, e a visão organizacional de que a subjetividade dos funcionários de uma empresa são empecilhos para a boa performance e produtividade. A alienação do trabalho opera como mecanismo fundamental do capitalismo (Marx, 2002), ao fazer que um trabalhador produza a si mesmo como mercadoria. 

No cenário de discussões sobre os tensionamentos sobre o campo do trabalho em âmbito global, em que se vê o avanço da precarização e da informalidade (Abílio, Amorim & Grohmann, 2021), a dificuldade de acesso a oportunidades de emprego entre grupos sociais, a desigualdade salarial, o impacto do uso de inteligência artificial na obsolência de habilidades e da crescente automação de processos, seja no setor industrial ou no de serviços, a sátira de Severance marca a urgência da reflexão sobre o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. 

No mundo pós-pandemia, trabalhadores observam com insatisfação o retrocesso no regime de teletrabalho que, a partir da crise sanitária, foi recebido positivamente por funcionários de diversos setores, que relataram melhoria na qualidade de vida pela flexibilização de horário, economia de tempo e dinheiro ao evitar deslocamentos e investimentos em traje profissional, além de maior produtividade e foco, proporcionados pelo contato reduzido com os colegas. Empregadores e gestores, no entanto, justificam o movimento de retorno total às sedes como fundamental para a vivência e o fomento da cultura organizacional

Neste sentido, ao apresentar um universo em que é possível realizar uma separação radical da consciência para de maximizar a produtividade, ao suprimir emoções atribuídas à subjetividade dos funcionários da Lumon Industries, Severance faz uma crítica à desumanização e ao silenciamento do subjetivo no mundo corporativo para dar lugar ao cumprimento de metas em nome do lucro.  Embora não lance mão do recurso de marketing social que direcione o olhar do espectador e não adote tom didático para tratar de conceitos importantes sobre a exploração da mão de obra, Severance faz uso da sátira para realizar sua crítica na radicalização da medida adotada pela Lumon Industries para a alienação do trabalhador – o procedimento microcirúrgico para separação da consciência – mas, com ela, escancara o mecanismo alienante do capitalismo neoliberal que transforma humanos em peças de engrenagem para que ela nunca pare de girar.

A série não traz grande diversidade de gênero, na medida em que Helly é a única mulher dos quatro membros da equipe de Refinamento de Macrodados, mas o grupo é chefiado por Ms. Cobel, uma mulher de meia-idade. O assistente da direção do departamento, Mr. Milchick, é um homem negro com idade entre 30 e 40 anos. Na dimensão étnica, Dylan, homem negro jovem e Ms. Casey, mulher asiática, se juntam a Milchick. Além de Cobel, a questão etária possui alguma diversidade também com Irving, homem com idade próxima do alcance da aposentadoria. A série explora o tratamento sarcástico comumente empregado a funcionários com idade avançada quando, em alguns momentos, Irving tem alucinações no exercício da função, que são confundidas com sonhos das sonecas no meio do expediente. 

A diversidade de orientação sexual está posta também no arco narrativo de Irving, que encontra em Burt, um funcionário misterioso do departamento de Ótica e Design, a possibilidade do afeto. Por tratar da desumanização do trabalhador por meio da supressão de sua subjetividade, a série em nenhum momento explora a dimensão religiosa dos personagens, excetuando-se o próprio tratamento mítico dado aos CEOs da Lumon Industries ao longo da trama. 

Por se tratar de uma sátira da exploração da força de trabalho ao separar suas consciências para suprimir a subjetividade e maximizar a produtividade, Severance explora estereótipos para desvelar a exploração máxima da corporação. Ao separar um indivíduo em dois, outties e innies, a representação satírica dessa exploração expõe ao público a diferença do que é trabalhar para viver e o que é viver para trabalhar. Os mecanismos de desumanização que complementam a separação radical, como a proibição de comunicação entre as duas consciências, a impossibilidade de contato e formação de laços dos colegas de departamento fora da empresa, o tom condescendente da comunicação dirigida à equipe, a rigidez e agressividade da chefe Cobel no tratamento aos seus subordinados, também compõem o arcabouço crítico dirigido às grandes corporações e ao próprio capitalismo, que almeja a submissão máxima da força de trabalho como meio de aumento da produção e, por consequência, do lucro. 

Com exceção dos momentos em que é atribuído a Irving o costume de cochilar em função da idade, série não explora estereótipos na caracterização de seus personagens, baseados em pertencimentos de grupos sociais. A homossexualidade de Irving e Burt não é construída com trejeitos, as presenças femininas jovens – Helly e Ms. Casey – no setor não são de mulheres hiperssexualizadas. É possível afirmar, inclusive, que a série trata com ironia a expectativa de que o vocabulário de um homem afro-americano fosse construído com base no Black English, explorado com frequência na cultura pop estadunidense. Contrariando a ideia, Severance dá a Mr. Milchick um vocabulário primoroso, que não se desvia em nenhum momento do inglês formal. Importante destacar que essa característica é mais bem explorada no arco narrativo do personagem na segunda temporada. 

O gênero da ficção científica permite à Severance o emprego de recursos originais para representar a violência do cotidiano laboral idealizado pelo neoliberalismo no mundo real, em que a fragmentação do sujeito trabalhador é simbólica, e não cirúrgica. A existência de um dispositivo capaz de separar consciências torna possível materializar a exigência crescente de performance e esvaziamento existencial, na medida em que o trabalho deixa de uma atividade de geração de renda e formação de identidade para ser prisão e exploração. Neste sentido, Severance pode ser entendida como uma produção inovadora para tratar da exploração exacerbada da mão de obra e da violência do subjetivo pela homogeneização imposta pelo sistema capitalista, escapando de representações óbvias dessa exploração ou de recortes profissionais. Para tanto, põe no centro da trama o universo do trabalho sem que sequer se saiba o que está sendo produzido: nem os personagens, nem o público.

Referências

ABÍLIO, Ludmila Costchek; AMORIM, Henrique; GROHMANN, Rafael. Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas. Sociologias, Porto Alegre, ano 23, n. 57, mai-ago 2021, p. 26-56. 

BORGES, Gabriela; SIGILIANO, Daiana. Qualidade audiovisual e competência midiática: proposta teórico-metodológica de análise de séries ficcionais. In: Encontro Anual da Compós, 30, 2021, São Paulo. Anais […] São Paulo: Compós, 2021. Disponível em: researchgate.net/publication/354859743_QUALIDADE_AUDIOVISUAL_E_COMPETENCIA_MIDIATICA_proposta_teorico-metodologica_de_analise_de_series_ficcionais. Acesso em: 22 ago. 2025.

MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2002.

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