Por Ana Rita
Revisão: Maria Victória Loures Costa
Samara Angela Teixeira
Daiana Sigiliano
Na sequência da recolha de cinquenta vídeos publicados na plataforma TikTok, todos com referência à série Adolescência do streaming Netflix, procedeu-se a uma análise do conteúdo partilhado, da sua estrutura, forma de apresentação e do nível de interação gerado junto do público. De modo a assegurar uma divisão justa entre os membros do projeto, os cinquenta vídeos foram distribuídos equitativamente, sendo atribuídos dez a cada participante para análise.
O presente relatório diz respeito à avaliação dos vídeos identificados com os números 11 a 20 na listagem geral. Contudo, para simplificar a leitura e organização deste documento, o vídeo número 11 será aqui tratado como vídeo 1, seguindo essa lógica sequencial até o vídeo de número 20, que corresponderá ao vídeo 10 desta amostra específica.
Análise Variedade e Métrica
A categorização dos perfis presentes nesta amostra foi feita com base no tipo de utilizador: Amador, Expert ou Oficial.
No universo analisado, verificou-se que exatamente 50% dos vídeos, sendo eles o 1, 2, 5, 6 e 9, pertencem a perfis classificados como Expert, geralmente ligados a profissionais ou pessoas com conhecimento aprofundado sobre o tema.
Os outros cinco vídeos, ou seja, os 50% restantes, pertencem a perfis Amadores, sem identificação profissional ou autoridade explícita sobre o tema em questão. Não foi identificado nenhum perfil Oficial nesta amostra.

Em termos de desempenho destaca-se o vídeo 8 como o mais visualizado, com um total de 3,5 milhões de visualizações. Em contrapartida, o vídeo 9 apresentou o pior desempenho nesse critério, com apenas 1310 visualizações. Esta disparidade ilustra o impacto que fatores como conteúdo, estilo e forma de apresentação podem ter no alcance e sucesso de um vídeo na plataforma.
O vídeo 8 registou 68,1 mil curtidas e 684 comentários, sendo parte de um perfil que acumula um total de 1,6 milhões de curtidas.
Já o vídeo 9, por contraste, teve apenas 108 curtidas, zero comentários e pertence a um perfil com 684 mil curtidas.
Esta comparação mostra que o bom desempenho de um conteúdo específico não depende exclusivamente da popularidade ou estatísticas gerais do perfil, mas está intimamente ligado à forma como o conteúdo é construído e apresentado ao público.
Análise Conteúdo
Todos os vídeos analisados apresentam alguma correlação com o conteúdo original da série Adolescência, embora essa ligação se manifeste de formas distintas.
O vídeo 8, por exemplo, destaca-se por ser mais explicativo, apresentando informações a partir da perspectiva do espectador que produziu o vídeo acerca do momento do sanduíche, momento marcante da série em que a psicóloga coloca o alimento de forma intencional para Jamie, criando uma situação de observação para perceber como o menino reagiria. Nesse cenário o comportamento de Jamie se torna revelador. Mesmo diante de algo que não lhe agrada, ele decide comer o sanduíche, o que pode ser entendido como um movimento calculado, mostrando seu lado menos inocente e mais manipulador.
Além disso, destaca-se a reação posterior da psicóloga, que demonstra incômodo ao tocar no sanduíche, gesto que tensiona a cena e contribui para quebrar a imagem anterior do personagem, sugerindo uma percepção mais clara sobre seu caráter e o possível envolvimento no crime. Assim, o vídeo não apenas descreve a situação, mas propõe uma leitura mais crítica da cena, o que torna o conteúdo mais envolvente e ajuda a explicar seu elevado número de visualizações.

Já o vídeo 9 opta por uma linha mais descritiva, com ênfase em entrevistas e bastidores de episódios da série. Apesar de manter uma relação temática com a trama, o conteúdo revela-se mais técnico e menos emocional, o que pode justificar o fraco desempenho ao nível do alcance e da interação por parte do público.
Elementos Nativos
A análise dos elementos nativos de cada vídeo, como o uso de templates, efeitos, legendas, som e outros recursos gráficos, evidencia também uma grande disparidade entre os dois casos em foco.
O vídeo 8 recorre a uma edição dinâmica, combinando excertos do terceiro episódio com imagens de bastidores e trechos de entrevistas, o que contribui para diversificar o conteúdo e manter o interesse do espectador. Além disso, utiliza legendas e setas ao longo do vídeo para direcionar o olhar do público para elementos específicos (neste caso, o sanduíche), tornando a interpretação mais guiada e acessível. Esse tipo de recurso visual não apenas facilita a compreensão, mas também estimula a interação ao destacar pontos considerados relevantes pelo criador. O uso de hashtags estratégicas como #adolescence, #owencooper, #usa, #fyp, #foryou e #capcut reforça o potencial de alcance do vídeo ao inseri-lo em fluxos de maior circulação dentro da plataforma. Além disso, a escolha de um som original com voz gerada por inteligência artificial contribui para a clareza da narração.
Por outro lado, o vídeo 9, que retrata o momento em que o pai do Jamie vê a filmagem na esquadra dele a esfaquear a colega na noite anterior, apresenta-se de forma bastante simples, sem qualquer elemento gráfico ou template editado. A legenda é breve e funcional, sem frases que promovam a interação, dizendo apenas “Adolescence #adolescence #adolescenceedit #netflix #fy #fyp”. A trilha sonora limita-se ao som original da série, dublado em pt-br com música de fundo. O resultado é um vídeo com menor dinamismo visual e auditivo, o que pode explicar a sua performance reduzida.
Conclusões Finais
A comparação entre os vídeos 8 e 9 permite concluir que o sucesso na plataforma TikTok depende menos da reputação do perfil e mais da forma como o conteúdo é construído.
O vídeo mais visualizado demonstra que uma edição envolvente aliada a recursos nativos da plataforma, como legendas apelativas e o uso estratégico de hashtags, pode fazer diferença na captação de visualizações e interações. No entanto, o próprio conteúdo abordado também se mostra como um fator relevante, uma vez que a cena analisada desperta interpretações diversas e provoca discussões entre os espectadores. Isso pode ser observado pelo volume de comentários nos quais os usuários debatem o comportamento do personagem e o significado da situação apresentada. Assim, o engajamento do vídeo não se deve apenas às estratégias de edição e circulação, mas também à capacidade do conteúdo de gerar reflexão e incentivar a participação do público.
Já o vídeo menos visualizado, embora mantenha relação com a série analisada, peca por uma apresentação monótona e pouco estimulante. A ausência de elementos gráficos, a fraca sonoridade e a estrutura simplista tornam-no pouco atrativo em um ambiente digital marcado por estímulos rápidos e constantes. Além disso, este vídeo, ao focar-se em transições com momentos da série toda, acaba por se afastar do apelo emocional e visual que o público da plataforma procura.
A evidência mais forte de toda esta análise é que o TikTok, como espaço de consumo rápido de conteúdos, favorece vídeos curtos, envolventes e emocionalmente apelativos. O engajamento não se constrói apenas sobre o que se diz, mas principalmente sobre como se diz e, mais ainda, sobre como se mostra. A eficácia comunicativa depende, assim, do alinhamento com a linguagem da plataforma e com as expectativas do seu público, que em grande maioria valoriza conteúdos visuais cativantes, sons marcantes e narrativas rápidas e impactantes.









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